Wind Broken Wings
18 Ventos Glaciais
Notas iniciais
Riven caminhava pela feira lotada, procurando os ingredientes necessários para o almoço, afinal, era um dia especial. A garota olhava atentamente cada banquinha, procurando os produtos mais frescos e baratos. Uma pequena mão puxou a barra de sua blusa, sugando toda a sua atenção.
– Mamãe, estou com sede.
– Certo, Sayu, vamos comprar algo pra você! — pegou a pequena no colo — Quer água ou suco?
– Suco!
– De quê?
– Molango!
– Sayu, é morango. Repete com a mamãe: mo-ran-go.
– Mo-lan-go!
Riven caiu na gargalhada com a resposta da pequena. Fez o pedido e escolheu uma mesa para se sentar. Yone e Sayurin completavam quatro anos hoje, então a lutadora pediu um dia de folga para Swain para que ela mesma pudesse preparar o almoço. Enquanto aguardava o suco chegar, perdia-se nas lembranças enquanto fitava os orbes profundamente rubros da pequena garotinha que acariciava. Os amava mais que qualquer coisa na vida. A exilada havia criado um vínculo especial com Darius, se encaixaram numa rotina harmônica entre si e com as crianças.
Sayurin, apesar de se parecer muito com Riven, possuía a personalidade do pai, era calma e muito brincalhona, raramente seu pequeno sorriso saía do rosto. Nunca havia brigado com seu irmão, eram unidos como se fossem um. Yone era uma miniatura do pai, apesar dos cabelos estarem apenas na altura dos ombros, e havia puxado a personalidade de Riven, se irritava com facilidade, menos com a irmã; era um garoto reservado, não interagia muito com os coleguinhas de classe, mas adorava brincar. Estavam na escola fazia apenas três meses, mas já eram muito bem elogiados pelas educadoras responsáveis por eles.
– Mamãe — Sayurin despertou a mãe de seus pensamentos — Eu acabei.
– Então vamos? Papai e Yone estão nos esperando.
– Vamos! — estendeu os bracinhos rechonchudos para ir para o colo da mãe coruja.
Riven pagou a conta e seguiu o caminho de casa. No meio do caminho, um pouco ao longe, as longas madeixas vermelhas esvoaçantes balançavam com o passo rápido de Katarina, mas a lutadora a reconheceu imediatamente. Acenou para a assassina, que parou próxima dela.
– Tia Kat! — Sayurin abriu os braços
– Sayu, minha princesa! — abraçou-a com força — Tudo bem?
– Aham! — Sayu se mexeu com a intenção de descer e Katarina a colocou no chão. — Neném... — a pequena olhava fixamente para a barriga da ruiva e apontava diretamente para seu ventre.
– O que foi, Sayu? — Riven estava confusa com a atitude dela
– Neném, mamãe, neném!
– Katarina... — a lutadora olhou para a amiga e viu que ela chorava com um enorme sorriso no rosto.
– Riven, estou de partida. Irei passar um ano fora, junto com Garen. Acabei de descobrir que estou grávida.
– Sério? — Riven olhava surpresa para ela — Meus parabéns, Kat. Vai descobrir como criança é um milagre na vida. Eu nunca planejei ter filhos, e olhe pra mim agora, vivo em função deles. — abraçou a amiga com força — Meus parabéns, de verdade. Como conseguiu permissão para sair?
– Quando eu conheci o Garen, eu sabia que esse dia iria chegar, então eu trabalhei por alguns anos sem férias, para que elas se acumulassem e eu as descontasse de uma vez. Disse ao Swain que iria fazer um peregrinação por toda Valoran durante um ano, para investigar como andam os pensamentos de cada cidade em relação à Noxus, principalmente Demácia. Ele me deu permissão para a investigação e aqui estou eu, curtindo minha gravidez escondida desse crápula nojento.
– Boa sorte, Kat. — abraçou-a mais uma vez — Boa viagem e se cuida.
– Posso te pedir um favor?
– Sim, claro.
– Quero uma foto sua com a Sayu e o Yone para levar de lembrança. Sabe como eu amo esses dois como se fossem meus, né?
– Vamos lá em casa, vou pegar.
Após receber a foto, por sorte era recente, Katarina agradeceu e partiu. Riven observou a silhueta da amiga desaparecer no horizonte e voltou para iniciar os preparativos do almoço enquanto Darius e Draven brincavam com Yone e Sayurin na piscina. Apesar do temperamento, o executor estava se saindo um excelente padrinho, era atencioso e ensinava as coisas certas para eles, apesar de não gostar muito dessa parte. Sonhava fazer de Yone seu sucessor, imaginava aquelas pequeninas mãos segurando machados e fatiando pessoas por aí, seus olhos até brilhavam com tais pensamentos.
Riven os observava com um sorriso bobo no rosto. Apesar de ainda imaginar Yasuo no lugar de Darius, tais pensamentos não lhe tiravam mais o sorriso, apenas lamentava consigo mesma que o destino os houvesse separado. Lembrou-se de quando Sayurin disse a primeira palavra. A pequena encarou o irmão por alguns segundos, apontou para ele e disse: Papai! A lutadora sabia que ela havia nascido com um dom especial, ela sentia coisas que outras pessoas não eram capazes. Ela nunca tinha chamado Darius de pai, ela sentia que não era ele. Mesmo com apenas quatro anos de idade, a pequena possuía um raciocínio extraordinário ligado à sua percepção descomunal. Ela atraía a presença dos animais, todos agiam calma e alegremente perto dela; ela sentia a natureza maligna das pessoas, sempre perdia o brilho dos olhos diante de LeBlanc, e lhe recitava algumas palavras em um idioma arcaico.
Diferente de Sayurin, Yone não tinha paciência para pensar em nada, sua melhor saída era subjugar seu alvo na força bruta. Não tinha tempo para ponderar sobre suas ações nem maturidade para tal. A única pessoa que acalmava seu temperamento era a irmãzinha. Ela possuía um controle especial sobre ele, sempre lhe dava paz de espírito e domava sua fera interior apenas olhando profundamente nos olhos dele. Era infalível.
Riven se orgulhava da relação dois, eram muito unidos e nunca tinham brigado, por nada. Sayu sempre o defendia quando a mãe o repreendia por algum comportamento ou brincadeira de mau gosto, e Yone sempre jurava que iria protegê-la quando ela estava assustada. A lutadora via em seus filhos um reflexo de seu relacionamento com Yasuo, mas sem brigas.
Enquanto preparava a mesa juntamente da empregada, pensava em Yasuo, se estaria bem, com quem estava, se estava feliz outra vez. Bem, ela não podia dizer que estava completamente feliz, mas se contentava com o que tinha.
– Vamos, pessoal, tá na mesa! — gritou ao longe para os quatro.
Darius pegou Sayu no colo e Draven, Yone, e os quatro se secaram para entrar. Os pequenos foram colocados nas cadeirinhas altas, feitas especialmente para eles, e o restante se acomodou em seus lugares de costume. Por ser uma data especial, os empregados que auxiliavam no cuidado dos gêmeos foram convidados a se juntar à mesa para o almoço.
Sayurin sempre se sentia angustiada perto do padrinho, não gostava de ficar muito próxima dele. Riven compreendia a filha, sabia como Draven realmente era quando pisava no campo de batalha ou quando realizava uma de sua famosas execuções, fãs e simpatizantes de toda Valoran se reuniam para assistir.
A refeição seguia animada, Yone contava sobre as brincadeiras na piscina, arrancando sorrisos e gargalhadas de todos com seu jeito de falar. Sayurin complementava os relatos do irmão, reforçando as risadas. A sobremesa fora servida e todos saboreavam com muito gosto o doce de leite caseiro com creme de leite fresco.
– Senhorita Riven, perdoe a intromissão — uma das empregadas estendeu um envelope para ela — Correspondência do senhor Swain.
– ... — Riven suspirou e abriu o envelope — Vamos ver onde ele vai meter desta vez. — Vejamos ... "Solicitamos sua presença... Comandará um exército... Missão diplomática... União com a tribo dos Avarosianos... Emboscada contra a Rainha Gélida... Ameaça para Noxus..." Swain me mandou pra Freljord... Eu vou ficar um mês longe de casa... — a lutadora suspirou ainda mais alto — Ele faz de propósito.
– Posso tentar negociar com ele, Riven, e eu vou no seu lugar.
– Não precisa, Darius, não quero testar a paciência dele. Bom, tenho três horas para me preparar. Vou arrumar minhas coisas.
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Janna estava sentada sob a sombra de uma árvore, observando seu filho correr de um lado a outro atrás de uma borboleta. Yahiko tinha apenas dois anos de idade. Os cabelos castanhos e lisos balançavam suavemente com os movimentos atrapalhados, os olhos azuis brilhavam de alegria, certamente estava se divertindo. O sol da tarde incidia sobre a pele morena do garotinho, deixando suas bochechas mais coradas. Apesar de nem um pouco planejado, Janna estava adorando ser mãe.
– Yahikooooooo — Yasuo gritou de longe, correndo em direção ao pequeno.
– Papaaaaaaaaai!
– Hora do banho, mocinho! — disse sorridente ao pegá-lo no colo. — Janna, pegue duas toalhas para nós.
– Claro. — se levantou e flutuou suavemente até a cabana.
Enquanto pegava as toalhas no armário, se lembrava do dia em que Yahiko nasceu. Yasuo chorou tanto, sorria tanto, mesmo sem amá-la, amava o bebê mais que tudo. Se apegou a ele desde que soube da sua gravidez, e ela só tinha a agradecer por isso, afinal, toda criança precisa de um pai. O pequeno fora a consequência de um descuido da maga, mas não se arrependia nem um pouco, amava seu filho com toda sua alma. Algumas lágrimas lhe correram o rosto e um sorriso lhe iluminou os lábios, era feliz.
Enquanto dava banho em Yahiko, Yasuo pensava no quanto estava trabalhando ultimamente, precisava de uma folga. Uma ideia lhe ocorreu: uma viagem. Levaria Janna e o garotinho consigo, passariam um bom tempo fora, desbravando Valoran. Enrolou o pequeno na toalha e o entregou para a mãe.
– Janna, o que acha de fazermos uma viagem?
– Viagem? Pra onde?
– Vamos andar por toda Valoran, estou cansado de tanto trabalhar, quero férias.
– Acha que Yahiko aguentará?
– Claro, ele é forte.
– Passiá! — Yahiko se pronunciou, anunciando seu posicionamento.
– Bem, já que ele quer ir, eu não tenho como negar. Vamos arrumar as coisas.
– Irei para o vilarejo reservar nossos lugares na próxima caravana. Vamos começar por Freljord!
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Katarina estava sonolenta e enjoada, o sacolejar da caravana estava lhe embrulhando o estômago, e as reações do seu corpo à gravidez de dois meses agravava seu estado. Ao menos, o céu estava nublado e o tempo fresco, o que lhe conferia certo alívio. A assassina fitava o horizonte, rezando para a ânsia passar, até que pararam em um pequeno vilarejo.
– Pausa de uma hora para o café da manhã! — gritou o cocheiro.
Katarina desceu apenas para esticar um pouco as pernas, não conseguiria comer nada naquele estado. Limitou-se a comprar uma garrafa d'água e uma maçã, caso lhe desse fome mais tarde. A grande capa marrom com capuz lhe escondia a identidade, mas também lhe cozinhava viva, afinal, ela estava a caminho do reino de gelo, precisava estar adequadamente trajada para não virar picolé. Enquanto não chegavam ao clima polar, a túnica servia apenas para esconder o rosto.
Um casal animado se aproximou da caravana. Katarina continuou dispersa no ambiente, aproveitando ao máximo o tempo para se movimentar, já que passaria mais algumas horas sentada a caminho de Freljord. A assassina sorria toda vez que olhava para a própria barriga, lembrava-se de Garen todas a vezes. Que saudade estava de seu amado, queria abraçá-lo fortemente e depois se aninhar em seu peitoral, envolta em seus fortes braços. Conhecera o demaciano em uma batalha, mesmo escondido dentro de uma densa armadura, ela fora capaz de enxergar além da proteção metálica, se arriscou a conhecer a pessoa dentro dela e foi a melhor decisão de sua vida. Sentia em si o fruto de sua escolha crescer. Mal podia esperar para encontrá-lo. Olhou, ainda distraída, para o casal sorridente com um bebê de colo e lembrou-se da amiga, Riven. Pegou a foto no bolso e olhou-a tenazmente, com saudade dos seus sobrinhos. Logo, logo, daria-lhes uma companhia para brincar. Suspirou, feliz, com tais pensamentos e logo fora interrompida pelo cocheiro, anunciando a partida. Retomou seu lugar no cantinho da carruagem da caravana e esperou a viagem continuar.
– Yasuoooooo — Janna gritou da entrada da caravana — Já vai sair, vamos!
Katarina voltou sua atenção para a mulher que adentrava o meio de transporte e, em seguida, para o homem que a seguia. Estagnou por alguns segundos ao reconhece-lo e ficou um pouco nervosa. Resolveu esconder um pouco mais o rosto, para que não fosse reconhecida.
Seus pensamentos estavam frenéticos e bagunçados. O que poderia acontecer se ele a visse? Estava nervosa. Tentou organizar seus pensamentos e se acalmar. Precisava relaxar para que tudo ficasse bem, ele não a notaria. A curiosidade lhe traíra e a assassina ficou observando o lutador embalar a criança sonolenta em seus braços. Imaginou Yone naquela situação e sorriu.
– Posso ajudar em algo? — Janna notou o olhar de Katarina para Yasuo e foi tomada pelo ciúme.
– ... — Katarina não soube o que responder, apenas se manteve imóvel, olhando para Janna.
– Com licença — Yasuo a olhou, sua cicatriz lhe era familiar — Eu te conheço de algum lugar...
– Deve estar me confundindo. — Katarina tentou disfarçar o nervosismo em sua voz.
– Me desculpe. Janna, não a importune novamente.
– Mas ela estava olhando fixamente pra você...
– Sem discussão, Janna.
A maga se aquietou, mas continuou encarando Katarina. A ruiva se virou de costas para eles e tentou descansar.
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Riven estava com a bagagem pronta para a viagem. Trajava uma capa semelhante a de Katarina. Aconchegou os filhos nos braços e os apertou, na tentativa de acumular aquele abraço para quando sentisse saudades deles.
– Se comportem e obedeçam ao papai, ao tio Draven e à tia Mila, ok?
– Certo! — os dois responderam em coro.
– A mamãe vai sentir saudades! — Beijou a testa de cada um — Amo vocês, meus tesouros!
– Não se preocupe, Riven, Swain não tocará um dedo neles, eu garanto.
– Obrigada, Darius — deu-lhe um selinho longo — Até breve.
A lutadora pegou suas coisas e se dirigiu para o local de partida da caravana. Acomodou-se e esperou pelo início da viagem. Durante o percurso, pensou nos seus filhos, se estavam bem e seguros.Por mais que Darius odiasse a semelhança entre Yone e Yasuo, o amava profundamente. Lembrou-se do estranho comportamento de Sayurin antes de sair. A pequena sempre a olhava com uma cara triste antes de a lutadora sair para alguma missão porém, desta vez, Sayu sorriu. Isso deu à mãe um pouco mais de confiança, significava que a garotinha tinha certeza que ela voltaria à salvo, ou que alguma boa surpresa estava à caminho. Acabou adormecendo no caminho, despertando apenas pela noite, quando a caravana parou em uma hospedaria para dormirem.
Riven escolheu um quarto e se acomodou nele, tomou um banho, colocou uma roupa leve e se deitou, ficou olhando pro teto enquanto se lembrava de seus filhos.
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Depois de quatro longos dias de viagem, Yasuo, Janna e Yahiko desembarcavam na entrada Freljord. Enquanto descia da caravana, Janna encontrou uma foto no chão do veículo. Analisou as pessoas que a compunha e uma chamou sua atenção. Ela batia com a descrição que a maga tinha. "Agora eu sei como você é... Mal posso esperar para te encontrar... Riven". Ela guardou a imagem consigo e prosseguiu com Yasuo para uma pousada, para se estabelecerem e iniciar o passeio pela cidade em que estavam.
Katarina desceu na cidade seguinte, onde havia combinado de se encontrar com Garen. Esfregou as mãos na tentativa de aquecê-las. O vento, apesar de suave, cortava a pele com sua baixa temperatura. Procurou e rapidamente encontrou a hospedaria onde o demaciano a esperava. Bateu na porta após ser instruída pela recepcionista sobre o quarto em que ele estava. O moreno abriu-a lentamente, revelando a visão que a assassina tanto amava: estava apenas de toalha com o cabelo molhado. A ruiva suspirou, revirando os olhos e sorriu em seguida, sendo puxada para perto e recebendo um belo beijo de boas vindas.
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Riven estava jogada no canto do transporte, definhando de tédio. Não conseguia dormir com o chacoalhar da caravana, era enjoativo. Faltavam ainda mais alguns dias até chegar a tribo dos Avarosianos. A lutadora refletia sobre o motivo de Swain tê-la mandado trabalhar em uma aliança com outro povo, afinal, Noxus sempre fora do estilo "eu faço tudo sozinha e faço melhor que todos", era, no mínimo, intrigante. Decidiu esperar a resposta sair da boca da líder, Ashe.
Uma tempestade era notada logo a frente da caravana, uma grande nuvem escura e densa pairava enquanto uma forte ventania gelada a acompanhava.
– A boa e velha Freljord... — Riven sorriu de canto, lembrou-se da época em que sobreviveu clandestinamente pelos campos gelados.
Acabou perdida em pensamentos, relembrando o festival em que ela e Tryndamere ganharam novas condecorações, aquela noite foi regada mais a álcool que a qualquer outra coisa. Gragas sempre mantinha os copos de todos devidamente cheios, era impossível terminar um por completo. Era engraçado relembrar a vida de solteira, a lutadora balançava a cabeça em sinal negativo enquanto sorria. Era tão ingênua a respeito da vida, queria saber apenas de guerra, vivia apenas pelo prazer e necessidade de lutar. Na adolescência, orgulhava-se dos calos nas mãos por manejar sua espada enorme por horas a fio em seus treinamentos. Talvez se sua mãe tivesse vivido um pouco mais, a teria impedido de cometer tantos pecados. "Pecados, em... Yasuo... Eu sinto tanto a sua falta...". Um longo suspiro, seguido de alguns leves tapinhas no rosto encerraram seu pensamento. Mais alguns anos e poderia encará-lo de cabeça erguida mais uma vez, contar toda a verdade e aceitar as consequências de suas decisões. Ah... Como desejava que seu castigo fosse pertencê-lo para sempre, jamais fugir outra vez. Como sonhava em ser dele, e apenas dele, mais uma vez; se deliciava com a lembrança das noites ao lado dele, onde não era exilada, não era lutadora, não era noxiana, nem era Riven, era apenas mulher. Quanta saudade da liberdade que tinha quando estava ao lado dele... Fazia tempo desde que tinha pensado no lutador dessa forma, Sayurin e Yone sempre estavam por perto quando se lembrava dele, e rapidamente a tiravam de seus pensamentos e a traziam para a realidade.
A lutadora olhava para a linha do horizonte, era linda, branca, a neve caindo lhe dava um ar romântico, pedindo por chocolate quente e abraços por debaixo da coberta. Jamais pensara em tais coisas quando habitava Freljord secretamente, apenas via nas montanhas e planícies geladas, somadas às tempestades de neve, ótimos relevos para emboscadas e armadilhas. Suspirou e fechou os olhos, reabrindo-os em seguida, seja lá o que Swain quer que faça, não entregará os pontos facilmente, afinal, morrer não era opção.
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Katarina estava muito bem aninhada nos braços de Garen, sentados num tapete felpudo e de frente para uma aconchegante lareira. O demaciano acariciava suavemente a barriga dela, estava feliz com as novas notícias.
– Kat, como andam seus outros filhos?- perguntou em tom de brincadeira.
– Sayu e Yone estão ótimos, cada dia mais lindos e cativantes...
– Ainda bem.
– Espere aqui, vou buscar uma foto deles.
– Certo — soltou a assassina de seu enlace e aguardou sentado — E a Riven?
– Está bem, só tem olhos pros dois, vive pra eles. Swain está tramando algo pra ela, eu tenho muito medo de onde ela pode acabar.
– O amor muda as pessoas, não é? A Riven que eu conheci no campo de batalha era mais uma guerreira noxiana que tinha o orgulho e a guerra acima de tudo.
– Eu também era assim, né?
– De certa forma, sim, mas você tinha algo a mais... Um... Ponto fraco. — Garen se levantou e a abraçou por trás, depositando um beijo no pescoço da ruiva.
– Estranho... Não consigo encontrar a foto... Não está onde eu deixei.
Katarina revirou suas coisas três vezes e teve certeza de que a foto não estava com ela. Tentou imaginar onde teria perdido-a. Lembrou-se da caravana e de Yasuo. A respiração mais pesada e os olhos arregalados da garota deixavam Garen confuso. Se Yasuo encontrasse aquela foto, com certeza veria a semelhança que ele e Yone tinham, saberia que ela havia mentido e iria atrás de Riven.
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