Will She Be Loved?
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Ele estava chegando na escola de cabeça baixa. Só havia resolvido ir, senão as coisas piorariam para ele e só de pensar na tarde anterior, começava a suar frio involuntariamente. William sentiu um toque em seu ombro esquerdo e se virou assustado, deparando-se com ela, olhando-o de cima a baixo calmamente, ela suspirou e perguntou:
_Foi tão ruim assim?
Ele se negou a responder, deu de ombros e ia seguir andando quando ela o cutucou nas costas, e ele não pode prender um gemido.
_Ai Deus, desculpe! – Preocupada, suas sobrancelhas arquearam-se enquanto ela esperava por uma resposta dele. Como ele não se mexeu, Katie atreveu-se a levantar sua blusa na parte de trás, apenas um pouco, um palmo ou talvez dois... Foi então que ela viu.
_Satisfeita? – Perguntou ele, seco, interrogando-a com olhos cansados.
Ela suspirou e abaixou o tom de voz visivelmente, tentando controlar a vontade que tinha em abraçá-lo apertado e começar a chorar. Nem sabia ao certo porque, apenas o sentia. Entretanto sabia que isso o deixaria mais nervoso e milhões de vezes mais desconfortável, se ele quisesse, daria o primeiro passo. Sempre fora assim.
_Não, e você sabe. – assim que tais palavras foram pronunciadas, ela reposicionou a mochila no ombro e começou a caminhar depressa em direção ao prédio da escola. Cerca de 15 metros depois, alguém a puxou um tanto violentamente para o lado, arrastando-a consigo.
_Já te explico. – Foi somente isso que Will disse enquanto caminhava com ela na direção oposta à anterior, distanciando-se cada vez mais de todos os outros alunos. Pararam no estacionamento, encostados em um carro velho que jamais saíra de lá e o dono não se sabia quem era. A tinta vermelha fosca e descascada por conta do sol e os vidros quebrados não o deixavam mais bonito, mas até que aquele cantinho de mundo combinava com a situação.
_Eu vou embora.
_Curto e grosso. Esse é o meu William.
_Hm? De quem? – ele não conseguiu segurar um riso atirado, todavia nem isso alterou a expressão da menina. Ele respirou fundo, limpou a garganta e chutou uns cacos de vidro e pedras que estavam ao seu alcance -... Mas sim, eu vou. Pensei naquilo que você disse. Pensei no que vou fazer e sei pra onde vou... E quando vou.
_Ah.
“Ah”. Somente “Ah”. Nem um “Ahhh” demorado foi. A ficha não havia caído. Ela estava entorpecida, não estava triste, nem preocupada, nem ansiosa, nem iria chutá-lo até a morte. Nada. Apenas isso. Um vazio de sentimentos, ideias, de tudo. O mundo de Katie esvaziou-se naquele instante; momentos depois, cada palavra que era assimilada cortava seu coração, partia e repartia-o. Ela escorou-se no veículo e abaixou o rosto, tentando controlar o choro pela segunda vez. Uma nota sobre palavras: Elas machucam mais do que qualquer outra coisa. Elas ferem e não podem ser esquecidas, ficam gravadas na sua memória, ficam ali sendo sussurradas automatica e constantemente para você, magoando-te cada vez mais. E o mais importante é que palavras tristes doem bem mais quando são ditas por quem amamos.
_Katie?
Ela ergueu o olhar, ainda entorpecida enquanto ele segurou em uma de suas mãos e levou-a até a boca, para beijá-la algumas curtas vezes.
_Katie, você tem que entender. É a única pessoa para a qual eu to contando isso. Você viu, sabe como é, como sempre foi. Você me deu a ideia. Eu tenho que ir embora.
Subitamente, um calafrio tomou conta do corpo dela, fazendo-a tremer por um breve segundo e se arrepiar inteira. Ele não pode resistir e tomou-a num abraço calmo, gostoso, quente, cheio de carinho. As coisas estavam mudando. Will nunca fora carinhoso, sempre zombava, sempre brincava com ela. Menos depois das brigas que ele tinha constantemente em casa, nesses casos ele se fechava e ambos passavam horas apenas trocando olharem e breves palavras de consolo. Não necessitavam de palavras no todo, entendiam-se com risadas, silêncios, piscadas ou simples gestos.
Katie se soltou e foi sentar-se sobre o capô do carro, chamando-o com uma das mãos em seguida enquanto soltava a mochila no chão com o outro braço. Ele se aproximou e ficou entre suas pernas e ela voltou a abraçá-lo, era tão boa aquela sensação! Sentia-se segura, protegida... Por quanto tempo mais poderia ter isso a seu alcance? Após longo silêncio, ela resolveu se manifestar.
_Me explica isso direito. – Pediu ela, baixinho, quase que num sussurro.
Seu peito doía, parecia lhe faltar ar em “concordar” com uma coisa daquelas, por outro lado, talvez fosse melhor. Ela sabia mais do que ninguém tudo que ele passava entre as quatro paredes de casa. Os Bailey pareciam uma família tranquila e harmoniosa, religiosos, estavam sempre indo à igreja e os três filhos eram obrigados a ler a Bíblia. Entretanto, pequenas discussões terminavam em marcas na pele, lágrimas, gritos sufocados por tremenda violência.
_Conhece o Jeffrey, não?
_Aquele com quem você conversa de vez em quando...?
_É, então, andamos discutindo a ideia de iniciar uma banda com uns caras aí. Arranjamos uma grana e damos no pé para L.A.
_Brilhante ideia. – e ele fora atingido no peito com um soco. – Seu idiota! Você tem ideia de como isso é infantil, sem nexo, besta e ridículo e idiota, e .. E.. MEUDEUS, WILLIAM BRUCE BAILEY! Você tem um cérebro, portanto USE-O.
_Calma, porr...
_Calma é a vó. Cala a tua boca e me escuta.
Exaltada, ela começou a falar, falar falar e falar. Mostrou a ele tudo o que poderia dar errado, perguntou o que ele faria e como não obteve resposta, prosseguiu em seu discurso de mãe. Ele já nem prestava mais atenção e ela continuava a falar.
_Katie...
_Mas veja você, e se por acaso a banda for uma droga?
_Katie...
_Meu Deus, e se lhe assaltarem e te deixarem nu com a mão no bolso, se é que me entende...?! Will...! – Choramingava ela constantemente, entre uma pausa forçada e outra, para poder enviar uns litros de ar até os pulmões. Ele agora fitava a boca dela, seus lábios rosados que não paravam de se mover um segundo sequer. Que vontade tentadora de calar a garota com um beijo. Nunca se importou demasiadamente com as consequências de seus atos, isso era típico dele, entretanto devido ao momento, sabia que poderia ganhar outro soco.
_Will...? – era ela quem o chamava agora, com uma carinha de partir o coração de qualquer um. Passou as mãos pelo cabelo, jogando-o meio enrolado para trás e suspirou de maneira pesada, finalmente finalizando seu falatório.
_Terminou, mãe? – ele riu, debochado. E tinha razão, ganhou outro soco, mesmo que fosse de brincadeira. Conhecia Katie melhor que ninguém. – Eu prometo que venho te ver.
_Ahaha. Sei.
_É sério. E se as coisas derem errado mesmo... Bem... Eu ainda vou ter você, certo?
Droooga. Por quêêê? Ela evitou fitá-lo, pois sabia que se o fizesse, seu coração era capaz de saltar fora do peito. Que acontecera a ele? Um dos sinais da escola tocou nessa hora, despertando-a. Ambos levantaram e foram andando sem rumo pelas ruas, meio sem jeito, perdidos em seus próprios pensamentos; talvez fossem para casa... Talvez.
Fale com o autor