Will Not Be Easy
14 Descanso
Notas iniciais
— Aí está você. Onde estava, Scott? – perguntou Allison para o garoto que acabara de chegar.
O bando estava reunido em um dos corredores do colégio enquanto parte da confusão já tinha sido controlada. Novamente e, provavelmente não pela última vez, o colégio de Beacon Hills estava lotado de policiais confusos que não sabiam como mais um ataque tinha ocorrido sendo que eles estavam guardando a escola.
Os alunos, depois de muito susto e pânico, foram mandados ficar na escola enquanto a polícia se certificava que não havia nenhum risco imediato. Todos estavam em um silêncio assustador, retraídos, como se soubessem que haveria ainda muito mais pela frente. Todos tinham mais ou menos a mesma expressão devastada, e nenhuma era mais evidente que a que Scott trazia em seu rosto.
— Me desculpe – o lobisomem disse ao aproximar-se dos amigos.
— O que houve?! – perguntou Claire que estava com o rosto vermelho devido a toda situação – Você disse que ia cuidar dela.
— E-eu não sei – Scott franziu as sobrancelhas – Eu me lembro de ter entrado na aula, sentado na cadeira e depois disso só me lembro de acordar com os gritos dos alunos.
— Como assim? Você não percebeu nada durante toda a aula? Não percebeu a Sandra ser morta?
— Eu não me lembro porque eu apaguei. Não foi como se eu tivesse dormido ou coisa do tipo.
— Você acha que desmaiou na aula? – perguntou Isaac.
— Eu não sei, é estranho. Eu tento me lembrar de alguma coisa, mas tudo fica preto.
— Você não sabe de nada que aconteceu durante todo esse tempo? – perguntou Stiles.
— Não – o rosto de Scott estava inconsolável. Seus olhos transmitiam a tristeza e a culpa que sentia.
— Percebeu algo estranho durante a aula? – perguntou Allison – Algum sinal, alguma ameaça? Algo diferente.
— Não, só – Stiles quase podia ver a mente de Scott trabalhando furiosamente – Não sei, acho que tinha um aluno novo. Só isso.
Stiles e Claire trocaram olhares.
— Nada mais?
— Sabe – Stiles começou – Na aula de matemática apareceu um dos demônios por lá, como se não fosse nada.
— Um demônio na sala? – todos se assustaram.
— É, a garota loira com o olhar maligno. Ela simplesmente entrou e se apresentou como uma estudante nova.
— Depois disso Stiles teve outro daqueles ataques de dor – disse Claire.
— O quê? Cara, você está bem? – perguntou Scott preocupado.
— Eu estou bem agora.
— A questão é que eles estão se infiltrando agora – apontou Claire — Alguém pode ter te apagado na sala, Scott. Para que não percebesse que eles estavam ali.
— Bem, se for isso, então a questão é como eles fizeram isso – disse Isaac – Não é exatamente fácil apagar um lobisomem.
— Wolfsbane dá conta disso fácil – disse Stiles.
— Wolfsbane? – perguntou Claire confusa.
— Depois eu explico.
— Mas por que eles se dariam o trabalho de entrar na escola? Podiam ter nos emboscado antes – disse Scott.
— Você não lembra do que seu chefe falou? Ele disse que talvez eles fossem nos espionar, agora sabemos que é verdade.
— Ah que confusão.
Então dos rádios da escola saiu a voz do diretor.
“Atenção alunos e funcionários. Já foi informado que não há mais nenhum perigo dentro do colégio, todos estão autorizados a deixar a escola.”
Todos, em uma grande agitação, começaram a esvaziar os corredores do colégio. Todos queriam se livrar da tragédia que havia acontecido.
— Pelo menos nenhum perigo que eles percebam – comentou Allison sombriamente.
— Eu vou procurar meu pai – anunciou Stiles.
— Eu vou com você – disse Scott – Allison, você pode levar a Claire para casa? Não sabemos se os demônios vão continuar atrás dela.
— Claro.
A caçadora se virou para a morena ao seu lado. Claire ainda estava abatida pela morte da colega de turma, devia querer sair dali o mais rápido possível, mas, estranhamente, ela continuou parada. Alternava seu olhar entre Scott e Stiles, parecia apenas... preocupada.
— O que foi? – perguntou Scott confuso.
Ao contrário do amigo, Stiles entendeu imediatamente aquele olhar, ele via frequentemente no rosto de seu pai. E, da mesma forma, não gostou nenhum pouco. Detestava ver alguém preocupado com ele.
— Eu estou bem agora, disse a verdade – garantiu o humano para Claire – E, de qualquer forma, acho que estou bem seguro com lobisomem com garras e presas.
Claire ainda estava o olhando com receio, não queria deixa-lo longe de sua vista. Stiles parecia tão cansado, o ataque de dor que ele teve ainda estava bem vivo em sua memória e ainda tinha o risco dos demônios o emboscarem. Ela não queria deixa-lo de lado. Ela sabia que aquilo era estúpido e que Stiles estaria bem mais seguro com Scott e Isaac, mas não conseguia parar com aquela preocupação quase maternal com o garoto.
— Sério, eu estou bem – ele tocou de leve o ombro da menina em um gesto gentil que poucas vezes ele fazia com ela.
— Vamos Claire – disse Allison – Stiles está bem protegido.
A menina ainda estava receosa, mas, por fim, decidiu seguir a caçadora e a acompanhou para fora do prédio.
Stiles a observava ir embora. Apesar de não gostar, sentia-se grato pela preocupação dela. Ele definitivamente tentaria agir melhor com ela.
— Eu perdi alguma coisa? – perguntou Scott.
— Vamos apenas achar meu pai.
Assim o caminho do grupo se dividiu, para o nervosismo de Claire, mas ela tentou se controlar, tentou ser lógica. Ela podia saber lutar e ter um bom condicionamento físico devido ao futebol, mas Scott ainda era mais rápido, mais forte e mais capaz de ajudar Stiles se ele ficasse com problemas. E ainda tinha toda aquela coisa de poder tirar dor das pessoas.
É, talvez ele realmente estivesse mais seguro com Scott.
— Então, o que foi aquilo? – perguntou Lydia para a druidisa.
— O quê?
— Aquela cena com Stiles.
— Como assim?
— Ah, por favor. Esse relacionamento entre você e o Stiles, ou melhor, essa falta de relacionamento entre vocês dois é quase tão popular quanto eu.
— Você é sempre tão sutil assim?
Mas Lydia não alterou sua expressão de interesse e curiosidade.
— Só estou preocupada – desabafou Claire – Ele está suportando uma espécie de maldição por mim e foi possuído por um demônio.
— Não foi exatamente sua culpa ele ter sido marcado – disse Allison.
— Mesmo assim. As dores são terríveis, só quero que ele fique bem.
Lydia continuava a observar Claire, dessa vez com um sorriso astuto no rosto.
— Sabe o que me disseram uma vez sobre você?
— Que eu arraso no futebol?
— Que você e seu coração são duros feito pedra. Eles não estavam falando de um jeito mau, sabe, só falaram que você é bem durona. Acho que alguém está amolecendo esse coraçãozinho de gelo.
— Meu coração não é de gelo e ninguém o está amolecendo!
— Qual é, você nunca ficou com nenhum garoto.
— Como você pode saber?
— Eu sei de tudo que acontece ela escola.
— Mesmo assim, isso não quer dizer nada. Meu coração não é de gelo. Eu posso simplesmente não conhecer o cara certo.
— Você é amiga de oitenta por cento da população masculina de Beacon Hills. O quão seletiva você pode ser?
Claire rolou os olhos, impaciente com aquela conversa. Se tinha algo que ela detestava conversar era sobre sua vida amorosa. Ou, no caso, sua falta dela.
Ela não entendia e sempre quis saber por que seus parentes quando vinham visita-la sempre perguntavam sobre seus namorados. Que namorados? Ela nunca teve e não se importava em ter um. Por que todos ficavam incomodados com isso se nem ela estava?
Seu pai também não parecia estar achando nenhum pouco ruim aquela situação.
E ainda havia mais, aquilo tudo era ridículo. Sandra tinha acabado de ser assassinada e Lydia Martin essa falando sobre namoro com ela.
Lydia não deixou de perceber a cara fechada da garota. Ela sabia muito bem de todo o medo e confusão que a menina estava sentindo, estava apenas querendo aliviar o clima pesado que pairava sobre todos eles. E aquela era a melhor forma que tinha encontrado.
— Não fique assim, Claire. Sorria, alguém pode se apaixonar pelo seu sorriso.
— Ninguém está se apaixonando pelo meu sorriso, obrigada – disse ríspida.
— Hey Claire – uma voz masculina chamou a atenção das garotas.
Max estava do outro lado do estacionamento acenando para a druidisa.
— Só um instante – pediu a morena, aliviada por ter um motivo para sair daquela conversa.
Foi correndo até o garoto e começaram a falar rapidamente.
— Bem, alguém certamente está – comentou Lydia reconhecendo Max. O garoto sempre sorria de mais quando ficava perto da jogadora de futebol.
— Pare de ser chata com ela – disse Allison divertida empurrando o ombro da ruiva de leve.
— Não estou sendo chata. Só estou dando a ela um conselho.
— Ela não precisa disso. Ela é do tipo de garota que não se importa em estar sozinha.
— Hum. É um desperdício.
Allison sorriu da atitude da amiga.
— Sabe, nem todo mundo precisa de um namorado ou de uma distração. Ela pode estar feliz assim, não há nada de errado nisso.
— Está fazendo de novo, Allison.
— O quê?
— Falando de alguém como se não fosse de você. De qualquer forma, vamos logo para a casa, quero esquecer a imagem da Sandra morta da minha cabeça. Quero tomar um banho, tomar um comprimido de aspirina e fingir por algumas horas que o sobrenatural não existe.
Pouco tempo depois, Claire retornou ao encontro das garotas.
— Pronto? – perguntou Allison.
— Sim, Max só queria ver se eu estava bem.
— Então vamos, seu pai deve estar preocupadíssimo com você.
Assim, as meninas foram para a casa de Claire. Sabendo que agarota ainda devia estar sendo observada pelos demônios, decidiu ficar na casa de Claire por um tempo, ao menos, poderia protegê-la.
Não foi muito difícil convencer Claire. Assustada como estava, mesmo tentando esconder, ela não queria ficar sozinha o resto do dia e estava até pensando em chantagear Allison para ela passar a noite lá. Quanto a Lydia, ela não sabia como lidar. Ela se lembrava da ruiva como uma garota popular fútil e maldosa, não havia visto seu amadurecimento diante do sobrenatural, então ainda tinha um certo receio de se aproximar da garota, mas decidiu dar uma chance a ela. Se Scott confiava nela, então ela também confiava.
Entrou em sua casa e logo foi recebida por um abraço de urso do seu pai.
— Você está bem? – perguntou seu pai.
— Eu estou pai, não se preocupe.
— Coitada daquela garota – seu pai finalmente a largou – E pensar que ela estava aqui viva apenas algumas horas atrás.
— É. Pai, a Allison e a Lydia vão ficar um tempo aqui, enquanto Scott não chega.
— Tudo bem. Muito prazer, Lydia.
— Igualmente – disse a menina tendo que espichar o pescoço para poder olhar o homem nos olhos.
— Vamos, meninas, é só subir as escadas. Allison já sabe onde é meu quarto.
Claire fez sinal para elas irem na frente e as acompanhou. Quando pisou no primeiro degrau, seu pai pôs uma mão em seu ombro.
— Essa é a Lydia da qual Stiles tanto fala? – perguntou seu pai como uma velha fofoqueira quando as garotas já estavam mais afastadas.
— A própria.
— Então quer dizer que o plano de não sei quantos anos dele deu certo?
— Eles não estão juntos, pai. Ela veio mais por coincidência, é amiga da Allison.
— Entendi. Então, Scott vai vir para cá?
— Claro, eu que não durmo sozinha hoje.
— Você não está sozinha! – seu pai pareceu ofendido.
— Você sabe o que eu quis dizer. Eu vou subir, ok? Um descanso faria bem.
Assim, as três garotas passaram o resto do dia juntas, todas querendo se esquecer da morte de Sandra, mas continuavam a debater sobre os demônios, tentando pensarem em maneiras que eles poderiam ter usado para apagar Scott.
— Olha, eu realmente preciso de uma pausa de lobisomens e demônios. Vou fazer uns sanduíches para nós, ok?
Se lembrando de um certo lobisomem que ela costumava namorar, pegou seu celular da bolsa e discou o número conhecido. Alguns segundos depois ele atendeu.
— Scott?
— Olha, Allison, agora realmente não é uma boa hora para você me ligar – a voz de Scott mostrava pânico e nervosismo. Isso imediatamente preocupou a caçadora.
— O quê? O que foi? Você está bem?
— Eu estou bem, mas Stiles não.
— Stiles? O que tem ele?
— Ele apagou do nada. Nós estávamos falando com o xerife, mas logo depois que nos separamos ele simplesmente desabou e ele não estava ferido nem nada.
— Você está com o xerife aí?
— Não. Eu estou no banheiro da escola, sozinho com o Stiles.
— Isso foi há quanto tempo?
— E-eu não sei, faz uns vinte minutos, eu acho.
— Scott e se os demônios ainda estiverem aí? Eu vou pegar vocês.
— Não, não, isso pode levantar suspeitas. Escuta, eu vou dar um jeito, tudo bem? Só, por favor, não conta para a Claire, ela já está bem preocupada com ele.
— Scott você não pode mais agir assim, tem que contar para ela sobre tudo. Sua amizade com ela quase acabou por causa dos seus segredos.
— Eu sei, eu sei, eu vou contar, só não hoje. Hoje ela já teve muita coisa para encher a cabeça dela.
— Tá, eu não vou contar, mas não gosto disso. Me avise quando Stiles estiver bem, tá bom?
— Combinado, tchau.
Allison realmente não gostava de esconder coisas de Claire, muito menos um assunto tão importante como esse. A druidisa ficava muito brava com isso e Allison realmente apreciava a amizade de Claire. A jogadora de futebol tinha feito tanto pelo relacionamento dela e de Scott, sempre ajudando a entender o garoto e pedir que ela desse uma chance a ele quando fizesse uma mancada.
E ainda por cima tinha Stiles. A situação estava realmente piorando para o garoto, e Claire parecia tão preocupada horas atrás.
Mesmo assim, a menina cumpriu o pedido e não falou para Claire e ficou com a menina até tarde da noite. Somente duas horas depois foi que Scott retornou a ligar para avisar que tudo estava bem e que estava indo para a casa da druidisa.
A campainha tocou e Claire logo foi atender. Finalmente Scott tinha chegado e junto dele estava Stiles.
— Os demônios podem estar atrás dele também, eu não sei – justificou Scott – Nós podemos todos dormir aqui, o que acha?
Claire foi pega de surpresa. Achava que só Scott viria, mas percebendo o raciocínio do amigo, aceitou o pedido.
— Tudo bem, só que alguém vai ter que dormir no sofá.
— Eu durmo até no chão se quiser, só quero descansar – respondeu Stiles de mau humor.
Ela se afastou para eles entrarem e foi quando Claire percebeu que o humano parecia mais pálido que quando ela saiu da escola. Resolveu não perguntar.
— Eu vou indo então – Allison disse – Meu pai já está me ligando e ainda vou dar carona para Lydia.
— Ok, cuidado.
Por fim, todos se ajeitaram. Tiraram seus sapatos, pegaram cobertores e se acomodaram no quarto de Claire.
Stiles parecia que ia desabar a qualquer momento então Scott insistiu que o garoto dormisse no colchão extra enquanto ele ficaria na poltrona, dizendo que assim era melhor para ele perceber se ocorreria algum ataque.
Claire sabia que tinha algo por trás disso, mas decidiu não se incomodar. Pelo menos, não por aquela noite. Ela só queria dormir e com a companhia daqueles dois, era muito melhor.
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