Notas iniciais
Olá leitores! A música do capítulo é: https://youtu.be/eZk9RIAotI4 (Runaway: Aurora – Cover da Alice Kristiansen) Boa Leitura!

"And i was running far away,

would i run off the world someday?"

Pov. Rosie — 15/02/2016

O dia tinha acabado de começar e as nuvens escuras eram destaque naquela manhã. O frio da manhã se instalava junto à um fino sereno sobre os prédios da universidade, deixando tudo meio molhado. Observei pela janela o carro dos meus pais parar em frente à entrada do meu dormitório, eles eram tão pontuais. Um sorriso se abriu em meu rosto, faziam algumas semanas desde a última vez que eu os tinha visto e a saudade já se fazia presente em meu coração.

Peguei a minha bolsa, colocando-a sobre o ombro, agarrando as duas malas grandes logo em seguida. Saí do quarto, me dirigindo para as escadas de madeira. Desci com um pouco de dificuldade os dois andares que me separavam da liberdade.

Meus pais esperavam do lado de fora do carro, sorrindo. A visão deles, tão perfeitos juntos, me fazia acreditar no amor verdadeiro. Minha mãe era mais baixa, com cabelos castanhos na altura do ombro. Já meu pai, alto e loiro, era o oposto dela. Ao me ver com as malas, papai veio me ajudar, as tomando de mim. Minha mãe me abraçou forte, falando:

— Você está tão magrinha, Rosie. Vai acabar sumindo na Coreia! — Apesar da crítica à mudança de país, ela tinha uma expressão carinhosa no rosto bonito. Era engraçado como ela esperava que eu fosse pra qualquer lugar, menos um país asiático.

Atravessamos o asfalto úmido para entrar no carro, gotas finas de chuva começavam a cair e eu me preocupei com a decolagem do avião. Entramos no utilitário deles enquanto meu pai, orgulhosamente, falava da sua nova churrasqueira. Ouvi suas palavras empolgadas com atenção, recostando no banco de couro caramelo. De repente, a ideia de deixar meus pais e ir para um lugar desconhecido parecia demais pra aguentar, fazendo com que lágrimas se formassem em meus olhos. Era óbvio que eu sentiria falta dos dois, principalmente com a boa relação que nós tínhamos.

— Rosie, o que houve? — Meu pai perguntou, olhando preocupado pelo retrovisor. Minha mãe parecia um pouco alarmada ao seu lado.

— Vou sentir falta de vocês... —Respondi olhando para o lado. Claro que eu estava feliz e animada com a oportunidade incrível de conhecer um país que eu adoro, mas é inevitável pensar no que estou deixando.

— Também vamos sentir sua falta, querida. Mas esse é o seu sonho, vamos te apoiar em tudo, saiba disso! — Foi a vez da minha mãe falar, olhando em meus olhos. Sua blusa verde escuro parecia combinar com a cor de seus olhos, exatamente como quando eu era criança. Ela esticou o braço, se virando no banco para trás e segurou minha mão, sorrindo delicadamente. O restante do caminho até o aeroporto foi feito em silêncio, tirando por alguns comentários do meu pai sobre o trânsito. Eu olhei as gotas de chuva e as imaginei apostando corrida.

Chegamos no local antes do esperado. Ainda tinha mais de meia hora até que o avião fosse decolar. Fiz meu check-in rapidamente, a atendente me sorriu, gentil e perguntou se eu ficaria muito tempo na Coreia. Despachei as malas, com meus pais apenas observando à distância, de mãos dadas.

Com um pouco de tempo sobrando, fomos até a cafeteria mais perto do portão de embarque descrito na passagem, que acabava por ser uma franquia famosa. Era pequena e decorada em tons de terra, com mesas e cadeiras de madeira. Meu pai fez os pedidos à garçonete, lembrando-se do que eu gostava de pedir desde que era pequena: chocolate quente com biscoitos de canela. Escolhemos a mesa próxima ao balcão e nos sentamos, aguardando nossos pedidos.

— Você já conseguiu falar com a Soulji? — Minha mãe perguntou, pronunciando o nome de minha amiga um pouco errado. Eu ri um pouco, colocando o cabelo para trás da orelha.

— Já sim. Ela vai me esperar no aeroporto. — Respondi. Yoon Soulji é uma amiga minha de anos atrás. Ela veio para os Estados Unidos para um intercâmbio e acabou na mesma sala que eu. Nossa ligação foi quase instantânea, em pouco tempo passamos a fazer tudo juntas. Foi incrível a ideia de vê-la novamente, e ela se ofereceu pra ser minha guia na Coreia durante a faculdade. — Vai ser ótimo tê-la comigo! Vocês vão me visitar em algum momento, não é?

— Claro que vamos! Vou adorar ver você falando coreano. — Minha mãe falou e começou a rir, imaginando a filha dela como coreana.

— Espera só... eu vou pintar meu cabelo de azul lá, aí você não vai rir mais! — Respondi, rindo com ela.

— Só uma coisa, filha, muito cuidado lá. O mundo é mais perigoso do que parece! Não quero que minha menina se machuque. — Meu pai falou, bagunçando meu cabelo.

— Eu sei, pai! — Falei, dando risada de sua preocupação. — Acho que consigo me virar, lá não é tão perigoso quanto aqui. — Completei

Nesse meio tempo, nossos laches já haviam chegado. Comi meus biscoitos enquanto conversava amenidades com meus pais.

Olhei o relógio em meu pulso, notando que tinha pouco tempo pra embarcar. Peguei a bolsa que levaria comigo e meus pais, como sempre, já sabiam o que fazer. Eles eram incríveis. Pagaram a nossa conta, me conduzindo para fora do café em direção ao portão de embarque.

Quando estava prestes a embarcar, minha mãe me abraçou, derramando várias lágrimas, a ponto de molhar um pouco meu casaco. Obviamente, vendo minha mãe chorar, eu e meu pai a seguimos. Ficamos os três abraçados na entrada por alguns minutos, até que chamaram pelo que deveria ser a terceira vez.

Dei um beijo no rosto deles, acenando enquanto andava para longe. Ao sair da vista deles, segurei a bolsa forte, como se fosse um bote que me impedia de me afogar. Entrei no avião, cumprimentando a aeromoça que estava na porta. Foi até vergonhoso vê-la tão arrumada, enquanto eu estava com o rosto vermelho e inchado pelo choro.

Andei até o assento, sentando na janela. Pensei em tudo e mais um pouco enquanto faziam a checagem e instruções de segurança. Eu já sabia tudo aquilo há algum tempo. Do meu lado, uma senhora lia um livro de capa dourada, com o título "Change" em letras desenhadas em preto.

O avião taxiou pela pista, não demorando para levantar voo. Olhei pela janela, constatando que já não chovia, o que era um alívio. Fomos ganhando distância da cidade, que parecia cada vez menor e mais desconhecida. Era como se eu não tivesse vivido ali quase minha vida toda.

A senhora olhou para mim, o rosto enrugado, mas ainda assim delicado parecia trazer uma sabedoria que eu jamais conseguiria atingir.

— Você está nervosa, minha jovem? — Ela perguntou, olhando para minha perna direita que balançava incessantemente. Ela parecia muito ser a avó de alguém, pelo jeito que tinha. Esteriótipos são uma merda.

— Um pouco. — Respondi, parando o movimento. Minhas bochechas aqueceram um pouco, afinal, não queria parecer assustada.

— Não se preocupe. Chegaremos lá antes que você perceba! — Continuou a senhora.

— Obrigada... — Fiz uma pequena pausa, esperando que ela dissesse seu nome.

— Elizabeth Tate. Mas me chame só de Beth. — Ela respondeu, muito simpática.

— Rosie Eryn Taylor. —Apertei sua mão, que estava estendida pra mim. Sorrimos uma para a outra, e eu reparei que ela me lembrava minha própria avó.

Depois disso, ficamos em silêncio. O piloto atualizou sobre o status do voo e condições do tempo, afirmando que seria uma viagem tranquila.

Então, como Elizabeth tinha dito, o voo passou em um piscar de olhos. Minha nova jornada finalmente começaria.

Deveria estar muito animada, ou simplesmente aterrorizada?

Notas finais
Olá leitores! Esperamos que tenham gostado do capítulo. Não se esqueçam de comentar :) Beijinhos ♡