Notas iniciais
Olá leitores! A música do capítulo é https://www.youtube.com/watch?v=CmG6ZWXlQMw (Live fast or die; Bo rocha) Esperamos que gostem do capítulo!

"I'm living on my own way,
Two feet on the grass"

Eram 11:20 da manhã quando pousamos em Seoul. Estava bem frio, considerando que o inverno estava em seu auge, então procurei o casaco na mochila para vestir. Em pouco tempo, as comissárias de bordo, que eram bem parecidas umas com as outras, começaram a liberar a descida dos passageiros. Sai do avião com o coração disparado devido a ansiedade, me perguntando se Soulji já havia chegado para me buscar.

O corredor, cheio de passageiros, se abriu para o hall do aeroporto. Olhei para a frente, procurando minha amiga em meio ao caos de pessoas se cumprimentando. Puxei a mochila mais para perto, com medo de bater em alguém e continuei seguindo em frente. Mais adiante, avistei uma mãozinha branca acenando um papel com o meu nome e vindo em minha direção.

Um sorriso se instalou em meu rosto e eu não pude evitar correr até Soulji. Ela é um pouco mais baixa que eu, mas abriu os braços e me recebeu pra um abraço apertado quando surgi em sua frente. Ficamos assim por um tempo, até notei algumas pessoas olhando. Demonstrações de afeto por aqui, aparentemente, são raras.

— Minha nossa, Rosie, como você está diferente! — Soulji falou, em um inglês quase perfeito, me olhando de cima a baixo. Ela se parece com uma bonequinha oriental. Olhos puxados, pele branca e sem imperfeições, porém, o cabelo, estava bem diferente.

— Quem fala! Olha o seu cabelo! — Exclamei, segurando uma mecha do cabelo cor de chocolate da menina. Quando estava nos Estados Unidos, ela tinha cabelos roxos e mais curtos, um visual bem diferente do de agora.

De braços dados, eu e Soulji seguimos até a esteira, para pegar minhas malas. Ficamos ali por algum tempo, até eu reconhecer as minhas. As puxo da esteira, uma por uma, e coloco no carrinho de bagagem oferecido pela companhia de voo.

Ao sair do aeroporto, o vento frio de Seoul chicoteia meu rosto. O que eu esperava? Sol e céu azulzinho no meio do inverno? Puxo o casaco para mais perto, já que a mochila estava com Soulji e empurro o carrinho de bagagens até o carro de minha amiga. Se é que aquilo pode ser chamado de carro.

Eu já sabia que ela tem um gosto peculiar, principalmente quando se trata de cores, mas eu não esperava uma mini van toda colorida. O veículo era azul, com espirais em rosa e amarelo, combinando com o estofado dos bancos e pingentes espalhados pelo teto do carro.

Ai meu Deus, Soulji.

Com a ajuda dela, coloquei as malas no banco de trás e subimos na coisa que ela chamava de carro. Quando fazia intercâmbio, ela sempre falou desse seu tesouro, eu só não sabia que era algo assim, tão diferenciado.

Saímos do estacionamento falando sobre a universidade que eu cursaria. Yonsei é uma das mais prestigiadas universidades na Coreia do Sul, então ser aceita para o programa de bolsas para estrangeiros foi inacreditável.

— Eu nem imagino sua cara quando descobriu que tinha entrado! — A morena disse, me olhando de lado.

— Para ser sincera, eu não acreditei. Primeiro fiquei em negação e achei que fosse uma pegadinha, depois meus pais me mandaram mandar um e-mail pra universidade... Acabou que era verdade. — Respondi, procurando meu celular dentro da mochila. O cabelo que caia no meu rosto não ajudava muito.

— E seus pais, estão felizes?

— Eles ficam meio apreensivos, mas estão felizes por mim — Disse, por fim achando o aparelho.

Mandei mensagens pelo Messenger para os meus pais, avisando que já estava em solo coreano e mandando um beijo. Ligaria mais tarde por vídeo para falar com eles melhor.

— Acho que seria bom te deixar direto no campus, não é? Sei que você tem bastante coisa pra arrumar! — Ela disse, apontando com o polegar para as malas atrás dela e rindo.

— Você não vai ficar pra me ajudar? — Fiz carinha de pidona para Soulji, que riu ainda mais. Sorri também, olhando para o trânsito a frente. Daqui até a universidade, levaria quase uma hora e meia, e eu agradeci mentalmente pelo trânsito não estar tão pesado quando de costume.

Depois de quase uma hora, decidimos parar em uma lojinha no posto, estávamos com fome e ainda tínhamos certa distância para percorrer. Olhei os produtos da prateleira de biscoitos, notando que tinha uma enorme variedade. Peguei um ships que comia em casa e uma espécie de refrigerante, enquanto Soulji ficou com um chocolate. Na hora de pagar, fiquei satisfeita por ter conseguido me comunicar com a atendente do caixa.

Soulji foi quem me ensinou boa parte do coreano que sei hoje. Ela tem, definitivamente, vocação pra ensinar e me ajudou bastante enquanto ainda estava nos Estados Unidos. Antes de mudar pra cá, fiz aulas com um professor particular sobre a cultura, costumes e língua. Óbvio que não foi fácil, a Coreia do Sul tem muitas tradições e coisinhas pra serem estudadas, mas eu dei um jeito de aprender o suficiente.

Continuamos na estrada por meia hora, chegando ao dormitório da universidade onde eu moraria a partir de agora. A hospedagem no campus estava inclusa na bolsa, desde que eu arcasse com custos como lavagem de roupas e alimentação. Com a mudança, gastei quase todas as minhas economias, restando só o dinheiro que ganhei dos meus pais para pagar a universidade onde estudava antes. Sem chances desse dinheiro durar até o final do curso, então, a solução é arrumar um emprego de meio período para me manter.

Esse dormitório, diferente de onde eu morava em Seattle, não tinha escadas, constatei ao entrarmos no prédio. O edifício em si era bonito, claro e arejado, com paredes em tom de cinza e branco e decoração simples nos corredores. Procurei a porta da monitoria, onde, segundo o email informacional, eu deveria finalizar a inscrição e pegar a chave do quarto. Soulji ficou na portaria com as malas enquanto eu termino de resolver minhas pendências.

Bati levemente no vidro da porta, ouvindo um "entre" em coreano. Era tão esquisito conseguir entender o que eles diziam sem grandes dificuldades. Abri a porta, vendo uma moça de uns quarenta anos, com cabelos escuros, atrás da mesa.

Ela me perguntou meu nome, pediu a documentação, visto e passaporte, checando todas as informações de forma eficiente. Ela me entregou a chave, indicando que eu ficaria no dormitório feminino no Leste do Campus e não precisaria dividir o quarto com mais ninguém. Ainda me entregou alguns panfletos e os livros do curso. Agradeci, saindo da sala com a chave, em pouco tempo.

— Finalmente, eu sou uma estudante coreana. — Falei baixinho, pra mim mesma, enquanto ia de encontro com Soulji no corredor.

Notas finais
Gostaram? Deixe sua opinião nos comentários! Beijinhos, até a próxima ♡
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.