Wicked
3 II - something is off, i feel like prey
Notas iniciais
Something is off, I can't explain
You know what I mean, don't you?
Something I saw, or something I did that made me like this
Could you help me?
We need to fly ourselves before someone else tells us how
Something is off, I feel like prey, I feel like praying
(Algo está errado, não posso explicar
Você sabe o que quero dizer, não é?
Algo que eu vi, ou algo que eu fiz que me deixou assim
Você poderia me ajudar?
Nós temos que voar antes por nós mesmos que alguém nos diga como
Algo está errado, eu sinto como um presa, eu quero rezar)
— Prey, The Neighbourhood
Era um pouco cedo para a aula quando Ellis e Gwen chegaram às portas do que era, aparentemente, o vestiário feminino, e a primeira subitamente se lembrou que havia esquecido algo no seu carro, então saiu correndo sem fazer questão de explicar nada, deixando a bruxa para trás, sem reação.
“Certo”, pensou, recompondo-se e dando de ombros, enquanto abria a porta do vestiário e entrava, focando-se novamente em achar Renesmee Cullen e continuar a sua missão. Subitamente se sentiu um pouco deslocada, havia se acostumado com a presença das garotas, o que certamente tinha sido um erro da sua parte. Não estava ali para fazer laços… Droga, sentia falta de Penny.
Esqueceu aquilo muito rápido, no entanto, porque não esperava que fosse achar Renesmee sendo prensada na parede, com as pernas ao redor de ninguém mais, ninguém menos, que Jacob Black, beijando-o avidamente. O queixo de Gwen caiu e, no momento em que os dois pares de olhos castanhos a encararam, surpresos, uma pequena parte do seu cérebro registrou que devia estar parecendo uma idiota encarando-os daquela forma, com a boca aberta. Não pôde evitar.
O casal rapidamente se ajeitou, depois de Renesmee dar um empurrão — forte demais, Gwen notou — em Jacob, desentrelaçando suas pernas ao redor dele, firmando-se no chão novamente e corando muito. Ela tinha os olhos muito abertos, parecia espantada e estava um pouco sem ar — mas a mulher sabia que essa última parte não devia ser por ter sido pega. O cara, ao contrário, sorria um pouco de lado, quase convencido, e parecia mais calmo, como se estivesse no controle da situação.
— Agradeceríamos se não contasse isso para ninguém — ele pediu, erguendo suas palmas para cima na direção de Gwen, como se afugentasse um animal assustado. Ela se lembrou de fechar a boca, ligeiramente ofendida. Ela definitivamente não era um animal assustado.
— Vocês… — Sua mente estava a mil por hora. Os dois humanos do clã, que, na sua imaginação, supostamente deveriam servir como banco de sangue, sendo pegos aos beijos. O que aquilo deveria significar? E como Renesmee havia conseguido empurrar com tanta facilidade aquele homem enorme? Um minuto passou, e ela se lembrou que eles ainda esperavam que dissesse algo. — Vocês não são, tipo assim, meio que irmãos?
Renesmee pareceu sorrir, divertida, e Jacob riu. A garota olhou para a porta, quase como visse através dela, então se prostrou na frente de Jacob, aparentemente, ela era que estava no controle agora. Gwen se sentiu parcialmente irritada por não estar fazendo parte daquela piada.
— Qual é o seu nome mesmo? — a Cullen perguntou, numa voz límpida e quase aveludada. Gwendoline se permitiu admirar por um momento que ela era muito, muito bonita. Assistiu as mãos dela tatearem às cegas, para trás, buscando fazer contato com Jacob. No entanto, assim que o contato foi feito, a garota recolheu suas mãos. Gwen pensou ter ouvido o garoto soltar algo como “Nessie”, obstinadamente, por sob a respiração, como se reclamasse de algo. O que era “Nessie”?
— Gwen.
— Gwen — Renesmee limpou a garganta, enrolando os dedos nervosamente nos seus cachos bronze, que iam até a cintura —, eu sinto muito que você tenha que ter visto isso, não foi nada educado da nossa parte, ainda mais aqui sendo o vestiário feminino — desculpou-se polidamente, o que surpreendeu Gwen. — Sobre nosso parentesco, não posso te explicar agora, mas juro que não estamos fazendo nada de errado… Por favor, não conte para ninguém. Eu te encontro no estacionamento após a aula e te explico tudo, pode ser?
A bruxa não sabia exatamente o que falar, olhando os olhos suplicantes da garota, mas abriu a boca mesmo assim, sentindo-se inclinada a simplesmente aceitar aquela situação e ver o que sairia dali, já que ela parecia estar sendo tão sincera, e parecia ser muito simpática. Antes que tivesse a chance de dizer algo, contudo, Jacob passou por ela apressadamente, saindo pela porta. Renesmee a ofereceu um meio sorriso sem graça e, menos de trinta segundos depois, Ellis entrou no cômodo, preenchendo o silêncio rapidamente com minuciosidades insignificantes sobre os alunos daquela escola.
Já quando Gwen voltou ao estacionamento, uma hora depois — após a aula de Educação Física —, e entrou no carro, só conseguia pensar no quão louco aquele dia havia sido. Estava esperando por Renesmee, mas pensava em esquecer aquilo e ir embora, porque sentia pontadas dolorosas na sua cabeça e estava um pouco enjoada, o que estava começando a deixá-la bem desconfortável. Por isso, abriu uma fresta do vidro do automóvel e encostou sua cabeça contra a janela gelada, sentindo o frio no rosto. Nem sequer havia encontrado todos os Cullen naquele dia, mas já sentia como se tivesse encontrado informações demais, e várias peças de um quebra cabeça que deveria montar. Sua cabeça doía. Demais.
Um sentimento gosmento demais começava a tomar conta de si, dando-a vontade de chorar e simplesmente esquecer do mundo, deitando a cabeça no colo da sua melhor amiga — como já fizera tantas vezes… O que não era possível no momento, e fazia quase difícil demais respirar. No lugar de conforto, sua amiga e um lugar seguro, tudo que a restava eram perguntas.
Como Renesmee, aparentemente humana — Renesmee, a que corava — havia conseguido empurrar Jacob com tanta força? Por que os dois escondiam o relacionamento de todos — e, ao que tudo indicava, até da própria família?
Olhos a encararam no retrovisor do seu carro “alugado”, e ela notou o quão cansada parecia, com aquelas bolsas escuras embaixo dos seus olhos; bolsas que não estavam ali naquela manhã...
Antes que tivesse a chance de pensar demais no assunto, no entanto, uma movimentação atraiu a atenção dos seus olhos no estacionamento: eram dois carros estacionando, quase que simultaneamente, lado a lado, numa vaga bem perto da sua. Porém o que chamara a sua atenção havia sido a massa de pessoas que abriam espaço e paravam, para olhar. Gwen se sentia quase que enfeitiçada, não conseguindo desviar o olhar, compelida a olhar também, ignorando todo o esgotamento que estava sentindo.
Apenas um casal saira do carro a direita, um conversível vermelho e muito chamativo — o que talvez não fosse a melhor opção para vampiros que tentavam se misturar entre humanos. Uma mulher loira que parecia ser uma modelo, que a bruxa sabia se chamar Rosalie, e um homem enorme e musculoso, Emmett. Ela também não sabia como eles sequer pensaram que aquele cara imenso poderia se passar por um mero estudante do ensino médio, mesmo que fosse um do último ano.
Por mais assustador que ele pudesse parecer para Gwen, no entanto, ela observou admirada quando Emmett pegou a mão de Rosalie delicadamente, assim que chegara ao seu lado, plantando um beijo nos seus lábios. Eles ficavam muito bem juntos.
Já do carro a esquerda, um sedan muito mais sóbrio, tinham saído quatro pessoas: um rapaz com o cabelo de cor bronze — a mesma cor dos cachos de Renesmee, notou, tardiamente — muito lindo e com cara de tédio: Edward. Da porta do carona, uma mulher deslumbrante de cabelos compridos e castanhos — Bella —, falou algo, que fez o de cabelos bronze gargalhar. Logo em seguida, uma outra mulher, então, dançou para o lado de Bella, colocando um braço ao redor da sua cintura e mostrando a língua… Ela era pequena e muito graciosa, com um corte pixie que parecia ressaltar a delicadeza que a vampira aparentava. Para Gwen, só a faltavam orelhas pontudas para ser como uma elfa… Eles pareciam todos muito felizes, rindo de alguma piada interna, e, irresistivelmente, a bruxa desejou fazer parte daquela piada também.
Todos eles eram incrivelmente bonitos, entretanto a quarta pessoa a descer do carro fez Gwendoline perder o fôlego, como nada que ela já houvesse visto na sua vida.
Ele era absolutamente perfeito. Seus cabelos loiros mel caiam logo acima do colarinho da sua blusa vermelha sangue, fazendo um contraste de tirar o fôlego. Ele era musculoso também, mas de uma forma mais sutil que o grandão, e também mais alto. Havia algo na sua postura, no entanto… que o fazia parecer quase perigoso. Como se fosse um leão, com selvageria indomável contida embaixo da sua pele, e sua guarda estivesse alta o tempo todo. Aquele cara daria um ótimo segurança.
Gwen, no seu estudo sobre os vampiros, sabia que eles eram feitos para serem máquinas mortíferas e, ao mesmo tempo, incrivelmente belos. Mas nunca havia esperado se encontrar deslumbrada daquela forma por um vampiro.
Os olhos dourados dele subitamente encararam os seus, profundamente, e ela estremeceu, porque era quase como se ele soubesse que pensava nele. Apreciou a profundidade dos — estranhos e malditos — olhos dourados, até que sentiu um gosto metálico na sua boca. Era sangue, o que explicava muita a forma como ele a olhava. Logo, sem desviar os olhos, ergueu seu braço lentamente e limpou o sangue que havia se acumulado embaixo do nariz com a manga da blusa. Esperou que aquilo não tivesse parecido como um ato rebelde de desafio, mas Gwen estava tão cansada e, sinceramente, também nem sabia se tinha sido. Não estava pensando muito bem.
Jasper Cullen franziu as sobrancelhas, ainda a encarando. Uma batidinha ao seu lado, na porta do carro, assustou Gwendoline, fazendo-a desviar do olhar hipnotizante do loiro, que continuava observando cada movimento seu, com um olhar estranho e indecifrável.
— Renesmee? — questionou, contemplando a menina que esperava ao lado da sua porta, sorrindo de lado. A bruxa terminou de descer o vidro do carro, momentaneamente confusa, com os olhos dourados gravados no fundo da sua mente, mesmo que não olhasse mais para eles.
— Oi, Gwen. Se você quiser, pode me chamar de Nessie, todo mundo me chama assim… Renesmee é muito longo, de qualquer maneira — A garota estendeu a mão para dentro do carro, rapidamente enfiando um papelzinho na mão de Gwendoline. Aquilo explicava o que era “Nessie”. — Esse é o meu número… Por que você não me manda uma mensagem depois e marcamos de conversar em algum lugar? — Ela não a deu chance de responder. — Sinto muito, preciso ir agora, não esperava que minha família fosse vir para a aula hoje, então não posso te explicar agora...
E, assim, Nessie se foi, dando um último sorriso de desculpas meio amarelo.
Gwen suspirou, colocando o papelzinho no bolso e subitamente percebendo que o céu havia nublado, e ela nem havia percebido. Bem… Eram duas se não esperavam que os Cullen aparecessem na escola naquele dia. Estava sendo ótima na missão, pensou, sarcasticamente.
Pisando no acelerador para sair do estacionamento o mais rápido o possível, ela deixou com que os feitiços, que sustentara o dia inteiro, se desfizessem, sentindo sua cabeça mais leve no mesmo momento.
Entre a encarada de Jasper Cullen e a surpresa que havia tido no vestiário feminino com “Nessie” Cullen… Aquele havia sido um longo dia.
•⏪⏪ W. G ⏩⏩•
No futuro, quando se lembrasse daquele momento, Gwen provavelmente se lembraria daquilo como o momento em que uma péssima ideia se desenrolou em péssimos cursos de ações, em conjunto com péssimas decisões. Ou como um belo retrato da maior parte da sua vida.
Pelo menos era o que pensava, enquanto caminhava silenciosamente nos arredores da floresta que cercava a casa da família Cullen — a casa mais afastada da cidade —, aproximando-se vagarosamente, e estupidamente, se é que pensava que não seria percebida ali por uma família de vampiros… Era um risco a correr, não era? De qualquer maneira, esperava que os feitiços que havia feito para se tornar silenciosa dessem certo. Mas, talvez, se fosse pega... Talvez, só talvez, pudesse dar a desculpa que gostava de fazer caminhadas pela floresta.
Assim que chegou suficientemente perto da casa, analisou bem o ambiente, procurando uma boa árvore; uma que desse uma vista ampla para a janela, em que pudesse dar uma de super espiã. Logo que achou uma boa, escalou-a o mais rapidamente o possível, tentando abafar os resmungos pelo esforço físico que estava fazendo.
Felizmente, teve sucesso em ficar em silêncio. Seria muito inoportuno ser pega após escalar pelo menos cinco metros daquela árvore que, “convenientemente”, dava bem pra uma das maiores janelas da casa dos Cullen, para um ambiente que Gwen imaginava ser a sala de estar da casa, enxergando com um pouco de dificuldade.
Cuidadosamente, abriu a pochete que levava na sua cintura — tentando não pensar em como, diabos, desceria daquela árvore, pois subir era fácil —, retirando de lá dentro um pequeno binóculos, que havia sido previamente encantado para funcionar melhor. Infelizmente, Gwen não tinha a supervisão dos vampiros, o que, às vezes, podia se tornar um empecilho no seu ramo de trabalho.
E, “nossa, que sala”, a bruxa pensou, admirando a decoração do lugar, assim que colocou a ferramenta na frente dos olhos. Nunca vira um lugar decorado de forma tão linda quanto aquele, e tudo trazia uma sensação tão forte de… serenidade. Era fácil esquecer que vampiros moravam ali.
Mas não se esqueceu, com sorte, porque logo que pensara aquilo pôde ver a vampira-elfa entrar no ambiente, quase que dançando, de mãos dadas com Renesmee — que andava mais rápido do que a bruxa pensava ser humanamente possível. Um mais um rapidamente começavam a se juntar na sua cabeça e fazer um pouco mais de sentido.
Seria a garota, na verdade, uma vampira também? Quem sabe uma com superpoderes para se disfarçar melhor entre os humanos? Sim, devia ser isso, a forma com que ela havia corado devia ter sido uma ilusão… Ou, pelo menos, era a única miserável explicação que o cérebro de Gwen conseguia encontrar no momento.
Aquilo respondia algumas coisas, mas ainda não a dizia o porquê da garota ter sido tão amigável — na pior situação imaginável, ela poderia estar a enganando para tentar morder seu suculento pescoço. E, bem, e quanto a Jacob? Também era um vampiro disfarçado? Ou era verdadeiramente humano, e o real “banco de sangue” da família? Quanto mais pensava, mais confusa ficava, e essa não era uma sensação que Gwen apreciava muito.
Logo, Gwen observou o loiro de cabelos cor-de-mel entrando no cômodo também, depositando um beijo em uma das bochechas de Alice e dizendo-a algo. Gwen se esticou para frente no galho em que estava, quase como se isso fosse a fazer ouvir. Não sabia o porquê, mas algo naquele pequeno gesto havia a incomodado, então decidira usar um feitiço mais complexo, mas que a permitiria ouvir um pouco do que falavam. Estava morrendo de curiosidade, ou era a única forma que conseguira interpretar a si mesma naquele momento.
Contudo, algumas coisas aconteceram ao mesmo tempo, antes que a bruxa pudesse sequer realizar o feitiço:
Os olhos de Alice ficaram sem foco e seus lábios tremeram, como se dissesse algo rápido demais;
Jasper desaparecerá da sala num piscar de olhos, o que deixara uma interrogação na cabeça de Gwen, que se perguntava para onde ele teria ido;
Rosalie e Bella apareceram ao lado de Renesmee, ambas se prostrando protetoramente ao lado da mais nova, a selvageria evidente na forma como as duas se encontravam posicionadas ao lado da garota — elas a defenderiam a qualquer custo, a bruxa sabia;
E, apenas meio segundo depois, enquanto involuntariamente ainda se esticava para frente, dessa vez tentando ter uma visão melhor da cena — e quem sabe conseguir um vislumbre de para onde Jasper tinha ido—, um dos pés de Gwen pisou em falso, num pedaço do galho que rapidamente se desfez. Seu binóculo escapou das suas mãos e caiu em algum lugar no chão, enquanto ela lutava para recuperar o equilíbrio, agarrando-se desesperadamente aos galhos de cima, antes que caísse e piores cenários possíveis acontecessem.
E, tão rapidamente quanto tudo aquilo ocorrera, ele magicamente aparecera lá; equilibrado perfeitamente num dos galhos da árvore ao lado, a apenas um metro de distância, o que Gwen sabia ser apenas um pequeno salto vampírico. Os olhos dele chamaram a atenção — agora escuros — brilhando com violência contida e em posição de ataque.
Jasper Cullen estava rosnando para Gwen, e ela não sabia como reagir o fato de que, bem, seu desejo anterior de encontrá-lo havia sido realizado. Para o bem ou não.
Então demorou um tempo para que o seu cérebro pudesse entender realmente o que aquilo poderia significar. Tudo estava acontecendo tão rápido, que sua mente devagar e humana não podia acompanhar muito bem. Quando entendeu rapidamente se comprimiu contra a árvore, desviando seus olhos dos dele e procurando uma maneira de escapar daquela situação. Certo, talvez a desculpa que tinha pensado anteriormente não fosse colar naquela ocasião. E do jeito que ele se movimentava milimetricamente em resposta aos seus movimentos também imaginava que não houvesse como escapar daquele predador.
No fundo da sua cabeça, podia ouvir sua melhor amiga, Penny, gritando com ela, sobre como havia sido estúpida, MUITO estúpida — e agora viraria lanche de vampiro. Em retrospecto, realmente havia sido um pouco estúpida e agido por impulso… Quem sabe devesse ter pensado melhor na situação, ao invés de simplesmente ter agido daquela forma.
Se havia pensado que viraria lanche, no entanto, Gwen teve uma fagulha de esperança de que isso não aconteceria quando Jasper se endireitou para uma posição ereta — felizmente fora da horripilante posição de ataque — antes que os olhos dela pudessem captar o movimento. Parecia que ele simplesmente tinha ido de uma posição para outra, como se o movimento intermediário de uma posição a outra nunca tivesse existido… Isso se Gwen não estivesse alucinando com vampiros, na frente dela, em posição de ataque. Será que desejava morrer tão fortemente?
Balançou sua cabeça, tentando se livrar dos pensamentos que não importavam tanto no momento, não tanto quanto os sobre se ela sobreviveria àquele encontro… Pensamentos que pareciam bem pontuais. A adrenalina correu nas suas veias e, de repente, sua cabeça pareceu mais clara, livre da lerdeza que atrapalhava seus pensamentos anteriormente.
Achava que não, não desejava morrer tão fortemente, e que também não havia alucinado, porque, o rosto de Jasper —, tão perto do seu, como nunca antes — parecia tão confuso quanto o seu cérebro, que estava saturado de tantas coisas que aconteciam sobrenaturalmente rápido demais, antes que ela pudesse sequer percebê-las e registrá-las.
— Olá, senhorita — ele disse, cautelosamente. E, sinceramente, mais educamente do que Gwen teria dito a estranho que estivesse esgueirando-se em uma árvore em sua propriedade, ainda mais com um binóculo, observando tudo, como um stalker sinistro. Apesar disso, não pode deixar de notar no quanto a voz de Jasper era aveludada e boa de se ouvir, por isso quase desejou que ele falasse mais. Amaldiçoou-se pela fraquejada, deviam ser os hormônios. Ele falou: — Qual seu nome?
— Gwen — retorquiu, incapaz de mentir diante do olhar intenso daqueles olhos tão escuros e penetrantes. Ele estava sendo sinistramente civilizado, e um cavalheiro, porém ela ainda podia ver os traços de desconfiança e resguardo na sua postura, mesmo que fossem poucos e ele, aparentemente, tentasse esconder isso. Muito bem, por sinal. Ela subitamente se sentiu muito calma e segura… Talvez seu cérebro tivesse pifado de vez.
Sentiu uma pontada na sua cabeça e um pouco de vertigem, por isso segurou no galho acima com força, desistindo de manter qualquer feitiço, antes que seu nariz sangrasse — como costumava fazer quando se extenuava daquele jeito — e ela, de fato, virasse o lanchinho de final de tarde dele.
— Você está bem? — ele perguntou, esticando uma mão para frente, no espaço entre eles, automaticamente. Ele recolheu a mão logo em seguida, parecendo mais confuso ainda. O vinco no meio das suas sobrancelhas era profundo e, irracionalmente, Gwen quis tocar a testa daquele estranho, para que a ruga se desfizesse. O rosto dele era tão bonito.
Antes que pudesse responder, no entanto, ouviu Alice gritar, de longe, “EMMETT, NÃO!”. E, logo, sentiu um forte impacto atingir a árvore que estava, para em seguida começar a se sentir caindo. Um caminhão havia atingido a árvore? Não haviam estradas por lá...
Assim, sem conseguir pensar profundamente em muitas outras coisas, além da noção de que o impacto doeria muito e ela caia muito rápido, usou seus últimos esforços mágicos disponíveis para não se estatelar no chão e virar mil pedacinhos de Gwen.
Então desmaiou.
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