Wicked
4 III - you’re part of the past, but now you’re the future
Notas iniciais
Look at you kids, with your vintage music
Comin’ through satellites while cruisin’
You’re part of the past, but now you’re the future
Signals crossing can get confusing
It’s enough just to make you feel crazy
(Olhe só para vocês, crianças, com suas músicas vintage
Vindas por meio de satélites enquanto viajam
Vocês fazem parte do passado, mas agora são o futuro
A travessia dos sinais pode ficar confusa
É o suficiente para fazer você se sentir louco)
— Love, Lana Del Rey.
— Ela vai acordar daqui cinco minutos — anunciou Alice, animada, ignorando o elefante no cômodo. Todos estavam reunidos na sala de estar, com exceção de Jacob e Carlisle. O primeiro havia viajado com a matilha para Forks, já o segundo estava no segundo andar da casa, monitorando os sinais vitais da garota que havia se machucado, dentro do seu escritório médico.
— O que você está escondendo? — inquiriu Edward, ligeiramente irritado, porque Alice continuava a cantar diferentes hinos e músicas na sua cabeça, e ela só fazia isso quando escondia algo. — Você é uma pixie diabólica, Alice.
— Nada — ela declarou, inocentemente, sentando-se ao lado de Jasper no mesmo sofá que Nessie e Edward estavam. No caminho, teve que driblar Bella, que andava de um lado para o outro no meio da sala, nervosa. — Está tudo bem, Jazz, você vai ter sua chance de pedir desculpas para Gwen.
Edward sibilou, cada vez mais irritado por não estar entendendo nada do que estava acontecendo. Além disso, o jeito com que Alice pronunciava o nome da estranha — como se fossem conhecidas de longa-data, estava o dando nos nervos. Irritantemente, isso o lembrava, com uma familiaridade alarmante, da forma como sua irmã adotiva tratara Bella no início do relacionamento dos dois. Todavia, o clã já estava completo e todos tinham os seus pares, então o telepata não conseguia ver motivo lógico para aquilo.
Felizmente, Jasper estava posicionado quase estrategicamente entre os dois, impedindo qualquer retaliação proveniente daquela pequena “briga”, não que o loiro estivesse prestando muita atenção na discussão. Edward se calou, introspectivo, enquanto ouvia os pensamentos de todos da sua família, tentando juntar as pontas soltas que faltavam.
Sem querer eles tinham causado um pequeno acidente com uma humana desconhecida — bem, não totalmente desconhecida: sabiam seu nome —, que estava observando-os em uma árvore. Então, de repente, Alice estava escondendo segredos e ele não sabia mais de muita coisa. Fora o fato de que Jasper tivera alguma parte naquele acidente e agora se sentia extremamente culpado — como somente ele conseguiria, sempre. Os pensamentos de Jazz excruciavam o telepata, que não conseguia trancar a melancolia de Jasper para fora da sua cabeça.
— Jasper não deveria ter que pedir desculpas — proclamou Rosalie, fazendo cara feia, do lugar em que estava em pé com Emmett, atrás do sofá. Edward revirou os olhos, mas estava atento a matriarca da família, quieta num canto mais à frente, com a mente a todo o vapor. — Nós não sabemos o porquê diabos aquela humana estava em cima da árvore, como uma bendita macaca, com um maldito binóculo, parecendo uma stalker. Se alguém aqui deveria pedir desculpas, deveria ser ela!
— Rosalie! — brigou Esme, pela terceira vez em menos de cinco minutos, cruzando os braços na altura do peito. Ela estava extremamente decepcionada, isso era um fato, e não era preciso de nenhum filho leitor de mentes para saber.
— O quê? — perguntou a loira, imitando a posição da sua mãe adotiva. — Como se não bastasse, ela ainda está demorando anos para acordar. Eu voto para a chacoalhamos até que acorde, está demorando muito.
— Rosalie, isso não está em votação — fora a vez de Edward avisar, sentindo os pensamentos de Esme se revoltarem cada vez mais. Nunca havia visto sua mãe adotiva daquele jeito, ela simplesmente não conseguia acreditar que estava vendo aquele comportamento. E, de qualquer forma, ela já havia proibido estritamente qualquer um, exceto Carlisle, de entrar naquele escritório antes que a garota acordasse por si própria.
Se o coração morto e gelado de Edward pudesse, ele se aqueceria por, mais uma vez, ter a chance de ver a maneira como Esme se sentia sobre eles… Como se eles realmente fossem seus filhos. Ele sabia que era exatamente assim que ela pensava.
A loira trocou o peso de uma perna para a outra, apenas por hábito, então respirou fundo.
— Sinto muito, mãe. — Edward, no entanto, sabia que ela não sentia muito pelo o que havia falado, e sim, apenas, por ter aborrecido Esme com suas opiniões.
A garota no andar de cima suspirou e se revirou onde quer que estivesse deitada; todos congelaram — bem, exceto Renesmee, que estava surpreendentemente quieta ao lado do pai, parecendo muito apreensiva, com seu coração acelerado.
— Amor, você vai fazer um buraco na sala, e tenho certeza que isso magoaria muito os sentimentos de Esme — Edward atestou, com uma nota de divertimento na sua voz, o que fez com que Bella parasse imediatamente de andar de um lado para o outro, constrangida e murmurando um “sinto muito” para a matriarca.
Magoar mais os sentimentos de Esme.
Era muito pouco dizer que a matriarca da família ficara horrorizada com o acidente que acontecera mais cedo naquele dia. Ela ouvira todos as desculpas em silêncio, cruzando seus braços acima do peito — sobre como eles tinham pensado que a garota era uma Volturi, enviada para fazer algum mal a eles e à Nessie —, não acreditara que seus filhos podiam ser tão pouco civilizados. Ela os ensinara melhor do que aquilo, não criara selvagens!
— Mas por que Jasper não avisou que a garota era humana no momento que a viu? — perguntou Emmett, verdadeiramente curioso. O Major tinha um vinco na sua testa, mas não se ofendeu, porque podia sentir a natureza da pergunta do irmão pelos seus sentimentos. Alice se adiantou para responder, por qualquer que fosse o motivo:
— Bom, para começar, ninguém pensava que você ia dar uma de lenhador. Sem ofensas, Em. — Ela deu de ombros. Emmett gargalhou, flexionando os músculos como uma exibição. Os olhos da vampira ficaram sem foco por um momento muito rápido. — Menos de um minuto agora.
— O que eu não entendo — Renesmee se pronunciou, falando devagar. Parecia nervosa, escolhendo as palavras com cuidado. Edward pode notar que ela ocultava algo dele, mas não disse nada, tentando dar a sua filha o máximo de privacidade possível. — é o fato de que ela está na nossa escola, e não consigo me lembrar desde quando ela está lá.
Edward franziu as sobrancelhas, verbalizando o que, subitamente, todos também pensavam:
— Definitivamente estranho… Também não me lembro muito bem desde quando ela está lá… Fora o dia de hoje, tudo é muito borrado e confuso. — E memórias de vampiros não eram borradas e confusas, todos sabiam. — Poderia ser um dom... tão forte que se manifesta com a garota ainda humana, como você, Alice?
Com todas as cabeças viradas para a tia, Renesmee se sentiu mais tranquila.
— Acho que podemos perguntá-la agora — respondeu a vampira, simplesmente. Com o timing perfeito, eles puderam ouvir o coração de Gwen acelerando no andar de cima. Ela estava acordando.
⏪⏪ W. G ⏩⏩•
Ao abrir seus olhos para a claridade de um quarto extremamente branco, inicialmente, a única coisa em que Gwendoline conseguira focar seu pensamento fora na massiva dor de cabeça que sentia, e no pulsar atrás das suas pálpebras. No entanto, não demorou muito tempo para que a sua memória voltasse, o que imediatamente a deixou alerta, presumindo que devia estar em grandes apuros.
Levantou-se cautelosamente da cama de hospital, em que se encontrava, esperando sentir algo quebrado ou alguma outra dor que fosse um indicativo de que ela deveria começar a se desesperar naquele momento. Nada. Nada além daquela incrível dor na cabeça, e um pouco de dor nos seus braços e quadris, provavelmente apenas um hematoma. O que era ótimo, mais do que ela esperava, dado que caira de uma árvore e agora se encontrava, provavelmente presa, dentro da casa da família de vampiros que observava. Isso era examente como não ser uma pessoa incrivelmente silenciosa e infiltrada no seu objeto de estudo. Precisava dar no pé daquele lugar, o mais rápido o possível.
Escapar talvez não fosse ser tão complicado, dado que aquele era um cômodo cheio de janelas destrancadas, que permitiam que uma suave brisa entrasse no quarto. O sol fornecia uma luz dourada, e estava esfriando, o que provavelmente significava que estava próximo do horário do crepúsculo, então Gwen não teria ficado desacordada por tanto tempo. No entanto, seu coração acelerava cada vez mais devido ao estresse e a ansiedade daquele momento, e ela já imaginava todas as maneiras como aquilo daria errado. Com o coração acelerado daquela forma seria quase como se ela tivesse um gps marcado em si para os vampiros, e eles a achariam em questão de segundos, isso se conseguisse fugir.
“Certo. Ok. Respire. Pule grandes alturas sem se machucar. De novo”, motivava-se internamente, aproximando-se de uma das grandes janelas. Tentando ter apenas uma preocupação de cada vez. Contudo, antes que seguisse em frente com o seu plano desvairado, seu reflexo num espelho próximo chamou sua atenção, fazendo com que se aproximasse quase que instintivamente.
E lá estava a garota: grandes olheiras, pele pálida, olhos grandes e assustados, quase exatamente como estivera mais cedo, exceto pelo sangue seco no seu nariz — o que, ela podia confessar, até que era quase habitual já, devido a forma como estava se exaurindo fazendo magia — e, além daquilo, logo mais acima, entre seu cabelo castanho e desarrumado, bem perto da sua orelha, uma única e singular mecha branca, que não estava lá mais cedo.
Ouviu um clique da porta, que fora o suficiente para que saísse do torpor da sua nova descoberta, e imediatamente se posicionasse com as costas contra a parede, como um animal acuado. E lá estava o Dr. Cullen, na porta, com o rosto sereno e um sorriso amigável nos lábios. Ele parecia muito bonzinho… Mas isso era provavelmente o que ele queria que ela pensasse.
— Olá — ele proferiu, dando dois passos cautelosos em direção a ela, esticando a sua mão para um aperto. Gwen se acuou mais contra a parede. Ele parou, então levantou os dois braços, como em uma rendição, tranquilizando um pequeno animal, ou potencial presa. Aquilo dava a garota um grande dejavu, que terminava com ela caindo de grandes alturas. Diante do silêncio, o doutor continua: — Meu nome é Carlisle Cullen, e essa é a casa da minha família. Sinto muito pelo pequeno acidente que tivemos mais cedo, espero que você não esteja com dor. Você sofreu uma pancada na cabeça, mas nada muito grave...
Ele parecia genuinamente preocupado, o que acendia uma lâmpada de confusão em cima da cabeça de Gwen. O homem realmente parecia um médico, mesmo que ela duvidasse que ele fosse capaz de exercer essa profissão, pela sua condição de vampiro.
— Olá, Dr Cullen — falou, finalmente, mesmo que fosse visível a desconfiança na sua postura e a confusão na sua voz. — Eu desejo ir embora.
Parecer confiante devia automaticamente fazer com que ele acreditasse que ela, de fato, era, fazendo com que fosse libertada, não?
— Claro… Mas se fosse possível, antes gostaríamos de fazê-la algumas perguntas — ele retrucou firme, não era uma pergunta. — Tenho certeza que já sabe a condição da minha família, e também deve ter algumas perguntas da sua parte, assim como também temos algumas. Você se importaria de me acompanhar ao escritório?
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