Why Me?

66 Capítulo 66 - Shit


Notas iniciais
Hey, eu novamente por aqui. Só queria agradecer pelos comentários maravilhosos e pelas mensagens que vocês mandaram com elogios sobre minha oferta de ajuda. Só espero o melhor para todos!

— Hora de acordar, querida — as cortinas foram abertas rapidamente que mal pude cobrir os olhos para me proteger da luminosidade. — Não enrole, o café já está na mesa.

Senti os cobertores envolvendo meu corpo e estranhei, sentando-me na cama. Não consegui pegar visão da mulher que estava no quarto, pois ela acabou por sair de imediato, fechando a porta atrás de si. Olhei ao meu redor e notei as paredes brancas que me rodeavam, com trilhos de luz descendo aos quatro cantos. Alguns quadros e fotografias estavam espalhados também. Senti cheiro de limpeza e avistei a poeira subir através dos rastros de sol.

Levantei-me e caminhei até certo guarda-roupas, o qual eu abri e tive a visão de uma grande variedade de roupas. Escolhi uma regata azul com calças escuras, completando com botinas e uma camisa xadrez. Quando estava prestes a sair de meu quarto, avistei o espelho ao lado da porta, e notei a coloração de meu rosto, minha pele impecável, sem qualquer arranhão. Olhos cheios de vida e os fios de cabelo bem ajeitados.

Respirei fundo e caminhei para fora, encontrando um curto corredor com uma escada ao fim. Ouvi o barulho de outra porta se abrindo e encontrei um garoto com camisa cinza bem larga, mostrando parte de sua clavícula e jeans apertados. Seu cabelo era jogado para o lado, e ele usava um pequeno colar. Ele enfiou as mãos nos bolsos, olhou em minha direção e revirou os olhos, descendo as escadas.

Em seguida, eu caminhei até as mesmas e desci-as, sentindo o cheiro de comida fresca logo ao fim. Olhei para a frente e encontrei a cozinha com uma imensa bancada sob a toalha vermelha, contendo todos os itens necessários para um café da manhã. Atrás da bancada, uma imensa janela iluminando o ambiente com rastros de sol que atravessavam a cortina fina. Uma mulher sentou-se à frente da vidraçaria, sorrindo em minha direção.

— Que bom que se juntou à nós — comentou, bebericando de sua xícara. — Venha, sente-se!

Seus olhos verdes eram intensos sobre mim. Os lábios grossos e marcas de expressão nas laterais demarcavam todo o território latino presente em sua face. A mulher colocou café na xícara à minha frente e aguardou para que o garoto sentasse ao meu lado, servindo-o em seguida.

— Hoje eu tenho ensaio da banda — afirmou o garoto, bocejando. — Vou voltar mais tarde.

— Hoje? E como Mari voltará para casa? — Questionou a mulher, olhando para mim.

— Ela pode vir a pé. Ou pegar carona — sugeriu ele.

— Você não pode me avisar assim, de última hora, Lucas! — Avisou a morena enquanto eu prestava atenção nas panquecas em minha frente. Mordisquei uma e voltei meus olhos aos dois. — Querida, você pode arranjar carona?

— Acho que sim…

Ouvi barulho de buzina vinda do lado de fora e a mulher olhou pela janela, sorrindo em seguida.

— Sua carona para a ida chegou — disse ela, olhos fixos aos meus. — Leve dinheiro para comprar seu almoço!

Assenti e peguei a mochila pendurada na porta, caminhando para fora da casa. Olhei para a rua e encontrei o velho sedan preto estacionado, janelas abertas. Segurei uma das alças que atravessava meu peito e agachei-me na porta, olhando para dentro do automóvel. Encontrei um garoto com cabelos arrumados em um topete loiro, mexendo em seu celular. Assim que me notou, sorriu e destrancou as portas.

— Bom dia — cumprimentou logo que me sentei ao seu lado, inclinando-se e beijando meus lábios, de surpresa.

Sem estranhar, sorri e coloquei a bolsa em meus pés, puxando meus joelhos para perto do corpo.

— Você está um minuto atrasado — afirmei.

— Às vezes gosto de atrasar — o garoto riu, ligando o carro. — Causar um impacto, sabe?

Soltei uma risada abafada por minha mão e revirei os olhos de modo amistoso. O garoto seguiu conversando comigo sobre assuntos estranhos, como bailes, estudos, atividades, clubes e eu não consegui prestar atenção em nenhuma, ao certo. Não demorou muito para que ele estacionasse em uma das vagas da escola, e desceu do carro, abrindo a porta para mim.

— Você acha que deveríamos ir juntos ao baile? — Questionou ele, assim que trancou o carro e começou a caminhar do meu lado. — Para assumirmos de verdade?

— Fica à sua escolha — sorri e apertei sua mão suavemente. — Eu estou bem satisfeita com nossa situação, Andie.

Seu nome rolou pela minha língua de forma comum, como eu jamais imaginei que fosse ocorrer um dia.

— Certo — ele sorriu e beijou minha bochecha antes de caminhar para trás. — Te vejo no almoço?

Assenti com a cabeça e acompanhei-o com os olhos até que saísse de meu campo de visão. Umedeci meus lábios e caminhei para fora do estacionamento, segurando a alça de minha bolsa com cuidado. Senti vibrar dentro e cacei pelo meu celular, sem encontra-lo entre os livros e materiais espalhados. Mordi a língua em concentração até sentir um par de mãos agarrando meus ombros e me assustar.

— Bu — a garota engrossou a voz e sorriu ao adentrar minha visão. A franja ruiva caía sobre os olhos enquanto ela os arregalava, enfatizando sua expressão.

— Mia — grunhi enquanto ela ria. — Eu quase morri!

— Não exagere — a garota revirou os olhos, bufando. — Então… você e Andie estão assumidos, enfim?! Acabei de ver vocês juntos.

— Faz uma semana que eu venho pegando carona com ele — comentei enquanto ajeitava a bolsa em meu corpo e caminhava para dentro da escola. — Mas ainda estamos sem qualquer título.

— Ah, talvez seja melhor assim — ela comentou, mordendo o lábio com ansiedade. — Esse negócio de "títulos" não cai bem.

— Sei lá — comentei enquanto ela olhava para trás.

— Ei, olhe sutilmente para trás e tente encontrar um garoto moreno e alto — ela ordenou, sorrindo. Fiz o que fora mandado e procurei, encontrando vários dentro da descrição.

— Seja mais específica — disse eu, concentrada.

— O garoto de franja e blusa azul — ela citou e eu o encontrei, em meio à multidão.

Era um garoto alto e magro, com calças escuras e justas, complemento para a blusa também justa, com dois botões abertos na gola. Seu cabelo era comprido e tinha a franja jogada para o lado, dando a essência aos olhos claros que pude notar mesmo de longe. Ele caminhava tímido, com as mãos enfiadas nos bolsos enquanto olhava para cima, vendo a escola. O garoto passou ao nosso lado e Mia trocou o olhar, mas eu segui o encarando, e ele percebeu, o que seria um dos fatores que levariam a situação ao constrangimento.

Mas, o problema foi que não ocorreu. Não acabou por ser uma situação constrangedora, pois seu olhar colidindo ao meu me trouxe conforto, de algum modo. Como se fosse importante para meu dia ter aquele par de olhos colados aos meus. Respirei fundo até que ele voltasse a olhar para a escola.

— Você não sabe ser sutil — afirmou Mia, rindo.

Soquei seu ombro levemente e caminhei para dentro da escola. O garoto já não estava mais em meu campo de visão, apenas Mia, que caminhava ao meu lado enquanto ajeitava a alça da bolsa cinzenta. Seus cabelos ruivos estavam soltos, caídos aos ombros como duas cascatas de lava, e os olhos claros refletiam a luz do sol, muito forte, por sinal. Ela vestia uma camiseta simples de uma banda que eu não conhecia e shorts azuis. Encarei-a durante alguns segundos, reparando em como as roupas caíam bem em sua pele clara e sentindo uma pontada de inveja por não ser tão bonita.

O sinal soou ao fundo e apressamos o passo, praguejando. Chegar atrasada era a última coisa que eu queria, pois, ficar na sala da diretora Williams era o fim do mundo. Chegamos à entrada e adentramos o corredor, Mia seguindo para a sala de Matemática e eu correndo para a sala de Química.

Assim que entrei, procurei por algum lugar no centro da sala, para não ficar tão dispersa na aula, e encontrei apenas um sobrando, na penúltima fileira, antes da janela. Coloquei minha bolsa de lado e o professor atravessou o aro da porta, posicionando ambas as mãos acima da escrivaninha enquanto cumprimentava os alunos, preparando-se para o início da aula. Debrucei-me na carteira e quando fui olhar para a janela, encontrei o mesmo garoto do estacionamento. Meu olhar cruzou com o dele, que parecia me encarar anteriormente. Franzi o cenho, confusa, e voltei-me para a lousa.

O resto da aula passou como um vulto, meus olhos caindo no garoto e os dele em mim, e, quando acabou, ele apressou-se para sair. E, pelo resto do dia, não o encontrei.

Assim que o quarto período acabou, fui até meu armário para buscar meu almoço. Logo que pisei no corredor, encontrei Andie conversando com Gabrielle, que cruzava as pernas de um modo estranho. Sem sinal de Mia, procurei observar, para ver sobre o que se tratava. Apenas escutei um "te vejo sexta" do loiro e meu peito se apertou.

Ele seguiu para o refeitório, enquanto Gabrielle se direcionava aos armários, parando alguns à minha direita. Fiquei alguns segundos com os olhos fixos na menina, em seus cabelos claros caindo como ondas suaves nas costas, por cima da regata amarela. Notando meu olhar, ela sorriu enquanto colocava sua senha.

— É feio ficar encarando — comentou e esticou o rosto com os dedos, como se estivesse vendo seu reflexo. — Eu sei que minha beleza é demais para seus olhos.

— Cheia de si mesma — murmurei, mas ela acabou por escutar, pois seu próximo comentário fora diretamente para mim.

— Cheia de mim mesma e das pessoas que me rodeiam — ela cruzou os braços e fechou o armário, sorrindo maliciosamente. — Quem é seu par para o baile?

— Não é de sua conta — afirmei enquanto retirava os livros de minha bolsa.

— Eu sei quem não é: Andie Steloffman.

Gelei no mesmo instante e fechei o armário, agora fixando meu olhar aos olhos verde-cínicos da garota.

— O que você quer dizer com isso? — Questionei, assustada.

— Quero dizer, bem, ele é meu par. — A garota sorriu novamente e pude jurar que minha expressão caiu. — Não sei o porquê dessa sua reação, você não iria com ele de qualquer jeito.

Mal sabe ela que eu iria, pensei.

Esperei Gabrielle sair para poder surtar. Minha respiração acelerou e meu peito doeu, como se cada uma de suas palavras fossem facadas. Desamparada, saí correndo na direção do campo de futebol, sem me incomodar com o almoço. Cheguei às arquibancadas brancas e subi-as, rapidamente, tomando cuidado para não… cair.

Encontrando-me entre dois bancos, desisti de subir até o topo e sentei-me ali mesmo, jogando minha bolsa para o lado e cruzando os braços acima dos joelhos, chorando em um casulo feito com meu próprio corpo. Eu só queria desaparecer, sumir, evaporar, qualquer coisa que evitasse minha presença ou existência. Mia não estava por perto, em lugar nenhum, e eu não tinha forças para ligar para ela e contar sobre o que havia acontecido, até porque ela havia tentado me avisar antes, dizendo que ele não era uma boa pessoa, que sua reputação era o que lhe importava, mas eu ignorei.

Escutei alguns passos e senti uma leve movimentação e o ranger da arquibancada, logo ao meu lado. Levantei meu rosto vermelho dos braços e analisei a figura que estava ali, com os joelhos puxados para o peito, olhos fixos em mim.

Aquele mesmo garoto, aquele mesmo filho da puta que eu havia visto o dia inteiro. Era o único momento que eu não queria que ninguém me visse, e veio logo a única pessoa que eu poderia ter uma boa primeira impressão, já que eu era formada nas péssimas primeiras impressões. Seus olhos azuis pousavam sobre mim e as sobrancelhas estavam arqueadas, olhar de pena.

— Sério, eu não preciso de um olhar piedoso para cima de mim — confessei e ele não pareceu se incomodar, mas mudou a expressão para um leve sorriso.

— Desculpe, não sou bom nisso — ele jogou a cabeça para o lado, fazendo com que a franja saísse de seus olhos.

— Não, eu… não era para eu ter dito isso em voz alta — minhas bochechas coraram e eu enxuguei os olhos com as mangas de minha camisa xadrez.

— Tudo bem — ele torceu a boca e olhou para cima. — Eu nunca sei como ajudar.

— Qual o seu nome? — Questionei, respirando fundo.

Notei os fios molhados em seu cabelo e as gotas pingando lentamente na blusa. Ele exalava cheiro de desodorante.

— Carl. Carl Grimes — o garoto passou a mão pelas mangas, subindo-as até o antebraço. — E o seu?

— Mari — sorri e funguei. — É apelido para meu nome, mas isso você descobrirá mais tarde.

— E o que te chateia, Mari?

Respirando fundo, mais uma vez, puxei meus pés para mais perto do corpo e ajeitei a gola de minha camisa, passando o dedo pelos rubis de meu colar.

— Eu sempre me envolvo com as pessoas erradas. Sempre acredito que uma hora vai mudar e me encontro na mesma situação — confessei e ele pareceu interessado. — Eu só… queria que isso mudasse. Tenho raiva de mim mesma.

Carl pareceu pensativo e hesitou em dizer algo, mas eu o encarei, esperando que dissesse.

— Posso ser quieto, mas eu sou observador — ele comentou e eu não soube onde queria chegar com aquilo —, e percebi que muita gente por aqui dá valor para as coisas erradas. Talvez eu esteja errado, também, mas sei lá…

— Não, está certo — confirmei e ele sorriu.

— Tem esse garoto, Steloffman, que faz Educação Física comigo… Nunca vi tanta ignorância em uma única pessoa — prosseguiu e eu congelei por um instante. Carl umedeceu os lábios e seguiu com sua fala: — Não acho que você deva dar valor à essas coisas. Eu posso não saber muito sobre você, mas sinto que é uma pessoa ótima.

Sorri de canto com seu comentário. Por mais estranho que fosse, também tinha aquela sensação. Carl colocou um gibi em meu colo e retirou a mão, como se meu corpo fosse uma ratoeira.

— Esse… esse é meu quadrinho favorito — comentou e mordeu o lábio inferior. — Eu sempre levo comigo quando estou assustado, ou nervoso, e como hoje é meu primeiro dia de aula… enfim, fique com ele! Sério! Não sei como ajudar muito, mas espero que você goste.

Senti meu peito se aquecer durante um instante e observei-o pegar o celular do bolso e analisar com expressão de susto.

— Minha mãe quer que eu volte para casa durante o período de almoço — disse ele, levantando-se, parecendo nervoso com sua posição. — Ela normalmente faz biscoitos quando acha algum motivo de comemoração… Eu posso te trazer um, se quiser.

— Seria ótimo — mordi meu lábio inferior e enxuguei a última lágrima de meus olhos. — Obrigada.

[...]

— Mari? — Ouvi a voz na entrada de meu quarto e levantei-me da cama, no susto.

Olhei ao redor, rapidamente, percebendo que aquele era meu quarto e que toda aquela cena não havia se passado de um sonho. Meu peito ainda estava aquecido, em conforto, devido à situação que eu havia projetado. Coloquei meu olhar na porta, vendo Carl segurando um dos braços, como se estivesse nervoso, agitado.

Lembrei-me que, mesmo que o sonho tivesse sido maravilhoso, nós ainda estávamos brigados. Ele não me encarava diretamente, seu olho fixo ao chão enquanto eu ajeitava minhas costas no travesseiro. Notei que ele estava vestido em calças de moletom e uma blusa de mangas escuras.

— Aconteceu algo? — Perguntei e ele negou com a cabeça.

— … eu tive um pesadelo — confessou e pude ouvir seu suspiro de onde eu estava. — Só queria checar se você estava bem.

— Eu estou — afirmei e ele assentiu com a cabeça, terror dominando a expressão.

Notei seu desconforto e percebi que ele estava prestes a ir embora, então chamei-o.

— Carl — o garoto virou-se, olhando para mim —, você pode ficar, se quiser.

Assentindo, caminhou em direção à minha cama, retirando os sapatos e sentando-se ao meu lado. Sem me tocar, ficou alguns instantes me fitando com preocupação e alívio, como se estivesse mais tranquilo. Toquei seu rosto lentamente, pegando-o fora de guarda e ele mordeu o lábio, sorrindo triste.

Não demorou muito para que ele deitasse em meu colo e posicionasse os lábios calorosos em minha barriga, que mesmo sob o tecido de minha blusa, queimou em minha pele. Resolvi não acariciar seus fios, pois ainda estava insegura de minhas ações, então peguei o livro da cômoda e acendi o abajur, abrindo-o na página em que havia parado. Após algum tempo, senti suas mãos caminhando suavemente pelo perímetro de minha coxa, e o garoto afundou o rosto onde antes estavam seus lábios, cheirando minhas vestes.

Estranhando, fechei meu livro e coloquei-o de lado, encarando o garoto com o nariz pontiagudo prensado em minha blusa.

— O que você está fazendo? — Questionei-o e ele levantou o rosto, envergonhado. Talvez ele tivesse achado que eu não estaria acordada.

— Aproveitando seu cheiro — seus dedos subiram para as laterais de meu corpo, fazendo toda uma trajetória. — É lavanda.

— Lavanda?! — Sorri e ele soltou um riso abafado pelo cansaço. — Talvez seja meu sabonete.

— Eu uso o mesmo sabonete e não cheiro à lavanda — indagou e eu revirei os olhos.

— Com toda essa cabeleira, você quer cheirar à sabonete? — Ri enquanto tocava parte de seus fios bagunçados, sentindo com meus dedos a textura da gaze colocada ao redor da cabeça. — Seu cheiro é de xampu!

Carl soltou outro riso, genuíno, e passou a olhar para o teto, quebrando sua expressão. Aquela cena fazia parecer que nossa briga nunca existira, e talvez nunca mais fosse relevante, eu achava. Seu olho virou para baixo e ele deixou os meus à sós, concentrando-se em seus dedos, puxando-os com a outra mão. Ele tinha o rosto amassado e olhos inchados, como se tivesse chorado anteriormente. Não muito, eu diria, mas o suficiente para ser notado.

Eu sabia que seus pesadelos o perseguiam, e que, quando ele dormia comigo, as cenas eram mais amenas. O Grimes menor nunca havia comentado sobre, e eu não o pressionava, pois também não gostaria de contar-lhe sobre os meus, e como às vezes as imagens eram tão vívidas que eu levava algumas horas para familiarizar minha mente com a realidade. E eu sabia que seus sonhos eram voltados para mim, ou Negan, ou nós dois, pois seus murmúrios noturnos eram reveladores.

— Me desculpe por aquilo — ele pediu, quase que em um sussurro.

— Você me magoou — afirmei, umedecendo meus lábios secos. Carl suspirou lentamente e assentiu com a cabeça, chacoalhando-a em seguida.

— Eu só não entendo… por que?

Mais uma vez, respirei fundo e olhei para cima, esperando que o teto me confortasse na formulação de uma resposta.

— Você é o filho do líder, e não a pessoa que ameaçou o filho e o líder — despejei e Carl manteve-se calado. — Eu estou fazendo isso porque preciso, não porque quero. As pessoas tiram vantagens das habilidades e eu não posso me doar deste modo, você já deveria saber.

— Mas aqui você não precisa agir desse modo, somos todos familiares… digo, olha para como os outros te enxergam, com admiração e…

— Errado. — Disparei, sem muita espera. — Só acabei por receber esses novos olhares por causa do plano. Senão, eu seguiria sendo o projeto de psicopata.

O garoto respirou fundo, seu peito subindo e descendo lentamente enquanto ele colocava uma mão abaixo da cabeça, apoiando-se para melhor conforto.

— Não se trata apenas de se misturar, mas sim, da retomada da inocência. Invisibilidade — prossegui e ele negou com a cabeça, ainda confuso.

— Nós somos parecidos, Mari — tentou argumentar e eu revirei meus olhos —, também não sou nenhum santo.

— E quantas vezes você conseguiria sair de uma reunião importante sem que ninguém notasse? Ou roubar algo sem que alguém desconfiasse? — Questionei e ele finalmente pareceu entender meu ponto. — Isso não acontece porque as pessoas sabem quem você é, e ainda porque, precisando de algo, seu pai lhe ofereceria. Já comigo, se torna mais difícil porque tenho de me virar. Às vezes preciso fazer minhas coisas, e minha invisibilidade permite que eu consiga, sem qualquer rastro de dúvida dos outros moradores. Aqui, eu sou comum, e durante muito tempo não fui, então deixe-me ser!

Quando finalizei a frase, notei que meu tom havia se elevado e Carl estava um tanto tenso. O garoto levantou-se de meu colo e encostou-se à um travesseiro, ainda ao meu lado. Umedeci meus lábios ressecados e senti o peso que a saliva passara a fazer em minha boca. Foquei seu rosto e senti a tristeza em seus dedos, que haviam parado de deslizar pelo meu corpo.

— Desculpe. Eu não sabia que você se sentia assim.

Torci a boca, tentando confortá-lo, pois não estava me sentindo bem com meu sermão. Olhei para o relógio que havia tirado da sala e colocado em meu quarto, marcando 4:39. Toquei seu rosto, deslizando as pontas de meus dedos pelas bochechas macias e tentei sorrir.

— Volte a dormir — pedi e ele também se esforçou em um sorriso, ajeitando-se na cama.

Enquanto Carl caía ao sono, peguei meu livro de volta e segui a leitura. Após algum tempo submersa na história, olhei para o relógio que marcava 6:57 e finalizei as últimas páginas. Levei minha mão ao ombro do garoto, para acordá-lo, e recebi um grunhido sonolento.

— Carl, acorde — chamei-o e o garoto afundou o rosto no travesseiro. — Vamos, eu faço café da manhã.

Ele levantou o rosto e mirou seu único olho com traços de cansaço e me encarou durante alguns segundos.

— Eu quero panquecas — arqueou a sobrancelha.

— Então terás panquecas — sorri e me levantei.

Carl saiu em disparada e ouvi seus passos na escadaria, ocos sobre carpete. Caminhei até o guarda-roupas e coloquei as calças esverdeadas e a xadrez vermelha e branca. Como fazia frio, coloquei o casaco preto do capuz de lã em meus braços para levá-lo ao primeiro andar, caso nós decidíssemos fazer uma caminhada. Aproveitei para colocar a bainha com minha faca já presa.

Assim que cheguei ao fim da escada, avistei Carl na porta da frente, encostado com o quadril ao aro, Judith em seus braços. Seu pai estava parado ali, conversando com ele, mas não pareceu me notar. Quando fui me aproximar, Carl fechou a porta e virou-se, assustando com minha figura. Logo, colocou um sorriso no rosto e segurou a pequena mão da irmã.

— Judith se juntará à nós! — O garoto alterou o tom de voz para algo mais bobo.

Eu apreciava o relacionamento dos dois, refletindo a inocência que já estava quase extinta naquele mundo. Carl cuidava de Judith com tanto carinho que, apenas de carregá-la, arrancava sorrisos bobos de mim. Aproximei-me da menina e Carl passou-a para meus braços.

— Você quer panquecas? — Alterei minha voz e arranquei-lhe um sorriso. Sua mão agarrando uma mecha de meu cabelo. — Carl, pegue a banqueta, por favor.

O garoto o fez e colocou a banqueta de frente para o balcão, sentando-se ao lado. Coloquei a criança sobre o assento acolchoado e me certifiquei de que ela não cairia pelos braços. Posicionei minha mão em seus fios loiros e sorri levemente, caminhando em direção à geladeira.

Separados todos os utensílios e ingredientes, passei a bater os ovos com o leite e a farinha. Carl brincava com Judith e os copos vermelhos que ele havia encontrado em um armário, junto de algumas vasilhas.

— Seu pai vai sair? — Questionei-o, adicionando açúcar à massa.

— Sim, ele vai procurar mantimentos — sua voz hesitou um tanto, mas prosseguiu: —, para Negan.

— Hm… certo — aqueci o fogão e posicionei a frigideira ali, levando a massa para mais perto. — Pegue os pratos para servir.

O garoto se levantou e caminhou até os armários. Indiquei o certo e ele o abriu, separando três pratos e alguns talheres de outro lugar que apontei. Quando as panquecas ficaram prontas, separei-as na louça e servi, sentando-me ao lado de Judith, preparada para ajudá-la a comer.

— Você tem notícias da Maggie? — Perguntei, cortando um pedaço da massa e levando à boca da menina.

— Ela está bem. Jesus está cuidando dela — Carl parecia um esfomeado ao enfiar um enorme pedaço na boca. Após uns segundos de silêncio, voltou a olhar para mim. — Hilltop parece seguro.

Cortei um pedaço de meu prato e comi, mastigando enquanto encarava-o de volta. Aquele comentário havia soado de modo estranho, mas evitei qualquer questionário.

— Hilltop também é tomada por Negan — afirmei e ele deu de ombros.

— Mas ele está ocupado demais com Alexandria para se lembrar de Hilltop.

Servindo Judith novamente, fiquei em silêncio, pensando em sua fala.

Carl não usava o chapéu, talvez porque havia saído no meio da madrugada para dormir em minha cama, assim, afastando os pesadelos. Isso explicava os fios rebeldes e as calças de moletom, em conjunto. Pensando em suas noites passadas em claro, eu pude perdoá-lo pela péssima aparência, tentando não sugerir que ele descansasse um tanto a mais.

— O que você quer dizer com tudo isso?

— Nada, é só um comentário — ele mordiscou a ponta do garfo, me encarando.

— Ambos sabemos que não é só um comentário — afirmei e o garoto virou o rosto, voltando a atenção para a janela. Sua expressão mudou um tanto, ele pareceu surpreso, mas eu não enxerguei nada através do vidro.

— Você acredita no que quiser, Mari — bufou, comendo o último pedaço de panqueca e levantando-se em seguida. — Eu preciso falar com Michonne, você cuida da Judy?

Assenti e comi outro pedaço de meu prato. Carl aproximou-se da irmã e beijou-lhe a cabeça, e em seguida, colocou a mão em meu rosto, rapidamente, e saiu da casa. Observei a porta se fechar e mordi o lábio, servindo mais um pedaço para a criança.

Sua mudança repentina de expressão havia me intrigado. Olhei para a garota ainda sentada e os pratos vazios, então coloquei-os na pia e voltei-me à ela, sorrindo enquanto posicionava minha mão na cintura. Seus grandes olhos azuis se direcionaram à mim e a peguei no colo, ajeitando-a em meus braços.

Caminhei rapidamente até a janela, tentando ver Carl do lado de fora, mas não obtive sucesso. A antiga casa de Deanna tinha vista para a rua principal, e, naquele momento e segundo meus cálculos, o garoto deveria estar passando por ela, em direção à sua casa. Mas não estava. E eu tinha uma vaga ideia de onde ele poderia estar.

Segurando os dedos de Judith, caminhei até o segundo andar e segui para meu quarto, abrindo a porta lentamente e adentrando. Naquela manhã, não havia arrumado nada, então a cama seguia bagunçada, o abajur aceso e a cortina fechada. Coloquei Judith em cima da cama, entre dois travesseiros macios e deixei o edredom próximo dela, para que ficasse confortável. Desliguei o abajur e puxei as duas cortinas, revelando a claridade do lado de fora, e então, os muros. Foi assim que vi Enid escalando e Carl logo atrás, observando-a.

Muito bom, Carl.

Olhei para o lado, vendo Judith na cama e peguei-a novamente, saindo de meu quarto. Corri para o quarto de Deanna e Reg e peguei o rifle da parede, colocando-o nas costas. Apressei-me para sair da casa e caminhei até a calçada, encontrando o garoto que corria na direção dos portões. Esperto, eu pensei. A vigia matinal era Spencer, que não se importava com nada que ocorria na comunidade, além de si mesmo. Então ele normalmente nos poupava do trabalho de escalar os muros e nos deixava sair, sem qualquer hesitação.

Bufando, corri para o depósito e bati na porta três vezes, ansiosa. Olivia abriu-a e me encarou, confusa.

— Não dá tempo de explicar, você pode cuidar da Judith? — Perguntei e ela assentiu, então passei a criança para seus braços.

— O que… — a mulher ajeitava a menina no colo e me encarava, sobrancelhas arqueadas.

— Não dá tempo — afirmei e saí.

Em disparada, corri até o portão principal e fiz um sinal para Spencer abrir. O homem deu de ombros e o fez, fazendo algum comentário inútil que eu optei por ignorar. Coloquei o rifle na parte da frente de meu corpo e caminhei pela pequena estrada, tentando enxergar Carl. A única coisa que eu vi fora um carro em funcionamento. Por trás, pude ver o chapéu.

Carl não pode ser tão burro para não checar o retrovisor, pensei, e então ele seguiu o caminho. Me enganei.

Por sorte, o carro que Carl havia pego não era o único. Tínhamos outros, e eu podia escolher. Um dos guardas do Governador, Russel, uma vez me ensinou a ligar carros sem a chave, e em seguida, me ensinou a dirigir, mas nunca precisei usar as habilidades. Até aquele dia.

Aproximei-me de um velho sedan vinho, parecido com o de meu sonho, e abri a porta, colocando o rifle no banco do passageiro. Respirei fundo e analisei todos os botões e mecanismos do carro, tentando me lembrar de tudo. Saí pela mesma porta que entrei e ajoelhei-me no asfalto sujo, encolhendo-me até ficar abaixo da direção, procurando os cabos. Retirei a tampa e encontrei diversos fios, sentindo a ansiedade me consumir. Carl já deveria estar longe naquele instante. Eram dois cabos vermelhos, um verde e dois marrons. Os vermelhos eram os mais grossos, então imaginei que eram os que eu procurava, e assim, arranquei um pedaço de cada com a faca, deixando a fiação à mostra.

Alguns grunhidos soaram atrás de mim, e eu já não estava na visão da vigia. Levantei-me rapidamente e avistei dois errantes saindo de trás de uma casa, mas ainda um tanto longe. Abaixei-me novamente e tentei encostar os dois fios, então me lembrei de que tinha de torcer os dois cabos marrons. Arranquei outro pedaço de ambos e os juntei, voltando aos vermelhos.

Os grunhidos aumentaram, e eu ainda estava tentando fazer o carro pegar. Encostei os dois cabos e vi o choque, mas não surtiu efeito. Novamente, o fiz, e sem efeito. Olhei de relance para trás e avistei o errante logo ao meu lado, já encostando em meu ombro, dentes apodrecidos próximos de meu pescoço. Virei-me e retirei a faca da bainha, mas acabei caindo contra a porta do carro, batendo a nuca. Um tanto tonta pela queda, chutei o errante na cabeça, ouvindo um som de osso quebrando e senti enjoo repentino. Quando suas mãos voltaram a se aproximar, enfiei a faca em seu olho esquerdo, com força.

O outro errante estava logo atrás, aproximando-se. Quando foi abaixar para me agarrar, rolei para o lado, fazendo com que ele se desequilibrasse. Ainda de costas, enfiei a faca em sua nuca, fazendo-o cair, literalmente, morto. Empurrei seu corpo para longe da porta e voltei aos joelhos, agora fazendo o carro ligar de verdade. Sorri para mim mesma e limpei a faca na camiseta azul surrada do segundo errante, saltando para o banco.

Acelerei o carro e abaixei o vidro, para não ficar no cheiro de poeira que estava presente. Na estrada, marcas de pneu cantado e cheiro de borracha, então só imaginei que poderia ser de Carl. Onde ele aprendeu a dirigir? Ele aprendeu, realmente? Segui pela estrada durante algum tempo, até o cheiro de borracha ser trocado por cheiro de fumaça, e acabei por estranhar. Desacelerei o motor próxima à uma casa caindo aos pedaços. E foi ali que encontrei o carro de Carl sendo a fonte do odor, com o para-brisas quebrado e escorrendo sangue.

Desci do meu sedan e peguei o rifle, colocando-o nas costas. Tirei a faca da bainha e caminhei lentamente, observando qualquer rastro de morte. Respirei fundo, esperando o pior logo que me aproximei do outro carro, mas não havia ninguém dentro. Olhei para os lados e vi duas estradas diferentes: uma para o norte e outra para o oeste.

Aquele parecia o caminho para Hilltop, do pouco que acompanhei durante a viagem que falhou, mas eu não sabia como era o restante. Pensei em voltar, mas meu orgulho de já ter chegado ali falou mais alto, então neguei meus pensamentos e tentei focar em qualquer memória sobre a rota. No mesmo instante, veio uma imagem à cabeça do mapa que Rick usava no trailer, então umedeci meus lábios e voltei correndo para o carro.

[...]

Já próxima à uma ladeira, observei duas figuras andando distantes. Encarei-as durante algum tempo, tentando enxergar se eram errantes, então peguei meu rifle e mirei. Notei que era Carl pelo chapéu, e a outra figura era uma garota de longos cabelos, então só podia ser Enid. Se eu chegasse com o carro perto, eles desconfiariam, então estacionei à beira da estrada e desci, colocando o rifle nas costas e a faca em mãos.

Corri por dentro da mata, para que não ficasse visível a seus olhos, então, quando estava mais próxima, passei a caminhar lentamente, acompanhando os dois. Carl e Enid pararam, escondendo-se na mata oposta, observando algo. Levantei o rifle e analisei o local: Hilltop.

Alguns caminhões foram estacionados à frente da comunidade, e tive uma leve sensação de déjà-vu, deduzindo que fossem os soldados de Negan. Senti raiva borbulhar em meu sangue, mas a preocupação foi quem me dominou, sabendo que Carl estava tão perto. Notei que os dois conversavam, e a garota fez um gesto que me levou a ter o corpo repleto de arrepios.

Enid estava apenas alguns centímetros de Carl, inclinando-se, para beijá-lo, e eu tentei olhar em outra direção, mas eu queria ver a resposta dele, ou apenas sua reação. Quando os lábios dela estavam prestes a encostar aos dele, o garoto se virou sutilmente, negando com a cabeça. Sorri para mim mesmo, aliviando-me do nervosismo. Logo, os dois se despediram e cada um seguiu para um lado. Carl acabou por ir para dentro de um dos caminhões, então eu soube que não havia mais volta.

Corri para atravessar a estrada e esgueirei-me entre árvores, analisando a proximidade dos homens aos carros, e tentei formular algum plano rápido para que eu acompanhasse a viagem. Pensei em adentrar um dos caminhões também, mas todos pareciam lotados e vigiados. Foi então que notei que os homens caminharam para frente dos portões, conversando com um outro homem de terno, que imaginei ser Gregory, o líder. Com a mira do rifle, percebi que Enid aproveitou a brecha para adentrar a comunidade pelos fundos. Bastarda esperta.

Também não perdi tempo, corri para um dos carros, uma picape, e escondi-me na caçamba coberta por um pano. Aquele seria o meio perfeito para que eu observasse todo o caminho, demarcando o local. E não demorou muito para que todos os outros caminhões dessem partida e seguissem suas rotas.

Ouvi um dos homens gritarem que estavam próximos, então tive de agir rápido: saltei da caçamba e rolei para a lateral da estrada, correndo em direção à um carro destroçado ali próximo. Ergui o rosto e observei todos os outros carros passando rapidamente, incluindo o caminhão onde estava Carl. Mais para a frente, avistei Jesus saltando de um dos automóveis, caindo no lado oposto ao meu.

Resolveram fazer uma reunião nos caminhões dos Salvadores?

Quando os carros passaram de vez, ajustei o rifle no corpo e levantei-me, olhando para frente. Foi então que meu corpo gelou e eu senti meu coração bater em uma velocidade absurda; era ali, a sede dos Salvadores.

O lugar não era nada humilde; parecia uma grande fábrica abandonada, ou algo assim. Com minha mira, pude observar as grades que rodeavam e uma espécie de campo para luta contra errantes ao redor, e pareciam pessoas vestidas em sacos. Confusa, decidi que tinha de me mover para a mata mais próxima, tendo uma vista melhor do local, afinal, Carl estava lá, e o conhecendo, sabia que ele não faria nada despercebido.

Segui para as árvores e me escondi atrás de uma, me ajoelhando e colocando o rifle em cima da coxa, para ter mais estabilidade. Meu olho fixou-se na mira e eu parei para analisar a descarregada dos caminhões, desistindo de focar nos detalhes da sede. Foi então que um homem saltou para dentro do último automóvel, e só saiu metralhado, caindo ao chão e sangrando. Meu peito gelou, mas precisava seguir vendo. Por favor, não matem ele. Por favor, não matem ele. Por favor, não matem ele.

Avistei Carl saindo do esconderijo com uma metralhadora em mãos, dizendo algo que não pude ouvir. Senti que ia desmaiar, ou pior, mas mantive-me calma. Alguns segundos depois, Negan saiu por uma porta e se aproximou do garoto, exceto pelo fato de que estava usando outro homem como escudo humano. Covarde. Carl atirou mais uma vez em um homem que tentou atacá-lo e outro dos guardas o derrubou. Segurei forte no cabo do rifle, dedo no gatilho quando o mesmo apontou uma besta em sua cabeça. Foi quando Negan aproximou-se novamente e ofereceu-lhe uma mão.

Não demorei muito para voltar a mirar e, em um impulso, atirei na cabeça de um homem que estava ao lado de Negan, errando o tiro que era para ser certeiro no líder. Respirei fundo e mirei novamente, acertando a parede. Incomodada, fui dar o terceiro tiro quando senti alguém me puxando para trás.

— Ei! — Soou a voz grossa. Olhei para cima e a última coisa que vi foi o rosto de dois homens e uma mulher, todos vestidos em roupas surradas e rostos sujos com sangue e poeira. Quando fui me defender, a mulher chutou minha cabeça e eu apaguei.

Bosta.

Notas finais
Deixem-me saber se gostaram! Até logo!