Why Me?
6 Capítulo 6 - And I have you
Notas iniciais
Oioi, vocês entenderão o significado do título!
– Você! – Falamos ao mesmo tempo.
– O que você faz aqui? – Ele me perguntou.
– Vim pegar meu colar. E você?
– Não tenho que dar satisfações. – Esse garoto me ajuda, depois vem querendo bancar o durão?
– Você pode me ajudar a achá-lo?
– Como ele é? – Ele cruzou os braços.
– Ele é em forma de cruz e com rubis vermelhos. – Falei enquanto mexia nas folhas secas.
Ficamos um tempo em silêncio, apenas com o barulho das folhas. Ele estava me ajudando novamente mesmo com eu sendo de território inimigo.
– E então... Qual seu nome? – Ele perguntou chutando algumas pedras no caminho.
Eu sorri um pouco.
– Mari, e o seu? – Falei olhando para ele.
– Carl. Carl Grimes.
Ele voltou a ficar quieto, e eu, por ser muito tímida fiquei quieta também. Continuamos a mexer nas folhas, mas sem resultados. Logo, ele se levantou e ficou com os braços apoiados sobre os joelhos.
– Colar difícil de achar, não?
– Por que você está aqui? – Falei, eu era muito curiosa.
Ele não respondeu. Eu fiquei meio sem graça, achei que tinha dito algo errado.
– Eu... Não gosto de ficar com meu pai. Ele pensa que eu sou uma criança. Entende? – Ele olhou para mim. Só assim que eu percebi seus olhos azuis. Como eu queria olhos azuis.
– Na verdade não... Eu perdi meu pai com dois anos. Minha família inteira morreu no começo do apocalipse. Eu estou sozinha. – Falei sentindo uma lágrima cair dos meus olhos.
Ele não olhou para mim, por sorte. Não gosto de quando me veem chorar. Principalmente estranhos. Ele se sentou ao meu lado.
– Eu ainda tenho minha família. Meu grupo também seria considerado uma família pra mim. Minha mãe tá grávida de um cara que eu matei. Meu pai aceita isso. Eu não sei como ele pode ser tão burro... Nossa... É a primeira vez que eu comento isso com alguém.
– Tudo bem, minha boca é um túmulo. Eu também convivi com coisas ruins. Assisti minha mãe ser engolida por um errante, meu irmão morreu do mesmo jeito, e ainda estou aqui.
Ele sorriu e logo fez uma expressão de incomodado.
– Ai! – Ele disse levantando a mão e a olhando fixamente. – Algo me espetou.
Eu logo comecei a cavoucar o local onde ele estava com a mão. E lá estava meu colar. Eu não disse nada, apenas sorri para o pequeno colar. O coloquei em meu pescoço e sorri para ele.
– Obrigada. – Falei expondo meus dentes. Era impossível parar de sorrir, meu colar foi encontrado.
Ele sorriu de volta como um “de nada”. Ele abaixou o olhar.
– Então, Carl... Quantos anos você tem? – Perguntei, eu gostava de saber sobre a vida dos outros.
– Quantos anos eu pareço ter?
– Acho que uns 12.
Ele riu e me olhou.
– Sério? Pareço ter 12?
– Um pouco. Por quê?
– Eu tenho 14 anos.
Uau, eu achei que ele tinha 12 anos enquanto tinha 14. Que loucura.
– E você? – Ele perguntou ainda rindo.
– Quantos anos eu pareço ter?
– 5. – Ele riu.
– Engraçadinho.
– Quantos anos você tem?
– 13. – Falei sorrindo. – Qual o motivo de você estar aqui mesmo? – Mudei de assunto.
– Eu venho aqui para refletir. Mas agora você descobriu meu local. – Ele falou me encarando com um olhar meio constrangedor.
Me senti meio culpada pelo fato de ter pego itens deles para Woodbury. Talvez a Prisão não fosse assim... Tão ruim.
– Seu nome é Maria né?
– É Mari. – Falei cinicamente. Como todos podiam esquecer meu nome?
– Bom... Acho que tenho que ir. Se meu pai me pegar fora da cela, ele fica louco.
– Ok.
Eu sorri para ele e logo me levantei também.
Dei um tchau e saí correndo de volta para Woodbury. Se eu não chegasse a tempo, o Governador me mataria. Por sorte, achei o caminho de volta e fui correndo.
Cheguei a minha casa, sem pensar, me deitei e dormi.
[...]
Acordei e senti o sol bater levemente em meu rosto. Me levantei devagar e coloquei um casaco. A manhã estava fria e eu desci as escadas com cuidado. Cheguei até a cozinha e retirei da geladeira, um suco de maracujá. O único que me acalmava. Pela janela, vi o Governador. Ele não estava com aparência boa. Coloquei o suco na pia e saí da casa. Era estranho acostumar com uma casa imensa só pra mim.
– Como assim perdemos duas? – Ele perguntava inconformado.
– Senhor, eu não sei. Não sabemos como elas sumiram. O garoto vai ficar sozinho no apartamento com a outra garota. Tudo resolvido! – Um guarda moreno e bem alto comentava com ele.
– Não está tudo resolvido. A cada dia perdemos mais! – O Governador ralhou.
Logo, os dois notaram minha presença e o Governador se virou e me lançou um sorriso.
– Mari. Já acordada?
– Eu gosto de acordar cedo.
– Bem... Más notícias. As garotas que eram suas amigas sumiram.
Sumiram? Assim, do nada?
– Mas como? – Perguntei.
– Ninguém sabe. Não deixaram vestígios.
Eu não me importei. Não ligava mais para elas. E o garoto que o guarda falava, só podia ser Andie e a garota, Mia.
– Posso visita-los? – Perguntei para os dois.
O Governador assentiu e eu fui correndo até o apartamento. E pra minha surpresa, o que encontrei me tocou, e muito. Andie e Mia estavam se beijando no sofá.
– O que é isso? – Perguntei confusa.
– Mari, não... – Mia tentou ir atrás de mim.
Eu fechei a porta com força e fui correndo até a minha casa. Nem notei se estava ou não chorando, mas minha melhor amiga havia beijado o amor de minha vida. Traição dupla. Cheguei em casa e bati a porta. Apenas caí com as costas encostadas nela e pus-me a chorar.
Eu precisava falar com alguém. Precisava mesmo, mas a única pessoa que eu podia falar estava sumida e eu não queria falar com Mia. Só me restava uma opção.
Saí de casa pela porta dos fundos para que ninguém me visse e fui correndo até a parte aberta das grades. Com cuidado, passei por lá sem fazer barulho. E como temia, achei Carl lá, sentado.
– Oi. – Me sentei ao seu lado.
– Tá estragando meus pensamentos! – Ele grunhiu.
– Nossa... Eu venho pra conversar e você me trata assim... Não deve ter muitos amigos.
– Muito menos você. Irritante.
– Grosso.
– Idiota.
– Panaca.
– Retardada.
– Ignorante.
– Estúpida.
– Rude.
– Rude?
– Nunca ouviu?
– Ahn... Não.
– Seja como for, não vim aqui para discutir. – Dei um ponto final na discussão.
– Ah... Tava tão legal. Agora eu tenho um monte de xingamentos pra usar e você desiste?
– Eu preciso conversar com alguém.
– Não comigo.
– Sim, vai ser com você. Não tem mais ninguém. Seja legal uma vez.
– Você devia agradecer de eu ter achado sua corrente.
– Já agradeci. Agora pode me escutar?
– Fale de uma vez.
E eu contei tudo o que havia acontecido, mas sem mencionar que eu era de Woodbury, pois isso podia gerar encrenca.
– Foi traída sem namorar o cara? – Ele riu.
– É feio rir da desgraça alheia.
– Mas é engraçado. – Ele caiu de tanto que ria.
Eu bati no ombro dele.
– Se fosse com você, eu não riria. – Falei bufando.
– Sei... Mas enfim, o que minha mãe sempre me dizia é que se alguém te magoa, essa pessoa não serve pra você. – Ele falou se ajeitando na grama.
– Poético você, hein?
– Só repito.
– Ok então. Valeu pela ajuda. Mas fale sobre você. Ainda não sei sobre sua vida.
– Por onde eu começo? Eu era inocente até levar um tiro. Fui tratado na fazenda de um cara e finalmente ganhei meu chapéu. – Ele passou a mão pelo chapéu. – Tempos depois, meus pais acharam Sophia, uma menina que era minha amiga, mas ela estava em forma de errante. Eu fiquei triste por um tempo, mas encarei. O melhor amigo de meu pai me ensinou a atirar e tudo, mas meu pai o matou, e quando ele foi voltar na forma de errante e atacar meu pai, eu o matei. Alguns dizem que eu sou sombrio por isso.
– Você sempre se abre assim?
– Não. Pra ninguém. Apenas me senti a vontade pra contar.
– Interessante... E você gostava da Sophia?
– Te interessa?
– Eu te contei de quem eu gosto!
– Tá... Eu gostava dela. Mas ela morreu. Passado.
– E agora?
– Tem a Beth... Mas ela tem 17 anos.
– E você 14. Grande diferença.
– Daí tem você...
– Mas comigo você não tem chances. – Falei rindo.
– Quem disse?
– Eu. Dã.
– Por que eu não te pegaria?
– Porque não.
– Recalcada.
– Abusado.
– Idiota.
– Parei. Vou indo. Tchau.
Falei e em seguida fui embora.
Notas finais
Só quero dizer que não vou pressionar vocês, porque eu não quero ser chata em ficar pedindo comentários, então, façam como quiserem. Já estou feliz em ter 14 leitores *w*
Ei, tenho uma amiga que está fazendo uma fic, pra quem não conhece, vou deixar o link.
LINK: http://fanfiction.com.br/historia/425756/Apocalipse_-_Its_My_Life/
Eu amo, acho que é perfeita ♥ ♥
Beijoooks meus fofos ♥
~Máh
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