Why Me?

39 Capítulo 39 - Kidding


Notas iniciais
Tá gente. Deu né? 73 leitores e nenhum de vocês comenta. Olha, recebi 1-3 comentários esses dias, e cansei de ser boazinha.

Fui carregada por Leighton até o acampamento. Minha visão estava turva, e eu não conseguia respirar bem. Olhei novamente para o garoto que me carregava e pisquei lentamente. Ele olhou para mim e tentou sorrir. Sentia uma dor intensa nas costas, onde havia sido apunhalada.

— Você... Sua mão... Meu machucado – falei.

— Desculpe – ele colocou a mão para mais baixo.

Seguimos o caminho para o acampamento enquanto eu quase desmaiava em seu colo. Talvez seria melhor morrer mesmo. Só me fodia o tempo todo. Nunca consegui algo bom nessa vida.

— Chegamos – Leighton sussurrou. – Pai!

Só pude ver Carlo e mais um homem jogarem suas coisas no chão e correrem em minha direção. Vi Gabrielle sentada no chão, boquiaberta. Leighton foi andando até uma barraca, onde entrou junto de Carlo.

— Coloque-a na cama – Carlo ordenou.

Leighton se aproximou da maca e me colocou cuidadosamente lá. Pegou um travesseiro e ajeitou minha cabeça sobre ele. Só então reparei na cor de seus olhos. Eram cor-de-mel, como os meus. Me senti confortável na cama, e ele se afastou, indo pegar um lenço.

— Limpe o ferimento – Carlo falou. – Vou pegar panos limpos.

Leighton assentiu e se aproximou de mim, com um sorriso forçado, para tentar não parecer nervoso.

— Oh mi santo dios. ¿Qué debo hacer? (Ai meu santo Deus. O que devo fazer?) – Leighton falou nervoso.

— Trate de limpiar la perforación sange sofocado (Tente limpar o sangue envolta da perfuração) – falei.

— Desculpe, eu falo espanhol quando fico nervoso – ele sorriu.

— Tudo bem – falei.

— Então... Se importa de se virar? – me virei no mesmo momento, tentando ignorar a dor. – Poderia levantar a camisa?

Assenti e puxei a camisa levemente. Senti-o posicionar o pano molhado em minhas costas e gemi de dor. Ele começou a passar levemente, mas eu ainda segurava o choro.

— Posso ajudar em algo? – Gabrielle entrou na barraca.

Queria gritar para Leighton que ela era um monstro que havia me atacado, mas se aprendi uma coisa com o tempo, foi que eu podia lidar com meus problemas sozinha. Eu mesma poderia resolver isso.

— Não precisa – Leighton sorriu para ela. – Pode ir para sua barraca.

— O que aconteceu? – ela perguntou.

— Nada, eu que resolvi enfiar uma faca em mim mesma e me jogar na floresta, à beira da morte – sorri levemente.

— Nossa, que trágico – ela falou e saiu da barraca.

— Algum problema entre vocês? – Leighton parou de passar o pano.

— Não. Nenhum.

Carlo entrou na barraca e empurrou Leighton levemente. Ele sorriu para mim. Um sorriso acolhedor.

— Pode se levantar? – perguntou.

Assenti e fiz um esforço para ficar sentada. Eu gritei de um modo fraco quando senti o ferimento se abrir. Carlo olhou para mim e estendeu o braço, acenando com a cabeça para que eu pudesse segurar nele quando sentisse esse tipo de dor.

Agarrei em seu braço, e segurei muito forte, fincando minhas unhas em sua pele. Ele tentou sorrir, mas não conseguia esconder sua dor muito bem.

— Desculpe – falei.

Ele sorriu, com espontaneidade e começou a enfaixar minhas costas nuas, desde a barriga até o ferimento. Ele enfaixou duas vezes e amarrou na terceira. Leighton estava no fundo da barraca e olhava fixamente para mim.

Quando o ferimento havia sido completamente tratado, Carlo se sentou em uma cadeira ao lado da maca.

— Pode ir para sua barraca e descansar – ele falou enquanto olhava para o chão.

Assenti e desci da maca com ajuda de Leigh. Ele sorriu e eu fui até minha barraca, sentindo o sol bater em minha pele.

Abri o zíper e entrei na tenda. Me sentei no colchonete e olhei para o lado, onde havia um post-it cor-de-rosa. Me aproximei e vi que havia algo escrito nele. “Isso ainda não acabou. Assinado: Gabrielle.”

— Claro que não. Ainda terá minha vingança – falei e me deitei no colchonete.

[...]

Acordei e já era manhã. Me levantei com cuidado e retirei a bandagem. Isso não era coisa de gente forte. Saí da barraca e Gabrielle apareceu.

— Mari – ela sorriu. – Sua camisa está furada e toda ensanguentada. Venha, vou lhe emprestar uma nova!

— Eu fico aqui e você pega.

Ela assentiu e entrou na barraca. Pouco tempo depois, saiu da barraca com uma camiseta. Ela estendeu para mim e eu tirei a minha, sem me importar com as pessoas ao meu redor, e coloquei a nova.

— Obrigada – murmurei e saí andando.

Fui andando até a área onde ficava a fogueira onde achei Leighton. Ele estava sentado, anotando algumas coisas num pedaço de papel.

— Oi – me sentei ao seu lado.

— Oi – ele sorriu.

— Fazendo o que?

— Desenhando aquela árvore – ele apontou para um pinheiro imenso.

— Tá legal.

Ele sorriu e olhou para mim. Logo, olhou para minhas costas e olhou para meu corpo. Ele olhou para mim, rindo.

— Que camisa é essa?

— Ahn... Por que?

— Sei lá. Nunca imaginei você usando algo assim.

— O que?

— Tá escrito nas costas: "espanque-me papai”.

Cerrei os punhos e rangi os dentes.

— Você só pode estar brincando...

Gabrielle apareceu no mesmo momento e riu de minha cara. Não aguentei e explodi. Tirei a camisa na frente de todos e joguei-a em Gabrielle, que olhou para mim com aquela cara de vadia. Aliás, era sua cara natural.

— Sua... Sua vadia! – gritei.

— O que? O que te fiz? – ela ria.

Avancei nela e comecei a socar suas bochechas, e em seguida, seu nariz. Ela só gritava enquanto eu estava seminua sobre ela. Leighton veio correndo em minha direção e me segurou, me separando da menina que gritava feito uma criança.

— Me solta! – gritei esperneando. – Deixa eu matar essa idiota!

— Mari! – Leigh gritou. – Pare!

Parei de espernear e fiquei quieta. Leighton me puxou para o lado, segurando meus ombros.

— Você está louca? Se fizer isso, será expulsa daqui!

— Eu sou louca. E quero que ela morra.

— Não importa. Você está mal, tem que ficar de repouso.

— Tudo merda – falei e saí pisando duro.

[...]

Não me lembro bem. A raiva deve ter excluído algumas coisas de minha mente, e acabei dormindo em minha barraca. Quando acordei, era noite, e pude ouvir movimentos do lado de fora. Tentei procurar alguma faca para poder me proteger, mas haviam me confiscado todas.

Me levantei e fui andando levemente para fora da barraca. Avistei Carlo sair de sua barraca e Leighton não estava por perto. Vi um homem sair correndo em direção da floresta, onde estava todos, em um círculo perfeito.

Me aproximei e afastei dois homens para poder enxergar melhor. E lá estava a cena que eu tanto queria ver. Gabrielle com mais de dez facadas na barriga e uma na testa, no chão.

Notas finais
Agora é isso. Ou comenta, ou apago.