Why Me?

40 Capítulo 40 - Kids


Notas iniciais
Sim, mudei a capa da fic.

Olhei ao meu redor, procurando por Leigh. Ele não estava lá, e minha inimiga estava morta. Claro, porque a pessoa que você mais odeia aparece morta. Isso é normal.

Mas, o pior agora, é que a culpada serei eu. Só eu que me dava mal com Gabrielle. Só nós que brigávamos. Tentei sair correndo em direção das barracas, mas um homem me parou, me segurando pelo braço.

– Aonde pensa que vai? – perguntou.

– Vou falar com meu amigo.

Ele me encarou por um tempo até Carlo aparecer. O homem analisou o corpo da menina com tristeza nos olhos.

– Ela morreu de forma cruel. Alguém fez isso – Carlo olhou para mim. – Alguém que talvez não gostasse dela.

– Eu não fiz nada! – gritei, deixando lágrimas escorrerem por meus olhos.

Não sabia, realmente, o motivo de estar chorando. A garota não me faria falta, mas, talvez, estivesse chorando pela tristeza dos outros, ou por tudo que me ocorreu. Só tive chance de expulsar tudo de mim naquele momento, naquelas lágrimas.

– Mari, você tem que vir conosco – Carlo olhou para mim com desprezo.

– O que você vai fazer comigo? – olhei para os dois homens que surgiram atrás de mim.

Nesse momento, Leighton apareceu à minha frente, com uma expressão fechada. Ele olhou para mim e em seguida para seu pai. Me perguntei onde ele estava.

– O que tá acontecendo? – perguntou.

– Gabrielle foi morta – Carlo olhou para o filho.

– Acha mesmo que foi Mari? Não acho que ela seria capaz disso – Leigh olhou para mim com uma risadinha.

– Fraca ela não é – um dos guardas falou.

– Mas eu não fiz nada – reclamei.

Só então notei que Carlo parecia furioso comigo. Mais que o normal. Eu não entendi o por que disso, eu não havia feito nada, e ele deveria estar triste. Nunca havia visto-o desse jeito.

– Vamos ter de expulsar você – disse, apenas.

O encarei franzindo o cenho. Queria avançar nele e meter um soco no meio de seu rosto. Gabrielle era uma peste, de qualquer maneira, merecia ser morta. Mas, eu não havia feito, então não tinha de ser expulsa.

– Não. – Respondi.

– Isso não foi um convite – o guarda respondeu.

– Vá até sua barraca e pegue o preciso – Carlo olhou para o chão.

Olhei para Leighton, imaginando se ele fosse convencê-los a me deixar lá. Ele não fez nada.

Assenti e fui até a barraca, pegando minha mochila com as coisas que eles haviam me dado. Queria pegar o colchonete, mas não havia lugar para coloca-lo, e claro que eu não sairia lutando contra errantes com um colchonete nas mãos. Tolice.

A ficha caiu naquele mesmo momento. O que eu faria quando saísse de lá? Não tinha para onde ir.

– Aqui – Leighton entrou na barraca me assustando. – Pra você se defender.

Ele me entregou uma faca. Não queria muito falar com ele, mas aceitei a faca, colocando-a no bolso. Ele olhou para mim e puxou meu rosto para o seu, colidindo nossos lábios. Assim que nos separamos, seu sorriso se esboçou em seu rosto novamente, mas eu continuei sem expressão. Realmente, nunca imaginei que ele pudesse fazer isso.

– Queria fazer isso – ele coçou a nuca. – Sabe... Antes de partir.

Ignorei-o e peguei a mochila, saindo da barraca. Encontrei Carlo e o guarda idiota me olhando.

– Você pode ir por lá, que vai dar no caminho em que você caiu – Carlo seguiu olhando para o chão.

Assenti novamente e fui andando em direção da floresta, onde estava longe do corpo de Gabrielle. Já devia ter sido retirado naquele momento. Se eu conhecia aquela garota, provavelmente não gostava dela.

Lucas. Foi o nome que veio em minha cabeça naquele momento. Foi uma surpresa e tanto. Não conhecia ninguém com esse nome.

Abtry. Foi o nome que veio em seguida. Claro, porque é normal aparecer nomes estranhos em sua cabeça, do nada.

Em seguida, não me veio um nome à cabeça. Veio uma pedrinha. Olhei ao meu redor, procurando o que a havia atirado. Ouvi umas risadinhas de criança. Olhei novamente ao meu redor e vi uma garota loira. Era pequena. Mais ou menos oito anos.

Ela me parecia familiar. De alguma forma. Me aproximei dela, que sorriu para mim, como se já me conhecesse.

– Oi. – Sorriu.

– Oi.

Ela olhou para trás por um momento e voltou correndo para a moita onde se escondia. Suas pequenas mãozinhas entraram na folhagem e retiraram o que mais parecia uma boneca. Ela chegou perto de mim, segurando a boneca, e pegou minha mão, me guiando para algum local.

[...]

A garota era mais esperta do que parecia. Ela me guiava para algum local, em cada passo, como se tivesse marcado cada movimento que daria. Estava quase amanhecendo e já havia se passado uma hora desde que fui expulsa da aldeia.

Consegui ver umas formações por perto, até que a garota parou de correr e soltou meu pulso, me encarando com um sorriso travesso.

– Aqui – apontou para as formações, ainda longe.

Ainda estava tentando decifrar quem era a garota e o que ela queria. Seus olhos cor-de-oceano me encaravam com tanta esperança.

– Desculpe, mas o que é isso. Quem... Quem é você? – perguntei ainda confusa.

– Isso é uma prisão – ela olhou novamente. – Foi atacada ontem, por pessoas más.

Ela fez um barulho de pássaro. Foi estranho, mas logo, o barulho foi respondido. Um garoto parecido com ela apareceu detrás de uma moita, segurando uma mochila no ombro. Ele sorriu para mim. Seus olhos possuíam a mesma cor dos olhos da garota: cor de oceano. Ele usava um boné verde dos Yankees.

– Quem é ela, Lucie? – ele se aproximou da garota.

– A achei por perto. E se ela conhecer a prisão?

– Ainda estou aqui – falei olhando para os dois.

O garoto sorriu, se virando para mim. Ele tinha um sorriso travesso igual o da menina. Suspeitei que fossem irmãos.

– Desculpe – disse. – Eu sou o Chris e ela é Lucie. Você é Mari, certo?

– Ahn... Como sabem meu nome?

– Você namorava Mark. Ele nos dava aula de pontaria.

E então lembrei dos dois irmãos que sempre acertavam as miras. Eu ajudei a garota loira a acertar o alvo.

– O que aconteceu aqui? — perguntei.

– Woodbury invadiu a prisão. Não necessariamente Woodbury, mas o Governador, que havia desaparecido. Ele invadiu tudo com outro grupo que havia montado. Os moradores da prisão tiveram de evacuar o local. Não sei quantos morreram, mas desde que eu e Lucie abandonamos Woodbury, estivemos observando esse local. Vimos o Governador ser morto e várias outras pessoas evacuando o lugar.

E então pensei em Carl. Imaginei que ele pudesse estar se divertindo com Kelly em algum lugar.

Me aproximei da prisão, chegando perto da pequena ponte que ligava o lugar com a floresta. Cheguei perto das grades e adentrei pelo imenso buraco. Lucie e Chris ficaram observando, até que Chris gritou para mim:

– Estaremos aqui.

Assenti e virei para frente novamente. Observei o fogo em um tanque de guerra e vários errantes ao seu redor. Me encolhi atrás da parede da estufa. Assim que um dos errantes se afastou, saí andando com pequenos passos até estar na entrada do refeitório. Um errante me agarrou por trás e eu retirei suas mãos de meus ombros, me virando. O homem-morto se aproximou de mim e eu esbarrei em um galão de água vazio, caindo de costas no chão. Fui engatinhando e fazendo de tudo para que a criatura não agarrasse meu pé. Então, lembrei que tinha uma faca no bolso. A retirei de lá e finquei na cabeça do errante.

Me levantei e entrei no refeitório. Ouvi um barulho vindo da cozinha e fui correndo até lá, com a faca levantada. Eu sabia que poderia morrer lá mesmo se fosse alguém da prisão. Eu só tinha a faca e eles tinham armas (e motivos para me odiar).

Quando cheguei na cozinha, vi uma mecha de cabelo louro caído no chão. Me aproximei mais e tive uma reação que não imaginei que pudesse ter. Vi Kelly caída, com manchas de sangue em suas roupas.

Notas finais
Gente, eu fiquei muito feliz quando vi que quase todos vocês comentaram a fic. Fiquei realizada :3 Espero que seja assim no capítulo de hoje. Relembrando que a fic está acabando. Beijos amores