Why Me?

30 Capítulo 30 - I know


Notas iniciais
Então, mais um POV - Carl como fora pedido :3

POV – Carl

– Era ela, todos nós vimos! – Eu gritava com meu pai.

– Talvez o Governador tenha pegado outra garota e falado que era ela. Acha que ela iria atirar em tudo?

– Ele disse que era Mari!

– Pessoas mentem.

– E você mentiu para mim. Disse que ela estava morta! – Deixei uma lágrima de raiva escorrer por meus olhos. – O que você realmente fez com ela?

Meu pai respirou fundo e posicionou as mãos na cintura. Ele olhou para o chão e coçou o nariz, olhando para mim em seguida. Eu queria poder sair correndo da prisão, para recuperar Mari, e matar o Governador.

– Eu a deixei ir. Atirei no chão. Ela fugiu, e eu não podia deixar que ninguém descobrisse sobre isso.

– Mas por que não me contou? – Fiquei indignado.

Ele olhou para trás e eu saí do pátio, com passos duros. Não conseguia imaginar o que levara Mari a quase me matar. O Governador estava mentindo sobre ela ter perdido a memória. Eu tinha certeza disso.

Fui direto para minha cela e me deitei na cama, tentando processar o que havia acontecido. Normalmente, Mari sorria quando me via, mas daquela vez, sua expressão de séria não mudou. Ela parecia mais fria, confiante. Eu não queria que ela ficasse assim. Será que ela havia mesmo perdido a memória? Será que o Governador a fizera ficar assim? Eu não suportaria ver ela daquele jeito.

Ouvi passos e tapei meu rosto com o travesseiro, e me virei. Não queria companhia nenhuma no momento.

– Carl? – A voz era suave e tranquilizadora, e um tom familiar de Mari pendia nela. – Tudo bem?

Retirei minha cabeça do travesseiro e me sentei na cama, encarando o sorriso pendente em seu rosto, com uma mecha loira de seu cabelo caindo sobre os olhos.

– Não.

Ela se aproximou, mas a olhei como se não quisesse que ela não se movesse. Talvez eu não devesse ser tão ruim com ela, a garota só queria ajudar.

– Ela era alguma coisa sua? – Kelly se sentou na cama, ao meu lado.

Pela primeira vez, me sentia livre para conversar com alguém que não fosse Mari.

– Minha namorada. Aquela que tinha “morrido”.

– Ah... Sinto muito.

Eu já estava cansado de ouvir aquilo toda hora. “Sinto muito”, isso me irritava. Eu não precisava ter de escutar isso. Eu sentia muito, e não queria que ninguém me lembrasse disso o tempo inteiro. Quando notei, já estava fazendo caretas raivosas e Kelly parecia rir de mim.

– Eu perdi minha família no apocalipse também. Acho que “sinto muito” não é uma das palavras que você queira escutar. Estou certa?

Assenti e acabei soltando uma risada. A companhia de Kelly não era tão ruim no fim. Ela me entendia.

– Eu acho que uma parte de minha família está viva. – Ela olhou para a parede fazendo uma expressão de medo.

– O que te leva a pensar nisso?

– Quando o surto começou, fui para a cidade de meus tios, para ficar com eles, mas a casa deles estava vazia, sem comida e no quarto de meus primos não tinha as melhores fotos deles, e minha prima havia levado uma coisa... Era algo que eu queria muito.

Devo ter feito um “ah” com a boca. Acho que conhecia essa história de algum lugar. Ela me parecia familiar, o nome... Só não conseguia juntar as peças do quebra-cabeça.

– Bom, estou poupando muito seu tempo. Vou te deixar sozinho.

Quando ela se levantou, senti que deveria fazer algo. A puxei de volta e ela caiu em meu colo, e eu lhe dei um beijo. Não sabia se estava fazendo errado, eu namorava Mari, mas eu precisava de um beijo. Elas eram tão parecidas... Eu não sei o que deu em mim. Me separei dela imediatamente, que me olhou com a boca em um perfeito “o”.

Não disse nada, me levantei da cama e saí de minha cela, com passos rápidos.

Notas finais
Me matem agora suahhsausa (Cally?)