Why Me?

31 Capítulo 31 - Regards


Notas iniciais
Oioi gente, só quero lhes desejar um feliz ano novo, com vários acontecimentos bons para vocês :3 Boa leitura!!

Eu já estava em casa. Mark morava comigo, mas ele tinha medo de mim. Eu me sentei no sofá da sala e fiquei deitada lá, olhando para o teto. Pensei em como poderia matar o povo da prisão. Um bando de ladrões.

Mark se aproximou e se sentou no outro sofá. Eu sorri com sarcasmo e o encarei. Ele tentou desviar o olhar e eu notei o corte ainda em seu ombro. Ele pareceu sentir dor quando se virou.

– Que foi? – Ri dele enquanto ele desviava o olhar.

– Vai me matar?

– Claro que não. Venha cá.

Ele se aproximou devagar e se sentou ao meu lado. Fiquei o olhando e a coloração verde de seus olhos tomou conta dos meus. Me aproximei dele e lhe dei um beijo. Suas mãos tocaram minha nuca no mesmo momento em que eu me afastei. Sorri novamente.

– Eu tinha uma namorada quando eu fiz o teste com o Governador. Ele a matou. Eu tenho um trauma desses testes.

Assenti, como se sentisse muito por ele. Mas eu realmente não me importava com a vida dele. Não precisava me importar com mais ninguém além de mim, foi o que o Governador me disse. Me levantei do sofá e subi as escadas, indo diretamente para meu quarto. Me deitei na imensa cama de dossel após fechar a porta. Logo escutei ela abrir e abri meus olhos para ver. Era Mark, que estava encostado nela.

– O que quer?

Ele deu de ombros e sorriu levemente. Eu me levantei da cama e fui em sua direção, ficando nas pontas dos pés para beijá-lo. Ele colocou suas mãos em minha cintura e eu o virei, o derrubando na cama. Subi nele e segui o beijando, até que ouvi algo na porta de entrada. Me separei de Mark e olhei feio para trás.

– Não acredito que... – Ele tentou falar, mas tapei sua boca.

Me levantei da cama e fui para o andar de baixo. Abri a porta de entrada e uma garota de cabelos castanhos claros me olhou. Ela deu um gritinho baixo e me abraçou com toda a força.

– Quanto tempo!

Mas eu não fazia ideia de quem era essa louca. Ela vestia um vestido florido com botas de camurça.

– O Governador me proibiu de te ver, mas não sei por que. Como está Carl?

– Quem é Carl? Aliás, quem é você?

Ela se afastou de mim, me olhando de cima para baixo. Parecia que ela estava preocupada com uma coisa.

– Não se lembra de mim? A Charlie? – Neguei com a cabeça. – Não se lembra de Carl também?

– Não faço ideia.

– Então os boatos eram verdade. Não consigo acreditar... Eu tenho que ir! – Ela me abraçou mais uma vez e foi embora.

No momento em que ela foi embora, uma cena estranha passou em minha cabeça. Um chapéu num balcão. O chapéu parecia de xerife, eu não sei porque isso me veio à cabeça. Nem sabia que chapéu era esse.

Dei de ombros e fui ao meu quarto novamente, onde encontrei Mark dormindo. Me deitei ao seu lado e cobri meu corpo com os lençóis, adormecendo imediatamente.

[...]

Acordei com o sol em meu rosto. Uma imagem estranha passou por minha cabeça: um lugar escuro, parecido com uma cela de cadeia, e o sol batia em meu rosto. Balancei a cabeça e me virei. Mark não estava mais no quarto. Me levantei da cama e fui até um armário. Fiquei com vontade de fuçar as coisas pela casa. Havia algumas caixas decoradas dentro do armário, eu peguei uma e sem querer, todas caíram. Tentei arrumá-las, mas no canto do armário, onde ficava uma caixa, havia uma foto. Eu a peguei e me sentei na cama. Analisei a imagem e vi uma garota sorrindo. Mas não era uma garota qualquer, era eu. Em meu pescoço, havia um colar de cruz pendurado. Se não me engano, era vermelho. Me lembrei que eu usava esse colar no dia em que acordei na maca, e usava ele também no dia em que fomos ameaçar a prisão. Outra cena passou por minha cabeça. Eu estava em uma floresta, e, com ajuda de um garoto, eu procurava por algo no chão. E o garoto me entregou a corrente. A lembrança passou imediatamente e eu havia ficado no branco total novamente.

Me levantei da cama e guardei a foto em uma gaveta do criado mudo. Passei metade da manhã procurando por minha, mas não a achei. Desisti uma hora e desci as escadas, indo para a cozinha. Abri a geladeira e peguei sardinha enlatada. Me sentei no balcão e a abri, devorando seu conteúdo. Assim que acabei, larguei a lata lá mesmo e saí de casa. Encontrei o Governador no meio da rua, mas ele parecia mais preocupado com outra coisa, e acabou saindo rapidamente de perto de mim. Não estranhei, pois ele era assim mesmo, e fui diretamente para a área onde as crianças aprendiam a atirar. Me sentei em uma banqueta que havia lá e fiquei encarando as crianças. Apenas uma me chamou atenção. Um garotinho de uns 12 anos, que estava acertando todos os alvos. Ele era loiro e tinha olhos verdes. Mark se aproximou de mim e se sentou ao meu lado. Não consegui me segurar e logo lhe perguntei:

– Quem é Carl?

Ele pareceu ter gelado na hora. Eu não entendi o motivo, mas ele estava mais pálido que o normal. Toquei seu ombro e o encarei. Ele também estava mais frio e continuou olhando para as crianças que atiravam.

– Chris, o menino loiro, é o que está com o melhor desempenho.

Fiquei irritada por ele não responder minha pergunta e mudar de assunto inesperadamente. Me segurei para não perguntar novamente e fiquei observando o garoto. O nome do melhor era Chris, então.

– Ele tem uma irmã, ela vive tentando atirar no alvo, mas não consegue. Ela tem apenas oito anos. – Mark continuou e apontou para uma garota de cabelos longos e loiros.

Ela parecia ficar irritada a cada vez que tentava atirar. Mark era o professor deles, e devia saber o desempenho de cada um. Eu me dei a liberdade de me aproximar da menina e segurar seus braços na direção certa para que ela acertasse o alvo. Ela levou um leve susto quando encostei nela, mas logo, ela acertou o alvo. Um “obrigada” formou em seus lábios. Eu sorri. Um sorriso espontâneo, o primeiro de dias.

Logo, o Governador apareceu no lugar, com uma expressão nada boa e olhou para mim.

– Pegue sua faca.

Assenti e fui para casa, com ele me seguindo. Peguei uma faca que eu tinha desde que acordei na maca. Segui o Governador pelas ruas agitadas de Woodbury. Ele me levou para um lugar que era atrás das casas e prédios. Parecia bem protegido e havia várias grades. Ele abriu uma porta, e notei que era o mesmo lugar em que ele havia matado aquele homem e o mesmo lugar em que eu torturei Mark. Mas, ao invés de uma porta, era um portão que abria de lateral. Ele mandou eu permanecer do outro lado e ele acabou entrando. Só pude ouvir gritos, e minha ansiedade para usar a faca aumentou. Logo, o Governador disse algo como “entre”, e eu abri o portão, entrando. Levantei minha faca e vi um garoto sentado em uma cadeira, ele estava preso com cordas. Ele se agitou quando me viu e eu não desfiz minha expressão séria.

– Vou deixa-los a sós. – O Governador saiu da sala, rindo. – Só não o mate!

Peguei minha faca e me aproximei dele. Comecei a mexer em seu cabelo com a lâmina e ele me encarava com seus olhos azuis penetrantes.

– Talvez, haja uma magia de persuasão em seu olhar, mas isso não funciona comigo. – Pisquei com um olho, ainda sorrindo maliciosamente.

A lâmina de minha faca dançava por seu pescoço, e minha vontade de penetrá-la era imensa. Mas eu ainda não podia fazer isso.

– Você não lembra de mim? Carl! Seu namorado!

Carl... O mesmo nome do qual eu gastei horas de meu dia apenas para descobrir quem era, e no fim, era apenas um garoto idiota. Namorado? Impossível.

– Eu namoro Mark.

– Aquele idiota que te batia? Que tentou te estuprar?

– Não sei do que você está falando.

– Claro que não...

Ouvi o portão se abrir novamente, e era o Governador, com um sorriso que parecia estar talhado em seu rosto. Ele segurava um canivete e se aproximou de Carl.

– Hora de brincar. Pode ir, Mari. Fique do outro lado do portão.

– Ah... Queria tanto me juntar a vocês...

Eu ri e saí.

[...]

Havia se passado pelo menos meia hora, e o Governador ainda estava torturando o menino. Ele não gritava, pelo menos não era covarde. Logo, o homem saiu com o canivete na mão e sangue pingando de seus dedos.

– Fique de vigia. Quando ele acordar, lhe entregue a comida que temos ali no banco.

Ele apontou para uma banqueta de madeira com uma lata de milho. Assenti e o vi sair. Fiquei segurando a faca e algumas vezes, eu abria o portão, para ver se ele estava acordado.

Uma hora, abri o portão, mas ele não estava mais sentado na cadeira. As cordas estavam caídas no chão e eu assustei. Entrei rapidamente no cômodo, com a faca em modo de ataque. Mas, inesperadamente, caí para trás e meus lábios foram ocupados. Era o garoto me beijando. Mas, o mais estranho, foi que eu não neguei o beijo. Parecia já ter feito isso muitas vezes, e parecia comum beijá-lo. Era diferente de Mark. Era diferente de tudo. Ele me soltou e deu algo em minhas mãos. Fiquei paralisada por um momento, com lembranças indo e voltando em minha cabeça, sem conseguir decifrar uma por uma. Carl, o garoto, fugiu pelo vão do portão e acabou saindo.

Abri minhas mãos e vi o que ele havia me entregado. A corrente de cruz.

Notas finais
Eu estou me superando em capítulos tensos, não? suhaauhahus E então... Sentindo falta de alguns leitores... Beijokss