Why Me?

26 Capítulo 26 - Not Afraid


Notas iniciais
Então né? Não me segurei... E aqui estou eu postando :D Aliás, a leitora que ganhou o jogo foi a Amélia. Amei todas as respostas dela, e a final foi perfeita: Questioners. Esse será nosso novo fandom. Só quero dizer que todos foram muito bons, e terão outros jogos se vocês comentarem bastante. Degustem

Rick me puxava pelo braço, ele me levou até um local abandonado, do qual eu não conhecia. Eu pensava na tristeza que as pessoas sentiriam com a atitude de Rick. Me lembrei de quando eu estava no hospital, internada, e Lucas me perguntou se eu estava preparada. Claro que eu sabia que era para a morte, e então, eu assenti e disse: “Sim. Eu estou”. Era triste, mas eu tinha de aceitar.

Chegamos ao lugar e Rick trancou a porta assim que eu entrei. Era mais afastado da prisão, sugeri que fosse uma ala para os guardas. Rick retirou sua arma do bolso e apontou para mim. Eu caí de joelhos, chorando.

– Por favor, Rick... Não faça isso. Eu juro que não sou malvada. Juro que não sei dos planos de Woodbury. Eu juro por tudo que tenho. Por favor, não faça isso.

Ele me olhou novamente, mas dessa vez, com compaixão. Ele parecia com medo de me matar, tanto que abaixou a arma. Ele atirou no chão e jogou a arma numa das paredes.

– Corra! Vá antes que venham até aqui.

Ele abriu a porta e apontou para a saída. Eu fiquei meio confusa, mas saí correndo, até que Rick puxou meu braço.

– Vá pela floresta. Fique lá até a situação melhorar.

Eu assenti e fui correndo em direção da cerca e fugi.

[...]

Já fazia quase dois dias que eu estava na floresta, acampando. Imaginava todo dia o sofrimento de Carl, pensando na loucura que ele poderia cometer por tristeza. Mas será que Rick teria contado a eles o que ele realmente havia feito? Ou estava sendo tomado pela mentira?

Avistei um pássaro na árvore. Eu estava sem fome, mas isso não importava. Eu precisava de comida, de qualquer maneira, e o pássaro fora o único animal que eu encontrei durante esse tempo. Joguei minha faca, mas apenas espantei o pássaro quando a lâmina quicou no galho e caiu no chão. A peguei e resolvi voltar para a caverna. Sei que a caverna era uma droga de lugar para se viver. Mas eu tinha opções?

Ao passar pelas plantas penduradas que impediam de deixar o local visível, joguei minha faca no chão e caí sentada. O cansaço me dominou e eu deitei para relaxar.

A cena mudou para a floresta. Duas pessoas estavam sentadas, conversando. Eu não conseguia sair do lugar, meus pés estavam fixos no chão. Notei que uma das pessoas era Carl, e ele estava beijando a garota ao seu lado. Eu reconheci a cena. Nosso primeiro beijo.

Mas a garota não era eu. Era parecida, o mesmo formato no nariz e as sobrancelhas arqueadas. Seu rosto me era familiar. A única coisa que diferenciava totalmente era a cabeleira loira. E então já sabia quem era. Assim que se separou de Carl, sorriu com vitória para mim e disse as palavras que dizia quando queria me humilhar:

– Viu só? Eu sempre ganho.

E ela estralou os dedos, e senti uma imensa dor no ombro. Olhei para o lado e vi um errante devorando toda a pele de meu pescoço, mas eu não conseguia gritar, apenas formava as palavras em minha boca, sem soltá-las. Carl e ela riam da cena, enquanto eu chorava.

[...]

Acordei com lágrimas nos olhos e a respiração acelerada. Olhei ao meu redor e ainda permanecia na caverna. A faca um pouco mais longe de mim e alguns restos de ossos no chão. Me levantei e toquei meu ombro, que por sorte, estava inteiro. Tudo não passou de um sonho, repeti para mim mesma. Então, afastei uma das trepadeiras e consegui receber um raio de sol em meu rosto. O sonho que parecia ter durado minutos, havia durado uma noite inteira, e já era manhã.

Peguei minha faca ao sentir meu estômago roncar e saí da caverna em posição de ataque. Antes de ser “morta”, devia ter pegado meu livro para poder me distrair um pouco. O sol bateu fortemente em meu rosto e eu segui procurando por qualquer alimento que encontrasse. Não achei nada além de cogumelos no chão, mas não sabia decifrar se eram venenosos, então deixei quieto. Me lembrei daquela cidade perto da floresta, e pensei que poderia explorar uma das casas. Fui andando calmamente até o lugar, com a faca em modo de ataque.

A caminhada demorou um tempo, até que eu finalmente cheguei, já com dor nos tornozelos. Andei pelas ruas vazias. Já imaginei que o Governador devia ter feito a limpa na cidade, já que era perto de Woodbury. Quando eu tava passando por um muro, ouvi um tiro. Rapidamente me agachei no muro, me esgueirando.

– Vamos ter que iniciar uma guerra mesmo. – Era a voz do Governador.

– Mas e a garota? – A voz de um guarda soou.

– Que se foda ela. Foi apenas uma desculpa, a guerra ocorreria de qualquer jeito. E, Mark, agora você está no cargo dela. Foi muito útil de sua parte nos contar que ela namora aquele psicopata.

– Ao seu dispor! – A voz de Mark invadiu minha cabeça.

Tive de me controlar para não sair de lá e meter facada em cada um. Fiquei lá, torcendo para que não me vissem. Assim que ouvi os passos se distanciarem, saí do lugar e fui correndo para a casa mais próxima.

Era um sobrado simples, de tijolos. Assim que passei pela porta, já estava na sala de estar. Era uma sala simples com dois sofás em diagonal. Havia uma decoração de animais. Sugeri que o dono dela fosse caçador. Fui até a cozinha e abri todos os armários possíveis, e achei algumas sardinhas enlatadas e os restos de um gambá. Quase vomitei ao sentir o cheiro podre e abandonei a cozinha, indo para a escada. Comecei a subir os degraus e entrei em um banheiro pequeno. Abri as gavetas da pia e achei um espelhinho portátil e muita maquiagem. Maquiagem pra que?

Fui até um quarto que achei e vi uma pequena cama de casal. Procurei por suprimentos debaixo dela e achei uma caixa. A puxei e coloquei acima da cama. Quando fui abrir, ouvi um barulho vindo do outro quarto. Me levantei da cama e fui caminhando em direção do som. Levantei minha faca e abri a porta. Um errante avançou em mim e eu quase gritei, mas segui com a boca fechada. Minha faca caiu de minha mão e eu tentava lutar com que a criatura ficasse afastada de mim. Não havia maneira de pegar a faca, e então eu segurei em seu pescoço podre. Fiquei apertando a carne podre até uma parte se abrir. Segui pressionando aquela parte com minhas unhas até que o sangue caiu em meu pescoço. Eu virei meu rosto e segui apertando, até que consegui empurrar a coisa para longe de mim e peguei minha faca. Perfurei o crânio do errante e me encostei na parede, de lateral. Suspirei fundo e me levantei. O sangue ainda permanecia em meu pescoço e eu não me importei em limpá-lo. Voltei para aquele quarto e abri a caixa.

Senti que não devia ter feito aquilo. Senti um aperto no coração ao ver as fotos dentro da caixa. Eram fotos de casamento. Todas em preto e branco. A mulher e o homem pareciam tão feliz, e notei que o errante que eu matei era um senhor. Provavelmente o homem da foto. Me perguntei onde estaria a mulher dele.

Desci as escadas e coloquei tudo que eu achei numa mesinha de centro e enfiei tudo em uma mochila que achei no quarto. A coloquei sobre o ombro e fui caminhando até a saída dos fundos. Vi uma cripta no meio dos arbustos e me aproximei. Me agachei para ler o que estava escrito e tapei a boca: “Descanse em paz Vera. Nosso amor é eterno”. A resposta para minha pergunta.

As lágrimas desabaram de meus olhos, imaginando Carl no meu lugar, vendo minha cripta e chorando. Caí de costas e olhei para o céu cinzento, com impressões de chuva. Havia muito tempo que eu não ficava debaixo da chuva, pois na última vez que fiz isso, peguei pneumonia e quase morri. E lá permaneci, sentindo as gotas da chuva caírem em meu rosto. Tentando esquecer tudo ao meu redor, o que era impossível.

Notas finais
E aí? Vamos comentar gente?