Why Me?
20 Capítulo 20 - I'm here
Notas iniciais
Me separei de Carl e o encarei por um tempo. Ele estava lindo, como sempre. Seus olhos estavam parecidos com as águas cristalinas dos mares Grécia. O cabelo quase cobria a magia intensa da penetração dos olhos. Seus lábios rosados estavam brilhando. Eu me perguntava se ele me merecia mesmo. Uma garota tão estranha, sempre aquela menina que andava com sua melhor amiga, ou ficava na companhia de um livro. A menina que era apaixonada, porém, não correspondida. Carl deveria um dos “mais mais” da escola. E eu continuava a me questionar pela minha sorte de tê-lo.
Ele estava sorrindo para mim. Coloquei minha mão em seu rosto e ele fechou o sorriso, se levantando. Ele olhou para a janela e em seguida, para o livro na minha cômoda. Ele foi pegá-lo e analisou a capa. Ele viu que meu marcador estava ao lado do livro e logo o estendeu para mim.
– Acabou?
Assenti com a cabeça e me ajeitei no travesseiro. Olhei para a janela e sugeri que fosse madrugada. Me sentei quase deitada na cama e posicionei a cabeça em um travesseiro, olhando para Carl. Ele estava colocando o livro de volta na cômoda, mas sem o sorriso. Logo, ele se sentou a minha frente na cama e sorriu.
– Seria ruim pedir para dormir aqui hoje?
Neguei imediatamente e o vi tirar o chapéu e se ajeitou ao meu lado. Colocou os lençóis por cima do corpo e colocou a cabeça sobre o travesseiro, sorrindo para mim. Eu sorri de volta e fui para mais perto dele, que beijou minha testa. Me virei para o outro lado e ele me envolveu em seus braços, num conforto romântico.
[...]
Acordei e senti as mãos de Carl forçarem minha cintura de um modo calmo. Me virei para ele e sorri. Ele havia acabado de acordar e me beijou na nuca, me arrepiando inteira. Ele se levantou e abriu a janela. Antes que ele saísse, levantei-me com um pulo o puxei para longe.
– Que foi? Não se pode mais tomar um sol matinal? – Ele me olhou indignado.
– Não se você estiver em uma cidade inimiga.
Ele me puxou para perto, mas não sei por que, rejeitei o beijo. Ele me olhou com dúvida e eu sorri, beijando a ponta de seu nariz. Ele olhou para as escadas e me soltou. Foi descendo até chegar na sala, e eu o segui. Logo, ele foi para a porta dos fundos. Eu ainda estava com um short de malha e uma blusa qualquer. Quando Carl abriu a porta, as três figuras femininas estavam lá, nos olhando boquiabertas.
– Meu Deus... – Annie começou.
Carl coçou a nuca desajeitadamente e olhou para mim, procurando resposta. Eu me fiz de desentendida, mas sabia o que estava acontecendo. Era a malícia presente nas meninas que as fizeram ficar nos encarando. Devia ser pelo fato de eu estar vestindo roupas frouxas, ou de Carl estar lá. Ou por sermos um casal.
– Pelo menos, usaram proteção? – Letz perguntou com olhos arregalados.
Eu e Carl arregalamos os olhos no mesmo momento. Não pude acreditar no que elas haviam acabado de dizer. Eu senti uma imensa vontade de socar a cara delas. Carl olhou para mim, ainda na dúvida de quem eram aquelas garotas. E logo, as meninas nos empurraram para dentro da casa. Elas nos sentaram no sofá.
– Gente, Carl precisa ir. – Falei tentando me levantar.
– Que educação, Mari. Não vai nem nos apresentar? – Charlie cruzou os braços.
– Minha educação... – Comecei a falar, mas elas me fuzilaram com o olhar. – Carl, essas são Charlie, Annie e Letz.
– Prazer. – As meninas falaram em coro.
– Agora, voltando ao assunto – Annie começou. -, usaram proteção? Mari tem idade suficiente para engravidar.
Novamente, Carl me encarou com olhos arregalados. Eu abri a boca para falar algo, mas Carl me interrompeu.
– O que leva vocês a pensar que fizemos aquilo?
Elas se entreolharam e apontaram para minhas roupas. Olhei para baixo e não vi nada, eu estava apenas com meu short de malha e uma blusa. O que tinha minha roupa?
– O que tem? – Olhei para cada uma.
– Só que você está de pijama. – Annie respondeu.
– E daí?
Elas riram maliciosamente de novo. Em seguida, pegaram fôlego e ficaram encarando Carl por um longo tempo. Todas sorriam e Carl parecia estar sem graça. Eu o olhei, e ele me lançou um olhar procurando por ajuda.
– Uau, Carl, nunca havia te visto pessoalmente, e tenho que admitir que... Uau! – Charlie falou ajeitando a calça branca.
A fuzilei com o olhar, fazendo-a rir. Letz soltou o cabelo rosa e se sentou ao lado de Carl. Ela usava um short preto com alguns bordados brancos e uma camiseta branca que era estampada por recortes de revistas. Ela ficou olhando os olhos azuis de Carl, me fazendo ter aquela dor de ciúmes no fundo. Se ela não fosse minha amiga, já teria levado um tiro na cabeça.
– Algum problema, Leticia? – Eu só a chamava assim em ocasiões certas.
Ela notou que eu estava incomodada com sua presença no meio de nós dois e logo soltou uma risada abafada, mexendo no próprio cabelo colorido.
– Desculpe Mari, mas é que... Sei lá, o Carl tem um charme.
Carl corou no mesmo momento. Devia ser constrangedor, tanto quanto para mim, aturar as meninas a sua volta, o encarando e questionando de tudo sobre nós. Ou apenas sobre minha pessoa.
– Leticia. – Alertei.
Ela riu e se sentou ao lado de Annie, que me encarava com aquele sorriso malicioso de sempre. Fiquei pensando no que ela diria em seguida. “E o bebê?”, “Quando é o casamento?”, “Carl tem amigos gatos?”. Ela podia perguntar ainda pior.
– Eu ainda acho que aconteceu algo noite passada. – Falou por fim.
– Annie, entenda que temos apenas 13 anos...
– 14. – Carl corrigiu.
– Temos apenas 13 e 14 anos. Não faremos aquilo. Não fizemos aquilo. Entendeu?
– Pessoas mentem. – Ela riu e eu a olhei feio. — Tá, só tava brincando.
Todas riram, menos eu e Carl. Ele logo se levantou do sofá e olhou para todas nós. Sorriu levemente para mim e subiu as escadas. Quando ele já estava lá em cima, as meninas soltaram risadas e ficaram me olhando.
– Foi pegar a cueca. – Letz riu.
Bati levemente em seu ombro e fui atrás de Carl, fazendo um sinal para que as meninas ficassem quietas.
– Boa diversão! – Annie gritou.
Revirei os olhos e segui subindo a escada. A porta do quarto estava encostada e eu a abri, revelando um Carl solitário, segurando seu chapéu enquanto se sentava na cama. Eu entrei no quarto e sentei ao seu lado, sorrindo levemente. Posicionei minha mão sobre a sua.
– Suas amigas são estranhas.
Eu ri e olhei para cima. Dava para ver o teto branco, quase recém pintado. O canto dos pássaros soava pela janela aberta. O cheiro úmido de chuva entrava em minhas narinas.
– São apenas maliciosas.
Carl se virou para mim e segurou meu pescoço, me dando um beijo. Me virei de lado, colocando os pés na cama, passando-os pela sua cintura. Segurei suas bochechas e seguimos no ritmo.
– Mari, Mark está aqui. – A voz soou do outro lado da porta.
Carl parou o beijo de imediato e ficou me encarando com uma sobrancelha arqueada. Eu sabia o quanto ele odiava Mark, porque ele havia tentado me estuprar, mas Mark estava tentando ser legal, e eu não podia deixar os dois brigarem. Me separei de Carl e ajeitei minha roupa, me levantando da cama. Fui até a porta, e Carl foi atrás de mim, me puxando para trás.
– Qual é meu nome mesmo?
– Lucas. – Toquei a ponta de seu nariz.
Descemos as escadas e Mark estava com uma expressão horrível. Ele olhava diretamente para o chão, da porta. Em sua mão, carregava algo que eu não conseguia ver o que era. Carl foi até a cozinha assim que viu o outro garoto.
– Mark? Que surpresa...
– Digo o mesmo. Legal ver que você e o Lucas estão aqui. – Ele deu êxtase no “Lucas”.
Meu olhar com o de Carl se cruzaram. Ele não sabia o que estava acontecendo, assim como eu também não tinha a mínima ideia. Me aproximei de Mark lentamente e o encarei, com braços cruzados.
– Deveria chama-lo de Carl, certo?
Um arrepio percorreu meu corpo. Notei que Carl estava de olhos arregalados também. As meninas se levantaram do sofá e foram para fora de casa. Restaram apenas eu, Carl e Mark. E todos nós estávamos aflitos.
– O que você quer dizer? – Falei rindo, para tentar disfarçar, o que só deve ter piorado a situação.
– Isso. – Ele colocou uma foto de Carl com seu pai, sobre a mesa.
Eu assustei ao ver a imagem dos dois segurando armas. Eu sabia que eles atiravam, mas me assustei com o fato de Mark ter conseguido uma imagem dessas.
– Onde conseguiu isso? – Carl levantou o punho.
– Acharam mesmo que eu cairia no “Lucas”? Eu sabia desde o dia que te segui, Mari. O dia em que tentei te estuprar, foi para ver se você falava sobre namoro. Saiba que eu estou investigando tudo, e o Governador pode saber a qualquer hora. Mas na verdade, eu bem que achei você uma puta gostosa, poderia te rasgar inteirinha por uma noite.
Notei que Carl ficou com um olhar raivoso. Ele parecia querer avançar em Mark e mata-lo com socos. Mark bateu na mesa, e olhou para mim, tocando meu queixo, me puxando para perto dele. Fiquei encarando ele, sem palavras.
– Eu poderia fazer de tudo com você. Tão virgem, tão inocente... Eu posso mudar isso, você não precisa ficar com aquele retardado. Uma hora, aposto que ele irá te largar e ficar com uma da laia dele. – Pensei em Beth. – O que tá esperando? Eu posso ser todo seu. Posso ser seu amor, posso ser tudo que você quiser.
Eu estava em mais uma daquelas situações ridículas em que tinha de escolher o óbvio ou a outra opção. Eu era namorada de Carl, mesmo com todos seus defeitos, eu o amava. Ele me amava, e eu não precisava de outro namorado.
– Já tem sua escolha? – Mark apertou meu queixo.
Olhei para o lado e vi que Carl estava com o olhar para o chão. Ele parecia não confiar em minha escolha, pois ele parecia arrasado. Todas as garotas que poderiam estar em meu lugar escolheriam Mark. Eu nunca o escolheria. Depois de tudo.
– Você é um idiota. – Falei e me afastei dele.
Ele me deu um tapa na cara, o que fez Carl se exaltar, quase pulando no garoto. Mas eu o segurei. Olhei para ele e fiz um sinal para que ele se acalmasse.
– Eu vou contar ao Governador.
Era aquela mesma situação quando Andie estava comigo. Mas eu não podia impedir Mark. Eu não podia simplesmente beijá-lo, principalmente porque tinha nojo dele.
– O que posso fazer? – Excluí Carl da conversa imediatamente. Queria poder tomar conta de tudo sozinha.
Ele me olhou com malícia, e olhou para Carl com um sorriso de vitória. Novamente, dirigiu seu olhar para mim, e ficou me analisando como se eu fosse a última bolacha do pacote.
– Contanto que Carl permita uma noite, só eu e você, eu não conto ao governador. – Ele ajeitou meu cabelo.
Olhei para Carl com desespero. Não podia permitir que aquilo acontecesse. Eu era a namorada dele, e ele não poderia me perder assim, de mão beijada. Ele se aproximou de Mark e o olhou com fúria.
– Nunca.
Fiquei aliviada de ouvir aquilo, mas quando Mark saiu de casa, aquele frio na espinha me dominou novamente. Senti minhas pernas ficarem trêmulas, e eu estava passando mal. A minha pressão estava caindo de tanto nervoso. Carl me segurou quando viu que eu não estava bem, e apenas olhou fundo em meus olhos. Aquela visão hipnotizante dos olhos cristalinos perfurarem os meus me dominou, tomando todas as respostas por contato visual possíveis.
– Eu estou aqui. Acalme-se.

O abracei, pensando que não haveria um amanhã. Ou eu ou ele seríamos mortos, e era mais provável ser eu.
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