Why Me?
21 Capítulo 21 - Thinking of You
Notas iniciais
Carl se sentou no sofá e ficou encarando a parede. Eu me sentei ao seu lado e ele se virou para mim, com um sorriso. Eu sabia que ele só estava tentando disfarçar tudo. Mas não era culpa dele. O Mark era realmente um idiota por querer passar uma noite comigo. Carl passou a mão pelos meus ombros e eu encostei minha cabeça em seu peito.
– Bom... Acho que é nossa última tarde juntos. – Ele riu abafadamente.
Sorri para o nada enquanto ele acariciava meu cabelo. Fiquei imaginando se Mark realmente contaria para o Governador, e se contasse, como o homem reagiria. Carl suspirou fundo e começou.
– Quando eu era menor, conheci uma garota chamada Katlyn, eu gostava dela por ela ser loira. Coisa de pequeno. Ela me rejeitou uma rosa que eu lhe dei e nunca mais falou comigo.
– Estamos contando fatos?
– Eu contei. Sua vez.
Tentei me lembrar de algo de meu passado. Passei por várias coisas, e tudo era doloroso.
– Quando eu tinha mais ou menos dez anos, minha família viajou para Londres. Era tudo muito lindo, e eu acabei me perdendo deles. Foi o dia mais tenso de minha vida.
– Tirando hoje.
– Tirando hoje. – Repeti.
Carl riu novamente e eu me deitei em seu colo. Suas mãos dançavam pela minha cabeça e eu ficava imaginando como era ficar sem aquilo.
– Uma vez, eu estava correndo pelo supermercado. Daí, eu não vi uma menina carregando um bolo imenso à minha frente e acabei esbarrando nela. Voou bolo para tudo que era lado. Digamos que ela foi minha primeira paixão. Fiquei voltando no supermercado toda vez que minha mãe ia, mas nunca mais a vi. Acho que ela não era da cidade.
Me levantei rapidamente. Os olhos azuis daquele garoto... Só podia ser Carl! Olhei bem para seus olhos e vi a semelhança daquela cena. Era idêntico. Ele me encarou, como se estivesse se lembrando daquela cena também.
– Carl... – Olhei para baixo com um sorriso. – Eu era a garota. Não acredito que fiquei te procurando tanto tempo.
Ele sorriu e me puxou para um abraço. Senti ele beijar minha cabeça e eu fiquei feliz de finalmente saber quem foi meu primeiro amor de verdade. E agora, eu estava o perdendo. Um de nós morreria. Ele logo se separou de mim e pegou seu chapéu na mesa. Fiquei o olhando.
– Eu preciso ir. Meu pai me mata se eu ficar fora por mais uma noite. – Ele disse.
Assenti com tristeza, mas sabia que ele se meteria em encrenca se estivesse fora mais uma noite. Assim que ele saiu, me sentei no sofá novamente. Fiquei olhando para o teto e algumas lágrimas queriam escapar de meus olhos. Dei um tapa em minha bochecha e fiquei repetindo a mesma frase que Lucas falava quando eu chorava: “mulher forte não chora”. Merda. Eu não era forte. As lágrimas despencaram de meus olhos sem meus comandos. Fui correndo para o andar de cima e lavei meu rosto, tentando fazer as lágrimas pararem. Dei mais uns tapinhas em minha bochecha e fui para meu quarto. Apenas me deitei na cama e acabei dormindo.
[...]
Acordei com a claridade aquecendo meu corpo. Prometi a mim mesma que eu iria dizer “estou bem” mesmo não estando. Eu seria forte. Não choraria mais. Desci as escadas e abri uma lata de sardinha. Estava faminta. Devorei em poucos minutos e fui para fora, tomar ar fresco. Encontrei Letz na rua e ela estava com uma expressão horrorosa.
– Mari... Todos estão reunidos no centro. Você precisa ver! – Ela me puxou pelo braço, me levando ao local.
Quando estávamos chegando perto, notei a multidão acumulada, e todos olhavam a mesma coisa. Tentei abrir caminho para ver o que acontecia, mas quase não consegui passar.
“Como vocês sabem, traidores não são permitidos. Não matamos, mas também não aturamos isso. Precisamos fazer algo contra. Essa coisa foi encontrada ontem, e precisamos fazer algo”.
Parecia a voz de Mark. Consegui ir mais para frente e vi que Carl estava no palco, com as mãos amarradas em uma estaca, enquanto Mark falava um monte de coisas sobre ele. Carl tentava chutar o ar, mas seus pés estavam presos também. Logo, Mark me viu, eu fiz a pior expressão de raiva possível. Eu estava o odiando.
– Eu quero chamar minha namorada, Mari, no palco. Venha, vamos decidir juntos. – Ele sorriu.
Eu sabia que aquilo era tudo um plano louco dele. Ele não devia ter contado para o Governador, mas parecia querer torturar Carl emocionalmente. Subi ao palco, evitando olhares alheios. Mark segurou minhas mãos, mas eu não impedi.
– Me dê um beijo, amor. – Ele sorriu maliciosamente.
Ninguém podia saber de meu relacionamento com Carl, mas eu não queria beijar Mark. Assim que Mark tocou meu rosto, Carl ficou furioso. E então, eu fiz o que tinha de ser feito. Beijei Mark.
Durante o beijo, senti vontade de vomitar pelo meu ato terrível. Será que seria mais fácil admitir que eu namorava Carl e sofrer as consequências? Eu não podia acreditar no monstro que eu me tornei. Traí meu namorado em sua frente. Abri um dos olhos e vi Carl olhando para o chão, com uma expressão dolorosa. Mesmo não morrendo, eu já havia perdido ele. Talvez para sempre.
Separei-me de Mark e sussurrei para ele:
– Você vai mata-lo?
– Não se você for minha namorada.
Assenti com tristeza e olhei para o público. Mark me segurou pela cintura, como se eu fosse seu troféu. O Governador chegou e começou a aplaudir, e a multidão de espectadores aplaudiu juntamente. Forcei meu melhor sorriso e beijei a bochecha de Mark.
E agora, meu mundo havia acabado completamente. Já podia morrer.
– Só não fiquem se agarrando durante a vigia. – O Governador riu.
Todos riram juntamente, até eu forcei a risada. Todo o público havia ido embora e Mark, com a ajuda de alguns guardas, soltou Carl e o levou para uma sala mais particular. Eu o segui até que os guardas abandonaram o local. Mark sorriu para mim e beijou minha cabeça. Eu já não sorria mais. Carl estava preso no teto, por duas correntes também.
– Não façam nada de errado. – Ele saiu rindo.
Me aproximei de Carl e caí de joelhos, ele olhou para baixo e me olhou de cara feia. Novamente, as lágrimas queriam escorrer de meus olhos, mas eu olhei para cima, as impedindo.
– Não quero sua companhia.
– Você morreria se eu não fizesse tudo aquilo.
– Preferia morrer feliz do que sofrer.
Uma vez me disseram que as palavras não causavam efeito nas pessoas. Eu podia provar o contrário.
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