Why Me?

19 Capítulo 19 - Never


Notas iniciais
Oioi gente, desculpem a demora, mas o próximo será mais demorado ainda, então, aproveitem para recomendar esse agora usahusa *Kidding* Boa leitura amores ^^ Quero muuuito agradecer à Nina, que recomendou a fic. Amorês, cada dia vocês me surpreendem mais :3

Desci as escadas do prédio, ainda assustada com o que havia acontecido lá no apartamento de Mark. Como ele pôde fazer aquelas coisas horrorosas? Aquilo não tinha perdão.

Cheguei até o saguão principal, e pela primeira vez, notei que o lugar era lotado de quadros imensos, e algumas cortinas abertas sobre as janelas. Saí pelo imenso batente de madeira e fui caminhando pelas ruas sombrias das noites de Woodbury. Passei pelas casas que tinham por toda a extensão. Pude ver algumas crianças na porta de suas casas, junto de seus pais. Me lembrei de quando eu era pequena, e meu pai estava em casa, ele me levava para fora, junto de Lucas, para ver as estrelas. Eu lembro que meu pai sempre dizia para mim, que quando morresse, eu seria a maior estrela do céu. Eu normalmente batia nele de leve, pedindo para não falar de morte. Mas morte talvez fosse igual à relação que eu tinha com meu pai. Eu nunca o via.

Os pensamentos passaram voando por minha cabeça, assim como pássaros voam ao pôr-do-sol. Olhei para o céu, que estava estrelado. A estrela mais brilhante não podia ser vista, ou simplesmente não estava lá. A lua estava cheia e linda. Me passou pela cabeça de contar para alguém sobre o que havia acontecido, mas resolvi deixar quieto. A única pessoa que eu gostaria de contar isso, era Carl. Mas também tinha medo dele me deixar, pensando que eu havia continuado ou algo do tipo. Carl não era o tipo de cara que perdoava facilmente.

Cheguei em casa e abri a porta rapidamente. As meninas já deviam ter saído de casa, pois não havia ninguém lá. Subi as escadas, indo até meu quarto. Abri a porta e me deparei com aquela imensa cama. Minha mãe nunca havia me dado uma dessas, por mais que eu pedisse. Eu me deitei lá, e dei uns leves pulinhos, o colchão era realmente mole. Parecia até nuvens. Me veio na cabeça aquela cena constrangedora de Mark em cima de mim, tentando me estuprar.

Me sentei na cama, sem sono, sem vontade de fazer nada. Fiquei com um breve enjoo e desci as escadas. Achei que fosse tarde, não dava para ir à floresta ver Carl, e creio que ele não estaria lá. Fiquei em casa mesmo. Abri a geladeira e tomei um gole da água, para sair o gosto amargo de minha boca. Olhei para o lado, onde ficava o sofá. Vi meu livro lá e o peguei. Ler antes de dormir era uma das coisas que eu mais gostava de fazer. Subi as escadas novamente e me deitei na cama, com o livro ao meu lado. O abri na página em que havia parado e comecei minha leitura. Eu estava quase no fim, nas cenas em que Carlton estava doente. A mulher que era apaixonada por ele estava levando a última carta, que ela disse que seria eterna. E eu cheguei ao fim.

“Sabe Carlton, todo esse tempo em que lhe enviei aquela carta, fiquei na esperança de te encontrar novamente um dia, para que nós trocássemos sorrisos, como nos velhos tempos. Tudo entre nós foi reunido por um humilde carteiro, que eu nunca imaginei que pudesse ter tanta bondade em seu coração. Ele nos uniu, nós estávamos felizes, até que a doença lhe invadiu. Agora, você está aí, internado, sendo tratado por pessoas que nunca vi em toda minha vida. Venho pagando suas cirurgias por você não ter familiares, mas está duro. Eu não posso te deixar morrer, e não posso te deixar assim, nesse estado. Jorge, o carteiro que nos uniu novamente, está ajudando, com a miséria de dinheiro que ele tem, a pagar algumas cirurgias. Eu não sei se você sofre, mas, poderíamos viver juntos como antes. Eu descobri que estou com câncer esses dias. Sinto que agora, nenhum de nós poderá ser feliz. Eu com minha doença, você com a sua. Só quero que saiba que eu te amo mais que tudo, e que nunca te deixarei. Um beijo imenso de sua Kary Ann.”

Aquela foi a carta que a mulher havia escrito para Carlton. Eu podia jurar que uma lágrima escorreu de meus olhos quando li tudo aquilo. Na página seguinte, Kary Ann e Carlton haviam falecido no mesmo instante e foram enterrados um ao lado do outro. Descansando eternamente, juntos.

Eu já havia lido vários livros, mas nenhum deles me tocou tão fundo quanto aquele. Fechei o livro, agora terminado, e me deitei novamente. Dessa vez, dormi de primeira.

[...]

Acordei estranhando em não haver um raio de sol batendo em meu rosto, me levantei e fui até a sacada. O tempo estava com cara de chuvoso, mas mesmo assim, eu iria para a floresta. Fui até o banheiro e lavei meu rosto. O que eu não havia notado, era que eu estava com um arranhão um pouco acima do pescoço. Devia ter sido quando Mark me segurou no sofá. Passei um pouco de água no ferimento e prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo.

Desci as escadas e peguei meu moletom, apenas peguei o livro e uma garrafa d’água. Coloquei a mochila e saí pelos fundos e segui o meu caminho de rotina. Quando estava me aproximando da floresta, tive uma sensação estranha, de como se alguém estivesse me observando. Dei de ombros e segui o caminho. Quando avistei Carl, joguei minha mochila no chão e me sentei ao seu lado.

– Bom dia. – Ele disse passando um braço pelos meus ombros.

– Bom dia. – Respondi.

– Acho que vai chover. – Carl falou observando o céu.

Eu não dei respostas, olhei para cima também. O céu estava mais escuro do que da hora que eu saí de casa. Deitei minha cabeça em seu ombro e ele deitou a sua sobre a minha. Ficamos assim até ele soltar uma risada abafada.

– Que foi? – Perguntei.

– Meu pai que queria me empurrar para a Beth.

Devo ter feito um “ah” sem ânimo, pois eu fiquei meio... Enciumada. Me lembrei de noite passada. Se Carl estava me contando isso, achei que deveria contar a ele sobre o quase estupro. Separei minha cabeça de seu ombro devagar e olhei para o chão.

– Carl... Aconteceu algo ontem de noite.

Ele me olhou surpreso, tentando imaginar o que eu poderia ter feito de errado. Seus olhos brilharam por um instante.

– Tem um garoto, chamado Mark. – Falei com calma, mas na hora que falei “garoto”, o brilho de seus olhos se apagaram e ele parou de me olhar. – Ele me convidou para jantar na casa dele, mas ele garantiu que seria apenas um jantar. – Carl novamente arqueou a sobrancelha, com irritação. – Mas, ele havia acabado de derramar água na roupa, então, ele pediu para que eu me sentasse no sofá, que ele iria trocar de blusa. Tudo bem, eu fiquei o esperando, mas quando menos imaginei, ele voltou, apenas de cueca.

Carl se levantou e tapou seus olhos com as mãos. Algumas lágrimas começaram a escorrer em meus olhos, pensando que o perderia tão cedo.

– E daí, ele começou a tirar minha blusa... – Tentei falar, mas não pude, Carl pegou suas coisas e saiu da floresta. Me deixando só.

Eu queria que ele entendesse, queria lhe contar o resto, mas não pude. Ele saiu tão rápido que nem gritando ele voltaria. Fiquei com uma dor no coração, e me levantei, pegando tudo que era meu. Toquei em meu colar, que novamente, não estava em meu pescoço. Procurei por ele no chão, e vi que estava acima de um pedaço de papel. Peguei o colar junto do papel e vi que era uma foto. Era uma foto que Carl havia tirado fazia tempo, antes de namorarmos. E no verso, escrito com algum material, estava uma frase: “hoje, peço Mari em namoro”.

Eu sorri e novamente, as lágrimas começaram a escorrer. Caí de costas no chão, com as mãos no rosto. Olhei para o céu, que estava chuviscando, eu precisava sair antes do temporal começar. Peguei tudo que eu tinha novamente e fui indo para Woodbury. Logo, minha boca fora tapada por uma mão, e eu fui apagada.

[...]

Acordei no apartamento de Mark. Não sabia como ele havia me levado para lá, mas era certeza que ele havia me apagado. Então, eu estava mesmo sendo observada, por Mark. Era assim como havia acontecido com Andie. Mas, eu não estava presa nem nada, e ele não usava nada para me machucar. Ele apenas estava com as mãos no cabelo, assim como Carl quando lhe contei sobre a noite passada. Mark se agachou ao meu lado quando notou que eu estava acordando.

– Mari! – Ele me olhou. – Eu quero me desculpar por noite passada.

Me levantei devagar e tentei sair, mas meu corpo doía.

– Por favor, me perdoe.

– Eu vou embora.

– Eu juro por tudo que isso nunca mais vai acontecer.

– É bom mesmo.

Ele me segurou quando eu tropecei no chão. Eu ainda estava muito dolorida, e não conseguia andar certo. O olhei com raiva. Não queria sua ajuda, muito menos depois dele ter me levado para seu apartamento novamente. Me soltei dele e fui em direção da saída, mas ele me puxou.

– É sério! – Seus olhos brilhavam. – Eu realmente estava sem consciência. Me perdoe!

– Não agora.

Saí da casa dele e fui até a minha, onde apenas abri a porta e me joguei no sofá. Quando abri os olhos, notei que não estava só. Carl estava sentado, me encarando com os olhos cristalinos como sempre, sem aquele tom de fúria que ele tinha um pouco mais cedo.

– Ahn... Oi? – Falei me ajeitando na almofada.

Ele apenas mudou os olhos para o chão e bocejou. Quando ele foi abrir a boca para falar, a porta abriu. Era Mark, e ele nos olhava como se ele mesmo fosse meu namorado.

– Quem é esse? – Pronunciou a palavra como se fosse uma privada entupida.

Olhei para Carl, procurando uma resposta. Notei que eu estava boquiaberta, sem conseguir soltar nenhuma palavra sequer. Olhei para o chão e encarei Mark.

– Esse é o... – Gaguejei. – Lucas. Lucas Windsor.

– Lucas? – Carl me olhou.

– É. Lucas. – O fuzilei com o olhar.

Mark se aproximou do garoto e apertou sua mão. Ele deu um abraço amigável em Carl, que não reagiu.

– Ahn... Lucas tem que ir agora. – Falei empurrando Carl para fora, pela porta dos fundos.

– Mas já? Acho que nunca te vi por aqui. Sou o Mark. – Ele sorriu torto.

Carl o olhou com raiva. Ele estava com um brilho raivoso nos olhos, que o fazia parecer mais bravo do que já estava. Mark estendeu a mão para ele e Carl apertou forte, eu notei sua expressão. Mark riu para disfarçar, mas Carl continuou sério.

– Eu, LUCAS, vou indo mesmo. – Ele deu ênfase no “Lucas” e saiu de casa, deixando apenas eu e Mark, nos encarando.

[...]

Já era noite e eu estava tentando dormir. Não sabia se estava naquela fase-alfa, que você pensa estar dormindo, mas ainda está consciente das coisas ao seu redor. Ouvi alguns barulhos, mas me recusei a abrir meus olhos. Então, alguma coisa tocou meu rosto.

– Qual era o resto da história? – Era aquela voz rouca que eu amava.

Abri os olhos levemente o olhei para Carl. Ele ainda estava sério.

– Nós não fizemos aquilo. Eu não deixei Mark tocar em mim.

Quando terminei de falar, Carl puxou meu rosto para mais perto, selando seus lábios aos meus. Eu não o beijava desde o dia passado, mas parecia uma eternidade não sentir aquela sensação de borboletas no estômago e os arrepios pelo corpo inteiro quando era tocada por ele. Me ajeitei no travesseiro, para que nossas bocas se encaixassem melhor. Novamente, nos separamos e eu sorri levemente, repetindo uma frase que havia dito havia alguns dias:

– Achei que me deixaria.

E ele sorriu de volta, com uma mecha de cabelo caída sobre os olhos profundamente intensos. Aquela piscina de águas claras, que podia levar qualquer um à beira da morte se quisesse. Seus lábios se moveram, emitindo aquela palavra que me fazia sentir mais segura à mim mesma.

– Nunca.

Notas finais
Mereço algum comentário ou deixa quieto? Prefiro a primeira opção. Caraca, vou arruinar Marl >:3