Why Me?
18 Capítulo 18 - You can't
Notas iniciais
Acordei e olhei para o lado, procurando por Carl. Ele não estava em sua cama. Era isso que dava confiar nos outros. Decepção. Calcei minhas botas e prendi meu cabelo. Fui andando até a cozinha, enquanto escutava meus solitários passos ecoarem na sala. Como previa, a mochila de Carl não estava lá; o sofá, antes encostado na porta, estava fora do lugar. Peguei no balcão, o que restou da lata de milho, e retirei a foto do beijo de meu bolso. Coloquei-a acima do balcão e fiquei encarando com tristeza. Logo, mudei meu olhar para a lata de milho. A fome não me batia, quando eu me sentia chateada, perdia fome. Logo, a porta da casa abriu-se sozinha. Um errante não fazia isso.
– Bom dia. – Era Carl. Ele colocou uma sacola plástica na mesa e me deu um selinho.
– Achei que tinha me deixado.
– Nunca.
Sorri levemente e encarei aquela sacola acima da mesa. Havia algo sangrando lá dentro.
– O que é isso?
Ele olhou para a sacola, retirando o chapéu.
– Cacei esquilos. – Ele sorriu.
– Hum... Pra viagem?
– Só se você não quiser.
– É que não tem como cortá-los. Minha faca tá com sangue de errantes...
– Tudo bem. – Ele sorriu e colocou a sacola em sua mochila.
Olhei para o lado, onde havia outra janela cheia de tábuas. A casa era bem protegida, mas não havia um pouco de iluminação sequer. Carl se sentou no chão e começou a ver algumas fotos com um sorriso. Logo, as guardou.
– Pelo sol, dá pra saber que horas são? – Perguntei.
– Provavelmente umas oito da manhã. Por que?
– Acho que tenho que ir. – Falei.
– Sério? – Ele fez biquinho.
Assenti com tristeza nos olhos. Ele se levantou e me segurou pela cintura, com uma mão acariciando meu cabelo, me arrepiando por todo o corpo. Eu não era muito de grudes, mas me sentia bem com Carl.
– Eu vou com você até a grade. – Ele disse sorrindo.
O beijei, quase um selinho, e sorri novamente. Peguei minha mochila e a coloquei nas costas. Ele fez o mesmo com a dele, e assim, fomos andando, ele com sua arma e eu com minha faca.
[...]
Chegamos nas grades de Woodbury e ele me abraçou, com um beijo na testa, como havia feito noite passada, e me deu tchau. Eu passei pela grade e fui correndo até minha casa. Torci para as minhas amigas não estarem lá. Mas eu não tinha tanta sorte assim.
– Mari! – Era Annie.
– Onde você estava garota? – Charlie se levantou e me abraçou.
– Eu... Saí. – Falei.
– Hum... Perfume masculino... – Letz me olhou maliciosamente.
Todas se entreolharam e começaram a soltar risadinhas.
– Você não dormiu aqui, certo?
– Ahn...
– OH MEU DEUS! – Charlie gritou. – MARI DORMIU COM CARL!
– Cala a boca! – Joguei minha mochila no sofá.
– Diz que é mentira!
– Não é...
Letz se aproximou de mim novamente com aquele olhar malicioso. Naquele dia, ela vestia uma blusa cavada com uma frase: “Live Young, and Wild, and Free”. Acompanhado, um short preto e coturnos. Seu cabelo rosa estava solto.
– Rolou?
As encarei com uma sobrancelha arqueada.
– Eu tenho 13 anos.
– E daí? Pode rolar...
– Ele tem 14. – Falei arqueando a sobrancelha novamente.
– Mas...
– Não. Rolou. – Falei seriamente.
Todas caíram na gargalhada, até que alguém bateu na porta. Olhei para as meninas sem entender quem era, elas também pareciam não saber. Segurei meu colar e abri a porta. E lá estavam os olhos verdes e o sorriso torto que eram um encanto sedutor para algumas, mas não para mim.
– Oi Mari. – Mark sorriu.
– Oi.
– Eu te procurei ontem... Onde você estava?
Eu fiquei sem resposta. Virei para trás, para procurar ajuda com as meninas, até que Letz abriu a boca:
– Ela dormiu em casa.
Mark assentiu, ainda com o sorriso torto e segurou minha mão. A retirei das suas, pois eu não queria que ele fizesse algo assim comigo.
– O que acha de jantar em casa hoje?
– Como amigos? – Perguntei.
– Ahn... É. Pode ser daqui à uma hora?
– Ok. Estarei lá.
Ele sorriu e foi embora. As meninas estavam boquiabertas atrás de mim. Charlie se aproximou lentamente até mim e me chacoalhou em seguida.
– Como assim amigos? – Ela gritou.
– Sentem-se que eu conto tudo. – Falei.
Após tudo contado, sobre o namoro e a casa na cidade, elas ficaram babando.
– Meu Deus Mari. Me dê um Carl! – Annie falou e eu ri.
– Parabéns! – Letz me abraçou.
– Agora, só torcer para que nós achemos o nosso... – Charlie disse.
– Vocês acharão. – Disse.
O sorriso se formou em seus lábios.
– Agora, se arrume, porque logo terá que ir à casa de Mark. Só não faça nada de errado, hein, mocinha? – Annie cruzou os braços.
– Eu amo Carl.
[...]
Eu havia colocado uma blusa de manga longa, pois estava frio lá fora, e coloquei uma calça jeans qualquer. Nos pés, calcei uma bota preta e deixei meu cabelo solto mesmo. Fui andando para a casa de Mark, onde era o mesmo apartamento das meninas.
Ao chegar lá, subi as escadas e bati na porta. Não sei como, mas Mark abriu a porta vestindo um terninho. Ele sorriu para mim e me fez um sinal para entrar.
– Hum... Hoje o especial é de ervilhas com milho.
Me lembrei da lata de milho que havia comido noite passada, com meu tão amado namorado.
– Vamos de ervilha? – Ele perguntou.
– Pode ser.
Ele despejou ervilha em um pratinho. E quando foi colocar o suco no copo de plástico, derramou no terninho.
– Oh, pode aguardar um minuto? – Ele disse.
– Por favor, sente-se no sofá.
Dei de ombros e fui até o sofá, onde me sentei. Mark havia ido para os quartos, e eu fiquei olhando pela janela, o esperando. Quando ele voltou, estava apenas de cueca box, com um sorriso torto, e o verde de seus olhos estava apagado, com malícia. Ele veio caminhando até mim e se sentou ao meu lado no sofá. Eu me sentia incomodada. Ele era dois anos mais velho que eu. Logo, ele agarrou em meus braços e tentou se deitar em cima de mim. Eu comecei a me revirar no sofá, tentando me livrar dele, mas ele era mais forte. Logo, ele começou a tocar meu seio. Eu finalmente me soltei e dei um tapa em sua cara e me levantei.
– Idiota! – Falei em pé.
– Eu sei que você me quer! – Ele se levantou do sofá e ficou de frente para mim, tentando me segurar novamente.
Chutei sua canela e saí do apartamento.
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