Why Me?
14 Capítulo 14 - I will
Notas iniciais
Me levantei do sofá e sorri para a menina.
– Ok. Eu vou.
Ela deu um pulinho de alegria e me puxou pelo braço.
– Você vai adorá-las!
Fui andando com ela. Não conseguia prestar atenção nas palavras da menina, ela falava muito rápido. As ruas estavam vazias e as folhas das árvores invadiam o concreto do chão. O céu negro da noite, brilhava com poucas estrelas. A lua estava cheia como sempre e iluminava grande parte das casas de Woodbury.
Os prédios abandonados não estavam tão desgastados, pelo contrário, todos pareciam estáveis. Letz me guiou até um prédio bege com várias sacadas. Entramos no local pela porta velha de madeira. O saguão era simples, com poucos lustres e uma escadaria grande bem no centro. Não era nada chique, mas era um lugar que eu gostaria de morar.
Subimos as escadas e demos de cara com várias portas. Fomos indo até o fim do corredor e ouvi uma gritaria. Não parecia uma discussão, mas sim, uma farra.
– É aqui. – Letz girou a maçaneta, deixando a porta aberta.
A sala era de uma tintura marrom com um sofá no centro. O chão estava sujo de poeira e roupas. Tinha até barrinhas de cereais jogadas. Andei com cuidado para não pisar em nada.
– Que sujeira desgraçada! – Uma voz fina gritou de longe.
– Isso foi antes de eu sair. – Letz resmungou.
Logo, duas figuras femininas apareceram na sala. Uma de cabelos curtos e castanhos com belos olhos verdes-amarelados, que eram quase cobertos por um óculos. Ela vestia uma calça vermelha e um moletom cinza com estampa do Mickey. A outra, era mais baixa e tinha cabelos na altura do peito. Seus olhos castanhos eram quase sombrios e usava um belo vestido florido com rasteirinhas brancas.
– Essa é a Annie. – Letz apontou para a garota de óculos, que fez um sinal com a mão de boas-vindas. – E a outra é a Charlie.
– Qual seu nome? – A Charlie me perguntou. – Legal sua bota.
– Mari, e, ahn... Obrigada.
A garota de óculos ficou me encarando por um tempo com uma expressão estranha.
– Ela vai morar conosco?
– Não. Ela tem uma mansão aqui, na área da casa do Governador. Ela é uma das guardas. – Letz falou como se fosse minha mãe.
– Meu Deus! – Charlie e Annie se agacharam como se eu fosse uma rainha.
Eu fiquei meio constrangida de ver aquela cena.
– Calma, foi só uma brincadeira. – Annie falou rindo. – Você não é de falar muito, certo?
Eu torci a boca.
– Ela está triste. – Letz falou. – Perão, eu posso contar para elas? – Dirigiu seu olhar a mim.
– Tudo bem.
– Venha, vamos para o quarto.
[...]
Todas nós estávamos sentadas nas camas, eu havia acabado de contar toda a história, deixando de lado o fato de Carl não ser de Woodbury.
– Eu acho que ele gosta de você. – Charlie disse, deitada na cama com as mãos apoiadas no rosto.
– Acho que não... – Falei.
– Claro que sim. Imagine só, um casal feliz, com dois lindos filhos, numa casa humilde. Você e ele! – Charlie falou empolgada.
– Charlie é vidente! – Letz riu.
Eu ri de volta e elas sorriram para mim.
– Ei, o que acha de irmos falar com ele? – Annie se levantou da cama.
– Ahn... Melhor não.
– Por que? – Letz perguntou fazendo biquinho.
Não podia simplesmente falar que ele era da Prisão. Eu não conhecia as garotas tão bem.
– Pode confiar em nós. Faremos o certo. – Charlie piscou com um olho.
– Ele não é de Woodbury. – Falei. As palavras saíram tão rápido que não percebi o que eu havia acabado de pronunciar.
Elas me encararam com olhares estranhos. A ideia de eu ter amigas subiu à minha cabeça, me fazendo querer confiar nelas, e contar um de meus maiores segredos.
– De onde ele é? – Letz virou o rosto.
Suspirei fundo e olhei para o teto.
– Eu não sei se deveria contar... Não conheço vocês direito, mas eu vou confiar. Ele é da Prisão. Já ouviram falar? Somos inimigos deles.
As meninas ficaram quietas por um tempo. Todas me encaravam com olhos arregalados.
– Um amor proibido! – Charlie gritou.
– Ah Mari, existe coisa mais romântica que isso? – Annie apertou as próprias bochechas.
– Eu posso confiar em vocês?
– Sempre! – Todas falaram em coro.
[...]
Era de manhã, e eu tinha dormido na casa delas. O sol batia levemente em minhas pernas, me aquecendo. Me levantei da cama com cuidado para não acordar nenhuma delas.
Fui andando até a cozinha e me esgueirei na janela. O prédio dava para uma visão perfeita da cerca quebrada. Peguei meu casaco que eu havia tirado para dormir e o coloquei em minha cintura. Quando abri a porta do apartamento, Annie apareceu atrás de mim.
– Já vai?
– Eu vou ver... Carl. – Falei me virando.
Ela arqueou as sobrancelhas e sorriu levemente.
– Eu aviso as outras. Boa sorte. – Piscou com um olho para mim e eu saí do apartamento.
Desci as escadas e tropecei no último degrau, e quando fui quase cair, alguém me segurou. Me virei para ver quem era. Um garoto de cabelos castanho claro e perfeitos olhos verdes. O belo sorriso predominava em seu rosto.
– Cuidado aí. – Ele fechou o sorriso.
– Desculpe. – Falei tentando sair de seus braços.
Outro sorriso torto se formou em seu rosto. Ele me encarou com aqueles olhos quase me hipnotizando. Juro que quase entrei em transe.
– Se precisar ser salva novamente, sou o Mark. – Ele piscou com um olho, me levantando. – E você, donzela?
– Mari. – Sorri timidamente e saí do edifício.
Fui até atrás do prédio e vi a cerca. Não sei como, mas pela primeira vez, o arame cortou meu braço. Foi um corte grande, quase um rasgão. Amarrei meu casaco envolta do braço e segui indo pela floresta, segurando os gritos de dor.
Quando cheguei lá, vi Carl sentado. Só. Não me importei se ele fosse se afastar de mim, apenas me sentei ao seu lado.
Quando eu menos imaginei, ele me abraçou. Eu sem ação, retribuí o abraço. Ficamos assim por um tempo.
– Carl, o que aconteceu? – Me soltei dele.
Ele agarrou os joelhos e a sua cabeça pousou lá mesmo. Pude o ouvir suspirar.
– Eu matei minha mãe.
Encarei o chão. Eu não tinha medo dele por causa disso.
– Você deve me achar um monstro.
– Pelo contrário. Você deve ter um motivo para ter feito. Quer comentar?
Ele levantou a cabeça e colocou seu chapéu no chão, ao meu lado.
– Ela deu a luz para minha irmã. E ela já estava morta, e eu só tive de atirar na cabeça dela para que não se transformasse. Eu só quero te pedir desculpas por ter sido tão estúpido com você ontem. Eu não sei o que deu em mim.
– Hum... Carl Grimes pedindo desculpa. Inédito, não?
Ele riu e eu peguei o chapéu dele, o analisando. Carl pegou em minhas mãos, fazendo o chapéu ir em direção de minha cabeça. Ele o posicionou lá.
– Pronto. – Ele riu olhando para meu rosto.
Segurei as abas do chapéu o ajeitando melhor na cabeça.
– Gostei. – Olhei para cima.
– Estou desculpado?
– Claro. – Sorri.
Fale com o autor