Why Me?

38 Capítulo 38 - So...?


Notas iniciais
Heeey pips, estamos de volta com mais um capítulo de Why Me?, diretamente para vocês ;) Degustem.

Tive uma vaga lembrança dessa garota. Ela me olhava com um sorriso malicioso e um brilho inexplicável nos olhos. Olhei para o lado e vi Leigh carregando lenha para sua barraca, enquanto Carlo me olhava com um sorriso. Gabrielle não parecia animada por me conhecer, mas eu estava tentando de tudo para não parecer ranzinza como eu era antigamente.

– Como está Andie? – ela perguntou.

– Quem?

– Ah, nada – ela riu. – Venha, quero lhe mostrar minha barraca!

Perfeito. Tudo sobre controle. Eu já tinha uma amiga. Fui atrás dela, sem conter meu imenso sorriso. Ela jogava seus cabelos louros ao vento a cada passo que dava. Isso me irritava um pouco, mas nem assim deixei minha postura se partir, continuei agindo gentilmente.

Assim que entramos em sua barraca, ela fez um sinal para que eu me sentasse em seu colchonete. Me sentei e continuei sorrindo. Ela foi mexer em sua mochila, e pegou duas revistas, e me entregou uma. Só então notei que não eram revistas, eram livros. Livros com algo escrito na capa. “Anuário”.

– Abra – ela sorriu.

Fiz o que foi mandado, e comecei a folear. Havia uma grande quantidade de foto de alunos. Eu não conhecia nenhuma daquelas pessoas, até que fui seguindo com os olhos nas minúsculas letras.

Madge Green. Madison Geller. Maggie Donnegan. Mari Pacheco. Mari, essa era eu. Havia uma foto de uma garota sorridente, com trancinhas caídas sobre um suéter listrado. Seu sorriso era bonito e espontâneo, como se estivesse rindo quando a foto fora tirada.

– Lembra-se dos anuários? – Gabrielle não sorria mais. Olhava para as páginas.

– Eu não... Disseram-me que perdi a memória – admiti.

– Sério? – ela me encarou. – Meu Deus! Então você não lembra de nada? De mim? Andie? Mia?

– Desculpe... Quem?

Ela riu e olhou para cima. Em uma fração de segundo, ela fechou o anuário e o colocou de lado. Voltou para sua mochila e começou a mexer dentro dela.

– Pegue a revista atrás do colchonete para mim, por favor? – ela pediu.

Assenti e me virei. Comecei a procurar pela tal revista atrás do colchonete. Não achei nada.

– Não tem nada aqui – falei.

– Talvez esteja debaixo no colchonete, continue procurando.

Voltei a procurar. Levantei um pouco o colchonete até ouvir o barulho de Gabrielle se arrastando atrás de mim. Me virei no mesmo momento em que sua faca foi cravada no travesseiro ao meu lado. Empurrei sua barriga, tentando afastá-la de mim, mas ela tentava me matar.

– O que é isso? – gritei.

– Você vai pagar por tudo!

Ela retirou a faca do travesseiro e tentou cravá-la em meu estômago, mas eu virei, e ela acabou cortando um pedaço da barraca. Me virei novamente e ela pulou em cima de mim. Tentei jogá-la de lado, mas ela mantinha a faca muito perto de meu olho, se eu a virasse ficaria cega. Ela fincou a faca do lado da minha cabeça, porque eu a havia virado levemente. Raspou em minha orelha, e eu gritei. A virei no mesmo momento. Peguei a faca e ameacei fincar nela.

– Por que tá fazendo tudo isso? – choraminguei.

– Você fez pior!

– Eu não me lembro do que fiz! Eu não me lembro de você, de nada!

Comecei a chorar de repente. Não sei por que, simplesmente veio a vontade. Me sentei ao seu lado e ela se levantou levemente. Soltei a faca, a colocando ao meu lado. Gabrielle se sentou ao meu lado, colocando as mãos em minhas costas, me apoiando.

– Nada mesmo? – ela perguntou.

Neguei com a cabeça e me encolhi. Senti suas mãos acariciarem minhas costas, como Carl fazia. Senti uma leve saudade dele, até lembrar que o odiava. Logo, em um movimento rápido, Gabrielle pegou a faca do chão e senti uma dor perfurar minhas costas. Caí de frente, com as mãos ao lado do rosto, com a respiração baixa.

– Como... Como pôde? – falei baixo.

Ela riu e foi a última coisa que ouvi antes de apagar completamente.

[...]

Acordei com a visão turva. Não sabia onde estava, e nem como havia sido levada aqui. Tentei me levantar, mas caí. Minhas costas doíam. Me estiquei, com esforço, para ver o local do ferimento. Havia um corte profundo acima de minha cintura. O toquei, e vi que o sangue ainda escorria, sujando minha blusa.

Pisquei novamente e vi uma figura à minha frente. Só consegui ver suas pernas, e com muito esforço, pois meu rosto estava colado às folhas secas do chão.

A pessoa usava uma botina e calça jeans. Tentei olhar mais para cima, mas não precisei, pois logo, ele se abaixou. Sim, era ele. Seus olhos azuis estavam vidrados em mim. As cores nunca mudaram de tom, mas era difícil distingui-las entre azul ou verde. Era uma combinação perfeita, da qual eu tentara esquecer muitas vezes para não chorar.

– O que você quer? – perguntei.

– De você? Nada – Carl disse.

Tentei me levantar novamente, mas caí. A dor me dominou por inteira. Quase chorei, mas segurei as lágrimas para não parecer uma tola novamente. Eu andava muito mole, isso já chegava a me irritar.

– Você é burra – ele riu. – Não consegue conter os sentimentos. Quase morreu por isso.

– O que te importa?

– Nada. Também não quero ajudar. Gosto de rir de suas desgraças. Não preciso mais de você.

Pisquei novamente e ele havia desaparecido. Claro, como sempre. Era tudo imaginação. Pisquei mais uma vez e lá estava ele. Seu sorriso malicioso parecia ter sido talhado no rosto. Seus olhos azuis vibravam quando se direcionavam à mim.

– Mari? – ele perguntou, parecendo outra pessoa. – Venha, vou te ajudar!

– O que deu em você? – falei.

– Venha, segure meu braço, vou lhe levar de volta ao acampamento.

Fechei os olhos, e quando os abri, era Leighton. Ele parecia preocupado comigo. Eu estava preocupada com minhas alucinações. Ocorriam várias vezes, e, normalmente, eram com Carl.

– Como veio parar aqui? – ele olhou para mim. – Meu Deus! Está ferida!

Foi tudo que ouvi antes de apagar novamente.

Notas finais
Poxa, vocês pararam de comentar... Sinto falta dos meus Questioners :c Próximo capítulo teremos um POV da Adélia (yaaay), e espero que vocês fiquem curiosos, porque adoro quando isso acontece. Beijooos :*