Why Me?

32 Capítulo 32 - The Darkness is High


Notas iniciais
Oioi gente, só quero avisar que demorarei para postar o próximo. Boa leitura amores

Fiquei encarando aquela corrente. Passaram-se cenas por minha cabeça, me deixando estonteada. Eram cenas misturadas, eu não conseguia decifrar nenhuma delas. Ouvi passos se aproximando de mim, e quando olhei para trás, vi o tapa-olho e os cabelos bem penteados. Ele me olhava com uma expressão confusa.

– Onde... Onde ele está?

Respirei fundo e voltei à expressão séria.

– Ele fugiu.

O homem me encarou com desprezo e colocou as mãos na cabeça, tapando os olhos. Outra cena invadiu minha mente. Uma garota sentada na folhagem seca e um garoto na mesma posição do Governador, que em seguida, saiu correndo. A menina ficou chorando no chão. O misto de cenas estava voltando em minha cabeça. Tudo parou quando o Governador posicionou sua mão em meu ombro, me encarando com raiva.

– Eu acho que você não está fria o suficiente.

Só podia imaginar que ele faria outro teste comigo. Eu estava de saco cheio de ver pessoas morrendo e ter de provar que eu não tinha nada. Eu nem precisava fingir que estava encarando aquilo tranquilamente, pois eu realmente estava.

Novamente, as cenas me atormentaram.

Uma cena me deixou arrepiada até nos cabelos: uma garota e um garoto sentados numa floresta. A menina parecia preocupada, tentando achar algo no meio das folhas secas, e o garoto a ajudava. A cena se mudou para uma casa. Novamente, aquele mesmo casal, só que se beijando dessa vez. Ambos estavam tirando fotos.

O homem me tirou de meus pensamentos novamente, ele olhou para um guarda que havia acabado de entrar na sala e eu guardei a corrente em meu bolso.

– Já temos ela? – Ele perguntou.

Ela? Quem seria ela? Mais uma vítima estúpida de mortes estúpidas para testes estúpidos? Mas que vida estúpida.

O homem assentiu e o Governador me segurou pelo braço.

– Faríamos um teste com outro guarda, mas acho que você pode fazer o teste novamente.

O teste idiota. Claro, eu adoraria fazê-lo novamente. Os gritos de dor das pessoas já estavam me dando dor de cabeça. Cheguei à sala e vi uma pessoa sentada na cadeira. Amarrada, claro. Um saco de batatas na cabeça cobria seu rosto.

E quando eu já estava sentada à mesa, o Governador se aproximou da garota recém-acordada na cadeira e retirou o saco de sua cabeça. Ela estava com seu cabelo solto, caindo em seus ombros. Fiquei observando a cena, até que uma coisa me passou pela cabeça. Uma cena, de uma garota andando de capuz pela escuridão das ruas de Woodbury. O estranho era que eu era a garota. Havia alguém atrás de mim, uma garota de cabelos rosa, com um largo sorriso. A cena mudou para minha casa, aquele garoto, Carl, sentado no sofá, e mais a garota de cabelos rosa e mais duas meninas junto a ela.

O Governador cravou a faca na lateral da cabeça da menina, e eu gritei. Parti para cima do Governador, tentando fazê-lo parar. Mas era tarde, ela estava morta. Eu peguei a faca e a direcionei no pescoço dele, e quando fui cravá-la, outros guardas chegaram e me seguraram.

– Leve-a para a solitária! – O Governador gritou e eu me debati nos braços dos homens.

Só consegui ver o cabelo rosa coberto de sangue, e pela primeira vez, tive vontade de defender alguém. A garota me fazia ter memórias antigas recuperadas. Eu não fazia ideia da causa disso. Ela parecia espontânea e amigável. Ela devia ter sido minha amiga. Ela era minha amiga.

Eles estavam me levando para uma sala, a sala onde permanecia Carl. Eles me amarraram em uma cadeira atrás dele. Eu realmente não sabia por que havia gritado. Eu não fazia ideia. Sequer conhecia a garota. E agora, eu estava amarrada de costas para Carl.

Pude ouvir uma risada abafada dele enquanto eu analisava meus braços, observando as marcas vermelhas das mãos dos guardas.

– O que foi? – Perguntei irritada.

– A guarda perfeita fez algo errado?

– Não interessa.

Encarei minha frente. Eu só queria poder voltar no tempo e impedir o Governador de ter feito aquilo com a menina. Eu me senti tão culpada de ficar assistindo as mortes injustas dele... Droga, Mari. Queria poder me dar um tapa. Eu sou forte, não encaro mortes idiotas.

– Ei, tenho um plano para sair daqui. – Carl falou. – Quer ouvir?

– Fala logo.

– Você me desamarra que eu te desamarro.

– Como se fosse fácil. Esses nós são fortes.

– Eu os vi. Eles não parecem tão fortes. – Carl virou o rosto o máximo que pôde. – Tente desfazer os meus que eu desfaço os seus.

– Desfaça você. Por que tem que ser eu?

Ele bufou e senti suas mãos fazerem movimentos nas minhas. Senti todo o meu corpo se arrepiar. Mordi um lábio e senti as cordas se moverem.

– Ei, tira a mão da minha bunda! – Exclamei.

– Desculpa aí.

E logo, as cordas caíram no chão e eu estava solta. Me levantei da cadeira e retirei o restante das cordas que se enrolavam em meu corpo. Me dirigi até a porta quando Carl gritou:

– Ei, e eu?

Senti uma agulhada de culpa no peito. Eu também não queria deixa-lo à mercê da morte. Eu fiquei com... Dó? Me direcionei até ele e desfiz o nó. Me custou duas unhas quebradas e uma dor imensa nas mãos. Ele se levantou e retirou o resto das cordas. Ele sorriu para mim e fez um comentário idiota como os outros:

– Eu sabia que você não me deixaria.

– Cala a boca e anda.

Ele assentiu e eu abri a porta. Nós saímos em silêncio, até que vi a escada à minha frente. Dei uma olhada ao meu redor para ver se encontrava algum guarda. Seria uma porcaria se eu encontrasse algum, pois não teria como me defender.

Todo o local estava vazio. Eu acenei com a cabeça para Carl e apontei para a escada. Fomos andando devagar até lá e, quando vimos, já estávamos nas ruas de Woodbury. Suspirei como se tivesse tirado um peso imenso das costas.

– Agora volte para sua casa. – Falei apontando para a saída de Woodbury.

Mesmo agachada com as mãos encostadas nas pernas, eu podia jurar que Carl estava sorrindo. E ele ainda estava lá, o que me fazia querer bater nele novamente. Mas ao invés disso, ele me agarrou pela cintura de surpresa e me beijou. Eu tentei me soltar, só que ele me beijava cada vez mais. Quando chutei sua canela, ele me soltou e me encarou com um olhar desentendido.

– Quantos beijos você precisa para recuperar a memória?

– Eu estou construindo minha memória.

– Não. Não está. Está danificando ela.

– A vida é minha. Quem é você para se meter nela?

– Sou Carl Grimes, seu namorado. É tão duro entender?

– Você não é e nunca será meu namorado. E se foi, que se dane, eu esqueci de todo meu passado, não preciso dele para viver.

Carl fez uma expressão confusa, até que vi algo o agarrando por trás e ele gritou, até que tacaram um saco em minha cabeça e eu gritei também.

Notas finais
E aí? O que acharam? Bjooks amores :3