Why Me?

29 Capítulo 29 - I'm the best


Notas iniciais
Oie gente, mais um capítulo tenso para vocês :3

– Woodbury? – Perguntei.

– Sim, você é uma das principais guardas da cidade. Ah, e esse é Mark, seu namorado. – O homem apontou para o garoto do sorriso bobo.

Senti que havia algo errado. Ouvi a palavra “namorado” e não consegui imaginar esse Mark comigo. Não sei por quê.

– Acho que você terá de treinar um pouco. Seu ferimento está bem? – Ele apontou para minha cintura.

Eu olhei e vi que havia sangue saindo de lá. Queria saber como eu havia chegado lá, o que havia acontecido comigo. De acordo com o Governador, eu era Mari, uma garota de 13 anos que estava vivendo em um apocalipse. Apocalipse, mas que coisa estranha. Me levantei e senti uma pontada de dor na cintura. Gemi um pouco, mas o Governador me ajudou a sair da maca.

– Vamos para minha casa, precisamos conversar.

Eu assenti. Realmente precisava conversar com alguém que me conhecia. Pelo menos achei que ele me conhecesse. O segui até as ruas, eu estava usando uma camisa imensa, que com certeza, não me pertencia, e um short jeans. Meus pés estavam descalços e o asfalto quente queimava meus dedos. O garoto não estava mais conosco, e o Governador abriu a porta de uma casa. Adentrei-a e ele me fez um sinal para me sentar na cadeira. Sentei e posicionei as mãos na mesa. Ele se sentou de frente para mim e sorriu.

– Então, Mari, você sabe que todo guarda é frio, certo?

– Não tenho certeza.

– Treinaremos você para que seja uma sem coração.

– Mas isso não é ruim?

– Sabe, há muitas coisas ruins nesse mundo. Se tivermos medo de perder alguém conhecido, ou chorar pela morte de pessoas, não sobreviveremos nunca. Isso será para seu bem.

Ele devia estar certo. Imaginei que se eu chorasse quando visse alguém morto, alguma daquelas coisas que ele me mostrou antes, poderia me devorar. Ele retirou uma foto do bolso e estendeu a mão para mim. Peguei a foto e vi um garoto de olhos azuis, com um homem maior que ele, de olhos azuis também. Por que o Governador estava me mostrando aquela foto?

– Esses são nossos inimigos. – Ele se inclinou na mesa. – Fique com a foto, se um dia os ver, mate-os. Sem mais nem menos. Apenas mate-os.

Assenti. Imaginei que teria muito a aprender ainda.

[...]

Deitei na cama de minha suposta casa. Eu estava muito cansada. Tive, no mínimo, uns três treinos de tiro. E consegui me sair bem em todos, mesmo achando que nunca havia usado uma arma antes. O Governador me levara para fora de Woodbury e me mandou matar as coisas que ele chamava de “errantes”, apenas com uma faca. Foi duro, mas consegui, depois de quase morrer. Ele nem se manifestou, queria que eu fizesse tudo sozinha.

O meu namorado, Mark, ficava tentando ir atrás de mim toda hora, e eu rejeitava sua companhia. Sei lá... Só não gostava de ficar com ele. Ele me irritava.

Ouvi um barulho na porta de casa e desci as escadas. Ao abrir a porta, estava o Governador, com um sorriso. Eu não sabia o que mais ele queria para mim, então respirei fundo.

– Tenho apenas mais um teste para você hoje. Se saiu bem em tudo, mas esse, é o pior.

Assenti e ele me guiou até atrás dos prédios, até uma sala da qual eu desconhecia. Ao chegar lá, ele destrancou o portão e, assim que eu entrei, ele o trancou novamente. Fomos caminhando até uma sala meio que secreta. Eu avistei Mark e um adulto sentados em cadeiras. Mas eles não estavam sentados por vontade própria. Ambos tentavam gritar e estavam amarrados. O Governador olhou para mim e pegou uma faca.

– Você terá de aturar eu matando o homem.

Assim que ele falou, o homem se exaltou. Ele começou a tentar sair da cadeira, mas o Governador se aproximou dele com a faca. Ele passou a faca por seu pescoço e a fincou em seu ombro. Eu queria poder parar, para ajudar, mas algo me dizia que seria melhor ficar sentada. Assisti toda a cena até que o Governador finalmente fincou a faca no pescoço do homem, o fazendo parar de se mover completamente. Não achei assustador. Achei tranquilo. Talvez eu já estivesse fria o suficiente para me importar com os outros. E era o certo. Eu estava pronta para servir de guarda.

O Governador colocou a faca sangrenta em minha frente. Eu a analisei e ele fez um sinal para que eu a pegasse.

– Faça algo com Mark. Terá de fincar sua faca em seu ombro, mas se for muito acima, ele morrerá. E essa parte do teste significa que não pode mata-lo. Se o matar, terá fracassado.

Assenti e peguei a faca. Me aproximei de Mark e a passei por seu ombro, procurando o ponto de dor mais próximo do ombro. Eu havia aprendido isso com um dos guardas, e logo, levantei a faca e a finquei no ponto. O garoto só gritou sem voz e me encarou com medo. Eu sorri, sabendo que havia passado no teste. Retirei a faca e o Governador olhou para mim com um sorriso acolhedor.

– Foi a única que passou completamente no teste.

Sorri novamente e ele me guiou até o lado de fora da sala, e eu parti para minha casa, até que novamente, me puxaram. Era um guarda musculoso, com uma tatuagem na nuca. Ele segurava uma arma pesada e a entregou para mim. A segurei com confiança e imaginei o que havia acontecido com Mark em seguida.

– O Governador quer que você vá conosco em um lugar.

– Que tipo de lugar?

– Vamos ameaçar a prisão.

Balancei a cabeça e entrei em casa, para vestir meu casaco de couro preto e minhas botas por cima dos jeans escuros. A regata branca chegava na coxa, cobrindo meu ferimento, e meus cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo. O segui até os portões, onde entrei em um carro.

Ouvi vários murmúrios sobre mim, mas ignorei todos. Sabia que achavam que minha capacidade era pouca, mas estavam totalmente errados.

[...]

Chegamos ao local e todos saímos do carro. Paramos em frente a uma prisão, da qual era protegida por uma cerca imensa de ferro. Eu desci do carro, ainda segurando a arma e sem expressão no rosto. O Governador desceu de um carro em que estava ele e mais aquele cara, acho que era Milton seu nome. Ele levantou sua arma e disparou para o céu quando todos já estavam de frente para o local. Posicionei minha arma no outro braço e fiquei encarando. Um grupo de pessoas apareceu na cerca, alguns segurando armas. Tive um leve blackout na cabeça, que fez a mesma latejar. Franzi o nariz e voltei a encarar o grupo.

– O que vocês querem? – Um homem gritou do outro lado da cerca.

– Só avisar que vamos entrar em guerra se não devolverem Michonne. – O Governador disse e sorriu com malícia em seguida.

Ajeitei minha arma e notei que o homem de dentro da cerca me olhava mais do que outros. Eu não sabia o motivo, talvez eu havia feito mal a ele antes de perder a memória. Vi um garoto tentar correr, mas o homem que me encarava o segurou.

– O que você fez com a garota? – Ele gritou.

– Mari? Ela é minha guarda. Perdeu a memória e eu a fiz se lembrar de tudo que ela passou em Woodbury. – Ele colocou mais força na voz quando falou “Woodbury”. – Vá Mari, mostre para eles quem você é de verdade.

Assenti e fui para frente. Encarei todos eles e apontei minha arma. Minha faca pendia em minha cintura, pronta para ataque. Atirei em um ônibus derrubado logo na entrada e quebrei todas suas janelas. Os moradores da prisão se agacharam, protegendo os rostos. Eu parei de atirar e voltei para trás. Coloquei a arma acima da cabeça e o Governador sorriu para mim, formando palavras em seus lábios: “bom trabalho”.

– Não vamos lhe dar a Michonne. – O homem do outro lado da cerca falou.

– Eu sei que está assustado, mas vamos lhe dar um tempo para pensar. – O Governador riu, e todos riram, menos eu, que apenas tentei forçar um sorriso.

Voltamos para trás, indo em direção dos carros. Ouvi alguém gritar por meu nome e me virei por um instante. Senti um frio na espinha, como se conhecesse a voz, e assim que notei que eu tinha uma expressão preocupada, chacoalhei a cabeça e voltei para o carro.

Novamente, do carro, pude ouvir os murmúrios sobre minha pessoa. Eu já estava cansada de ser questionada por minha idade, todos estavam errados, eu era boa, eu era a melhor. Tinha 13 anos, isso não podia me impedir de fazer o que eu quisesse.

Eu sou Mari, e sou a melhor.

Notas finais
E então? 46 leitores gent... Caraca, estou morta :3