Why Me?

23 Capítulo 23 - Stronger


Notas iniciais
E então gente? Vamos dizer que uma galera vem se saindo bem no jogo, mas ainda não revelarei os nomes. Enfim, boa leitura :)

Acordei chorando novamente. Eu não queria chorar, por que meu corpo insistia em fazer aquilo comigo? Me virei de lado e vi que Mark ainda estava na cama. Eu queria poder pegar uma faca e mata-lo, mas ele havia escondido todas minhas possíveis armas. Eu não podia nem tentar sufoca-lo, ele era mais forte.

Me levantei da cama e saí do quarto. Fui caminhando até a cozinha. Aquele mar de lembranças que me invadiram daqueles dias em que eu encontrava o chapéu de Carl no balcão. Ou ele mesmo sentado no sofá. E então eu me sentava no sofá ao seu lado e o enchia de beijos. E ele acariciava minha cabeça como ninguém. Agora eu não podia mais ter tudo aquilo. Eu precisava superar. Tudo se fora.

Ouvi o barulho dos passos nas escadas e vi Mark descendo. Ele passou por mim e me beijou na bochecha. Não sabia ao exato se ele queria parecer um daqueles casais de filmes. Aquilo não rolaria. Ele pegou seu casaco no sofá e colocou sobre o ombro. Ele acenou para mim e saiu de casa. Provavelmente iria treinar. Assim que ele abriu a porta, avistei uma figura feminina. Fui até a porta e vi que era Letz. Ela estava com o cabelo preso em um rabo-de-cavalo e usava um vestido preto florido com um par de botas.

– Oi. – Ela sorriu de canto.

Dei espaço para ela entrar. Ela foi diretamente para o sofá, e fez um sinal para que eu me sentasse. Não sorri desde que saí da cama.

– E então? – Ela sorriu para mim. – Como vai?

– Péssima. Pedindo para morrer.

Eu falava sério, mas ela riu, achando que fosse um tipo de piada. Seus olhos negros se iluminaram quando ela olhou para mim. Sei que ela só estava lá para me ajudar, mas eu não precisava muito de ajuda. Na verdade, eu não queria ajuda.

– Mari, eu vi a expressão de Carl no palco. Ele estava arrasado.

– Eu só não queria que ele morresse. – Comecei a chorar e a agarrei.

Fiquei chorando em seu colo enquanto ela dava leves tapinhas em minhas costas. Eu precisava desabafar com alguém, e não achava que Letz fosse uma ameaça. Ela era boa pessoa.

– Eu tinha um namorado. – Letz falou, suspirando. – Um dia, ele me levou em uma festa. O amigo dele começou a mexer comigo, e eu tentei me afastar, mas ele acabou me beijando. Estragou meu namoro, e eu nunca mais falei com o garoto que eu amava. Erros são parte de nossa vida, Mari. Mas se realmente queremos certa coisa, devemos correr atrás, e não desistir.

– Eu não posso ir para a prisão. Mark me mata. Ele me bateu ontem e... – Voltei a chorar.

– Ele só volta de noite. Ainda é cedo. Vá para a floresta, eu invento algo se ele aparecer.

– Faria isso por mim?

– Claro Mari. Agora vá, o tempo voa!

Assenti e limpei meu rosto. Peguei apenas meu casaco e coloquei o capuz para que não me reconhecessem. Saí pela porta dos fundos e fui até a cerca. Arranhei um pedaço do casaco, mas foi uma perfuração grande, pois o rasgou e cortou parte de minha pele. Apenas tapei aquela parte e segui correndo para a floresta.

Ao chegar ao lugar, avistei a figura de chapéu, sentado, solitário. Fiquei com vontade de me aproximar, mas preferi apenas observar.

“Corra atrás”, “você não pode deixar o que ama escapar”, “se ama mesmo, vá atrás”. Todas aquelas vozes circulavam em sua cabeça, e eu apenas observava a imagem sentada, tristonha no chão. Notei que ele segurava algo em sua mão. Era pequeno, pois não conseguia passar da palma de sua mão. E senti que era hora de me aproximar.

Fui com passos leves até onde ele estava. Seus olhos não saíram de suas mãos. Me sentei um pouco longe dele, para que não pudesse olhar diretamente para seus olhos. Ele não olhou para mim nem por um momento, então fiquei me perguntando se eu estava invisível ou algo do tipo. Novamente, as lágrimas queriam escorrer de meus olhos, mas impedi que isso acontecesse.

When the days are cold
And the cards all fold
And the saints we see
Are all made of gold

When your dreams all fail
And the ones we hail
Are the worst of all
And the blood's run stale

I want to hide the truth
I want to shelter you
But with the beast inside
There's nowhere we can hide

No matter what we breed
We still are made of greed
This is my kingdom come
This is my kingdom come

When you feel my heat
Look into my eyes
It's where my demons hide
It's where my demons hide
Don't get too close
It's dark inside
It's where my demons hide
It's where my demons hide

Ele finalmente soltou o que segurava em suas mãos. Sem dizer nenhuma palavra, colocou o objeto à minha frente. Era meu colar. Estava com ele o tempo todo.

Não agradeci, aliás, não disse uma palavra desde que me sentei na folhagem seca. Carl não parecia querer conversa assim como eu. Eu apenas coloquei o colar em meu pescoço e mexi nas folhas. Logo, Carl despejou o conteúdo de sua mochila, deixando cair vários livros. Ele os empurrou para mim e eu finalmente o olhei.

– Para que tudo isso?

– Para você não pedir mais.

Ele se levantou, mas eu peguei seu pulso. Ele se virou para mim e ficou me encarando com uma sobrancelha arqueada. Eu ainda segurava seu braço e não queria soltar.

– Não pode sair sem resolver. – Falei por fim.

– Você o beijou!

– Não queria que você morresse, porque... Porque eu te amo Carl! Você sabe disso! – Comecei a choramingar. – Por que acha que eu queria te ver sofrer? Desculpa!

Ele não fez nada, apenas se levantou e saiu do local. Novamente me abandonou sozinha na floresta. Pensei que com todas aquelas palavras ele me perdoaria. Mas ele simplesmente me deixou.

[...]

Cheguei em casa, arrasada. Eu carreguei todos os livros à mão. Fui até meu quarto e os coloquei na cama. Analisei a capa de cada um, mas as cenas da floresta não saiam de minha cabeça. Eu só queria que tudo voltasse ao normal. Só queria Mark morto.

E foi só pensar no idiota que ele apareceu. Abriu a porta de meu quarto e se sentou na cama. Ele olhou para todos os livros espalhados, e ele não parecia tão idiota quanto antes. Ele estava com uma expressão de tristeza nos olhos. Como se estivesse arrependido de tudo que fizera.

– Arrependeu? – Perguntei com ódio.

– Claro que não. Mas quero que você me abrace.

– Não vou te abraçar.

– Não? – Ele levantou a mão.

Rapidamente parti para seus braços. Ele segurou minhas costas, acariciando-as. Eu queria poder sair daquela situação, mas não tinha forças para lutar.

Acabei adormecendo lá mesmo.

[...]

Acordei com um barulho. Me virei para trás levemente e notei que Mark estava do outro lado da cama. Devia se mover muito enquanto dormia para ter parado lá. Me levantei da cama e desci as escadas. Cheguei até a sala e olhei por todo o local, tentando descobrir de onde vinha o barulho. Logo, algo me agarrou pelas costas, não me deu nem tempo para gritar.

Notas finais
3° Pergunta: ~Qual a cena em Why Me? que você mais gosta? Justifique. ------- Até o próximo galera ^^