Why Me?
17 Capítulo 17 - Give you what you like
Notas iniciais
– Não quero voltar para Woodbury. – Falei para Carl.
Ele encarou o chão por um tempo. As folhas secas ainda estavam lá, como sempre. Toquei meu colar e o segurei forte. Em seguida, olhei para o céu claro. O dia estava sendo perfeito. Um dos melhores dias de minha vida.
– E eu não quero voltar para a Prisão.
– Não podemos ficar na floresta.
– Corrigindo: não podemos ficar. Morreremos se sumirmos desse jeito. Eu não posso te levar para a Prisão e você não pode me levar para Woodbury. – Ele soltou uma leve risada. – Na verdade, eu não morro se não voltar hoje para lá, meu pai é o líder, mas você morre nas mãos do Governador.
– Provável.
Ambos suspiramos fundo e eu me deitei no chão, ouvindo o barulho das folhas secas no chão. Direcionei meus olhos novamente ao céu. Era bonito como as nuvens se moviam rapidamente, algumas vezes, se espalhando pelo céu como se fosse fumaça. Eu não reparava mais nas belezas naturais desse mundo. Era uma pena, pois ainda havia coisas belas espalhadas por cada canto do país. De repente, uma ideia me veio à cabeça.
– Ei, tem aquela cidade que fiquei quando Andie me sequestrou! – Falei com empolgação. – Ela pode ser por perto.
– Ele havia te sequestrado além de te balear?
– Pois é.
– Voltando ao assunto, vamos procurar a cidade, acho que uma noite ninguém nota.
Assenti e assim nos levantamos do chão. Fomos andando reto, para procurar pelo caminho. Segurei a mão de Carl, que se soltou da minha. Em um momento, me senti chateada pelo ato, até que ele colocou a mão na cintura, me puxando para mais perto, e assim, fomos andando. O sorriso predominava em meu rosto durante todo o caminho.
Enfim, avistamos uma casa destruída. Nos aproximamos de lá, nos separando. Peguei minha inseparável faca e ergui-a para me manter atenta. Carl levantou sua arma. Um errante me pegou pelas costas, Carl atirou nele desesperadamente, acertando na cabeça. Olhei para ele com uma expressão de alívio e ajeitei a mecha de cabelo que caía sobre meu rosto. Naquele momento, eu andava com a faca erguida, atenta a tudo. Carl fazia o mesmo.
Carl tentou a porta de uma casa, que abriu com facilidade. Assim, entramos lá, novamente, atentos. O garoto fez um sinal para que eu entrasse no quarta da direita e ele seguiu reto por um corredor. Eu abri a porta silenciosamente e entrei no cômodo. Não havia nada lá, exceto por duas camas e uma janela cheia de pedaços de madeira pregados. A luz não entrava nem por um buraquinho. Carl logo voltou e observou o quarto.
– A casa está limpa.
Assenti e olhei para a porta de entrada.
– Talvez fosse bom colocar alguns móveis para impedir que a porta seja arrombada. – Falei.
Carl foi até a frente da casa e começou a empurrar um sofá, velho, com estampa de flores. Eu fui ao seu lado e o ajudei. Logo, o sofá estava impedindo qualquer entrada ou saída pela porta. Mais para o lado havia uma cozinha. Me direcionei até lá e abri a geladeira e os armários. Apenas achei uma lata de milho.
– O que tem aí? – Carl se sentou num pequeno balcão um pouco à frente da cozinha.
Observei ele despejar todo o conteúdo de sua mochila sobre o local, caindo algumas revistas de quadrinho, munição e caiu algo mais pesado.
– O que é isso? – Perguntei, deixando a lata de milho na pia e indo em direção do objeto.
– Uma máquina instantânea.
– Sério? Nunca vi uma dessas!
Ele sorriu enquanto passava a máquina pelas mãos, a analisando. Eu peguei a lata de milho e procurei por um garfo ou algo pontudo para perfurar. Achei algumas colheres de plástico numa gaveta e as peguei. Carl pegou a lata e começou a tentar abri-la com o dente.
– Pare! – Impedi. – Vai quebrar o dente.
– Meus dentes são fortes.
– Largue de ser teimoso. Venha, me ajude a achar algo que possa abrir.
E no mesmo momento, a Carl colocou a lata sobre a mesa. Ela estava aberta. O encarei com uma sobrancelha arqueada. Ele logo fez uma expressão de dor e colocou a mão na bochecha.
– Eu sabia! – Falei me aproximando dele.
– É brincadeira. – Ele se levantou da cadeira, rindo.
Eu dei um tapinha leve em seu ombro e abri, completamente, a lata. Peguei uma colherada e levei à minha boca. Eu estava faminta. De repente, escuto um barulho alto, e vejo que Carl tirou uma foto minha. Ele estava com um sorriso largo no rosto e pegou a foto. Ele olhou para a foto e sorriu novamente.
– Que droga. – Ri. – Deixe-me ver!
Quase pulei nele para pegar a foto, mas ele estendeu o braço, a segurando. Eu não era tão baixa, conseguia alcançar, mas ele estava nas pontas dos pés. E a foto logo caiu. Carl se agachou para pegar, mas eu pulei em suas costas. Ele soltou um leve grito e eu também, e assim, eu acabei caindo para trás.
Ele se virou para me levantar, mas eu rejeitei ajuda, ainda rindo. Me levantei sozinha, e quando me virei, ele tirou outra foto.
– Isso já perdeu a graça. – Falei.
– Pra mim não. – Ele se aproximou e me beijou levemente. E de novo, o barulho da máquina.
A foto saiu com a cena de nosso beijo. E a foto estava perfeita. Eu sorri e olhei para o pequeno pedaço de papel novamente.
– Eu quero essa para mim.
Carl me entregou a foto, e eu a guardei em meu bolso. E logo, notei que meu colar havia caído. Olhei por todo o chão enquanto Carl continuava com as mãos em minha cintura, olhando para meus olhos. Era constrangedor ser encarada por aqueles cristalinos olhos azuis. Me sentia insegura, como se os olhos fossem sugadores de alma.
– Que foi? – Ele perguntou notando que eu estava procurando por algo no chão.
– Meu colar. Deve ter caído.
– Sempre cai, certo?
Eu ri levemente e ele me soltou, eu olhei para o chão novamente e notei que não estava por lá.
– Vou ver no quarto. – Falei saindo do cômodo.
Andei pelo corredor e meus passos ecoavam pelo piso de madeira. Abri a primeira porta, onde ficava o quarto. O barulho da maçaneta enferrujada soou. Entrei lá novamente com passos leves, mas o local estava muito escuro.
Voltei correndo para a sala e Carl procurava pelos armários.
– Tem alguma lanterna? – Perguntei.
– Nenhuma.
Assenti e voltei para o quarto. Logo, tropecei em algo e caí no chão. Carl veio correndo e riu ao me ver caída.
– Caiu?
– Não. Só resolvi acariciar o chão.
– Assim eu fico com ciúmes. – Ele fez biquinho e me estendeu uma mão.
Eu me levantei com ajuda dele e notei que havia tropeçado em meu próprio colar. O peguei do chão e coloquei em meu pescoço. Ele não havia estragado de jeito nenhum.
– Onde você o achou? – Carl indicou o colar com o queixo.
Me lembrei da manhã, antes da escola, em que minha mãe havia me dado o colar que era herança de minha avó. Sorri com as lembranças. Será que minha mãe se sentia orgulhosa por mim? Por estar sobrevivendo?
– Eu ganhei de minha avó. Herança.
Ele fez um “ah” com a boca e notou a cama. Ele se aproximou e se deitou em uma delas.
– Por que você não disse que havia camas?
– Não pensei.
Ele se levantou da cama e foi correndo para a sala. Logo, voltou com a câmera. Se sentou na cama e me puxou para seu lado. E lá, tirou outra foto. E assim ficamos, tirando várias fotos que seriam recordações um dia.
Logo, o sono me bateu, e eu me levantei da cama. Carl me puxou novamente e me deu um beijo em minha testa.
– Hoje é o dia mais feliz de minha vida.
Sorri para ele e disse um “o meu também”. Fui andando com passos pequenos até a outra cama, assim, adormecendo.
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