Why Me?
10 Capítulo 10 - Losing
Notas iniciais
Eu não acreditei assim que vi. O cabelo ruivo que brilhava no sol antes, agora estava fosco e sujo com várias folhas enroscadas. Eu mordi os lábios para não chorar, mas acabei recuando. As lágrimas escorriam sem que eu as sentisse. Eu não me importei se Carl estava lá ou não. Apenas fui correndo em direção de Mia, que não era mais a Mia.
– Mari! Se afaste! – Carl gritou, mas eu segui correndo.
Ele foi mais rápido e me alcançou, me derrubando no chão.
– Eu preciso... Me solte! – Tentei chutá-lo.
– Ela não é mais sua amiga. Ela é uma errante!
– Pare com isso! Ela é minha melhor amiga!
– Entenda, ela se transformou! Temos que acabar com isso. – Ele me mostrou sua arma.
– Eu não a matarei. Isso foi tudo culpa minha. Tudo culpa minha...
Eu não sei quantas vezes repeti essa frase, mas sei que foram muitas.
– Apenas se vire. – Carl ordenou.
Eu me virei enquanto repetia as palavras freneticamente. Assim que ouvi o disparo, continuei a repetir, mas chorando mais ainda.
– Tudo minha... Tudo minha culpa... Culpa... Mia... Não... – Eu caí de joelhos no chão. – Eu fiz isso...
Carl me acolheu em seus braços. Ele devia estar preocupado comigo, e eu devia estar repetindo as palavras feito uma louca. E do nada, eu parei de falar e comecei a soluçar tanto que quase me engasguei.
– Calma, não é sua culpa.
Eu novamente não consegui falar.
– Venha, vou te levar para Woodbury.
E assim, ele colocou meu braço envolta de seu pescoço e eu fui andando com dificuldades até chegar à cerca.
– Pode me deixar aqui. – Falei me soltando dele.
– Posso entrar com você? Queria tanto saber como é...
– Claro. Venha...
Ele passou pela cerca junto a mim. E fomos andando por trás dos prédios até chegar na porta dos fundos de casa. Eu abri e entramos. Ele se encantou com tudo.
– Uau, eu não sabia que eles davam casas para os moradores. – Ele apreciava cada detalhe.
– Pois é.
Ele olhou para o sofá em tentação.
– Ahn, Carl... Sinta-se em casa. – Falei e ele em seguida suspirou de alívio se jogando no sofá.
– Meu Deus, como isso é bom!
– Eu só vou guardar minha faca. Falei subindo as escadas. Quando cheguei na metade, alguém bateu na porta. – Se esconda! – Sussurrei para Carl.
Eu não sei para onde ele foi, mas eu andei tão rápido que cheguei à porta em segundos. Era Andie.
– Você viu Mia? – Ele perguntou.
– Não. – Falhei em minha voz.
– Seja como for, vim aqui para tirar seu BV.
– Mas não vai. Eu não sou mais BV.
Eu fui até o centro do piso e fiquei o encarando de braços cruzados. Ele ficou me encarando.
– Mari, eu sei que você me ama.
– Está enganado.
– Eu... Ai! – Ele gemeu de dor, só então eu percebi que uma latinha havia sido arremessada em sua cabeça.
Eu olhei a minha volta com cuidado para não parecer óbvio que havia mais alguém em casa.
– Quem fez isso? – Ele perguntou indignado.
– Eu.
– Impossível. Você estava olhando pra mim o tempo todo.
– Mas já está na hora de você ir embora. Tchau.
O empurrei para a porta da frente, mas ele se manifestou.
– Eu sei que está escondendo algo. Eu vou descobrir! – Ele falou e foi embora.
– “Eu vou descobrir!” – Carl saiu da cozinha fazendo uma imitação mal feita de Andie.
Eu ri com a vozinha que ele fez.
– Esse é o tal Andie?
– Sim.
– Que besta.
– Nem me fale. Quer algo? – Perguntei abrindo a geladeira.
– Não precisa. Fico feliz em saber que você está melhor.
– É... Estou sim. – Sorri forçado. O problema era que eu não estava bem. Eu ainda me culpava com a morte de Mia.
Ainda era tarde e já estava começando a escurecer. Eu olhei para o sofá a minha frente onde Carl estava sentado. Eu o encarei e só então notei o quanto ele era bonito. Aqueles olhos azul esverdeados perfeitos com mechas de seu cabelo escuro caindo sobre os olhos... Ele parecia um anjo.
– Algum problema? – Ele notou que eu o olhava. Que vergonha.
– Ahn, nada. – Balancei minha cabeça como se estivesse saindo do transe.
– Eu acho que tenho mais alguns minutos antes de ir. Quer fazer algo?
– O que?
– Sei lá... Alguma ideia?
– Aposto que vamos ficar discutindo isso até dar o tempo.
– Eu também... — Ele riu abafadamente. – O que você acha de contar estrelas?
– São muitas.
– Mas é legal pra passar o tempo.
– Mas são muitas.
– Vamos.
– São... – E quando eu fui falar novamente, ele me beijou, me calando. Nos separamos e ele sorria pra mim. – Uma boa maneira de calar minha boca.
– Acho que devo ir agora. – Ele falou.
– Cuidado. Qualquer movimento errado e você morre!
– Tomarei cuidado. Tchau.
Eu vi ele sair pela porta dos fundos e sorri tocando minha boca. Ele havia me beijado novamente e eu estava muito feliz. Logo, alguém entrou pela porta dos fundos, e eu achei que fosse Carl esquecendo de algo.
– Carl? Esqueceu alguma... – Quando me virei, vi que era Andie.
– Eu sabia! Sabia de tudo! E o nome dele é Carl?
– Andie, por favor, entenda... Eu e ele...
– Ele é da prisão, certo? Então você está envolvida em algo proibido?
– Não... Por favor Andie, nosso segredinho!
– Não tem mais segredos! Agora você e ele vão ter que conversar com o Governador.
– Por favor... Não faça isso...
– Tarde de mais. – Ele falou saindo de minha casa.
Mas que droga... E se ele fosse mesmo contar para o Governador? Eu teria de sumir para não ser morta. Ninguém podia descobrir sobre minha amizade com Carl. Aliás, era amizade? Droga, eu não podia pensar nisso agora, tinha de impedir Andie.
Fui correndo e saí pela porta. Fui até a rua e vi Andie andando com passos duros. Eu puxei seu braço e o virei para mim.
– Você não pode contar nada. Sério, não faça isso...
– Sinto muito, mas... – E enfim, eu o puxei para mais perto e o beijei.
Fale com o autor