Why?
2 Ciúmes?
“– Agora eu entendo os motivos do silêncio dela. Até quando você vai negar as coisas para você mesma?”.
Aqui estou eu, Eunseo, debaixo da água morna e relaxante do chuveiro repassando a conversa que havia tido a poucos minutos com a Luda unnie. Eu não consigo entender o que ela queria dizer com tudo aquilo. Se era tão óbvio porque ninguém me falava? E porque eu estaria negando pra mim mesma?
— Obrigada Unnie, você realmente não me ajudou em nada. – Resmungo, tentando massagear o meu ombro dolorido devido às horas incansáveis de ensaio naquela tarde. Negar pra mim mesma? O quê? Que estava sentindo falta da mais velha? Isso era óbvio. Desde que a conheci era a primeira vez que passava tanto tempo distantes, nem mesmo quando estávamos de férias isso acontecia, já que trocamos mensagens todos os dias. Mas daquela vez era diferente, ela estava tão perto e tão longe. Nós estamos no início da divulgação da nosso primeiro álbum completo, e normalmente isso significaria passar ainda mais tempo juntas, nos fansigns lado a lado ou nos bastidores conversando.
Contudo, não era o que estava acontecendo, nada era como antes, não sentavam mais perto durante os fansigns. Pode ter sido por decisão da equipe? Talvez. Minji manager sempre brigava com a gente dizendo que fazíamos muita bagunça juntas. Pensar nisso me fez rir ao lembrar que até mesmo já fui mordida pela mais velha durante um fansign. Mas logo meu sorriso se desfez, me lembrando que não havia mais conversas na sala de espera ou nem mesmo quando retornamos do dormitório.
Ela sempre estava ocupada, chegava em cima da hora da apresentação já vestida, maquiada ou sempre estava olhando aquele maldito roteiro. Tudo bem que ela fica linda quando está focada no seu trabalho chegando até mesmo franzir uma vez ou outra a testa quando lia suas futuras falas, mas ainda assim era frustrante pra mim. E sabe o que é mais frustrante? Que tipo de amiga eu sou? Eu devia tá feliz por ela, não é? Então porque eu estou tão incomodada com aquilo?
Terminei meu banho meio a contragosto ao ouvir alguém batendo na porta avisando que a comida havia chegado, mas logo o alvoroço na sala pareceu um pouco maior que a tão esperada comida, mas ainda assim ignorei e passei a me vestir.
— O banheiro tá livre. – Avisei mas ninguém me deu atenção, todas estavam sentadas na mesa que sempre era colocada no meio sala na hora das refeições. Por mais que a comida estivesse servida lá, atenção das integrantes estavam focadas num rosto que havia ficado ausente por toda a tarde.
Aproveitei aquele momento para observar Bona que havia acabado de se sentar no colo da Xuanyi. Ela estava linda como sempre: seus cabelos negros sempre impecáveis estavam descansados sobre a jaqueta de couro que ela adorava vestir. Seu sorriso parecia animado com as perguntas que as meninas faziam sobre a participação do nosso grupo irmão, o MonstaX, na gravação daquele dia. Seu olhar por sua vez, pareciam cansados e nem tão atentos e perspicazes como normalmente eram, aquilo me fez suspirar um pouco mais forte, realmente queria estar cuidando mais dela.
Os meus olhos ainda acompanhavam seus movimentos, até notar a mão da chinesa sobre sua coxa, acariciando a pele exposta da atriz que usava um short jeans escuro. Observei aquele carinho por um momento, até que a chinesa a envolveu Bona em um abraço apertado, fazendo a mais velha sorrir sem se desviar da conversa. Aquele tipo de contato era algo normal no nosso grupo, eu mesma vivia fazendo isso com as meninas. Mas vê-la naquele abraço me incomodou profundamente. Minha mente só podia estar pregando uma peça em mim. Não havia motivo para ficar incomodada daquele jeito! Era só o comportamento de sempre entre elas, mas ainda assim o meu humor sumiu. Me doeu um pouco notar que a outra estava muito bem e não precisava dos meus cuidados.
— Posso saber o que a toalha fez de errado para você? – Dei um pequeno pulo ao ouvir Meiqi mais uma vez do meu lado, a interrogando com o olhar, a mesma apontou com a cabeça para a minha mão que cravava as unhas com tanta força no tecido, que estava cedendo levemente a pressão. “O que estava acontecendo comigo?” Soltei a toalha, colocando sobre meu ombro, sem coragem de olhar para Meiqi.
Pude ouvir a ruiva rindo baixinho, antes de começar a caminhar em direção com a mesa com duas garrafas de refrigerante na mão. – Bona unnie, a sua Yeon favorita ressurgiu dos confins do banheiro. – A fala da ruiva chamou atenção de todas para mim por um momento. “Meiqi, eu te odeio às vezes, sabia?”
Tudo que eu não queria muito naquele momento era ter atenção da Bona sobre mim. Mas sabia que aquilo havia atraído os olhos negros para a minha figura encostada no portal da porta do banheiro, vestindo uma camisa listrada de verde e branco e um short preto qualquer. Suspirei baixo quando finalmente me atrevi a olhar para a mais velha, vi seu sorriso aumentar. “Céus, como alguém pode ter um sorriso tão encantador?”
— Finalmente, Eunseo! Eu já não te falei milhares de vezes que eu não gosto quando você sai do meu campo de visão? – A mais velha sorriu ainda mais, fazendo com que seu eye smile se fizesse presente ao levantar do colo da chinesa passando a caminhar na minha direção.
— E-eu que devia dizer isso, Unnie! Você simplesmente sumiu depois da nossa apresentação e me abandonou!
Bona parecia se divertia com a minha reclamação, erguendo uma das sobrancelhas ao parar na minha frente. — Eu andei te abandonando, Eunseo? – Ela me olhava fixamente nos olhos, por um momento parece que eu vi algo malicioso escapar deles? – Você devia estar aqui me esperando na porta assim que eu chegasse. Cadê meu abraço? – Vi ela cruzando os braços na frente do peito. — Aigoo, você já foi uma dongsaeng melhor, viu? — Logo senti seus braços em volta do meu pescoço, me abraçando forte. Senti meu corpo receber de bom grado aquele contato, seu perfume logo invadiu os meus sentidos, me dando a tranquilidade que eu não estava tendo nos últimos dias.
— Babo... -Envolvi meus braços em volta da cintura fina da mais velha, retribuindo o abraço com um pouco mais possessiva do que o normal.
Meu ato fez uma risada baixa escapar dos lábios da atriz contra o meu ouvido fazendo todo meu corpo se arrepiar. – Acho que vou ter que te compensar pelo abandono, não é? – Ela se afastou um pouco, deixando suas covinhas expostas para mim sem tirar os olhos dos meus. Naquele momento eu havia esquecido completamente o que acontecia em minha volta, nem mesmo sabia mais o que era me mexer ou racionar.
Aquele era o efeito que Bona passou a ter sobre mim de uns tempos para cá, apenas seu olhar me deixava completamente perdida nele. Logo um sorriso travesso surgiu sem desviar seu olhar se aproximou perigosamente do meu rosto tocando o seu nariz tocar no meu, me fazendo prender a respiração até que ela lentamente se afastava. — Tem algo em mente do que eu possa fazer para te compensar?
“Devolver a minha sanidade, talvez?” Maldito foi o momento que eu resolvi me habituar a lhe dar o famoso beijo de esquimó, agora isso era frequentemente usado contra mim. “Bona, você devia ser presa por atentado a sanidade alheia.” Agora eu entendo porque os Ujungs normalmente ficam atordoados quando ficam diante dela. Ela tem um poder hipnotizador, e não tem medo de usá-lo, pelo contrário, ela adora abusar dele.
— Eunseo! Terra pra Eunseo! – Levo a minha cabeça para trás assim que me deparo com uma mão estalando os dedos na frente dos meus olhos. – Eunseo! Acorda, eu estou falando com você. – Bona rir antes de dar um leve tapa no meu ombro. – Além de fugir de mim, ainda vai deixar de me responder? Está acontecendo algo que eu não sei? – “Me responda você!! A culpa é sua por eu me encontrar assim!” Suspiro diante da feição confusa dela.
—Desculpa, Unnie. Eu só estava com a cabeça longe. – Aposto que estou com o sorriso mais sem graça do mundo no momento, mas é o que temos para hoje. – O que você disse?
— Aigoo. Você tá impossível hoje. Eu disse que amanhã é nosso dia de folga, podemos sair para algum lugar depois que eu voltar da gravação. É só você pensar onde quer ir, ok? – Assenti com a cabeça, gostei da ideia de ter um tempo com a unnie. – Ehr... Eunseo. – Olho para ela com mais atenção assim que ouço meu nome. — Eu disse que eu vou banhar. Você vai me soltar ou vou ter que te levar comigo? – A mais velha sorriu se aproximando mais uma vez com um sorriso malicioso e divertido, mas a ideia de ir para o banho com ela, fez com que eu soltasse a mais velha de uma vez. Céus, meu rosto estava pegando fogo.
A mais velha começou a rir, caminhando para o quarto para buscar suas coisas. Já eu, ia para a mesa quase vazia tentar controlar a cor do meu rosto procurando o jantar, tentando ignorar os olhares divertidos de Meiqi e Luda sobre mim.
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Era um pouco depois das dez da manhã quando finalmente resolvi levantar, tomar um banho e seguir para cozinha. O silêncio denunciava que aparentemente estava sozinha no dormitório. Chegava até mesmo ser algo sobrenatural o silêncio naquele lugar em plena manhã. Liguei a música no meu tablet apenas para poder preencher um pouco o silêncio, admito que já estava desacostumada com aquilo.
Terminava de fazer a massa da panqueca que a Luda havia me ensinado a pouco tempo, quando ouviu um barulho de algo caindo em um dos quartos do dormitório. Por um momento eu fiquei estática, me perguntando o que seria aquilo. O vento? Alguém invadindo? Uma membro desaparecida?
— Hm...? Eunseo, é você? Bom dia... — Escuto uma voz manhosa e embargada de sono.
Ao me virar, Bona está coçando os olhos sonolentos, vestida com uma blusa larga preta levemente caída sobre o ombro direito que pelo tamanho lhe cobria até o início das coxas, rapidamente reconheci a que aquela blusa como minha, mas admito que caiu tentadoramente linda nela. Meu olhar faz questão de gravar cada mínimo detalhe daquela mulher saindo do quarto.
– U-unnie? Bom dia. Você não ia estar filmando hoje? – Rapidamente me virei para o meu trabalho, assim que me caiu a ficha que aquela visão realmente estava começando a me tirar do sério. “A Bona sempre foi sexy assim?” Balanço a cabeça tentando recriminar os pensamentos picantes e ousados com a mais velha. “Devo tá enlouquecendo”.
— Minji Unnie, me ligou mais cedo dizendo que o horário da gravação tinha sido alterado, então resolvi dormir como nunca. – Sua risada foi abafada pela minha costa, assim que ela me abraçou por trás, não demorando a esconder o rosto no pescoço. Meu corpo todo passou a se arrepiar no mesmo ritmo da sua respiração, me fazendo morder o inferior com força quase que inconscientemente. Não bastava eu estar confusa em relação a ela, pelo visto Bona não tinha intenção nenhuma de me ajudar.
– O que você tá fazendo aqui? Eu achei que tinha ido saído com alguma das meninas, já que hoje é nosso dia de folga.
— Eu pensei em ir, mas dormir me pareceu mais tentador. – Dizia enquanto fazia as panquecas, sem que a mais velha me soltasse em momento algum, me deixando com um pouco de dificuldade para produzir frases longas. Tudo culpa dos braços dela me apertavam com frequência, se tornando impossível esquecer a sua presença ali e com a cabeça apoiada no meu ombro, mantendo a respiração particularmente próxima a minha pele. – E.. e...Você disse que sairíamos hoje.
Pude sentir o sorriso da Bona aumentar naquele momento, me apertando um pouco mais, antes de morder meu ombro bem de leve, me fazendo lhe encarar de soslaio, me encontrando com aquele sorriso travesso de sempre.
— Unnie, porque gosta tanto de me morder? Quer um pedaço meu por acaso? – Provoquei, sujando a ponta do nariz dela com a massa de panqueca, fazendo a mais velha rir e arrastar o nariz no pescoço, me fazendo arrepiar com ainda mais força. “Droga! Porque você sempre tem que revidar as minhas provocações?”
— Hm, verdade eu prometi. Pensou onde você quer ir? Podemos sair depois do café já que eu devo ir gravar só no fim da tarde. – “Impressão minha ou ela ignorou a minha pergunta?”
— Compras e almoço, talvez? – Senti a mais velha concordar com a cabeça antes de se afastar, passando a caminhar em direção ao quarto.
—Ah, Juyeon-ah. – Virei a cabeça em sua direção um pouco confusa. – Eu não quero um pedaço seu. Prefiro você toda. – Logo ela piscou caindo no riso ao caminhar para o quarto, deixando uma Eunseo com os olhos arregalados e muito, muito vermelha.
— AIISSHH! DEIXA DE BESTEIRA! VAI TOMAR SEU BANHO QUE LOGO O CAFÉ VAI TA PRONTO! – Gritei, enquanto tentava controlar a cor do meu rosto, ouvindo a mais velha gargalhar do quarto. – Aish...Babo. – Sinto que eu estou com o sorriso mais idiota do mundo.
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Em questão de uma hora depois do café já tínhamos chegado ao shopping que havia próximo ao nosso dormitório. Por mais que tivéssemos tempo livre para curtir, não podíamos ir muito longe, já que Bona ainda iria gravar naquele dia, qualquer momento alguns dos managers poderia ligar para buscá-la.
— Essa vermelha ou essa preta com detalhes?
Naquele momentos estávamos na nossa loja de roupas favorita. Olhei para Bona lá estava ela com duas jaquetas de couro, coloquei no meu braço a blusa social preta que iria levar e me aproximei dela. – Você adora mesmo uma jaqueta de couro não é? – Sorri, ao ver a menor ficar sem graça. “E sim, ela é linda até sem graça.” Olhei com mais atenção as peças, mesmo sabendo que não tinha dúvida. – A preta. Gosto quando você usa preto, combina com você. – Apontei para jaqueta em questão, e logo olhei em volta. – Talvez eu devesse comprar uma também, elas sempre te deixam tão bonita, talvez funcione comigo.
Ouvi a risada da mais velha, sentindo seus braços em volta do meu corpo, que prontamente lhe abraçou de volta. – Então você me acha bonita é? Bom saber. – Piscou para mim, me fazendo sorrir meio sem jeito. “Será que você nunca deixa escapar nada?”— Se você quiser eu te ajudo a escolher uma. Mas primeiro... – “Eu conheço esse olhar pidão, Bona.”— Seja uma boa dongsaeng e vai nos comprar algo para beber que eu estou morrendo de sede.
— Mas eu ainda não paguei essa blu- — Tive logo a blusa arrancada da minha mão, sob o argumento que ela pagava para mim, logo me empurrando para fora da loja. E a membro mais influente do Cosmic Girls ataca novamente. Sério, quando a Bona quer algo não mede esforços. – Aigoo. – Resmungo, sabendo que não conseguiria entrar naquela loja sem a bendita bebida da menor.
Não precisei nem andar muito para me deparar com uma cafeteria, depois de pegar uma pequena fila, finalmente consegui pedir dois americanos para viagem. Estava esperando meu pedido ser chamado quando senti um queixo ser apoiado no meu ombro. – Vai demorar muito? – Tomo um baita susto, mas sou impedida de me afastar pelo braço da Bona que já havia me envolvido. – Eunseo-Ssi. Você anda muito pensativa, daqui a pouco eu vou ficar com ciúmes.
Antes que pudesse responder qualquer coisa, nosso pedido chega no balcão, me fazendo desistir de reclamar e simplesmente pegar os pedidos fazendo certo drama para a mais velha. Ela riu quando me viu entregando lhe o pedido, pra minha surpresa ganhei um toque do seu nariz no meu como agradecimento, me deixando surpresa e besta alguns passos atrás dela que sorria por cima do seu ombro.
Passamos mais um bom tempo entre risadas, lojas e conversas aleatórias, até finalmente resolvemos ir comer alguma coisa. Decidimos ir a um restaurante de comida japonesa, que particularmente era o meu favorito. Estava olhando o cardápio quando ouvimos alguém chamar a mais velha.
Assim que levanto a vista encontro ninguém menos que Jeongyeon Sunbae, membro do Twice que já estava envolvendo Bona num enorme abraço de urso. Poucos sabem, mas as duas são amigas desde que estudavam, salvo engano. Logo as duas começam uma animada conversa, tendo Bona apontando para mim por um momento, o qual eu me curvo em cumprimento a outra cantora que retribui e volta sua atenção total a morena.
Eu sei que não devia me incomodar com isso, mas é inevitável acompanhar a cena um pouco afastada da minha mesa de forma pouco amistosa, ainda mais quando Jeongyeon passa a brincar com os fios negros da Bona, que só aumenta o sorriso para outra. A sunbae precisa mesmo ficar tocando ela a todo momento? E porque ela parece tão feliz em ver a Bona?
— Eunseo, se continuar olhando assim, vão acabar ligando para a polícia denunciando você por tentativa de assassinato.
Nem preciso dizer que eu dei um pulo da cadeira, certo? O que tá acontecendo nessa cidade que todo mundo se materializa ao meu lado? É algum tipo de competição para ver quem dá mais susto na Eunseo? E se eu estou irritada? Sim! O motivo? Eu não sei!
Lanço um olhar de poucos amigos em direção a Luda que foi quem tinha soltado aquela pequena piadinha, logo vejo Meiqi sentando do meu outro lado, com Dawon sentando na sua frente, e Chengxiao sentar na frente da Luda. – O que vocês estão fazendo aqui? – Talvez, só talvez, eu realmente esteja bem irritada.
— Isso é jeito de mostrar saudades, Eunseo? – Fala Chengxiao, que pega o cardápio da minha mão e começa a ler.
— Chengxiao-Ssi mandou uma mensagem para Bona Unnie perguntando se ela já tinha almoçado, ela respondeu que estavam aqui, resolvemos vim comer com vocês. – Explicou Dawon sorrindo tranquilamente não parecendo se preocupar com a minha cara de poucos amigos, por conta da risada mais alta de Jeongyeon com alguma brincadeira com a Bona.
— Certo, depois das explicações que você queria. – Luda parecia um pouco impaciente no momento, logo abaixou o tom de voz para que as duas mulheres longe da mesa não ouvissem. — Para de mudar de assunto, Eunseo. Será que você não se toca que tá morrendo de ciúmes da Bona unnie? Você tá quase atacando a Jeongyeon Sunbae na jugular gritando: A Bona é minha!
Reviro os olhos aos ouvir aquilo, ainda mais quando ouvi um “uhum” em coro do resto da mesa. “Vocês tão de brincadeira comigo, não é?”— Eu não estou com ciúmes, ok? Não existe motivo para tê-lo. – Afirmo um pouco mais ríspido que eu realmente queria falar. Mas logo eu fico inquieta. “Realmente não existe motivo...Certo?”
— Eu desisto! – Meiqi ergue as mãos em forma de rendição, causando riso da outra chinesa. – Por Deus, Juyeon! Como você pode dizer que não tem motivo? Quando ele tá escrito na sua cara?
— Eunseo-Ssi, se fosse qualquer uma de nós que estivesse ali. – Dawon aponta discretamente para conversa que acontecia um pouco distante. – Você acha que estaria de mal humor? Seja sincera com você mesma. – Dawon sorriu parecendo querer me incentivar para algo, mas logo balança a cabeça diante da minha falta de reação.
— É simples, Girrafa-Ssi. Já que você não parece notar por bem, eu desenho para você. – Luda pega a minha mão, colocando o indicador apontado para mim. – Você, tem um queda. Não. Um abismo, daqueles beeeem profundos por ela. – Logo ela conduz a minha mão e aponta para Bona. – Deu para entender, agora?
“Como?” Olhava da Luda para Bona, repetidas vezes. “Do que elas estão falando? Eu gostando a Bona unnie? Não. Não pode ser. Vocês tão de brincadeira, certo?”— De onde você tirou isso? Vocês sabem de quem estamos falando? É da Bona unnie! Ela semp- – Logo a comoção da mesa foi geral em reclamações baixas.
— Não é possível! Como você consegue ser tão cabeça dura! Tá na sua cara!
— Eunseo! Acorda que ela não vai estar à disposição para sempre. – ChengXiao tira os olhos do cardápio pela primeira vez, parecendo que queria me bater pelo meu argumento. “Quando todas ficaram tão violentas comigo?”
Por mais que falassem baixinho, para mim pareciam gritar na minha cabeça, e aquilo passou me irritar ainda mais. Quando dei por mim estava batendo forte na mesa. – Eu NÃO estou com ciúmes, OK? Até porque eu NÃO gosto da Bon-. – Eu paro assim que eu vejo a cara das meninas completamente chocadas olhando pra mim. E a ficha cai. Acabei de falar isso em voz alta, já que não só elas me olhavam, como também os poucos garçons que esperavam a entrada de algum cliente que não fosse a gente. Mas se eles ouviram significa que....
Engulo seco. Um frio percorre todo o meu corpo, e minha garganta fica completamente seca quando eu viro o olhar para a Bona, sentindo um olhar penetrante e indecifrável sobre mim. Aquela troca de olhares entre nós foi de apenas alguns segundos, mas para mim parecia séculos.
Eu tento abrir a boca algumas vezes, mas a voz não sai, o desespero me consome. Parece que ninguém estava respirando naquele restaurante, até o tablet da Bona passar a tocar. Mesmo parecendo relutante ela quebra o olhar, pega o aparelho colocando os fones de ouvido. Poucas palavras são trocadas, antes dela guardar o aparelho na bolsa. Dessa vez ela não olha para mim, apenas para Chengxiao.
— XiaoXiao, leva pro dormitório pra mim? – Ela aponta as sacolas de compras para chinesa, com um sorriso suave. – Minji Unnie, ligou. Preciso ir para gravação. Tchau, meninas. – Ela não olhava pra gente, apenas para a chinesa, antes de sair do restaurante puxando a sua Sunbae que parecia tão chocada quanto eu, pelas as minhas próprias palavras.
— O que diabos eu fiz...? — Levo as mão ao rosto em desespero, enquanto as meninas se entreolharam visivelmente preocupadas.
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