Why?

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa foi a minha primeira fanfic postadas, admito que eu tenho um pouco de vergonha agora que eu estou um pouco mais experiente, mas ainda assim resolvi colocar ela aqui como recordação.

E aqui estou eu encarando a imagem de um mulher loira, com as suas roupas largas com os emblemas da Adidas de cor preta, parecendo bem perdida em pensamentos enquanto refletida no espelho. Qualquer um que observasse aquela imagem diria que se tratava da Eunseo, integrante do Cosmic Girls: a mais alta do grupo, a vitamina do grupo, a sempre carinhosa com todos os membros. Mas o que eu vejo é apenas Juyeon: uma garota cansada, com dores depois de horas de ensaio e noites quase sem dormir, e acima de tudo, a garota mais confusa da galáxia!

Soltei um suspiro bastante audível devido ser a única que se encontrava sentada na sala de ensaio da Starship. Deixei meu corpo cair para trás, passei a encarar o teto como se fosse o maior espetáculo do mundo. Mordi o lábio inferior tentando conter a minha frustração, mas não preciso de muito tempo para perceber que isso não resultaria em nada, por isso preferi apenas fechar os olhos suplicando que o escuro pudesse clarear a minha mente.

Quando as coisas começaram a ficar assim? Desde quando eu estou tendo esses pensamentos tão estranhos? Quando comecei a me sentir tão sozinha e com tanta saudade de um sorriso, quando estava diariamente com 11 membros em um minúsculo dormitório ou na sala de prática? A presença de 11 membros deveria ser o suficiente para me sentir sempre bem acompanhada, certo? Afinal de contas, apenas uma das 13 integrantes estava fora quase o tempo todo, ocupada com as filmagens da sua primeira aparição em um dorama. Apenas aquela unnie, não estava presente, então me pergunto mais uma vez. “Por que eu estou sentindo tanta falta dela?”

E a pergunta que não quer calar é... Isso é normal? Pergunto em voz alta, mesmo sabendo que não havia nenhuma viva alma ali para me responder. O que me deixa mais confusa é fato que nenhuma das meninas sentirem tanto a ausência da Jiyeon, quanto eu. Todas sentem falta sim, mas nada parece perto do que eu estou sentindo. O que me faz perguntar “O que tá acontecendo comigo?”

Jiyeon, que o mundo conhece como a visual do Cosmic Girls, Bona. Ela havia me contado há algumas semanas antes que havia recebido a proposta de participar de um dorama, mesmo que fosse um papel pequeno, ela estava profundamente feliz com aquilo.

Flashback

—Eunseo-ah! Juyeon-ah! – Bona invadiu o quarto que eu dividia com Yeonjung e Dayoung se jogando em cima de mim, no sentido mais literal possível, enquanto eu estava dormindo confortavelmente na minha cama.

— Hmm... Me deixa dormir... Unnie...- Resmunguei afundando o meu rosto contra o travesseiro, enquanto sentia a mais velha serpentear para dentro das minhas cobertas, me envolvendo pela cintura, me sacudindo suavemente por diversas vezes tentando me fazer reagir. Quando notou que eu não iria fazer nada, a mais velha simplesmente mordeu o meu ombro me fazendo gemer em uma mistura de dor e arrepio, ouvindo a sua gostosa risada invadir o quarto.

— Aigooo — Mesmo tentando ignorar as reações do meu corpo cada vez que ela apertar mais seu corpo contra o meu. Por fim eu levantei a cabeça meio a contragosto lhe encarando com a sobrancelha erguida, mas logo me arrependi do ato. Encontrei aquele rosto lindo muito próximo ao meu, seus olhos negros estavam quase semicerrados em um lindo eyesmile, mais abertos o suficiente para sentir seu olhar presos ao meu. O seu sorriso parecia ter sido esculpido de tão bonito que era. Não tinha como negar Bona era uma das mulheres mais lindas que eu já conheci. Quando dei por mim, notei que precisava continuar um processo que parece ter alguma importância para a vida humana, respirar.

Ela por sua vez não parecia incomodada com a proximidade, apenas sorria ainda mais pra mim assim que a observei. Senti seu queixo apoiar no meu ombro quando eu finalmente escondi meu rosto contra o travesseiro, tentando entender porque o meu rosto parecia queimar ainda no escuro daquele quarto.

— Não se atreva a voltar a dormir ou vou te morder de novo! – Ela ameaçou, mas acabou fazendo aquilo antes mesmo que eu pudesse argumentar, mas dessa vez não tinha força era simplesmente implicância por parte dela, e insanidade pela minha parte, ao sentir todo meu corpo se arrepiar resultando em um longo e sofredor suspiro que possivelmente seria abafado pelo travesseiro. – Reaja, Girafa-ssi! – Resmungou com o seu típico aeygo manhoso e cheio de satori, que ficava difícil de se resistir, mesmo sabendo que não gostava daquele apelido. — Até a Babyjung já levantou! E eu tenho uma novidade para te contar.

—Ok, ok. Eu estou aqui, Unnie. — Voltei o meu olhar para ela, ainda numa mistura de sono, dúvida e confusão. Mas assim que ela me contou sobre a proposta, não pude deixar de sorrir e me jogar em cima dela, lhe abraçando forte.

Flashback

Lembro que até mesmo tive que brigar com ela quando a menor mostrou um pouco de dúvida se seria boa o suficiente para o papel. Sério, Unnie? Desde de quando você ficou em dúvida sobre suas próprias habilidade? Afinal de contas, entre as coreanas do grupo, ela sempre foi a que mais se destacou nas aulas de interpretação durante a época de trainee. Era evidente que ganharia facilmente atenção do público, não só por sua beleza, mas também por seu talento e seu profissionalismo. Conhecia a mais velha bem demais para saber que quando tinha um foco em algo, ela fazia com muita garra e da melhor maneira que era capaz. Isso era algo que sempre admirei em todos esses anos de convivência e era algo que eu amava nela. Foi inevitável sorrir ao pensar naquilo.

A minha distração estava tão grande, que nem ao menos notei quando a porta da sala de prática foi aberta e Meiqi entrou, parando ao meu lado. — Ah, finalmente te achei! – A ruiva disse sorrindo, mas seu sorriso não foi o suficiente para evitar que eu desse um pulo e me sentasse de uma vez.

—Aaaiiiiggooooo! – Resmunguei e a risada da chinesa encheu o ambiente, enquanto só me restava revirar os olhos ainda com a mão no peito. — Eunseo-ssi, aconteceu alguma coisa? Você parece tão distraída. – A ruiva se aproximou demonstrando um pouco de preocupação. Encarei a ruiva por um momento. “Adoraria que me respondesse exatamente isso, Meiqueen”. Me limitei em oferecer as mãos para ela, logo recebendo ajuda para me levantar num pequeno impulso.

— Tá tudo bem, Meiqi-ah. Apenas estava apenas descansando um pouco, eu finalmente consegui aprender toda a coreografia que eu queria. – Disse com um sorriso, não queria preocupar a chinesa, ainda mais com coisas que nem eu mesma entendia. – Mas me diga. Porque estava atrás de mim? Não me diga que a XuanYi unnie sumiu de novo depois que descobriu que esqueceu sua sacola de algas no carro. – Tentei deduzir, lembrando como a chinesa mais velha sempre ficava louca atrás do nosso manager quando aquilo aconteceu e não deixava as meninas quietas até que alguma fosse com ela comprar mais.

— Não. Dessa vez ela lembrou de pegar. — Meiqi riu com a minha teoria, mas logo apontou para saída. – Exy Unnie, mandou te chamar para a gente ir embora. Algumas das meninas já foram pro carro, só falta nós e Dawon que estava gravando pa-...

— Bona unnie, chegou? – Interrompi a chinesa, e pelo olhar de surpresa da outra, sabia que a minha voz pareceu um pouco mais ansiosa do que deveria. Eu já disse que eu odeio quando sou impulsiva? – Bem... É que... ela anda trabalhando tanto. Que e-eu.... Estou preocupada pelo fato dela não estar dormindo muito. É isso! Sim, é isso. – A ênfase da afirmação foi mais para mim, do que para a chinesa que parecia me avaliar com muito cuidado, como se estive preste a entrar na minha mente, e ler todas as minhas dúvidas. Fiquei incomodada com aquele olhar a ponto de dar as costas para a outra, indo pegar as minhas coisas jogadas em um canto qualquer da sala.

— Mesmo? – Revirei os olhos, odiava quando Meiqi pegava as coisas no ar, estava de costa, mas sabia que ela ainda me avaliava como uma bula de remédio em chinês. — A Bona unnie não voltou para cá. Ela deve voltar direto para o dormitório, acho que só durante a madrugada, infelizmente.

— Hm, ok. – Me limitei a responder fingindo desinteresse, mas quando coloquei a mochila sobre o ombro e virei para ela, me deparei com seu estranho sorriso no rosto, que não conseguia decifrar. Conhecia Meiqi a muito tempo, sermos da 97 line ajudava muito, mas a ruiva ainda conseguia ser bem misteriosa quando queria. E sinceramente? Depois do meu “ataque de ansiedade” questionar a chinesa seria como cutucar a fera adormecida e perspicaz, que parecia já bem atiçada mesmo sem eu dizer nada. Sem mencionar que aquele sorriso dela estava muito, muito suspeito.

Passamos a andar para fora do prédio e agradeci quando a chinesa começou uma conversa aleatória sobre o quanto Dawon estava animada por sua participação em uma OST. Aquilo me fez sorrir, era visível que a ruiva estava até mesmo mais empolgada que a própria Dawon. Sério? Quanto tempo será que vai demorar para que as duas se tocarem que estavam interessadas uma na outra? Ri sozinha, chamando atenção da outra que estava pronta para me questionar, mas fui salva pelo habitual barulho que vinha da van preta estacionada na frente da Starship.

— Yeounjung! Para de ser chata! Você dorme quando chegar no dormitório! Canta comigo, vai! – Dizia Dayoung sacudindo a maknae que parecia não saber nem mais quem era de tanto sono.

— Dayoung, deixa ela dormir. Amanhã vocês podem cantar o quanto quiserem em um karaokê, já que é nosso dia de folga. – Dawon tentou intervir enquanto subia na van, recebendo um olhar de gratidão da maknae que finalmente era solta, sob um resmungo da mãe do grupo.

Não pude deixar de rir com aquela cena, eu sei que eu devia me acostumar, afinal de contas, como seria silencioso um carro com tantas mulheres juntas? Mas ainda assim era engraçado como algumas coisas sempre se repetiam, por exemplo, alguns integrantes estarem dormindo, no caso de ChengXiao e XuanYi. Outras estavam conversando entre elas, como tipicamente acontecia quando Meiqi chegava perto de Dawon e as inseparáveis Seola e Soobin, que pareciam alheias a toda aquela bagunça, o que era um ato tipicamente feito pela nossa líder. Essa logo me chamou atenção, ao me empurrar levemente para dentro da van assim que Meiqi se acomodou, passando a contar as integrantes. Hábito que passou a ser necessário, depois que esquecemos nossa maknae em casa uma vez. – 10,11...? Cadê a Jiyeon?

— Filmando... – Murmurei sem notar que a maioria das integrantes olharam pra mim surpresas pelo ar de desânimo da minha resposta. Apenas me acomodei melhor na minha poltrona, logo recebendo o peso de XuanYi sobre a lateral do meu corpo, ao se acomodar para dormir. Sem notar os olhares trocados entre Seola e Exy sorrindo.

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Caos, era aquilo que se resumia o dormitório das Cosmic Girls, meia hora depois de chegarmos de algum lugar. Havia gente em todo lugar: na cozinha procurando o que comer, fila para o banheiro, em uma reunião mais séria do que da ONU na frente da TV para escolherem o que iriam ver aquela noite. Algumas nas suas camas, esperando a vez de banhar, outras secando o cabelo após o banho.

Sabe o que é irônico disso tudo? Normalmente, eu estaria no meio de alguma ou de todas aquelas situações. Por mais que eu não seja da maknae line, eu sempre fui do tipo que carinhosa e cuidadosa com todas as meninas, consequentemente, sempre acabo sendo uma das mais mimadas por elas. Então o meu normal é sempre estar com alguma das membros conversando sobre qualquer coisa aleatória, rindo, cozinhando tendo alguém me adulando para conseguir um pouco de comida, e isso sempre foi o suficiente para ser a vitamina feliz do dormitório. Então porque depois que Bona passou a ficar mais ausente, essas coisas passaram a não me distrair da maneira que sempre foi?

Eu estava tão concentrada na minha mente, que nem mesmo notei quando Luda e Yeoreum passaram a rir das sequências de caras e bocas que eu fazia na minha luta interna por respostas. Só dei por mim quando fui atingida por uma pokébola de pelúcia enorme. – Eunseo! Para de encarar o chão desse jeito ou vai acabar abrindo um buraco no meio da nossa sala! – Como era de se imaginar era a pequena pocket girl que passava a me provocar, como sempre.

— Luda unnie! Doeu, sabia? – Falei com a meu típico drama, antes de jogar a almofada em direção a mais velha que desviou, atingindo a cabeça de Yeoreum, que ergueu a sobrancelha com seu típico olhar matador, jogando duas almofadas uma em nós duas, antes de voltar para a negociação com Seola e Exy sobre o que iriam assistir. Aquilo fez tanto Luda quanto eu caímos no riso. A mais velha levanta de onde estava e ao passar, me puxa para a sacada, que por incrível que pudesse parecer era o lugar mais silencioso e privado que havia naquele dormitório.

— Tirando o fato que você esteja treinando para fazer mímica, o que tá acontecendo, Eunseo? – Luda olhou para mim, antes de se sentar numa cadeira ali, me deixando claro que não sairia dali sem uma boa resposta. Suspirei, passando a olhar para a rua vazia daquela noite particularmente quente. Apoiei meus braços no parapeito e encarei a menor por um momento.

— Porque todo mundo tá me perguntando se eu estou bem? Eu só estou...distraída. – Ergui a sobrancelha assim que a outra começou a rir.

— Distraída? Depois de ter queimado o arroz ontem, batido a testa na porta de vidro num prédio que você vive nos últimos anos. Suas mudanças de humor repentino, suspiros que já tão me deixando irritada. Sério que você considera isso só distração, Eunseo? – Cruzou os braços na altura do peito, me avaliando com mais atenção ainda, antes de ser sua vez de soltar um suspiro de frustração. – Agora eu entendo os motivos do silêncio dela. –Balançando a cabeça em negativo. — Até quando você vai negar as coisas para você mesma? – Luda me olhava achando graça da minha reação, principalmente com a última pergunta.

— Do que você tá falando, Unnie? Eu não estou negando nada. – A mais velha não conseguia esconder a frustração com o que eu dizia. Parecia que ela gritava com o olhar que eu estava sendo cega. Me desencostei do parapeito, um pouco inquieta encarando a mais velha que apenas levantou de onde estava.

Antes que eu pudesse perguntar ou pedir qualquer explicação, ouvimos nossa líder gritar que ia pedir comida, isso resultava em uma automática intimação para todas correrem para fazer seus pedidos, e foi o que a mais baixa fez, me deixando para trás com a maior cara de paisagem do mundo. Só me restava ir atrás do meu pedido também. – Será que ela vai demorar? – Pergunto sem esconder a minha saudade da mais velha ausente, logo solto um suspiro ao ouvir meu nome. Finalmente era a minha vez de ir pro banho. De fato era algo como aquilo que precisava para colocar as ideias em ordem ou tirá-las de vez.