Who's loving you

6 Capítulo IV - Jerry, the panda.


O clima no Spotlight Dinner estava pesado, era terrível trabalhar com alguem sendo que estava brigado com essa pessoa, era o caso de Tina e Santana.
A noite na casa de Deena tinha sido normal, mas ela precisou sair cedo para uma excursão da escola onde ela dá aula, então, Tina teve de se virar em um lugar onde ela não conhecia nada, ela acordou, tomou café, arrumou a louça, tomou banho e foi para NYFA, deixando o uniforme do Spotlight Dinner na bolsa, pois ela sempre ia da faculdade direto para o trabalho, não foi diferente daquela vez.
De vez em quando, Tina e Santana trocavam olhares, era difícil dizer o que eles expressavam, mas Santana continuava indiferente e quieta, Tina tentou fazer o mesmo, as duas evitaram o máximo conversarem entre si, mesmo que fosse algo sobre o trabalho. Na verdade, as duas não trocaram palavras o dia inteiro. Rachel e Kurt, pelo visto, já estavam sabendo, já que repararam os olhares e não foram perguntar nada à Tina, pelo menos por enquanto.
– Tina — Rachel se aproximava da mesa que Tina arrumava, ela lhe entregou uma bandeja vazia para ajudar.
– Obrigada Rachel — disse, pegando a bandeja de sua mão e colocando os pratos e copos em cima.
– Você está bem?
– Sim, Rachel. Não vou perguntar "por que", tenho certeza que já sabe. Alias — Tina a olhou, um tanto envergonhada — Isso pode ser chato, mas eu posso passar alguns dias na sua casa? É só até eu arrumar um lugar.
– Claro que pode, Tina! Se tinha lugar para Santana, tem para você, e pelo menos você pediu antes de chegar invadindo — ela arqueou as sobrancelhas e sorriu.
– Obrigada. Mesmo. — ela correspondeu o sorriso.
– Mas Tina, onde passou a noite?
– Na casa de Deena.
– What? — Rachel deixou cair os talheres que recolhia da mesa, fazendo o restaurante todo, inclusive Santana, prestarem atenção nelas. — Quer dizer... Na casa de Deena? Enlouqueceu? — perguntou, abaixando o tom.
– Eu ia para um hotel, mas Deena apareceu de carro e, bem, eu não tive opção, ela praticamente me obrigou a ir com ela.
– E então? Não foi constrangedor?
– Claro que foi. Ela inclusive começou a falar sobre Mike, disse que sabia que eu era a ex dele e que eu não precisava esconder aquilo, mas na verdade isso me tirou um peso dos ombros. — explicou, terminando de colocar as coisas na bandeja e se afastando, indo para o balcão.
– Mike sabe disso? — perguntou Rachel, indo atrás dela.
– Eu não sei, deve saber, ou não. Quer saber, Rachel? Se ele souber, o que é que tem? Eu não fiz nada de errado.
– Bem... Então acho que vai ter que dizer isso pra ele agora. — Rachel olhava para a entrada do restaurante, fazendo Tina olhar também.
Mike estava parado na porta, olhando para Tina, ele inclinou um pouco a cabeça em direção à porta, chamando Tina para lá.
– Boa sorte — desejou Rachel, cerrando os dentes e se afastando com a bandeja de Tina, que por sua vez, respirou fundo e foi atender Mike.
Tina ajeitou o avental e procurou não olhar Mike enquanto andava até ele.
– Oi — ela disse, quando se aproximou.
– Podemos conversar lá fora?
– Tem que ser rápido.
– Tudo bem.
Mike abriu a porta e saiu, Tina o seguiu, não tinha ideia do que ele iria falar, mas considerou que tinha a ver com o que Rachel estava falando.
– Você dormiu na casa de Deena? — ele perguntou, franzindo o cenho.
– Sim — confirmou, balançando a cabeça. — Eu e Santana...
– Eu sei o motivo. — interrompeu — Mas você não contou à Deena o motivo da sua discussão com Santana, contou?
– I'm not stupid, Mike — ela semi-cerrou os olhos.
– Tina, sobre o que vocês conversaram?
– Por que quer tanto saber? Acha que eu falei algo à ela que pode te prejudicar?
Mike não respondeu, apenas olhou para o lado e respirou fundo, Tina ficou séria, sem acreditar no que passava em sua cabeça.
– Você realmente acha?!
– Eu não sei, Tina, eu não estava lá, vocês podem ter falado sobre qualquer coisa, você pode ter falado sobre o que houve em Ohio e ela pode ter te desculpado, e não me falou nada porque está esperando que eu conte! Eu posso me prejudicar tanto quanto você.
– E aí você cria na sua cabeça que eu dedurei tudo pra sua namorada?
– Tina, se Deena descobrir o que aconteceu na festa do Mr. Schue, eu...
– "Eu", você só sabe dizer isso? Eu também posso me prejudicar por causa disso, Mike, vai contra os meus principios, mas você nem ao menos pensa nisso!
– Como isso ia te prejudicar? Você não quase traiu ninguém!
– Eu traí a mim mesma quando disse que não ia fazer aquilo e quase fiz, eu sou humana Mike e embora eu odeie isso, eu tenho sentimentos! Se te deixa mais tranquilo, eu não contei nada, tá legal? Nem se eu estivesse morrendo de raiva de você, eu contaria, porque eu não sou assim, você mais do que ninguem deveria saber!
– Por que eu? Estamos separados a mais de um ano e meio, você pode ter mudado.
– Acho que a unica pessoa que mudou aqui, foi você. Se transformou em um belo egoísta.
Não havia mais o que falar, pelo menos da parte de Tina, mas se Mike tivesse algo a dizer, seria ignorado, pois Tina empurrou a porta do restaurante e entrou, sem olhar para trás.
Mike achou melhor não insistir, afinal, Tina estava trabalhando e eles podiam conversar em outra hora, o problema é se Tina iria querer aquilo.
Seu rosto estava fechado, um semblante de raiva, indignação, tantas coisas juntas que Tina mal conseguia separá-las.
O expediente estava no fim, havia apenas mais uma mesa que estava sob cuidados de uma outra garçonete. Tina estava pronta para ir embora, pegaria suas coisas na casa de Deena e iria para a casa de Rachel e Kurt. Ela ia para o quarto dos funcionários, sendo impedida quando alguem segurou seu braço.
– Espere, Tina. — para sua surpresa, era Santana. — Não precisa ir para casa da Rachel, volte para o apartamento, temos um contrato.
– Não, não temos. — disse, abaixando as sobrancelhas.
– Tem razão, não temos. Mas eu não deveria ter te expulsado, o acordo era você pagar um terço do aluguel, não importava a situação, um terço daquele apartamento é seu.
– Você... Não vai nem pedir desculpas?
– Por que eu deveria? Eu só quis te ajudar. — ela ergueu suas mãos em confusão, as colocando na cintura em seguida.
Antes de questionar, Tina pensou um pouco. Embora o que Santana tenha feito lhe parecesse errado, esse era o jeito dela ajudar, dessa vez, quem sentia uma ponta de culpa era Tina, que riu para disfarçar sua vergonha.
– Me desculpe, eu não pensei dessa forma.
– Tudo bem, ninguem entende minha maneira de ser gentil — deu de ombros — amigas?
– Sure — ela sorriu, abrindo os braços como se fosse abraçar Santana.
– Oh, oh, oh — Santana colocou suas mãos na frente — Eu disse "amigas", não abraços, isso é com a Rachel.
– O que é comigo? — perguntou Rachel, se aproximando.
– Rachel, eu não vou mais para a sua casa, fiz as pazes com Santana.
– Oh, que ótimo, mas que pena ao mesmo tempo, ia adorar uma colega de quarto hétero para variar.
– Não a ouça, Tina, não é bom como parece.
Rachel fez uma careta infantil para Santana e saiu de perto das duas, que riram entre si e se dirigiram para o quarto dos funcionarios.
– E então — começou Santana, enquanto caminhava ao lado de Tina — você estava conversando com Mike?
– Sim... Eu dormi na casa de Deena essa noite e ele acha que eu possa ter dito algo que o prejudicou — só de lembrar da atitude de Mike, Tina ficava ainda mais indignada.
– Na casa de Deena? Mas você também pediu para que ele desconfiasse, não é?
– Não! Ela me encontrou no ponto de onibus e disse para eu entrar no carro, estava frio e tarde, e eu entrei. Santana, se eu fosse prejudicar o Mike, também me prejudicaria.
– É, faz sentido... Ela não ficou falando sobre Mike?
– Ela falou... Ela falou que sabia que eu era ex dele, e que não precisava esconder isso porque estava tudo bem.
– Uau, imagino sua surpresa. — disse rindo, enquanto abria seu armário, já no quarto dos funcionários, pegando sua bolsa.
– É — Tina fazia mesmo.
– Tina, embora eu não tenha tido culpa e você já tenha reconhecido isso, eu te pesso desculpas mesmo assim.
– Esqueça isso. — balançou a cabeça — Bem, tenho que ir à casa de Deena para pegar minhas coisas, você vai na frente?
– Sim, sim, Brittany não teve aula hoje e ficou o dia todo sozinha, vou direto para casa.
– Tudo bem, então até lá.
Santana acenou para Tina, que por sua vez, colocava as alças da bolsa no ombro e se dirigia para fora do quarto, e então, para fora do restaurante.
(...)
Após uma rápida viagem de onibus, Santana chegou em seu apartamento, subiu os lances de escada lentamente, estava exausta de trabalhar, e o ponto de ônibus não era tão perto de sua casa, mas em poucos minutos, ela já estava no 3º andar, e notou algo.
Por que tinha um homem com um buquê de rosas na porta de seu apartamento? Bem vestido, novo, e aparentemente nervoso? Logo a desconfiança de Santana se apoderou em seu corpo, ela se aproximou cada vez mais, até chegar ao rapaz. Ele era loiro, o rosto meio quadrado. Ela o olhou dos pés a cabeça sem disfarçar e cruzou os braços.
– Can I help you?
O rapaz estava pronto para falar algo quando a porta do apartamento de Santana se abriu, era Brittany, que ao ver o garoto, formou um sorriso em seus lábios.
– Oi Jerry! — ela disse, animada, olhando para Santana, que estava completamente confusa — Oi Santana.
– Brittany, são pra você — disse o rapaz, lhe entregando o buquê.
– Oh my God! Thanks! — ela disse, cheirando as rosas.
– What? No way! — gritou Santana, já gesticulando com seu dedo indicador. — Primeiro, quem é você? Segundo, quem te deu o direito de dar flores para Brittany?
– Santana, calma, esse é o Jerry, lembra? — disse Brittany, com o tom baixo.
– Jerry who?!
– Jerry! Eu falo sobre ele o tempo inteiro! Lembra? De como ele me acha linda naturalmente, de como músicas tristes o deixam deprimente...?
– Oh my God! — Santana colocou as mãos juntas no peito, olhando pasma para Brittany. — Jerry, THE PANDA?! — gritou. — Ele é real?!
– É, sou eu — respondeu o proprio Jerry, fazendo Santana olhar para ele, parecendo nervosa.
– O.k, Jerry, após a frustração de saber que você é humano, eu acho melhor você ir embora para eu conversar com Brittany. — ela o empurrou para trás com uma mão e entrou no apartamento.
– Obrigada pelas flores! — gritou Brittany.
– Disponh... — antes que ele terminasse a fala, Santana bateu a porta.
– Brittany, what the hell was this?
– O que? Um amigo me trouxe flores e você pirou.
– Claro que eu pirei! Quem ele pensa que é para dar flores à minha namorada?
– Eu acho que... Esqueci de mencionar de namoramos...
– Nossa, isso deve significar tanto pra você, não é? — ela franziu o cenho, como fazia quando estava brava. — A quanto tempo se conhecem?
– Desde que fiz minha matrícula lá, faz uns dois meses... Santana, não se zangue... Jerry é meu professor de Juillard, ele me acha muito talentosa e é uma pessoa que eu posso conversar sem falar de Ohio, ou McKinley, e ele realmente ouve minhas histórias sobre o mundo mágico de Brittcornio.
– O mundo mágico de quê?!
– Santana, não precisa ficar assim, somos só amigos, só isso, tá legal? Nada nunca aconteceu entre nós, nada mesmo! — Brittany começava a ficar nervosa, ela se virou e andou até o sofá, se jogando no mesmo e cruzando os braços, como se fosse uma criança birrenta.
Aquilo deixou Santana confusa, por que ela insistia em dizer que nada havia acontecido entre os dois?
– Nada mesmo, Brittany? — ela disse, deixando a garota pressionada.
– Bem... — murmurou Brittany, ela abaixou a cabeça e começou a brincar com os botões de sua blusa. — Faz uns dias que estavamos no parque e ele tentou... Me beijar, mas eu não deixei!
– Britt... — foi tudo o que Santana pode dizer — Como pôde?
– Eu não fiz nada, Santana! Será que não me ouviu?! — ela se levantou, muito nervosa, olhando a latina — Aliás, você nunca me ouve! Eu sempre falei de Jerry e você achou que ele era um panda, bem, ele poderia ser um leão, mas não um panda! — ela gritou na última frase, e saiu batendo o pé com força até seu quarto, até entrar e bater a porta.
Com o entrondo da porta se batendo, Santana deu um pulinho, assustada, e ficou ali, imóvel, tentando analisar o que tinha acabado de acontecer. Ela e Brittany brigando? Só podia ser o fim do mundo. Elas nunca brigavam, não daquela forma.
(...)
No dia seguinte, sábado, Santana e Tina estavam de folga do Spotlight Dinner, Tina aproveitou o dia livre para fazer algumas compras, Brittany precisou repor uma aula em Juillard, então Santana ficou só em casa. Desde a noite passada, ela e Brittany não conversavam, elas trocaram um "bom dia" seco e foi tudo o que tiveram para chamar de diálogo.
Santana estava no sofá, assistindo a qualquer programa, ela mal prestava atenção, só conseguia pensar no que Brittany dizia. "Você nunca me ouve". Será que era verdade? Brittany poderia levar uma girafa para casa, que Santana mal notaria, ela só queria saber de conversar sobre os assuntos que lhe agradavam e de estar acompanhada por Brittany, mas ouvir o que a garota tinha a dizer, não.
Era parecido com a situação do ensino médio, quando as duas cantaram "Landslide", pois Santana não conseguia expor seus sentimentos pela garota. Mas desta vez, Santana não conseguia expôr, e também não conseguia perceber quando Brittany expunha.
Seu pensamentos foram cortados por batidas na porta. Ela até pensou em não atender, mas poderia ser Jerry, e ela tinha muitos palavrões para dizer à ele. Isso a motivou a se levantar bem rápido e correr até a porta, a abrindo de imediato.
– Escuta aqui, seu filho da... Oh — ela logo parou, quando percebeu que na verdade, era Mike quem estava na porta.
– Eu fiz algo? Por que não me lembro. — ele disse, assustado.
– Não, achei que era outra pessoa.
– Ok... Eu vim falar com Tina. Fui meio rude com ela outro dia e queria pedir desculpas.
– Tinis não está em casa, foi comprar algumas coisas. E sim, ela me contou, você foi um idiota, eu poderia ter terminado minha frase e ter te chamado de filha da...
– Enfim! — disse Mike, a interrompendo antes que ela terminasse de falar — eu sei disso, e por isso eu vim aqui.
– Entre — disse, após soltar um longo suspiro.
– Obrigado.
Santana voltou para o sofá, enquanto Mike fechava a porta e ficava em pé ali mesmo, observando o local.
– Então, Mike — disse Santana, virando a cabeça para ele — Você pode se sentar para termos uma conversinha.
– Que conversinha? — perguntou, enquanto se dirigia até uma poltrona ali perto, mas parou de andar ao ouvir batidas na porta. — Pode deixar que eu abro.
Santana não discutiu. Mike andou de volta até a porta e a abriu.
– Sim? — disse ele, não reconhecendo a pessoa que estava ali.
– Brittany está? Eu sou Jerry, amigo dela.
Antes que Mike pudesse responder, ouviu uma rápida movimentação e um estrondo, não tão alto, e após alguns segundos, Santana apareceu na porta, com o cabelo desarrumado e com a respiração ofegante.
– Você caiu? — perguntou Mike, a olhando.
– Escute aqui, panda, deixe Brittany em paz, tá legal? Antes que eu precise mostrar a hospitalidade de Lima Heights para você! — Santana tentou avançar em Jerry, que assustado, foi para trás.
Mike a segurou pela cintura, ela tentou se soltar, balançando os braços e as pernas.
– Dude, acho melhor você ir — disse Mike, o olhando.
– Claro, eu... Volto depois.
– Não volte! Se voltar, vai levar chumbo! Seu filho da...
Novamente, antes que Santana completasse a frase, Mike tapou sua boca com sua mão e a levou para dentro do apartamento, fechando a porta.
Ele a soltou e ela foi cambaleando até se apoiar no sofá.
– Santana, se acalme, pelo amor de Deus! — ele pediu, respirando fundo, cansado de lutar com ela.
– Esse cara arruinou o meu namoro! — gritou, apontando para a porta.
– Olha, eu adoraria ouvir isso, mas eu estou atrasado para me encontrar com Deena — disse Mike, olhando o relógio — Você vai ficar bem?
– Tá brincando? Eu estou ótima! — disse, abrindo os braços, seu cabelo caiu sobre seu rosto, o pijama que ela usava não ajudou muito, ela estava parecendo uma completa maluca.
– Ok — disse Mike, a observando, segurando seu riso — Podemos ter a conversinha depois.
– Que conversinha?! — perguntou Santana, ainda com sua respiração ofegante e as sobrancelhas baixas, expressando indignação.
– Esquece. — balançou a cabeça — Tchau.
(...)
Na mesma tarde, no Spotlight Dinner...
Não era mais surpresa ver Deena no Spotlight, afinal, ela tinha se transformado na cliente mais fiel ao restaurante, mas naquele dia, só havia Rachel e Kurt do clube do coral para atendê-la, porém, quem a atendeu foi uma outra garçonete. Ela estava só de passagem, tomando seu café de sempre, quando viu um de seus amigos se aproximando, e abriu um sorriso animado.
– Jerry! Que bom te ver aqui! — disse ela, olhando para cima, já que ela estava sentada — Sente aí!
– Não esperava te encontrar aqui, você não costuma frequentar esse tipo de restaurante. — afirmou, enquanto se sentava.
– Fiz amigos aqui — sorriu — e então, o que veio fazer aqui?
– Na verdade, só comprar uma agua. Passei por um sufoco agora. — explicou, enquanto ria.
– Sufoco? Como assim?
– É complicado, lembra da menina de quem te falei um dia, Brittany?
– Sei sim, de Juillard.
– Então, eu estou realmente gostando dela, como já te falei. Eu decidi entregar flores pra ela.
– Ah Jerry, isso é tão romantico!
– Não foi como eu esperava. Uma louca me expulsou de lá, uma amiga de Brittany de quem ela havia me falado, acho que o nome dela é... Santana.
– Wait, Brittany e Santana? Mike já me falou algo do tipo...
– Sério? Brittany é loira de olhos azuis, Santana é uma latina sem classe.
– Oh my God! Eu sei quem são elas, são amigas de Mike! Aliás, Santana trabalha aqui, mas deve estar de folga.
– E está mesmo, porque eu fui no apartamento de Brittany novamente, para conversar com ela, e a tal Santana tentou me atacar! Sorte que o namorado dela impediu.
– Santana tem namorado? Eu achei que ela era lésbica.
– Não, bem, pelo menos eu acho que não. Quando cheguei lá, um cara abriu a porta, ele era asiático, meio alto, e Santana estava quase de roupas intimas, e aparentemente, estavam sozinhos.
– Asiático meio alto?
Deena ficou séria no mesmo instante, as sobrancelhas se abaixavam devagar e os olhos se apertavam, cada vez em que a ideia de Mike estar a traindo com Santana crescia em sua cabeça.
– Deena? — Jerry a olhava com os olhos semi-cerrados, ela virou um pouco a cabeça para o lado e sua boca formou um 'o', ela parecia ter visto algo sobrenatural.
– Asiático meio alto?!
– S-sim, por que? Você sabe quem é?
Deena balançou a cabeça, sussurrando "não pode ser" várias vezes, enquanto caçava algo em sua bolsa.
Ela tirou seu celular de dentro dela, completamente atrapalhada, quase o deixando cair, ela virou a tela para Jerry, mostrava o papel de parede, uma foto dela com Mike.
– É esse cara que você viu lá? — perguntou com o tom de voz firme.
– É ele mesmo... Deena, esse cara é o seu...?
– I can not believe! — disse entre os dentes, jogando o celular dentro da bolsa, e colocando as alças em seu ombro. — Eu tenho que ir — disse, se levantando — Não! — ela se sentou novamente. — eu não posso olhar nos olhos dele... Mas eu preciso, ele não vai fazer isso comigo — Ela se levantou novamente, jogando um dinheiro em cima da mesa e saindo, sem dizer mais nada.
Jerry ficou completamente confuso, surpreso e sem reação. Ele apenas pediu sua agua e em seguida, foi embora.
Deena tinha um encontro com Mike naquela tarde, ela pegou seu carro e dirigiu até o Central Park, ela tentou se controlar e ficar calma, poderia não ser o que ela estava pensando, mas tudo se encaixava muito bem.
Após alguns minutos dirigindo, ela deixou seu carro em um estacionamento e foi caminhando devagar até o parque, planejando o diálogo certo em sua cabeça, como ela começaria a conversa, ela seria civilizada e calma, mas ela sabia que quando olhasse para Mike, talvez não se conteria.
E lá estava ele, esperando, sentado em um dos bancos, assim que a viu caminhando até ele, se levantou e sorriu.
– Pode tirar esse sorriso do rosto, seu safado! — gritou Deena, colocando a mão na frente da boca em seguida, com os olhos arregalados — Damn it! — disse, apertando os olhos e abaixando a cabeça. Deena respirou fundo e voltou a olhar para Mike.
– Você está bem? — ele perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.
– Mike... Não! Eu não estou bem! Eu já descobri tudo. Você me traiu!
– Oh God, sabia que ela tinha dito algo... — disse, levanto sua mão a nuca — Deena, eu posso explicar, foi tudo muito rápido.
– Eu não quero saber os detalhes! — ela franziu o cenho, colocando suas mãos na frente de Mike, como um sinal de "pare" — Eu só quero saber porque você me traiu com ela!
– Deena, estavamos em Ohio e...
– O que?! Você está me traindo desde aquela festa? Você não tem vergonha?
– Mas só aconteceu em Ohio!
– Jerry, meu amigo Jerry acabou de dizer que te viu no apartamento com Santana, e que ela estava semi-nua!
– O que? Do que você está falando?
– Você está me traindo com Santana! — gritou. Nesse ponto, seus olhos já estavam cheios de lágrimas e sua voz começava a falhar.
– Deena, eu... Eu nunca te traí. Eu fui no apartamento de Santana falar com a Tina, mas ela não estava. Quando esse Jerry apareceu, eu atendi a porta e impedi que Santana batesse nele, e depois eu vim para cá, foi isso. Fique calma.
– E sobre Ohio? O que aconteceu em Ohio?
Mike não soube o que responder, ele estava cansado de mentir para Deena, mesmo que estivesse apenas omitindo, talvez o melhor fosse contar toda a verdade.
– Em Ohio eu... Eu pensei... Quer dizer, eu não pensei em te traír, isso nem me passou pela cabeça, mas eu... Quase fiz isso, mas eu não fiz.
– Com a Santana?
– Não, a Santana não tem nada a ver com isso.
– Então com a Tina?
Ele ficou sem palavras, o silencio era constrangedor. Aqueles grandes olhos o encaravam querendo uma resposta clara e digna, mas ele não sabia o que responder.
– Você me traiu com Tina, Mike? — perguntou, o pressionando.
– Não!
– Então que droga você fez em Ohio, Mike?!
– Estava tudo muito nostalgico, tá legal? Era despedida e eu comecei a lembrar de coisas do ensino médio e eu quase beijei a Tina, mas eu não fiz isso. Deena, por favor, você tem que entender que eu não fiz isso.
– Mas você quis...
– Mas foi uma besteira, eu percebi que aquilo ia fazer eu te perder e graças a Deus a sua ligação impediu que eu fizesse aquilo.
– E o que fez você quase beijar a Tina? Você ainda sente algo por ela, Mike?
– Não Deena, foi só... Coisa do momento, estavamos lembrando de tanta coisa, aconteceu. Quer dizer, não aconteceu. O que realmente importa é que eu não estou com ela, eu estou com você, e isso não vai mudar.
– Me... Me desculpe pelo surto...
– Tudo bem, foi com razão... Acho que isso aconteceu para que eu pudesse te contar logo isso e me sentir melhor. Você está bem? Podemos ter nosso encontro?
Deena apenas assentiu, passando as mãos pelos olhos para secar as lágrimas em seus silios. Mike se aproximou e lhe deu um beijo rápido, para selar a paz entre eles. Ele passou seu braço pela cintura dela e os dois começaram a caminhar pelo Central Park, rumo ao encontro.