Who's loving you
9 Capítulo VII - Cannabis
Era incrível o modo como Santana ligava seu relacionamento com Tina e Mike. Para ela, se duas pessoas têm amor, tem que ficar juntas acima de qualquer obstáculo. Ela se lembrava de quando queria ficar com Brittany mesmo que ela namorasse Artie. A situação era parecida, Deena era o "Artie" da relação, o problema, era que não havia nenhuma "Santana". Mas uma boa conversa poderia fazer Deena compreender aquilo, era o que os fatos diziam, ela era gentil e racional. Mike e Tina se gostavam e fim, e ela teria que aceitar. Na mente de Santana, o drama era descartado como lixo tóxico, tudo tinha que ser feito sem delongas.
Ela estava inconformada com tudo o que estava acontecendo nos últimos dias, e se dependesse dela, não ficaria daquela forma. E alí estava sua arma secreta. Saindo do quarto como um zumbi, sempre indiferente em relação a tudo. A boca aberta como de um leão a cada 10 segundos para bocejar e olhos cabisbaixos.
Quando um plano se formava na cabeça de Santana, era mais fácil perder o orgulho para falar com Brittany, afinal, era para ajudar dois amigos.
– Posso falar com você? — perguntou Santana, se sentando no braço do sofá, colocando seus pés em cima do mesmo, perto de onde a loira esticava suas pernas. Ela a olhou séria, sem dizer nada. — Não é sobre nós. É sobre Tina e Mike.
– Então sim — ela dobrou os joelhos e os abraçou, apoiando seu queixo neles.
– Bem... Recentemente, eles descobriram que ainda se gostam.
– Eles quem? — o semblante confuso fez Santana se esforçar para não rir, ela tentou ser compreensiva, como sempre fora.
– Mike e Tina. — os olhos abertos de Brittany expressaram sua surpresa, e ao ver que ela tinha entendido, Santana continuou. — Eles não ficam juntos por causa de Deena! — sua voz ficava enguiçada conforme ela falava, mostrando sua indignação.
– No way! — Brittany fez um perfeito 'o' com a boca, completamente pasma.
– Exatamente! Não acha um absurdo ela atrapalhar o conto de fadas deles? — Santana sabia que se envolvesse coisas fofas e infantis, Brittany teria ainda mais atenção. — Ela está sempre com aquela cara de gentil, mas sabe o que aqueles olhos enormes podem esconder?
– Uma bruxa malvada! — sussurrou, com as sobrancelhas arqueadas.
– Pior. — Santana observou Brittany se aproximar mais para ouví-la. Santana se inclinou para frente e ficou séria. — Uma madrasta maldava.
– Oh! — ela voltou a sua posição inicial, colocando as mãos na frente da boca. — Isso é bem pior que uma bruxa!
– Eu sei. E sabe quem você é nessa história? — ela curvou seus lábios para cima, formando um pequeno sorriso.
– O Homem-gengibre?
– A fada madrinha!
O sorriso radiante nos lábios finos da loira parecia concordar com o plano que Santana explicaria, seja lá qual fosse ele.
Santana explicou tudo para Brittany, sempre usando teorias de contos de fada, e ela se sentia mesmo em um desenho animado, onde precisava salvar Mulan e Shang da Madrasta Malvada. Mas ela não estava misturando as histórias? Não era problema, pois Santana estava conseguindo convencê-la. Brittany não protestou em nenhuma parte do plano, mas Santana teve trabalho para explicar à ela porque não poderia usar sua roupa de fada, ela disse que as crianças não a deixariam cumprir seu plano, até Brittany dizer que adorava as crianças, mas tudo o que Santana precisou dizer foi "Quanto mais brincar com as crianças, mais o Reino Asiático sofre".
– Entendeu bem mesmo? — perguntou Santana à ela, olhando bem em seus olhos.
– Sim, sim! — respondeu animada, mantendo seu sorriso.
– Ok, mas lembre-se, precisa tratá-la normalmente para que ela não desconfie e te asse em um forno, tá bem? — é, ela estava realmente misturando tudo, mas Brittany nem reparava, o entusiasmo já havia tomado conta de sua mente e corpo.
Santana a viu assentir com a cabeça, mas depois de tudo aquilo passar, ela se lembrou de que, na verdade, elas ainda não estavam bem, e que a possível solução para aquilo estava dobrada, dentro do bolso de seu uniforme de trabalho. Ela enfiou sua mão e pegou o papel, passando os polegares em cima para desamassar.
– Brittany, obrigada por ajudar... Mas agora eu quero resolver meu conto de fadas também. — Brittany voltou a ficar séria, olhando para Santana.
Santana lhe entregou o papel, e ela pegou com um certo receio. Antes que o desdobrasse e lesse o que estava escrito, viu Santana abaixar sua cabeça, parecendo nervosa. Ela abriu a folha, e semicerrou os olhos para ler.
– Uma torta de maçã? — ela franziu o cenho e olhou para Santana, que reerguia sua cabeça. — Não entendi... Quer que eu dê maçã envenenada para Deena? Eu achei que eu era a fada!
– Oh, desculpe, papel errado. — Santana tomou o papel da mão de Brittany e o amassou com uma mão, enquanto a outra procurava o papel certo em seu bolso.
Quando o encontrou, fez a mesma coisa de quando entregou o papel com um pedido do Spotlight Dinner escrito, e novamente, Brittany ficou com receio de pegar, mas logo, ele estava em suas mãos.
– É uma carta. Quando você ler, vai ser mais fácil para mim falar tudo o que está ai e tudo mais que você quiser ouvir. Mas... É melhor ler quando eu sair. Tá legal?
Ela apenas assentiu, olhando para o papel todo amassado.
– Eu vou trabalhar então. Leia quando quiser. — não que ela estivesse a pressionando, mas queria que Brittany lesse logo, não aguentava mais aquela situação. — Até mais.
Brittany acenou com a mão. O trabalho de Santana estava feito. Ela pegou suas coisas e saiu do apartamento.
Brittany olhava para aquele papel dobrado, ansiosa para abrí-lo de vez e ler tudo aquilo, mas algo lhe dizia para fazer outra coisa antes.
– Não... O Reino Asiático primeiro. — ela guardou a carta no bolso de seu pijama e se levantou rapidamente, tropeçando em seus proprios pés.
Tina havia ido para o trabalho mais cedo, então, Brittany estava só. Era uma ótima hora para começar a Operação Asian Fusion, como Santana nomeou no meio da explicação.
Ela tinha que se comunicar com Deena. Elas não se conheciam pessoalmente, mas eram amigas no facebook e tinham conversado algumas vezes, aquilo já era algo.
A comunicação era o de menos. Brittany acessou seu facebook e Deena estava online. A adrenalina que ela sentia era inexplicável. E então, começava a conversa.
"Brittany: Oi Deena!
Deena: Brittany, hey ☺
Brittany: Eu preciso falar com você. Agora que é amiga dos meus amigos e você os vê sempre, isso te torna parte de nosso grupo, e por isso, eu preciso colocar uma Cesta Mática na sua casa.
Deena: Uma cesta mágica?
Brittany: É! Sabe como é, para nossa amizade se prolongar e os únicornios nos protegerem. Eu coloquei uma em todas as casas de meus amigos, até mesmo na sala do Glee Club no McKinley.
Deena: Oh, Mike me disse isso... Ahn... Então tudo bem, eu te passo meu endereço e você pode vir a hora que quiser.
Brittany: Poderia ser ainda hoje? Não quero que você fique muito tempo sem a cobertura dos unicornios e corrompa aqueles que já estão protegidos.
Deena: Okay... Pode ser."
E após isso, Deena passou seu endereço para Brittany e elas combinaram o horário. Etapa 1 — completa! Brittany só precisava arranjar uma cesta, alguns objetos e muito glitter.
(...)
Embora tudo fosse um plano, Brittany estava muito feliz por fazer aquilo. A história da cesta mágica era verdade, todos realmente tinham uma em casa, e era bom colocar uma cesta nova em uma casa depois de tanto tempo.
Com a cesta pendurada na dobra do cotovelo, ela saltitava pela calçada daquela rua sem saída, era uma vila agradável em um lugar afastado do centro. Seus olhos passavam pelas portas procurando o número 74, a casa de Deena.
– 68... 70... Enfeite de natal, uau, essa família deve ter morrido. — ela dizia, conforme passava pelas casas. — Oh, é aqui. — ela parou de saltitar e abriu um sorriso ao observar a casa.
Ajeitou seu cabelo e sua roupa, juntou as mãos e começou a andar até a porta. Ela ergueu o dedo para tocar a campainha, esperando que uma linda melodia tocasse, mas quando ouviu o som estridente, alto e irritante, ela recolheu sua mão para seu corpo, assustada.
Pelo olho mágico, Deena viu que era Brittany, os os olhos bem abertos e curiosos, e a expressão séria. Não hesitou rir um pouco antes de abrir a porta. Ela girou a maçaneta e a puxou, recebendo Brittany com um sorriso gentil.
– Oi! Eu sou a Brittany! — ela estendeu sua mão para um cumprimento.
– Oi Britt, sou a Deena. — Deena segurou sua mão por alguns segundos e logo a trouxe devolta para seu corpo. Ela olhou para a cesta que Brittany carregava e sorriu. — Então essa é a tal cesta mágica? Muito bonita.
A cesta era média e de palha. Havia muito algodão de todas as cores, e por cima deles, muito glitter cor de rosa. A cesta estava cheia de unicórnios de pelúcia e um arco com um chifre de unicornio, assim como o que Brittany queria usar quando fez a campanha de Kurt no 3º ano, e várias outras coisas.
– Sim, é muito legal. — disse Brittany, sorrindo, enquanto olhava a cesta.
– Espere — logo Deena ficou séria, e franziu o cenho, ainda olhando a cesta — Aquilo são cupcakes?
– Uh! Sim, e eu tenho que explicar. — ela olhou para Deena. — você não pode comê-los e muito menos tirá-los daí, você pode dizer que ele vai estragar com o tempo, mas ele não vai estar estragado. O cupcake absorve todas as coisas ruins do ambiente e por isso fica feio. Ele vai salvar a sua vida.
– Oh — Deena não sabia o que responder. Mike já havia contado que Brittany poderia ser esquisita e muito inocente, mas ela não sabia que era tanto. — Okay... Por que não entra e escolhe um lugar para deixar ela?
– Tudo bem, é meu trabalho mesmo. — ela ergueu os ombros.
Deena tirou a mão que estava na maçaneta da porta e ficou de lado, dando espaço para que Brittany entrasse, e assim ela fez. Em seguida, ela fechou a porta, enquanto Brittany observava o lugar com olhos atentos.
– Brittany, eu disse que poderia vir a qualquer hora, mas daqui uma hora eu tenho um compromisso, então tenho que me arrumar. Mas por favor, fique a vontade! Arrume a cesta, ligue a tv, a casa é sua. — explicou Deena.
– Certo, pode ir se arrumar. — ela respondeu, sem tirar os olhos da decoração da casa.
Deena assentiu, dando meia-volta e caminhando para um outro comodo. Enquanto isso, Brittany procurou um lugar especial para a cesta. Ela avistou um canto embaixo de uma pequena mesa encostada na parede, ali seria perfeito. Ela caminhou até lá e se agachou, posicionou a cesta, arrumando os bichinhos dentro dela e enfim, Deena teria a proteção dos unicórnios.
Quando ela se levantou, ouviu um som, um barulho de água. Deena estaria tomando banho? Brittany tinha certeza! Era o momento perfeito para ela começar a parte principal do plano: Investigação.
Mas por onde começar? Ela procurou nas gavetas do hack, na sala, não havia nada. Ao andar mais um pouco, encontrou a cozinha, nas gavetas e armários, tudo parecia normal. Mas os segredos mais obscuros de uma pessoa só poderiam estar em um lugar: o quarto.
Brittany não conhecia o local, mas logo encontrou o cômodo. Ela checou o guardaroupa, gavetas, todos os cantos onde poderiam ter coisas escondidas, mas nada.
Mas havia outra porta ali. Brittany a observou por alguns instantes e então, tomou coragem para abrí-la. Era um banheiro. Deena devia estar tomando seu banho no banheiro principal da casa. Porem, àquele ponto, Brittany já estava desanimando com sua busca, não encontrava nada demais, apenas shampoo, condicionador, cremes, inumeros remédios... Remédios? Ao abrir a porta do espelho do banheiro, foi o que ela viu. Vários potes laranjas de tampas brancas com muitas pílulas dentro. Para que elas serviam, afinal? Ela não tinha ideia, então resolveu tirar uma foto, talvez Santana a ajudasse mais tarde. E era só. Brittany saiu do banheiro e deixou a porta fechada, como a encontrou, e estava prestes a deixar o quarto quando pensou em uma coisa.
Em filmes, quando uma mulher traía o marido, onde ela escondia o amante quando seu esposo chegava de repente? As vezes no armário, na varanda, e embaixo da cama!
Ela foi rápida, se ajoelhou no chão, apoiou as mãos e se abaixou, e então... "Bazinga! Ou seria eureca? Não, é bazinga" ela pensou, quando encontrou uma caixa. Ela esticou seu braço para pegá-la e a trouxe para perto de si, ela permaneceu no chão.
A caixa não tinha um cadeado ou coisa do tipo, o que deixou Brittany feliz. Ela abriu a caixa e encontrou algumas cartas e postais, mas debaixo de todos eles, a surpresa.
Por que Deena tinha um saco plástico com maconha dentro?
Brittany não tinha tempo para pensar, o som de uma porta se abrindo a alertou. Ela tentou ser rápida para tirar uma foto com seu celular e tampar a caixa. Quando a maçaneta da porta do quarto virou, ela empurrou a caixa para debaixo da cama, mas não teve tempo para se levantar.
– Brittany? O que está fazendo ai?! — Deena ficou completamente confusa, o cabelo enrolado em uma toalha e vestida em um roupão, ela aguardou pela resposta de Brittany.
O problema era se Brittany teria uma resposta.
– Eu... É... Eu estava procurando um outro banheiro e eu vim no seu quarto e eu... Perdi minhas lentes. — foi tudo o que ela pode pensar, e para ela pareceu muito idiota.
– Suas lentes? Mas seus olhos continuam da mesma cor que antes. — ela cruzou os braços, desconfiada.
– É porque... É uma lente apenas de grau. — uma lente de grau? Como Brittany sabia daquelas coisas? Nem ela mesma sabia.
– Oh, que pena... Quer que eu ajude a procurar?
– Não, não! Na verdade, eu tenho que ir agora... — ela se atrapalhou um pouco para se levantar, mas assim que se pôs de pé, limpou os joelhos com as mãos e ajeitou o cabelo. — Mas se você encontrar, pode me dar depois.
– Tudo bem então... Eu não vou te acompanhar até a porta, os vizinhos podem me ver e eles são bem fofoqueiros.
– Tudo bem, eu sei o caminho, eu acho. — ela sorriu, aliviada por ter se livrado.
– Tá legal então, até qualquer hora. — ela retribuiu o sorriso.
– Até.
Brittany continuou sorrindo, passou por Deena e saiu do quarto. Assim que pisou fora dele, o sorriso sumiu de seu rosto.
– Nossa, eu nunca me safei tão rápido. — ela pegou seu celular e procurou por Santana em seus contatos.
Quando saiu da casa, ela ligou, não foi preciso esperar muito.
– Oi Brittany. E então? — disse Santana ao atender, Brittany ouvia barulhos no fundo, isso porque Santana estava no restaurante.
– Santana, você não vai acreditar. Eu encontrei marijuana!
– O que?! — Santana gritou, fazendo Brittany afastar o telefone do ouvido. — Brittany, você tem certeza que era isso mesmo?
– Absoluta, eu reconheço de longe, o cheiro, Lord Tubbigton esconde isso por todo canto em meu quarto, eu sei do que estou falando! Eu vou te mandar a foto! — enquanto falava, ela andava ligeiramente pela calçada, no caminho contrário ao que veio saltitando da primeira vez.
– Brittany, isso é chocante e de grande ajuda. Muito bem! Estou orgulhosa de você! — agora Santana sorria, totalmente impressionada, e apenas ouviu o riso de Brittany do outro lado. — Britt... Você já leu a carta?
– Oh, ainda não. Mas estou aqui com ela, eu vou ler agora, tá legal? — Brittany pegou o papel em seu bolso e segurou.
– Tudo bem, então eu vou desligar. Tchau.
– Tchau. — respondeu, guardando o telefone no bolso.
Ela avistou um ponto de ônibus ali perto, e andou até ele para que pudesse se sentar e ler a carta com mais calma.
Enquanto se aproximava, ela abria o papel, era uma carta de uma folha, apenas a frente. Brittany se sentou e segurou a folha com as duas mãos e então, começou a ler.
"Eu demorei muito pra fazer esta carta, então ignore qualquer coisa repetida ou sem noção que você encontrar... É difícil, pra mim, dizer tudo isso, você sabe. Mas, Britt, eu nunca fiquei tão assustada na minha vida; quando você disse que talvez o “Jerry” tivesse razão, foi como se tivessem, sei lá, pegado meu coração e rasgado ele ao meio, sabe? Eu senti medo de perder você. Não acredito que quase cheguei a esse ponto pelo fato de não demonstrar meus sentimentos... Não sabia que isso era tão importante assim pra você. Se você me der outra chance, eu vou mudar. Vou passar a demonstrar o quanto eu te amo, como gosto de ficar com você, como gosto das coisinhas que você faz. Desculpe-me por não ter feito isso antes... Como eu disse, não sabia que importava tanto. Mas já vi que importa. E, por favor, não pense em me deixar, porque eu não sei como seria minha vida sem você, ok? Não consigo imaginar como seria acordar e não te ver do meu lado, abraçando aquela almofada que você fica falando que sou eu. Nem como seria chegar aqui e ver você comendo os cereais rosas. Então... Desculpe-me? Prometo mudar. Eu só quero você. Sempre. Com amor. Santana. "
Talvez fosse tudo o que ela precisava ouvir, ou melhor, ler. Brittany sabia o quanto Santana tinha problemas com isso, e se sentia tão orgulhosa dela ter conseguido finalmente demonstrar seus sentimentos, mesmo que fosse por aquela carta. Com certeza, a lagrima que rolava em seu rosto era cheia de emoção, e seu sorriso era de orgulho. Brittany dobrou a carta e a guardou, não podia explicar sua felicidade. Ela precisava ir para casa e se arrumar para ir à Juillard, mas o que realmente queria fazer era ir ao Spotlight Dinner e fazer as pazes de vez com Santana, mas ela faria aquilo em breve, e seria finalmente perfeito.
(...)
Seus pensamentos atrapalhavam seu rendimento. Santana não conseguia se concentrar em seu serviço, principalmente depois de Brittany ter dito no telefone que leria a carta. Será que ela já tinha lido? E o que tinha achado? Aquelas perguntas rodavam na cabeça de Santana, e a cada um minuto, ela se pegava distraída, com o olhar vago, o pensamento longe e olhando para os seios de alguém. Da última vez que isso aconteceu, ela recebeu um olhar ameaçador de Gunther e tentou focar em seu trabalho, ou algo melhor, tentou focar naquele plano diabólico. Ela já sabia uma coisa sobre Deena que ajudaria na Operação Asian Fusion, e aquela informação era tudo o que ela precisava.
Terminando de secar a louça, ela percebeu que o movimento estava mais fraco, era a hora perfeita. Santana largou o pano de prato em cima da pia, atrás do balcão, e deu a volta no mesmo, indo até Tina, que tirava os pratos de uma mesa mais afastada.
– Ei, Hiroshima. — chamou Santana, enquanto se aproximava. Tina nem moveu seu olhar, já sabia que era ela. — Tenho uma coisa para te contar.
– O que? — perguntou, sem parecer muito interessada.
– Parece que a namorada do seu ex asiático é chegada em fazer uma neblina. — ela apoiou sua mão na mesa, jogando todo seu peso sobre ela, enquanto olhava Tina de perfil. Ela virou sua cabeça devagar, não tinha entendido o que Santana quis dizer. — Dar uns tapas. Puxar um verde. — ainda assim, Tina parecia confusa, ela expressou isso quando arqueou suas sobrancelhas. Santana fechou os olhos e balançou a cabeça em negativa. — Maconha, Tina! Você por acaso nasceu em um bairro nobre?!
– De todas as loucuras que já disse na vida, essa é a unica que me fez rir. — disse em meio uma gargalhada meio exagerada, que chamou a atenção de alguns clientes. Santana olhou para eles com desprezo, e logo eles voltaram a fazer o que estavam fazendo.
– É sério. Eu tenho como provar! — Santana arrumou sua postura e pegou seu celular em seu bolso. Ela procurou pela foto que Brittany enviou para ela e mostrou para Tina. — Está vendo?
– Santana, como vou saber que isso é mesmo da Deena? Pode ser de qualquer um.
– O.k, eu vou te contar. Brittany queria muito colocar uma cesta mágica na casa de Deena, então ela foi para lá, e você sabe como Brittany é curiosa, então, enquanto Deena tomava banho, Brittany bisbilhotou um pouco e BAM! — ela praticamente gritou, chamando a atenção dos clientes novamente. — Ela achou a cannabis.
– Sério? — Tina ficou pasma, não podia imaginar a doce e inocente Deena em um canto, com os olhos passando de azuis para vermelho, na verdade, ela não podia mesmo imaginar, a fumaça tapava o rosto da garota. — Santana, deve haver um engano.
– Não há engano, tá legal? Temos que avisar o Mike. — disse, enquanto guardava o celular.
– Por que? — franziu o cenho.
– Ora, porque... Porque ele é nosso amigo super certinho e acha que a namorada é igual, mas não é! Tina. — Santana se aproximou mais, e passou a falar mais baixo. — Se não contarmos, ficaremos com peso na consciência.
– Então por que você ou Brittany não contam? Vocês que descobriram isso.
– Porque você gosta dele e devia protegê-lo, e pense, se você contar, ele vai se afastar de Deena e ficar com o caminho livre, e adivinha quem será a primeira opção dele? — Santana sorriu maliciosamente, olhando para a asiática.
– Ok, eu conto. Mas não por causa dessa coisa de caminho livre, mas porque eu quero protegê-lo, como disse.
– Hell ya. — Santana levantou as sobrancelhas, fingindo que acreditava na palavra de Tina. — Eu vou ligar pra ele e pedir para vir aqui, quanto antes avisarmos, melhor.
Tina não discordou, apenas observou Santana pegar o celular e ligar para Mike. Ela não acreditava 100% naquela história, mas poderia ser mentira, como poderia ser verdade. Uau, Deena, uma fumante, de maconha! Ainda parecia impossível.
Na ligação, Mike avisou à Santana que chegaria em meia-hora, logo no fim do expediente. Santana voltou ao seu serviço, mas agora, quem não conseguia se concentrar era Tina, e até a hora em que Mike chegou, ela permaneceu daquele jeito, distraída e muito confusa.
Quando ele chegou, as garotas o esperava dentro do restaurante, sentadas em uma mesa. Todos os funcionários já tinham ido embora, inclusive Gunther, então eles poderiam conversar sem interrupções. Ele abriu a porta e avistou Santana e Tina sentadas na mesma mesa que Tina limpava quando soube da informação de Santana. Ele andou até lá, desconfiado. Elas estavam sentadas uma de frente para a outra, e viram ele se aproximando.
– E então, o que houve? — ele perguntou, olhando para as duas.
Elas se entreolharam e Tina respirou fundo, abaixando seu olhar em seguida.
– Sente-se, Mike. — pediu Santana, olhando para a cadeira ao seu lado.
Ainda confuso, Mike obedeceu, sentando-se ao lado de Santana e colocando as duas mãos juntas em cima da mesa. Tina estava com a cabeça apoiada na mão, olhando para Mike como se tivesse pena, Santana tinha o mesmo olhar, mas ela disfarçava bem.
– Estão me assustando. — ele murmurou, olhando para Santana.
– Desculpe, vamos direto ao assunto, não é Tinis? — ela sorriu para a asiatica, que mantinha seu rosto fechado. — Bem, Michael. Você se lembra da cesta mágica?
– Claro que sim, a tenho no meu quarto até hoje, na casa de meus pais. Aquilo fez eles pensarem que eu era gay ou coisa do tipo.
– É, aquilo deixa tudo mais gay... Mas enfim, Brittany queria muito que Deena estivesse sob os cuidados dos unicornios milagrosos e protetores, então ela preparou uma linda cesta e levou à casa de sua namorada. — Santana fazia caras e bocas enquanto explicava tudo, como se estivesse dando uma aula. — Mas quando Deena deixou Brittany sozinha, o espirito de Princesa Unicornio dela a levou para um certo lugar para encontrar uma certa coisa.
– Que coisa? — perguntou Mike, cada vez mais assustado, para ele, aquilo era como uma história de terror.
– Descobrimos que sua namorada gosta de dar uns tapas.
Mike fez a mesma expressão que Tina fizera quando Santana a contou sobre Deena, aquilo estava irritando a latina.
– Não o culpe, ele nasceu em bairro nobre. — resmungou Tina, olhando para a latina.
– Vou ser mais específica... A sua namorada Deena fuma maconha.
– Claro que sim, e eu sou nativo americano. — Mike riu, não tanto quanto Tina, mas achou aquilo tão engraçado quanto as imitações de Sam na época do Glee, talvez só ele risse daquelas coisas.
– Olha, eu estou falando sério, Tina acredita em mim!
– ... É verdade? — ele ficou sério, e olhou para Tina. Tina acreditar em algo surreal fazia toda a diferença para Mike.
– Sim. — ela balançou a cabeça indicando que "sim".
– Mas... Isso é impossível, quer dizer... Gente, é a Deena! Minha namorada Deena! — ele estava completamente inconformado com aquilo, não queria acreditar no que tinha acabado de ouvir.
– Mike, Brittany pode ser completamente maluca às vezes, mas estou te dizendo, ela fez a cesta, ela levou à casa de Deena, ela achou a erva, me mandou uma foto e depois leu a minha carta e até agora não me deu uma resposta! — Santana estava misturando tudo, e então, voltou a pensar na carta.
– Meu Deus. — Mike colocou a mão no queixo, olhando para o nada. — Por que Deena faria algo assim?
– Eu sinto muito, Mike. — disse Tina, vendo o quanto ele parecia chateado.
– Eu... Eu agradeço por vocês terem me avisado, mas agora eu tenho que ir. Eu tenho que ver isso direito. Obrigada mesmo.
Mike estava transtornado, ele levantou da cadeira e andou até a porta, como uma pessoa sem rumo. Aquilo apertava o coração de Tina. Ela se encostou na cabeça e jogou a cabeça para trás, soltando um longo suspiro.
– Fizemos nossa parte, Tina. — disse Santana, cruzando os braços.
– Eu sei, mas ainda é triste. — ela respondeu, voltando a olhar para a latina. — Tudo bem, vamos para casa.
Santana assentiu, e ambas se levantaram das cadeiras e foram pegar suas coisas.
(...)
E lá estava ele, em frente à casa 72 da vila, perguntando-se se devia bater na porta ou não, no que ele diria, pensando na reação de Deena. Ele tinha que ser compreensivo, talvez ela tivesse problemas e por isso, aquela coisa a ajudava a se acalmar. É, ele faria dessa forma. Decidido, bateu na porta três vezes e respirou fundo, até ela atender.
– Amor — ela sorriu, parecendo feliz — Que surpresa te ver aqui a essa hora, não está perdendo Legend of the seeker?
– Eu preciso conversar com você, e isso é mais importante do que Legend of the seeker, mesmo que hoje Darken Rahl vá morrer. — ele falava com o tom baixo e estava sério, mas conseguiu fazer Deena rir com aquele comentário.
– Bem, então entre. — ela deu espaço para que Mike passasse e fechou a porta em seguida. Ao se virar, observou as mãos de Mike dentro do bolso da calça, e aquilo não era bom sinal. — Você está bem? Parece nervoso.
– Deena, tem algo que queira me contar? — ele perguntou, a olhando.
– Que eu saiba, não. — respondeu, após pensar um pouco.
– Tem certeza? Porque eu juro que vou entender completamente. — ele tirou as mãos dos bolsos e as mostrou, mostrando a seriedade de quando disse que iria entender tudo.
– Mike, você está estranho. O que houve? — ela começava a ficar preocupada, cruzou os braços, esperando pela resposta.
– Deena... Por que Brittany contou à Santana que encontrou cannabis aqui? — Mike preferia usar os termos científicos, aquilo o deixava menos frustrado por sua namorada usar maconha.
– Ah meu Deus. — ela disse, dando uma pausa entre as palavras. Ela enterrou seu rosto em suas mãos por alguns segundos, com vergonha e sem saber o que dizer. — por isso ela estava no chão. — sua voz saiu abafada.
– Deena, confie em mim, me diz... Por que você tem essa coisa aqui?
– Mike. — Deena ergueu sua cabeça, sem tirar as mãos do rosto, mas mostrando seu olhos. Logo, ela passou suas mãos para sua nuca e continuou o olhando. — Acho que é hora de te contar uma coisa, que eu devia ter contado há muito tempo.
(...)
Seu relógio de pulso marcava 7h quando ele saiu da casa de Deena, ainda surpreso. Ou mais que surpreso, chocado, inconformado, assustado. Ele poderia esperar qualquer explicação, menos a que recebeu. Ele não sabia como estava conseguindo dirigir pelas ruas vazias de um bairro em New York, se estivesse movimentada por carros, com certeza, ele já teria batido na traseira de algum. Ele nem ao menos sabia para onde estava indo, só estava ali dirigindo há 10 minutos, virando esquinas, entrando em ruas desconhecidas. O rádio estava desligado, o som da voz de Deena ainda ecoava em sua cabeça. Mas Mike precisava entrar na avenida, ficar atento, prestar atenção no transito. Ele teria a noite inteira acordado para pensar naquilo.
Ele virou a esquina, estava em uma das ruas mais conhecidas de New York, mas não estava tão movimentada, até havia espaço para estacionar no acostamento.
Enquanto isso, Brittany encerrava sua aula em Juillard, ansiosa para ir para casa e encontrar com Santana. Ela iria de onibus, apé ou voando, desde que chegasse rápido no apartamento para dizer tudo o que estava em seu coração. Ela saiu do prédio com um sorriso no rosto e determinada, mas ao sentir a pressão em seu braço, percebeu que alguém a impedia.
– Hey, Brittany. — era Jerry, com um sorriso no rosto, soltando o braço da loira. — Faz tempo que não nos encontramos, quer tomar um café?
– Desculpe Jerry, eu sou alérgica a café.
– Mas tomamos um outro dia. — ele franziu o cenho, não entendendo a desculpa de Brittany.
– Eu tenho mesmo que ir pra casa.
– Britt, por que anda me evitando? Eu fiz algo que você não gostou?
– Jerry, não acho melhor nos vermos mais nessa frequencia, eu acho que devemos ter uma relação de aluna e professor.
– Nunca tivemos essa relação, Brittany, sempre tivemos algo a mais e não podemos fugir disso!
– Eu não estou fugindo! Olha, eu estou com a Santana, eu quero ela de volta na minha vida e eu vou fazer isso, por isso eu não posso mais te ver. Eu sinto muito. — Brittany apertou os lábios, balançando a cabeça em positivo.
Ela pensou estar tudo resolvido, estava segura para se virar e ir para casa. Mas a cena se repetiu, sentiu ele segurar seu braço, mas com ainda mais força, e a puxou para perto dele.
– E então é assim? Eu te dou todo o meu amor e você vai me trocar por aquela latina barraqueira? — Brittany não conhecia aquele tom, ele parecia muito enfurecido e fora de controle.
– Jerry, você está me machucando! — ela tentava se soltar, mas ele era muito forte.
– Quer saber? Vamos tomar um café, na minha casa! — Ele começou a puxá-la para seu carro, que estava bem atrás deles.
Brittany pedia socorro, mas a escola estava praticamente vazia e na rua não tinha um pedestre, apenas carros e mais carros passando em alta velocidade. Ele conseguiria levar Brittany para o carro e depois, fazer sabe-se o que com ela, mas Jerry não esperava por aquilo.
Uma mão puxou seu ombro para trás, e assim que ele virou a cabeça, sentiu a dor imediata do soco que o atingiu em cheio. Ele não estava preparado para aquilo, caiu no chão com as mãos na frente do nariz, e enquanto tentava se recompor, olhou para cima, com a visão embaçada.
– Mike! Graças a Deus! — Brittany estava em estado de choque, abraçou Mike, já estava chorando, de desespero ou de alívio, não importava.
– Não toque nela de novo, ouviu? — gritou Mike para Jerry, lhe apontando o dedo indicador.
Jerry estava sem reação. A dor que sentia no momento era forte. Mike colocou seu braço em volta dos ombros de Brittany e começou a caminhar junto com ela. No caminho, ela olhava para trás toda hora para ver se Jerry os seguia, mas ele permanecia no chão. Ela ainda estava apavorada.
Mike abriu a porta do carro pra ela, ela entrou e secou as lágrimas de seu rosto com as mãos. Assim que Mike entrou, ele a olhou e tentava procurar palavras para consolá-la.
– Brittany, fica calma, agora está tudo bem. — ele disse, com a voz calma, colocando sua mão no ombro da garota.
– Eu fiquei desesperada. — sua voz ainda era chorosa, e algumas lágrimas ainda caiam de seus olhos.
– Eu sei, mas agora você está aqui e deu tudo certo. Eu vou te levar pra casa, até porque preciso ter uma conversa com você e as garotas. Mas fique calma, tá legal?
Ela apenas assentiu, respirando fundo até parar de chorar. Mike ligou o carro e seguiu para o apartamento das garotas.
(...)
Tina e Santana assistiam TV em seu apartamento. Elas não sairiam para jantar naquela noite, pediram comida pelo telefone e esperavam chegar. Quando alguém bateu a porta, Santana pulou do sofá com um sorriso no rosto.
– Estou prestes a desmaiar de fome. — ela disse, andando até a porta. Ela abriu a mesma, vendo Mike e Brittany. — Oh, é só Mike e Brittany... Com o braço roxo e olhos vermelhos. — ela franziu o cenho, olhando para a garota. — O que aconteceu?
Brittany não respondeu, apenas começou a chorar de novo e abraçou a latina, que não entendia nada. Ela olhou para Mike, confuso, mas retribuindo o abraço da menina, que chorava em seu ombro.
– Eu encontrei Brittany e Jerry, ele estava tentando levar ela para o carro dele a força, mas eu cheguei a tempo e o impedi. — explicou Mike, entrando no apartamento e fechando a porta.
– Ah meu Deus! — disse Tina, se levantando. — Que bom que não aconteceu nada de grave!
– Tudo bem, Britt, não chore, já passou, agora você está aqui. — Santana tentava acalmá-la, passando sua mão pelos cabelos amarelados de Brittany.
– Na verdade, Tina, aconteceu algo grave e eu preciso conversar com vocês, é muito sério.
Santana soltou Brittany e secou as lágrimas de seu rosto. Brittany soluçava, ainda muito nervosa.
– Vamos conversar mais tarde, tudo bem? Vamos ouvir o que o Mike quer dizer.
– Ok. — respondeu Brittany, entre os soluços.
Todas as garotas se viraram para ele, esperando que ele começasse a falar, mas ele ainda estava muito pasmo e era difícil dizer algo.
– Eu conversei com Deena sobre o que Brittany achou na casa dela, e ela me deu uma ótima explicação.
– Ah, Mike, por favor, não acreditou na história do "eu estava muito estressada", não é? — Santana olhou para ele como se o desprezasse.
– Eu daria tudo para que fosse isso, Santana. — Mike estava mais sério que o normal, as garotas estavam confusas e curiosas para saber a explicação de Deena. Mike respirou fundo, e o que ele disse fez com que aquele apartamento ficasse em silêncio por um bom tempo, podendo-se ouvir apenas o som da respiração daquelas quatro pessoas. — Guys, a Deena tem cancer.

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