Who's loving you

10 Capítulo VIII - Where's she? Parte I


Eles poderiam virar a noite daquela forma sem nenhum problema, porque três palavras que Mike dissera bastaram para deixar as garotas em estado de choque. Deena com cancer? Mas por que? Essa era a grande pergunta. Por que uma pessoa tão adorável e compreensiva como aquela menina tinha um cancer? Quais pecados ela cometeu para merecer isso? Era... Inconformável. Essa era a palavra que definia as expressões de Tina, Santana e Brittany.
– Cancer? Tá brincando? — a voz rouca da latina quebrou o silencio, ecoou por toda a casa.
– Leucemia. — especificou Mike, fazendo com que as meninas ficassem ainda mais inconformadas. — Ela descobriu há pouco tempo, mas está muito avançado... E há riscos.
– Ah, meu Deus. — Tina colocou as mãos no rosto e se sentou no sofá, ela não podia acreditar, eram muitas surpresas para um unico dia. — Você foi falar daquilo e ela te contou isso? — perguntou ela, olhando para Mike.
– Sim, porque o motivo dela ter aquilo que Brittany encontrou, é o cancer. — Mike olhou sério para Brittany, que colocou a mão na nuca e abaixou o olhar.
– Mas... Eu não entendo. Como assim? — Santana estava completamente confusa, ela precisava de respostas para vinte mil perguntas.
– Bem, Deena recusou o transplante de medula, então começou a quimioterapia. Mas os remédios causavam muito enjoo, falta de apetite e outras coisas. — "os remédios", pensou Brittany, apertando os olhos, ela devia ter considerado aqueles remédios como suspeita de alguma coisa. — Deena tem um primo médico, e ele disse que a cannabis ajudava com esse sintomas. Ela disse que não gosta de usar isso, mas não queria ficar magra, ou feia, ou horripilante... — Mike negou com a cabeça, como se aquilo fosse algo impossível de acontecer. — Ela estava fazendo a coisa mais inocente do mundo, mas vocês se precipitaram.
– Mike, tudo bem que estavámos erradas, mas se você encontrasse erva na casa dela, teria a mesma suspeita! — defendeu Santana em nome de todas, que assentiram com a cabeça.
– Talvez sim, ou não, eu poderia ter perguntado para ela antes. Ela poderia estar escondendo para algum amigo, Deena faz essas coisas, ela faz tudo para agradar as pessoas que ama.
– Mike... Nós sentimos muito. Somos garotas muito más. — murmurou Brittany, mantendo seu olhar baixo. Santana acariciou seu rosto para confortá-la.
– Vocês não tinham como saber. — disse Mike, mesmo que ainda achasse que elas tinham feito algo muito ruim. — Bem, eu já disse o que tinha para dizer, Brittany está a salvo. Eu vou para casa.
– Mike, espere. — Tina se levantou, se aproximando dele novamente. — Eu quero falar com você.
Eles ficaram se entreolhando, sem fazer qualquer movimento. Brittany e Santana se olharam e ergueram os ombros.
– Brittany, vamos no nosso quarto, ai você me conta essa história do Jerry, que tal? — sugeriu Santana.
– Ok. — respondeu Brittany, segurando a mão da latina.
As duas passaram por entre Mike e Tina, caminhando até o corredor dos quartos e entrando no delas. Eles puderam ouvir a porta sendo fechada e trancada. E enfim, estavam sozinhos. Tina nem mesmo sabia o que iria dizer, só sabia que se não falasse algo, carregaria uma culpa horrível.
– O que você quer falar? — perguntou Mike. Sua voz era baixa e séria, ele estava indiferente, não dava para saber o que se passava na cabeça dele.
– Eu... Eu não sei por onde começar... Eu não acredito que te disse que Deena era uma drogada. Eu sinto tanto, Mike. — Tina falava rapidamente, só queria se explicar da melhor maneira que pudesse e tirar aquela culpa de dentro dela.
– Tina. — Mike pôs uma de suas mãos no ombro esquerdo de Tina, a olhando. — O que importa é que você se desculpou, e na verdade, você não tinha como saber. Santana tem razão, Deena ser drogada seria meu primeiro pensamento se eu encontrasse aquela coisa.
– Obrigada por me entender.
– E Tina... — ele tirou a mão de seu ombro e a colocou junto de seu corpo. — Me desculpe por aquele dia... No carro.
– É melhor se esquecermos isso. Não poderemos pensar nisso por um bom tempo, talvez nunca mais. — Tina dizia aquilo referindo-se à doença de Deena.
– Eu acho que... Vou precisar me afastar um tempo. — Tina concordava, ela assentiu com a cabeça. — Deena precisa de mim e eu tenho que te esquecer, mesmo que seja difícil.
– Mas é preciso. Você tem que ficar do lado da sua namorada, onde devia estar agora. Ela precisa de você mais do que nunca. — Tina falava aquilo olhando em seus olhos, dando um conselho de amigável, sem qualquer outra intenção.
– Eu sei... E obrigado... Eu preciso ir agora.
– Tudo bem...
Qual era a forma correta de ex-namorados se despedirem após saberem que ainda se amavam? Um abraço? Um beijo no rosto?
Mike apenas assentiu, uma vez, com a cabeça, e tentou forçar um pequeno sorriso. Tina retribuiu, e observou ele abrindo a porta e saindo.
Ela ficou parada ali por um tempo para digerir toda aquela informação, e então, voltou a sentar-se ao sofá, ficando ali por um bom tempo, apenas pensando em várias coisas. Era tempo de Tina deixar tudo para trás, suas vontades e desejos, pois eles não aconteceriam. Antes dela saber da notícia de Deena, já sabia que nada daquilo iria ser real novamente um dia, e então ela tinha a certeza absoluta, e aquilo era bom por um lado, pois a ajudaria a esquecer mais rápido.
(...)
A noite tinha sido perturbadora, Tina teve vários sonhos e acordou várias vezes na madrugada, estava extremamente cansada, porém já se encontrava no Spotlight Dinner com Santana, Rachel e Kurt, — ambos já sabiam sobre o cancer de Deena e ficaram tão chocados quanto Tina — o expediente estava próximo do fim. O dia não tinha sido tão movimentado, para o azar de Tina, pois a falta de serviço deixava sua mente livre para que qualquer tipo de pensamento entrasse, e ela não escapou deles naquela tarde. Mas era normal, ela ainda estava em choque, logo aquilo passaria.
– Tina — Kurt se aproximava com os braços cruzados — Santana me contou tudo... Como você está?
– Chocada... — ela forçou um riso. — Mas bem... Eu estou pensando em fazer uma visita pra ela hoje.
– Você vai querer ver a Deena? Você vai visitar a namorada com cancer do garoto que vocÊ gosta? — Kurt não estava a julgando, estava realmente perguntando, ele parecia muito imperssionado. — Admiro sua coragem.
– Sim... Apesar de tudo, eu me preocupo com ela. Não posso simplesmente fingir que ela nunca existiu.
Kurt estava sem palavras, ele apenas sorriu e assentiu, aprovando a ideia de Tina. Ela retribuiu seu sorriso, e voltou ao seu trabalho.
Ao terminar de levar algumas coisas de uma mesa para o balcão, Tina sentiu algo vibrar em sua perna. Era seu celular guardado no bolso do uniforme. Ela o tirou e, ao ler o nome na tela, seus ombros caíram e ela respirou fundo. O que era daquela vez?
– Alô. — disse ao antender, mas sem qualquer vontade de ter um diálogo.
– Tina, você pode me encontrar no Central Park o quanto antes? — ele não estava desesperado, e seu tom de voz era normal, por que ele tinha tanta pressa?
– Claro Mike, mas para quê? — ela estava confusa, Mike dissera que se afastaria, e então, estava marcando um encontro.
– Eu tenho que te dizer uma coisa.
– Mike, já não combinamos que íamos esquecer aquilo?
– Não é sobre isso, confie em mim, eu não vou tentar nada. — Tina sabia bem ao que ele se referia. Ela não aguentaria mais uma declaração de Mike.
– Então tudo bem... Estou indo agora. — decidiu naquele momento, quanto antes aquilo acontecesse, mais cedo acabaria.
– Ok, e obrigada.
Tina encerrou a ligação. Ah, só de pensar em encontrar Mike novamente, lhe batia um desanimo. Era a primeira vez que ela não sentia qualquer curiosidade pelo o que ele queria dizer, mas ela tinha que ir, poderia ser algo importante, ou não. Ela apenas tinha que ir.
– Santana, pode cubrir essa última meia hora pra mim? Tenho que sair. — ela pediu, colocando os antebraços em cima do balcão.
– O que vai fazer? — perguntou, desconfiada.
– Mike quer conversar comigo. — ela rolou os olhos, novamente, sentia o desanimo.
– Já que é isso, tudo bem... Mas não se acostume. — Santana lhe apontou uma colher, lançando um olhar sério para a asiática.
– Não vou. — respondeu. — Obrigada.
Tina desescostou-se do balcão e seguiu para os fundos do salão, indo para o quarto dos funcionários. Santana estava preocupada com ela, bem, não era nada demais, Tina só estava triste por Deena. Mas quando Santana lembrava o motivo dela estar triste, percebia que Tina tinha que ficar daquela forma com toda a razão, e ela tinha que ser paciente. Por isso, deixou que Tina saísse. Aquilo também pegou a latina de surpresa, mas não tanto quanto Tina.
Santana viu Tina sair. Logo em seguida, Kurt e Rachel, e aos poucos, todos os funcionários iam saindo. Só sobraram ela e mais duas garotas, que arrumavam as mesas e cadeiras. "Vou dar o fora daqui", ela pensou, largando o pano que segurava em cima do balcão e indo disfarçadamente para o quarto dos funcionários para trocar de roupa e pegar suas coisas.
Não foi difícil escapar. Era ainda mais fácil sair mais cedo sem deixar aquelas duas garotas perceberem do que fazer aquilo com Rachel e Kurt. Quando ela abriu a porta, sentiu o vento abafado jogar seus cabelos em seus olhos, tapando sua visão. Ela passou por estes cabelos e os jogou para trás, podendo ver novamente. Mas o que ela viu não foi muito agradável.
Um homem de encapuzado vindo em sua direção, ela pensou em gritar, mas ele tapou sua boca e segurou seus dois braços com apenas uma mão. E então, Santana notou que o que tapava sua boca não era uma mão, mas uma mão segurando um pano úmido com um cheiro estranho. Oh não, ela pensou, sabendo o que aconteceria em seguida. Sua visão escureceu e ela apagou.
(...)
Tina atravessava a rua para chegar ao Central Park. Ela via Mike, de costas, com as mãos nos bolsos, como sempre, era uma mania dele. Ela não se apressou, pelo contrário, andou devagar, se preparando psicologicamente para o que ouviria, que ela nem sabia o que seria.
Quanto mais ela se aproximava, mais ela se arrependia. Ela temia aquela conversa. Depois do que Mike fez no carro, no dia que deu "carona" para ela, ela esperava qualquer coisa dele.
O sapato que ela usava fazia um certo barulho quando ela pisava nas folhas que caiam das árvores por conta do vento, ao amassar algumas que estavam aglumeradas juntas, fez um barulho mais alto, e Mike se virou para ver quem se aproximava. Era Tina, ele esperou ela chegar mais perto para começar a falar.
– Aqui estou. — ela disse, quando achou que já estava proxima o bastante.
– Tina, eu não te chamei aqui para falar do que você deve estar pensando... Eu vim dar um recado. De Deena.
Bem, ela esperava por qualquer coisa, mas aquilo não. Ela franziu o cenho, estranhando tudo aquilo.
– Um recado de Deena? — ela perguntou, mantendo seu semblante de confusão.
– É... Bem, essa madrugada Deena passou mal e teve que ir para o hospital. Eu a visitei hoje, depois do trabalho, e ela disse para te avisar que estava internada.
Aquilo ficava cada vez mais confuso. Por que Tina precisava saber daquilo? Por que ela pediu para avisar Tina, e não todo o pessoal, como Santana e Brittany?
– Eu... Não entendi. — Tina balançou a cabeça, observando a tranquilidade que Mike tinha em falar aquilo.
– Ela disse exatamente isso: Avise Tina que estou aqui, ela saberia de qualquer jeito, ela se importa comigo.
O que aquela garota podia fazer com suas palavras. Até mesmo quando outra pessoa repetia o que ela falava, fazia um grande efeito. Era verdade que Tina se importava, mas como ela sabia? Aquilo não cessou a confusão de Tina.
– Eu... — ela não sabia o que responder. — Claro que eu me importo. Eu até mesmo pensei em ir à casa dela hoje, ia pedir o endereço para Brittany... Parece que ela adivinhou.
– Ela faz essas coisas. — ele assentiu com a cabeça. — Na verdade... Ela pediu para eu te dizer isso depois que eu contei uma coisa à ela.
Ele não precisava dizer mais nada, Tina já havia entendido, ele havia contato uma coisa que não devia de novo. Tina não estava mais confusa, mas muito, muito séria. Na verdade, indignada, mas não havia uma "cara" que ela poderia dizer para mostrar o que ela sentia naquele momento. Talvez uma mistura de indignação, com surpresa e vontade de bater em Mike.
– De novo, Mike? — sua voz estava enguiçada, ela não podia acreditar.
– Eu não conseguia ver ela naquele estado e omitir isso! — ele mexia os ombros, parecia perturbado, não olhava para Tina, olhava para baixo, por cima do ombro dela, para todos os lados, menos para ela. — Mas quando eu contei que você recusou tudo o que eu disse, ela falou para eu te dizer isso. Então mais uma vez, você não levou a culpa de nada. Não se preocupe.
Tina cruzou os braços e desviou o olhar. Chegou a rir um pouco. Como era possível uma pessoa ser daquela forma? Se fosse uma outra namorada, teria surtado ou coisa do tipo, mas não Deena. Ela era quase perfeita. A garota mais compreensiva que poderia existir.
– Olhe, Tina. — começou Mike, novamente. — Deena disse que admira uma garota que mesmo querendo fazer algo, não o faz, para proteger alguém. E você a protegeu. — aquilo fez Tina olhar para ele novamente, e ele finalmente, fitava seu rosto. — Ela gosta muito de você.
De alguma forma, aquilo deixou Tina meio emocionada, não a ponto de chorar rios, mas de molhar os olhos. Ela não sabia o quanto estava sendo boa negando Mike a todo momento. Ela sabia que era o certo, mas não que aquilo era tão importante para alguém, não sabia que aquilo fazia uma boa imagem dela.
– Diga à Deena... — ela começou, quando se sentiu segura para falar sem que sua voz ficasse enguiçada por conta do quase choro. — Que eu vou visitá-la em breve.
– Eu direi. — ele balançou a cabeça em positivo.
– Obrigada... Eu vou indo então, Santana disse que pediria comida chinesa hoje para eu me sentir feliz. — Tina inclinou sua cabeça de um lado para o outro, tentando forçar um sorriso. — Ela não entende quando digo que sou coreana.
– Eu te entendo bem. — ele também tentou forçar um sorriso. — Então... Até mais.
– Até.
Despedidas não eram necessárias, Tina olhou para ele uma última vez antes de se virar e seguir seu caminho, e não olhou para trás para saber se ele estava a olhando, ou se já tinha ido embora.
(...)
Tudo estava muito silencioso. Tina pegou suas chaves na bolsa e abriu a porta, fazendo um pouco de barulho. Ela abriu a porta e entrou, a fechando em seguida.
Ao ver o all star roxo desbotado próximo ao sofá e as almofadas no sofá fora de ordem, ela sabia que Brittany já estava em casa. Mas Tina não via o salto agulha vermelho de Santana embaixo da mesinha de centro.
– Brittany? — ela gritou, e no mesmo instante, se assustou com um barulho, parecia uma porta sendo destrancada, e era mesmo, a porta do banheiro. Brittany saia de lá, muito séria, o rosto vermelho e os olhos pequenos, ela caminhava até a sala, sem dizer qualquer palavra. — Britt? Está tudo bem? Onde está Santana?
Os lábios da loira se tremeram, e os olhos se encheram de lágrimas. Ela respirou fundo e passou as mãos pelo rosto.
– Onde ela está? — perguntou. — Ela está em qualquer lugar dessa cidade. — respondeu, olhando pela janela, Tina não estava entendendo nada. — Com o Jerry...
– Britt, explica isso direito. — ela ficava assustada, como assim Santana e Jerry juntos? Ela tinha ido atrás dele para acertar contas e deixou Brittany assustada? Infelizmente, era pior que aquilo.
– Eu recebi uma ligação dele dizendo que está com minha namorada. — sua voz ficava cada vez mais falha por conta do choro. Brittany voltou a olhar para Tina, as lágrimas caiam de seus olhos descontroladamente. — Ele sequestrou a Santana.