Who's loving you

5 Capítulo III - Feelings


Segunda-feira, Tina chegava no Spotlight Dinner, esbarrando com Rachel e Kurt na porta, sem cumprimentos, sorrisos, olhares, ela simplesmente entrou e foi para o quarto dos fundos, colocar seu uniforme.
– O que houve com ela? — perguntou Kurt, olhando para Rachel.
– Certamente isso tem a ver com o que Santana disse que me contaria, mas não contou porque a obriguei a me ouvir cantando Woman in love. — respondeu Rachel, com os braços cruzados. — Venha.
Rachel segurou a mão de Kurt e o puxou para o balcão, onde Santana estava.
– A explosão da alegria chegou, yay! — disse Santana, sem ânimo algum.
– Santana, o que há com Tina? — perguntou Rachel, apoiando as mãos no balcão.
– Não posso te ouvir, Rachel, seus gritos a la Barbra ainda ecoam na minha cabeça. Alias, não faça mais aquilo, eu só fui buscar umas roupas que havia esquecido lá, não queria ouvir nenhum show.
– Não me desculpo. — arqueou as sobrancelhas — Diga logo o que houve com Tina!
– You know, Kurt, Tina está muito confusa — Rachel rolou os olhos, mas não argumentou — Eu peguei ela e Mike no pulo.
– Oh my God, wait... — disse Kurt, com os olhos arregalados — Eles estavam em uma sala sozinhos?
–... No — franziu o cenho — eles estavam quase se beijando. Você só pensa naquilo?
– É porque ele esteve com Blaine esse final de semana — Rachel abriu um sorriso malicioso.
– Ew — Santana voltou a repor os saleiros que estavam ali em cima — Enfim, eu impedi que eles se beijassem, agora ela deve estar irritada consigo mesma.
– Quem está irritada consigo mesma? — perguntou Tina, indo para trás do balcão para ajudar Santana com os saleiros.
– Você — respondeu Kurt.
– Por que? Eu estou ótima.
– Nos viu na entrada e não deu um sorriso — reclamou Rachel.
– Estou cansada, tive uma aula pesada hoje. — deu de ombros.
– Eu termino aqui Chang-Chang, tem mesas pra atender.
– Certo. — Tina pôs o avental e pegou o bloco de anotações.
Rachel e Kurt trataram de irem se trocar, enquanto Tina ouvia o comando de Gunther, seu patrão, para atender a mesa 15, assim ela fez. Caminhou até lá de cabeça baixa, observando o bloco de anotações.
– Oi, sou Tina, sua garçonete-cantora de hoje, gostaria de pedir?
– Tina, sou eu — ela ergueu sua cabeça e engoliu seco — Deena.
– Oh — ela riu, tentando disfarçar seu nervosismo — Desculpe, estava distraida.
– Tudo bem — riu — oh, como foi a festa de despedida do seu professor?
Tina sentiu o frio na barriga, será que Mike havia contado algo para ela? Ela estava jogando verde ou era apenas uma pergunta inocente? Ela não sabia o que fazer.
– Foi... Legal...
– Ah sim — sorriu, é, ela só estava fazendo uma pergunta inocente — encontrou Mike por lá? Sabe se ele está bem?
– Eu... Acho que sim, digo, eu não sou muito proxima do Mike, mas pelas poucas, pouquissimas palavras que trocamos, ele parecia estar... Bem — àquele ponto, ela já estava toda atrapalhada, não sabia distinguir se as perguntas de Deena eram sem intenções ou se por trás daquilo, ela já sabia de tudo. — Você quer um... Café?
– Seria ótimo, obrigada.
– Tudo bem.
Tina se virou e suspirou, ela havia escapado. Ela não estava acostumada com pessoas tão gentis e educadas, todos a sua volta eram sarcasticos e ignorantes, ela não poderia mais voltar àquela mesa, poderia acabar falando o que não devia.
– Te dou 20 dolares se cobrir a mesa 15 pra mim.
– Por que? Um velho te flertou? É só ignorar — respondeu Santana, a olhando.
– É pior, Deena está lá.
– Oh, você não suporta a culpa — sorriu.
– Please, só vá lá, diga que eu tive que fazer outro serviço.
– Tá legal — ela ergueu as duas mãos, como se estivesse se rendendo.
– E não comente nada sobre aquilo — apontou o dedo indicador.
– O que acha que sou?
– Nem queira saber. — ela entregou o bloco e a caneta nas mãos de Santana e foi para trás do balcão. — e ela quer um café.
Santana deu de ombros e pegou um café que já estava pronto, mas o cliente que havia pedido foi embora, ela foi até a mesa de Deena com um sorriso gentil escondendo a vontade de contar tudo o que sabia, mas ela não o faria.
– Oi, sou Santana, sua garçonete-cantora de hoje, Tina teve um probleminha de prisão de ventre, então vou cuidar dessa mesa agora. — disse, colocando o café sob a mesa.
– Santana? Foi você quem me atendeu na festa do Mr. Schuester, certo? Oi, eu sou Deena — ela sorriu.
– Deena! Oh my God! — ela fingia a surpresa e não parava de sorrir — Que legal te conhecer. E então, onde está Mike?
– Eu o chamei para vir almoçar comigo, mas ele não quis... — ela abaixou a cabeça e começou a mexer no café com a colherzinha que vinha no pires — Na verdade, ele disse estar ocupado com o trabalho, mas não acreditei muito.
– Não? Mas por que? — ela cruzou os braços, parecendo interessada.
– Eu sei quando a pessoa não está falando a verdade, sabe?
– Sabe? Nossa! — Tina deve mentir super bem, pensou Santana. — às vezes ele está ocupado mesmo Deena, digo, por que ele não viria? — riu.
– É, talvez você tenha razão...
– Quem sabe. Quer pedir algo mais? Vou ver se Tina está viva.
– Não agora, obrigada — riu — Legal te conhecer.
– Claro que é — sorriu, e saiu desfilando pelo salão, deixando Deena confusa, mas ela apenas deu os ombros e tomou seu café.
Ela agia como se nada tivesse acontecido, mas pelo canto do olho, observou Tina indo até ela, curiosa.
– E então?
– O que? — perguntou Santana, focando em seu trabalho, voltando a repor os saleiros. — Oh, sobre Deena? Bem, tenho algo a te dizer, você está ferrada.
– Você contou tudo, não foi?- ela permaneceu séria, preparando-se para uma discusão.
– Mike arranja desculpas para não vir aqui com ela, ou seja, ele se sente tão culpado quanto você e Deena inocente, nunca saberá porque ele não quer almoçar com ela em seu restaurante favorito.
Tina arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços, abaixando a cabeça, estava pensando, então voltou a olhar para Santana.
– Ela te disse isso?
– Não... Mas você sabe que tenho experiencia. Mas, pode ser exagero meu, Mike pode estar realmente ocupado com o trabalho e talvez ele apareça aqui amanhã, e então você saberá que ele esqueceu aquilo e está seguindo a vida.
– Fez isso de proposito, não é? Para mexer com meu psicologico. Eu não pensaria em nada disso, mas agora que falou, vou ficar pensando.
– Oras, isso depende de você, eu não sou o Mestre Mental — ela riu, debochando — Embora às vezes eu consiga — resmungou, sem deixar que Tina ouvisse.
Era aquilo mesmo que Santana queria fazer, embora parecesse maldade. Ela observou pelo canto do olho Tina ficar cada vez mais pensativa, até Gunther chamar sua atenção para ela ir trabalhar.
Pelo menos, o Spotlight Dinner estava bem movimentado naquele dia, deixando Tina encarregada de muitos serviços, o que não dava tempo para ela pensar em Mike, ou Deena, ou em qualquer coisa, aquilo a cansava, claro, mas ela estava contente por ter conseguido trabalhar sem pensar em outras pessoas a não ser nela mesma, "tenho que levar isso para a mesa 20", "tenho que atender a mesa 19", foi tudo com o que ela precisou se preocupar o dia todo.
Mas Tina não tinha a sorte do Spotlight estar lotado todos os dias da semana, e todos os dias, sem excessão, Deena estava lá, sempre na mesma mesa, sempre pedindo o café, e Tina perdia 20 dólares por dia para Santana atendê-la, e Santana sempre lhe contava a desculpa que Mike havia arranjado para não estar lá. Em alguns dias, o serviço fez Tina não pensar naquilo, mas em outros, como naquela sexta, ela ficava louca.
– O que houve Tina? — perguntou Santana, de trás do balcão, observando a garota encostada na parede, esperando algum movimento, porém, com o olhar vago e a mente longe.
– You're a bitch. — murmurou ela, mantendo seu olhar vago.
– Por dizer a verdade? Se eu não falasse aquilo, você mesma ia perceber, você é esperta, é asiatica.
– Você acha que ele realmente não vem aqui porque está pensando no que aconteceu o tempo todo? — ela olhou para Santana, erguendo uma de suas sobrancelhas.
– Bem...
– Não precisa de um sermão, só responda sim ou não.
– Sim.
– Ótimo — rolou os olhos.
– Eu só estou respondendo sua pergunta, não pode ficar brava comigo. — Tina ficou quieta, Santana sentiu uma leve pontada de culpa por ter dito todas aquelas coisas. Ela abaixou sua cabeça e respirou fundo — Isso está realmente te incomodando, não é?
– É que ver Deena sozinha naquela mesa sem Mike junto por minha causa é...
– A palavra que você busca é torturante.
– Eu ia dizer "ruim", mas isso expressa muito mais o que eu sinto.
– Tem algo que eu possa fazer?
– Acredite, você já tentou fazer algo e é por isso que estou assim. — Santana ficou quieta, mantendo sua cabeça baixa — Desculpe, a culpa não é toda sua.
– Tudo bem, eu não ligo, faço isso o tempo todo — ela deu de ombros e riu, um riso que ela dava quando se sentia desconfortável ou quando sabia que estava errada.
Tina assentiu, concordando com ela. O ultimo cliente ia embora, Berry e Hummel arrumavam as ultimas coisas, Tina permaneceu imóvel, e Santana também, mas ela parecia pensar em algo, movia os olhos para todos os lados, enquanto sua mente trabalhava em alguma coisa. Quem a visse naquele estado, podia pensar que ela estava tramando um plano malígno, mas na cabeça dela, ela só estaria ajudando.
De repente, ela saiu do balcão e foi direto para o quarto dos funcionários, sem dizer nada, o que deixou Tina confusa, mas ela não deu a mínima, continuou pensativa, nem ao menos percebeu Santana passar por ela, ainda de uniforme, com sua bolsa e seu casaco, saiu do restaurante e pegou um taxi.

(...)


Com a mão fechada, ela bateu três vezes na porta e esperou. Passaram-se 20 segundos, então resolveu bater novamente, três vezes. 10 segundos, quando ela ia bater, a porta se abriu.
– Santana? O que faz aqui? — perguntou Mike, confuso.
Antes que ela dissesse algo, bateu três vezes na porta, o que deixou Mike ainda mais confuso.
– Penny. — ela sorriu, lembrando de um seriado que ela gostava muito — Você não assiste? — perguntou, quando percebeu que ele ainda estava confuso — Anyway, oi, precisamos conversar. Posso entrar? Obrigada. — ela passou por Mike, entrando no apartamento e observando a decoração com um olhar de desprezo.
– Como descobriu onde eu morava? — perguntou ele, fechando a porta.
– Tenho meus contatos. — se virou para ele — perguntei seu endereço no seu trabalho.
– E como sabe onde eu trabalho?
– Mike, sem rodeios, vou fazer uma pergunta simples e você vai tentar me responder da forma mais clara possível, tudo bem? — ele assentiu. Santana dirigiu-se até o sofá e se sentou, cruzou as pernas e o olhou — O que sente por Tina?
– O que? — perguntou surpreso.
– Querido, você não fez o que eu pedi. Responda da forma mais clara possív...
– Por que está perguntando isso?
– Sabe quem eu tenho visto muito essa semana? Sua namorada de olhos grandes. Todos os dias ela está no Spolight Dinner, e eu nunca deixo de perguntar "Hey Deena, where's Mike?", e sabe o que ela me responde? "Ele está ocupado com o trabalho". Pois é Mike, mas acho que de acordo com este saco de batatas chips aqui — ela apontou para o saco, em cima da mesa de centro — Essa série na TV que parece ser Legend of the seeker...- disse, com os olhos semi-cerrados, observando a tela — Uh, I love it — disse sorrindo, ainda olhando a tela, em seguida, voltou a olhar para Mike — E esse moleton, que por sinal não é sexy, você não está ocupado com trabalho nenhum.
– Está de noite, eu não posso ter trabalho de tarde?
– Não. — ela sorriu — E sabe por que? Porque desde sempre, o trabalho é uma desculpa para maridos que querem trair a esposa, mas no seu caso, está fazendo o contrário. Está usando essa desculpa justamente para não trair Deena, com quem? — Santana esperava que ele completasse sua linha de raciocínio, mas quando percebeu que ele ficaria calado, rolou os olhos e encostou-se no sofá — Com Tina.
– Ok, tudo isso é loucura — disse, sentando-se em uma poltrona que havia no canto do comodo. — Eu não tenho sentimentos por Tina, somos amigos, aquilo que houve em Ohio foi...
– Foi uma recaída?
– Exatamente...
– Respondeu errado, se você teve recaída, ou tem sentimentos de menos por Deena, ou sentimentos demais por Tina. Mike, sei que sou uma vadia, mas você pode se abrir comigo.
– Para você correr e contar tudo para Tina?
– Eu não vou contar à ninguém... Talvez para Brittany... E Kurt e Rachel, mas se Tina souber, vai ser atraves deles, eu juro.
– Santana, eu e Tina namoramos por dois anos, achavamos que iamos nos casar e vivermos para sempre, mas não aconteceu. Mas vivemos muitas coisas juntos, eu só lembrei de tudo aquilo e senti saudades.
– Sentimentos...
– Pode parar de falar isso? Eu estou com Deena agora, e o que aconteceu com Tina, bem... Já passou.
– Se já passou, por que você não pode ir no Spotlight com ela? Eu respondo essa por você. Porque não consegue olhar para Tina sem lembrar daquilo e tem medo de que os sentimentos, sim, os sentimentos voltem.
– Eu só quero te perguntar uma coisa, por que está fazendo isso?
– Bem... Tina e eu moramos juntas agora, eu quero ajudar ela no que ela precisar para sermos boas amigas e podermos conviver juntas, sem que ela se sinta constrangida quando eu e Brittany estivermos em nossos momentos intimos.
– Entendi... Bem, o que quer que eu faça, afinal?
– Mike... — Santana se levantou, pegando sua bolsa. Mike se levantou também, ela seguiu até a porta e virou-se para ele de novo — Tina não consegue trabalhar nem dormir pensando naquilo, porque toda vez que ela vê Deena, ela sente a culpa. Mas se ela visse que você seguiu em frente, talvez ela conseguisse fazer o mesmo.
– Você... Vai contar pra ela sobre essa conversa? — ele enfiou as mãos nos bolsos da calça e a olhou.
Santana riu, girando a maçaneta da porta e indo para o lado de fora.
– Cuidado com os sentimentos, Mike — ela o olhou — Você pode não gostar, mas eles vêm e vão.
Santana deu um sorriso singelo, e começou a andar em direção a escada que levava para a saida do prédio, deixando Mike plantado na porta, sem saber o que pensar ou sem entender o que tinha acabado de acontecer ali. Ele voltou para dentro do apartamento e fechou a porta.


(...)


Quando chegou em casa, Brittany e Tina estavam assistindo TV, ambas olharam para Santana enquanto ela trancava a porta e se sentava no sofá.
– Onde esteve? — perguntou Tina, voltando a olhar para a TV.
– Fui visitar um amigo.
– Você tem amigos em New York? — perguntou Brittany.
– Tenho... Tenho Kurt, Michael, Julian, que são de NYADA, Mike.
No mesmo momento, Tina virou a cabeça e olhou Santana, assustada, temendo o pior.
– Santana, did you...?
– O que? — ela sorriu ironicamente, o que deixou Tina mais nervosa.
– Você não foi abrir o bico para Mike, foi?
Santana ergueu as duas sobrancelhas, curvando os lábios para baixo, inclinou a cabeça para o lado e ergueu os ombros. Tina se levantou, enfurecida, tão nervosa que mal podia falar.
– Eu... Eu não acredito! — gritou, com o tom de indignação.
– Oh, calma, eu não fui fazer nada de ruim!
– Por que sempre tem que se meter em tudo?!
– Você me colocou nessa história, me fez atender Deena a semana inteira!
– Eu te paguei pra isso, não para ir falar para Mike como eu estava me sentindo em relação aquilo que aconteceu!
– Sério? E se eu não dissesse, como ia resolver essa situação?
– Eu ia superar, Santana! É o que as pessoas fazem quando não têm o que querem, elas superam! — ela começou a andar pelo apartamento, Brittany só observava, um tanto surpresa — Agora Mike deve estar pensando que eu tenho sentimentos por ele.
– O que vocês têm contra os sentimentos? É coisa de asiático?
– Não são só eles — disse Brittany, olhando suas unhas, mas ninguem nem ao menos a ouviu.
– Santana. Você acha que tentou ajudar, na verdade, você não quis tentar ajudar, você faz isso para ver as pessoas a sua volta sofrerem e sentir prazer com isso!
– Tina — Santana se levantou, parecendo surpresa com o que ela havia dito — Você não sabe o que está falando. Eu fui lá para te ajudar, porque sou sua amiga, para podermos conviver bem, mas se você não gosta disso, pode pegar as suas coisas e ir embora daqui. — Tina parou de andar e olhou Santana, ali, parada, com ódio em seus olhos. -Get the hell out of my house!- gritou, apontando para a porta.
Ela ficou sem reação, olhou para Brittany, que não dizia uma palavra, apenas abaixou a cabeça e permaneceu quieta. Tina olhou Santana, que abaixava seu braço devagar até ele ficar junto ao corpo novamente.
– Talvez seja melhor — Tina cruzou os braços e andou em direção ao corredor dos quartos.
Ela entrou em seu quarto e fechou a porta. Antes de começar a arrumar tudo, sentou-se na cama e pensou se realmente valeria a pena. Ela poderia simplesmente pedir desculpas a Santana e tudo ficaria bem, mas ela não via motivo para aquilo, só de pensar que Santana havia contado tudo a Mike, sua raiva ficava ainda maior, porque ela tinha que fazer aquilo? Tina balançou a cabeça em negativa e se levantou, pegando sua mala entro do armário e a enchendo cada vez mais.
Quando saiu do quarto, Santana estava no sofá com Brittany, fitando a TV, nem ao menos olhou para Tina, Brittany queria poder resolver aquilo, mas qualquer coisa que falasse seria ignorado.
– Alguem virá buscar o resto das minhas coisas — disse Tina, Santana ignorou, Brittany a olhou e assentiu, balançando a cabeça.
Tina arrastou sua mala de rodinhas até a porta e a destrancou, lembrou-se de deixar sua cópia da chave em cima da mesinha que ficava ao lado da porta.
– Tchau Britt — disse.
– Tchau... — respondeu, a olhando, ela disse "I'm sorry", apenas movendo os lábios, Tina balançou a cabeça, querendo dizer que estava tudo bem.
Ela finalmente saiu e fechou a porta.


(...)


Tina andou arrastando sua mala até encontrar um ponto de onibus. Estava muito frio em New York, ela usava luvas, cachecol, touca, mas ainda sim, o vento entrava por suas roupas e a faziam tremer. Era tarde, talvez 9 da noite, quase 10. Os onibus daquela linha sempre demoravam, e Tina nem ao menos sabia para onde iria, mas esperava ir para o centro e encontrar um hotel, e no dia seguinte, tentaria conversar com Kurt e Rachel, ver se ela poderia passar alguns dias lá até achar um lugar para ficar.
Sem esperanças de conseguir pegar o onibus, Tina abaixou a cabeça, mas continuou esperando, até ver um farol alto vindo em sua direção e parando em frente ao ponto, os vidros do carro estavam fechados, mas assim que se abaixaram, ela pode ver quem dirigia.
– Tina? — perguntou, com os olhos semi-cerrados.
– Oi Deena, sou eu.
– O que está fazendo ai nesse frio?!
– Eu... Eu sai do apartamento de Santana e estou indo para um hotel.
– Tina, está nevando muito lá para baixo, os onibus estão presos na rodovia, não vão chegar aqui tão cedo. E os hotéis devem estar lotados à essa hora. Entre no carro.
– O que? Não! Não precisa.
– Ta brincando? Vai morrer de frio! Eu não vou te deixar ai, entre no carro, por favor.
Tina não tinha escolha, ou ela entrava, ou Deena a arrastaria.
– Coloque a mala la trás! — disse, apertando um botão dentro do carro que fazia o porta-malas abrir.
Tina deixou suas coisas lá e entrou no carro, do lado do passageiro. Deena fechou as janelas.
Ela permaneceu imóvel, talvez desconfortável ou envergonhada. Deena deu partida e começou a dirigir para um lado que Tina não conhecia.
– Por que saiu do apartamento?
– Nós... Brigamos.
– Por que? — perguntou, parecendo realmente interessada.
– Bem... Santana é uma boa pessoa, mas não gosto quando ela se intromete na minha vida.
– Ela não faz isso para ajudar?
– Eu acho que não. Se ela faz, não consegue, porque tudo que ela diz ser para meu bem, na verdade, só me deixa pior.
– Uau, Tina, eu sinto muito.
– Tudo bem.
O trajeto até a casa de Deena foi silencioso, Tina não sabia muito como se sentia naquele momento, mas aceitou ir para a casa de Deena porque não tinha outra opção, afinal, era só uma noite.
Deena morava em uma casa, diferente de todos, que só viviam em apartamentos. Porém, era uma casa normal, nada exagerado.
Após guardar o carro, Deena guiou Tina para dentro, ela acendeu as luzes e disse à Tina que deixasse suas coisas em algum canto.
– Deena, obrigada por tudo isso, está ajudando muito. Eu vou ficar no sofá mesmo.
– Claro que vai — assim que Tina deu por si, percebeu que Deena havia transformado o sofá em um sofá-cama. — Oh — ela se abaixou, parecia pegar algo. Quando voltou, estava com um cachorro pequeno no colo, era um york shire. — Esse é o Jack Sparrow.
– Jack Sparrow? — Tina riu, fazendo Deena rir também.
– Gosto muito do ator — explicou.
– Entendi — disse, cerrando o riso aos poucos.
– Vou pegar algumas cobertas pra você e um travesseiro.
Tina apenas assentiu e esperou, sentada no sofá-cama, olhando a decoração do local. Engraçado, pela manhã, ela nem imaginava que estaria ali.
– Aqui está — disse, colocando todas as coisas em cima do sofá.
– Obrigada Deena — ela sorriu, ajeitando as coisas.
Deena a observou, com os braços na cintura, ela abriu a boca para falar algo, mas logo a fechou, pois não sabia como começar.
– É... Tina.
– Sim? — perguntou, sem olhá-la.
– Eu sei que você é ex do Mike.
Tina a olhou, pega totalmente de surpresa.
– Deena, eu...
– Está tudo bem, eu só não entendi porque você mentiu sobre isso.
– Eu não menti, eu... Omiti.
– Tina, é a mesma coisa — sorriu, sentando-se no sofá — Achou que eu poderia pirar de ciumes e te odiar?
– Não, quer dizer, bem, eu... Sim.
– Tina — ela riu — sei que não há motivo para dizer isso agora, eu só queria esclarecer tudo, dizer que está tudo bem.
– Sim, e Deena, eu juro, eu não sinto mais nada por ele. — falou devagar, para ser bem clara.
– Eu sei, eu sei. — disse, balançando a cabeça. — Bem, desculpe te assustar com isso. Eu vou dormir, mas você pode ficar a vontade, tudo bem?
– Ok. Deena, muito obrigada, eu te devo uma.
– Esqueça isso — ela sorriu — Boa noite, Tina.
– Boa noite.
Deena seguiu para seu quarto. Tina procurou pelo banheiro, fez sua higiêne, voltou para a sala e apagou as luzes, acomodando-se no sofá em seguida. Ela pensou que passaria a noite pensando no que aconteceu, mas na verdade, pegou logo no sono.