Arnold mal conseguia se lembrar como era sua vida antes de Marie. Ele podia se lembrar como conhecera ela: em um parque, quando ainda tinha 20 anos. Levava seu irmão mais novo chamado Connor ao parque. Connor teve de dividir espaço com outro garoto no carrinho do trem fantasma, e quando as duas crianças saíram do brinquedo, estavam brigando. Arnold foi ver o que estava acontecendo, assim como Marie, que era prima do outro garoto.

Matt, o que está acontecendo? Marie perguntou.

Esse menino bobão me bateu dentro do trem fantasma! O Matt respondeu.

Eu só esbarrei nele, Arnold!

Bem, imagino que você seja o responsável por ele, Arnold. Marie deu um tom irônico ao nome de Arnold.

Mas ele não conseguiu raciocinar uma resposta, pois estava encantado com os olhos da mulher a sua frente. Eram grandes e com cor de mel. Naquele momento estavam raivosos, mas Arnold estava hipnotizado mesmo assim.

Hmm ele resmungou.

Foi sem querer! Connor protestou.

Deixa eu ver isso, Matt. Marie falou Onde ele te acertou? E Matt mostrou. Ah, para de frescura, menino!

Erm... qual seu nome? Arnold perguntou pra Marie.

Marie.

Bem Marie, em todo caso, minhas desculpas….

Hei Connor disse para Matt. Camisa legal. Eu adoro o Ben10.

É mesmo? Quem você é?

Eu sou o Quatro-braços!

E eu sou o Fera! RAAAAAAAAAAAWR

E as duas crianças saíram correndo em direção a um brinquedo qualquer.

Acho que eles se resolveram Disse Arnold.

É Marie respondeu, com um sorriso deslumbrante. Tinha cabelos castanhos com mechas coloridas, lisos e curtos. Seus olhos eram o que mais chamava a atenção em seu rosto; tinham um tom castanho claro, e eram grandes. Sua íris parecia formar desenhos. Por mais deslumbrante que fosse eu sorriso, ainda era ofuscado pelo brilho de seu olhar. Era baixinha e encorpada, e usava uma pesada maquiagem preta, um colete com a estampa de uma caveira, short jeans desfiado e meia calça preta e rendada. Crianças, vai entender. Bem, vamos lá atrás deles, né!

Connor e Matt viraram amigos, obrigando Arnold e Marie a andarem juntos por toda a noite. Se deram muito bem, e a atração entre os dois era clara. Ele tinha um estilo galã de Hollywood: era alto, e tinha o corpo malhado. Seus olhos eram azuis-claros e intensos, e se destacavam em seu rosto barbado. O cabelo era curto, cortado com máquina. Arnold cantou-a por toda a noite, e os dois acabaram se beijando na roda gigante, causando “ughs” e resmungos das crianças. Ao fim da noite, trocaram telefones.

E se encontraram mais uma vez, agora sozinhos, em um shopping. E outrora, em uma balada. Antes que se passasse 2 meses, eles estavam namorando, felizes. Recebiam a aprovação da família e dos amigos. Quando Arnold tinha 25 anos, decidiram se casar. Agora, ele tinha 28, e Marie, 27. Connor já tinha 17 anos, e se tornara namorado de Matt, que tinha 15 anos. Marie e Arnold agora planejavam ter seus filhos.

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Arnold se lembrava de tudo aquilo, enquanto estava deitado no sofá. Seus olhos estavam vidrados na televisão, enquanto trocava de canal no controle remoto, mas sua mente estava distante, pensando nas lembranças. Marie saiu do banho que tomava, e em pouco tempo estava na sala.

Que cara é essa, Maromba? Ela perguntou, e Arnold riu.

Estou me lembrando do nosso primeiro encontro. Quem diria que aqueles dois meninos birrentos iam virar namorados!

É verdade.

Mais surpreendente que isso, só você ter casado comigo.

Os dois se beijaram. Arnold tirou algum tempo para perceber como Marie tinha mudado. Ainda usava o mesmo corte de cabelo, mas sem toda aquelas mechas coloridas e extravagantes. Suas roupas pretas foram substituídas por roupas de tons pastéis, o que Arnold achava bem melhor. Naquele momento, por exemplo, ela usava um confortável top branco, e um short de malha beje. Arnold também havia mudado um pouco. Se livrara de sua barba de galã, e perdera um pouco de massa muscular. Mesmo que ele estivesse mais magro, Marie insistia em chamá-lo de “Maromba”. Em resposta, Arnold chamava sua mulher de “Emo”.

Arnold recolheu as pernas, dando espaço para Marie se sentar ao lado dele. Passou para ela o controle da televisão.

Não tem nada que presta passando falou.

Ah, então nem vou procurar. Vamos conversar!

Sobre o quê?

Ah, sei lá, sobre nosso primeiro encontro… você não estava pensando nele?

É. Eu estava lembrando de como você estava emo aquele dia.

Ah, vai se foder!

É sério! Se você tivesse ido naquele trem fantasma, ia ficar reclamando da vida com aqueles monstros…Eles iam ficar morrendo de medo!

Ah! E você, com aquela camiseta regata, exibindo músculos? Acha que tava bonito?

Pelo menos o meu não é problema de família.

Problema de família?

É! O Matt tá emo igualzinho você era, com aquele cabelão dele….

Frustrada, Marie jogou uma almofada na cara de Arnold, que ficou rindo.

Será que nosso filho vai herdar? Arnold perguntou.

Herdar o que?

A sua emisse

Marie pressionou a almofada contra o rosto de Arnold, como se tentasse sufocá-lo. Por trás da almofada, o homem ria, até ficar realmente sem fôlego. Então segurou os punhos da mulher, e empurrou-a para trás, ficando em cima dela e imobilizando-a. Olhou fixamente nos olhos dela; era impressionante como, mesmo depois de 8 anos, eles ainda o fascinavam.

Maromba. ela protestou.

Isso porque você diz que eu emagreci, hein?

Sabe o que eu estou lembrando?

Das músicas emos que você ouvia?

Não, seu idiota. ela olhou pra Arnold com a cara mais sexy que conseguiu. Funcionou. Pra gente ter um filho, a gente tem que fazer um filho.

Ah é? Ele dizia, tentando fazer um cara de interessado e usando um tom irônico. Hmm… conte-me mais. Como funciona isso?

Ela ergueu a cabeça, ainda com as mãos imobilizadas. Se beijaram.

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Cerca de uma hora depois, seus corpos nus estavam deitados no chão. Em algum momento da noite, eles haviam decidido que o sofá estava pequeno demais, e resolveram usar o chão; agora, aproveitavam para se refrescar do calor. Marie estava com a cabeça deitada no peito de Arnold, a pele clara da mulher contrastando com o bronzeado saudável do homem. Ele fazia um cafuné nos cabelos dela, acreditando que ela estava dormindo. Ela, porém, estava acordada, prestando atenção nas batidas do coração do homem.

Acho que deu certo ela disse, sua voz apenas um sussurro.

O que deu certo? Ele perguntou.

Nosso bebê. Acho que dessa vez, vou ficar grávida.

E como você sabe?

Instinto ela disse, sorrindo.

Duas semanas depois, Arnold acordou confuso, com gritos de sua mulher. Levantou-se, ainda sonolento e cabelo despenteado, para ver o que era.

ESTOU GRÁVIDA! Gritou, abraçando e beijando o marido.

Ele demorou um tempo para raciocinar, enquanto ela exibia o teste de farmácia para ele. Por fim, a ficha caiu, e eles se abraçaram dentro do banheiro.

Você está grávida! Exclamou.

A felicidade do casal era quase palpável; Arnold conseguia sentir uma sensação de calor deliciosa se espalhar de seu peito para todo seu corpo; e tal sensação parecia se espalhar até mesmo pelo banheiro. O casal ficou mais de 10 minutos comemorando com muitos abraços e gritos.

Mas, independentemente da felicidade do casal, ainda era dia de trabalho. Quando a euforia passou, se arrumaram e foram trabalhar.

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Arnold trabalhava secretário e web designer de um dos maiores advogados da cidade: a Aliena Hudson. Aliena era uma mulher que exalava poder: em sua postura, em sua voz, em seu estilo. Tinha cabelos castanhos, que usava em um coque alto que deixava solto uma franja. Seus olhos eram levemente puxados, e ela usava um óculos quadrado. Como roupas, usava as típicas de advogadas: um tailer preto com uma blusa social branca, uma calça social preta, e um pequeno salto.

Você está atrasado, Arnold. Ela disse, assim que Arnold chegou.

Perdão, Sra. Hudson. Tive um pequeno imprevisto em casa.

Não precisa me chamar de Sra. Hudson só porque você está atrasado. Alguma coisa grave?

Não, Aliena. Está tudo bem.

Certo. Então por favor, vá para sua mesa imediatamente.

Sim, senhora.

E Aliena entrou de volta para sua sala. Arnold sentou-se na sua mesa, e ficou esperando que Erik chegasse.

Erik era o melhor amigo de Arnold. Tinha ficado desempregado há pouco, e então Arnold conseguira uma vaga para ele no escritório de Aliena. Ele era assistente pessoal de Aliena: basicamente, servia cafezinho e buscava a papelada da advogada. Não gostava do trabalho, mas era a melhor oferta que tinha no momento. Aliena não havia simpatizado tanto com Erik quanto simpatizara com Arnold, de forma que o primeiro era obrigado a chamá-la de Sra. Hudson. Ele chegava no serviço meia hora mais tarde do que Arnold, de forma que não demorou muito para que chegasse.

Hei, Erik dele disse, quando seu amigo passou. Tinha uma estatura média, cabelo encaracolado curto, pele morena e um rosto sem atrativos. Advinha o que aconteceu!

O que foi?

Eu vou ser pai.

O que? Erik perguntou abismado, e mexeu os lábios dizendo “puta que o pariu” sem emir som. Que excelente noticia cara!

Sim! Você sabe, já estávamos tentando há uns 6 meses… já estávamos pensando que alguém era estéril. Mas ela fez o teste hoje, e deu positivo!

Homem de sorte, você. Um casamento feliz e filhos planejados!

Posso saber o que vocês tanto conversam? Disse Aliena, saindo de sua sala.

Sra. Hudson, você já sabe que a mulher do Arnold está grávida?

Oh, meus parabéns, Arnold! Agora Erik, por favor, preciso que você prepare o meu café.

Sim, senhora disse e fez uma careta assim que a mulher virou de costas, obrigando Arnold a controlar suas risadas. Depois, entrou na sala.

O restante do dia foi tranquilo. Os clientes mais antigos de Aliena conseguiam notar a felicidade no olhar de Arnold, e ele acabou contando a novidade para mais alguns; até mesmo Aliena parecia estar um pouco mais solta aquele dia, como se a felicidade de Arnold a contagiasse. A advogada não tinha clientes entre 12 h e 13 h, e então permitiu que os dois amigos almoçassem juntos. Almoçaram em um restaurante self-service próximo ao escritório.

Cara! disse Erik. Eu lembro de quando você conheceu essa mulher. Você não parava de falar dela um minuto! Pelo menos parou de falar da faculdade.

É, você ainda estava no ensino médio, lembra?

3º ano cara, 3º ano

Ainda era um fedelho

Ah, vai se foder! Mas é sério, você praticamente perdeu a virgindade com ela…

O único virgem na época era você. gozou Arnold

… E casou com ela, e agora vai ter um filho com ela! Isso é digno de um livro, cara. Não é qualquer um que casa com a primeira namorada!

Ah, mas também não é qualquer uma que aposenta Arnold, o Pegador. Se eu perder ela cara, você sabe, nunca mais encontro outra igual. E eu não consigo mais viver sem ela, cara…

Quem diria zombou Erik. ”Arnold, o pegador”, falando esses romantismos na hora do almoço. A vida dá voltas, cara.

Com certeza. E eu amei essa volta que ela deu.

E quando o bebê nasce?

Ainda não sabemos. Ela descobriu hoje, com teste de farmácia. Ainda não foi no médico e tudo mais.

Ah, entendi.

E você, Erik? Vai continuar sem pegar ninguém até quando?

Ah, cara… é complicado.

Hmm… sei.

Hei cara, vou voltar pro escritório.

Como assim? Você acabou de acabar de comer! Não vai aproveitar o resto do seu descanso?

Erik se levantou, a face um pouco corada.

Eer… você sabe como é. Muito serviço… tenho que… fazer o que eu faço. Aproveita bem seu descanso, em!

Virou as costas, e foi embora. Arnold ficou sozinho na mesa, e acabou decidindo pegar um picolé.

“Erik querendo pegar serviço cedo? Muito estranho… e ele parece estar me escondendo alguma coisa. Será que ele e a Aliena… oh meu Deus!”

Sorriu, curioso com a história. Mas decidiu não atrapalhar o momento do possível casal.

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A semana passou rápido, e logo era sábado. Arnold e Marie tinham marcado de fazer um pequeno churrasco em sua casa, para dar a notícia para os membros mais importante de suas vidas. No dia, foram Robson, o pai de Arnold; Annie e Ronald, pais de Marie; além de Connor, Matt e Erik. Marie ficou sentada próxima a Annie, que por sua vez, estava próxima a Ronald. Connor e Matt ficaram dentro de casa, sentados ao sofá. Arnold cuidava da churrasqueira, e Robson bebia do outro lado da mesa, tentando manter uma cara feliz.

Robson nunca mais fora o mesmo homem desde a morte de Lanna, pega no meio de um fogo cruzado entre a FOTACCRO e uma quadrilha, há 2 anos. Arnold tinha esperanças de que a notícia de um neto, e um bom churrasco fossem capaz de animar um pouco o seu pai, mas não havia dado certo até o momento. Robson abrira um sorriso quando Marie anunciou o filho, mas não demorou até que fechasse a cara novamente. Agora ele parecia procurar afogar as mágoas em bebidas, como se fossem sua última esperança de ter uma tarde feliz. Arnold se preocupava com seu pai, mas Annie e Ronald não percebiam. Marie, se percebeu, não quis dizer nada na hora.

Então, finalmente você vai ser mãe, hur? Perguntou Robson, entre felizes risadas. Você se lembra de como você era com suas bonecas?

Ah, eu lembro! Disse Annie. Dizia que todas elas eram suas filhas. Você dizia que queria ter uma filha pra cada boneca um dia, e que cada uma delas ia ter o nome das suas bonecas.

Você ia ter que ter umas 20 filhas! Completou Robson

Ih, então ainda temos muito trabalho pela frente. disse Arnold.

Arnold! Protestou Marie.

Ter 20 filhas é fácil Arnold falou. O problema é se os 20 derem trabalho igual a mãe.

Cala a boca, Maromba.

Ah, mas o Arnold também não era nenhum santo disse Robson. Um silêncio se fez na mesa, como se eles tivessem acabado de notar a presença do senhor. Ele todo dia voltava machucado da escola… e sempre falava que ia bater nos amigos. Robson riu de leve. Um dia ele brigou de verdade, e sua mãe… Parou a frase e suspirou, como se tomasse força para continuar a falar. Sua mãe te bateu naquele dia, até você jurar nunca mais bater em ninguém. E deu certo.

Ah, então o Maromba também tem histórias pra contar?

Nenhuma tão boa quanto as suas, Emo. Eu vou lá dentro oferecer carne pros meninos.

Ele colocou a carne em uma bandeja, e saiu andando para o interior da casa.

Me conte mais histórias sobre ele Arnold conseguiu ouvir Marie falando, antes de entrar na casa.

“Zoação pra alguns meses” ele pensou, feliz. “Era o que eu precisava.”

Entrando na casa, encontrou Connor e Matt se agarrando no sofá. Arnold conseguiu distinguir a mão de Connor nos cabelos de Matt, a mão de Matt na coxa de Connor, e dois corpos realmente muito próximos.

Hey, vão com calma vocês dois. ele disse. Os garotos se separaram, corados; não era possível saber dizer se por vergonha, ou se graças a pegação. Só eu e a Marie podemos tentar fazer filhos nesse sofá, ok? Querem um pouco de carne?

Então foi aqui que vocês…? Perguntou Connor.

Connor! Matt protestou, enquanto Connor dava de ombros e pegava um pouco de carne.

É respondeu Arnold. Tentamos em vários lugares, é claro… mas acho que foi aqui que aconteceu.

Isso é constrangedor. disse Matt.

Eu não acho. Você acha, Connor?

Com certeza, não. Connor tinha um sorriso malicioso no rosto.

Matt corou, ainda mais.

Por que vocês dois não vão lá fora, ficar um pouco com a família? Depois eu arrumo um quarto pra vocês.

Não precisa! Matt gritou.

Mas é claro que precisa! Afirmou Connor. Arnold, você é o melhor irmão do mundo.

Mas…

Cala a boca, Matt. Vamos lá pra fora logo.

Quando chegaram do lado de fora, todos olharam pra Arnold e começaram a rir, como se compartilhassem uma piada interna.

Ah não, pai. O que você contou?

Muita coisa, Maromba. Muita coisa. Marie riu.

Vocês estão contando as vergonhas do Arnold? Connor riu. Ah, eu sei um monte!

Olha o que vai dizer, Connor. Eu não prometi nada lá dentro. A ameaça de Arnold saiu com um tom de ironia, e nada amedrontadora.

O restante do churrasco se resumiu a muitas risadas com os casos que Erik, Robson e Connor contavam. No fim do dia, Arnold não estava nada satisfeito; mas ver novamente o sorriso no rosto do pai ao fim do churrasco, fora recompensador. Ele podia viver com a zoação.

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Passaram-se 6 meses, nos quais a alegria na vida de Arnold e Marie só cresceram, assim como a barriga da mulher. O pré-natal apontava que a gravidez requeria certa atenção especial pois, embora fosse pouco provável, poderia haver algum problema. Em uma manhã de segunda feira, Marie acordou sentindo um pouco de tonteira e mal-estar; Arnold decidiu aproveitar para faltar ao serviço. Ligou para Aliena, que fez jogo duro, mas no final cedeu a falta, preocupada com o bebê.

Então Arnold passou o dia deitado na cama com sua mulher, conversando e acariciando sua barriga. Infelizmente, ela estava passando mais mal do que ele imaginava, piorando mais a cada hora. Era cerca de 13 h quando Arnold se levantou, para buscar alguma coisa para comer. Quando ele voltou para o quarto, e encontrou sua mulher dormindo. Sorriu, colocando a bandeja com mistos-quentes em cima do criado-mudo.

Hei, Emo, acorda, vamos comer um pouco. Você precisa comer. Por mais que Arnold cutucasse a esposa, e insistisse para que ela comesse, ela não despertava. O desespero foi subindo a cabeça do homem, que começou a cutucar com mais força, e mais rápido. Marie? Marie, tá tudo bem? Acorda, Marie!

Mas ela não acordou. Arnold se levantou da cama, e olhando para a mulher, notou uma mancha vermelha no short branco que ela usava. Sangue!

Preciso ir para um hospital ele disse para si mesmo.

O homem pensou em chamar uma ambulância, mas tinha a impressão de que ia demorar demais. Suor lhe escorria pela testa, desesperado pela visão de sua mulher desmaiada e sangrando. Será que ela ia perder o bebê? Será que ela ia morrer? Arnold então tentou carregar Marie. A mulher era pequena, e Arnold forte; mesmo que ela estivesse mais pesada graças a gravidez, ele ainda tinha forças para erguê-la. Foi o mais rápido que conseguiu até o carro, deitando Marie no banco traseiro o mais confortavelmente que ele pode. Então ele se sentou no banco do motorista, e ligou o pisca alerta. Sabia que se livraria das multas com um bom atestado médico. Arrancou o carro.

Arnold perdeu as contas de quantos sinais ele avançou; parecia dar a sorte de todos os sinais estarem vermelhos para ele. Nessas horas, tudo o que ele podia fazer era buzinar e rezar para que não tivesse um acidente. Seu corpo estava empapado em suor, e ele não sabia se prestava atenção no trânsito ou na esposa.

Quando chegou no hospital, se lembrava ter entrado em contramão, avançado muitos sinais, e até ter atropelado uma mulher no caminho. Mas conseguira chegar sem nenhum acidente grave.

ALGUÉM ME AJUDA ele gritou, assim que entrou no hospital, com a esposa no colo. O grito atraiu a atenção das enfermeiras, e logo Marie estava em uma maca, sendo conduzida para atendimento médico. Após preencher uma papelada, Arnold sentou-se numa cadeira, e teve de esperar.

Enquanto esperava, Arnold viu passar em uma maca uma mulher loira, que lhe parecia estranhamente familiar. Tentou puxar em sua memória, para se lembrar de onde a conhecia, e, por fim, percebeu: se parecia demais com a mulher que ele atropelara há pouco.

“Ah, claro. Ela tinha que vir pro mesmo hospital que eu.”

O tempo de espera foi longo, e ele estava inquieto. Estava preocupado com Marie e também com a mulher loira. Depois de um longo período, um médico apareceu.

Você é o Arnold?

Sim doutor, sou eu.

Sou o doutor Yester. Sua mulher está indo para a sala de parto agora, e se der tudo certo, ela e o bebê vão sobreviver.

Após dizer essas palavras, o dr. Yester falou um relatório médico completo e complicado, no qual Arnold não teve o menor interesse. Ele sorriu e balançou a cabeça para o homem, como se entendesse e concordasse com cada palavra, enquanto seu peito explodia em felicidade. No fim, soube que ainda teria que esperar para poder ver a mulher, e o médico voltou para dentro do hospital. Ainda inquieto pela outra mulher que ele vira chegar no hospital, ele se levantou, e foi procurar uma enfermeira.

Acabou por descobrir que a loira se chamava Rachel, e havia se ferido gravemente no acidente. Soube também que o marido de Rachel já estava no hospital, o que tirou a coragem de Arnold de tentar ir ver a vítima do acidente. Só podia torcer para que a tal Rachel sobrevivesse; e claro, que o atestado segurasse o processo. Pediu para que a enfermeira desse notícias sobre Rachel assim que possível.

Esperou mais um longo tempo a cirurgia de sua esposa, no qual ligou para a família de Marie. Embora Annie e Ronald tivessem ficado preocupados, Arnold conseguiu convencê-los que sua presença no hospital era desnecessária; não queria que mais ninguém ficasse sabendo do atropelamento.

Por fim, pode entrar no quarto da sua esposa. A mulher estava dormindo, e o filho não estava lá.

Onde está a criança? perguntou ao dr. Yester, que estava no quarto.

Está na incubadora. O procedimento foi um sucesso. Parabéns, você tem uma filha!

Arnold sentou-se em um banquinho e encostou sua cabeça na parede, com um sorriso. Sua filha havia nascido, e estava bem! Em meio as fortes batidas de felicidade de seu peito, pegou no sono, cansado. Já eram 22 h.

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A terça-feira passou rápido, sem demais problemas. Marie teve que ficar o dia sobre observação, mesmo que não tivesse nenhuma complicação. Ficou brava com Arnold quando soube que ele não tinha deixado seus pais virem, mas a felicidade do casal em ter sua primeira filha não permitia que nenhuma briga se abrisse entre eles. Arnold não conseguia desviar o olhar do sorriso de felicidade no rosto de sua esposa, tão pouco evitar de sorrir de volta. Antes que desse meio dia, Annie e Ronald estavam no hospital. Acabaram visitando a neta antes de visitar a filha. Quando eles chegaram no quarto de Marie, Arnold saiu para comprar alguma coisa para comer. Os novos avós foram embora quando a noite de terça feira começava a cair. Marie teve alta na quarta feira a tarde. Foram embora do hospital após visitarem sua filha, que decidiram que iria se chamar Julie, e Annie e Ronald chegarem no hospital para ficarem com Julie.

No caminho da saída do hospital, Arnold foi parado por uma das enfermeiras com as quais ele havia feito amizade.

A Rachel acordou do coma hoje a enfermeira disse. E vai ficar tetraplégica.

Alguma chance de cura? Arnold perguntou.

Não, nenhuma. É definitivo.

Arnold se abalou com a notícia.

Ela corre risco de vida?

Não mais.

Certo, obrigado.

Espera aí protestou Marie. Quem é Rachel?

Emo… no carro a gente conversa.

Entraram no carro, e Arnold deu a partida, calado. Marie ficou esperando que ele tomasse a iniciativa do assunto, mas não aconteceu. Já haviam chegado na metade do caminho quando Marie perguntou:

Maromba, quem é Rachel?

Emo… quando eu estava te trazendo por hospital, você estava desmaiada, e eu desesperado… acabei infligindo algumas leis de trânsito.

E daí?

Eu avancei um sinal e… eu atropelei essa Rachel.

Marie ficou alguns segundos calada, como se processasse as informações.

Você deixou uma mulher tetraplégica… pra me salvar? É isso?

Ela está viva!

Não é assim que as coisas funcionam!

Eu faria qualquer coisa pra te salvar, Emo, eu te amo, eu teria matado alguém…

Cala a boca, Arnold.

Ficaram calados até chegar em casa. Arnold tinha certeza que teria uma tarde feliz com sua esposa, planejando o futuro da filha, até que desse a hora de voltar para o hospital. Mas Marie estava fria com ele, como se estivesse indignada pelo acontecido.

“Ela não entende? Era essa tal de Rachel ou ela!”

Mas Marie não entendia. Cerca de uma hora depois, Marie pegou uma mochila com seus pertences, para voltar para o hospital

Não apareça naquele maldito hospital até eu te ligar, Arnold.

E entrou dentro de seu carro, voltando para o hospital.

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Arnold ficou completamente desorientado com a reação de sua esposa. Ela deveria achar aquilo romântico! Eles estavam realizando o sonho da vida deles, e ela não podia ficar feliz por causa de uma mulher que ela nem conhecia? Ela não teria feito a mesma coisa por ele?

Saiu a pé, para ir para o escritório de Aliena. Tinha que dar alguma satisfação para sua chefe, além de saber se ela defenderia sua causa em um possível processo contra Rachel. Entrou em um beco, que era atalho para o escritório.

Quando de repente, algo pesado caiu dos céus, atingindo sua cabeça, Arnold caiu no chão, sentindo intensa dor nas costas, a visão duplicada com a dor. Olhou para o chão. Parecia um corpo humano. Deitou no chão, e desmaiou.

Seu celular começou a piscar e vibrar em seu bolso. Na tela, uma frase se destacava.

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“Recebendo ligação de

Emo.”

Notas finais
Então, galera. Eu estou com um novo projeto, para criar uma nova historia, que no momento está me animando e me atraindo bem mais do que essa atual historia. Além do mais, acho que os capítulos já começaram a ficar enjoativos, visto que a historia já passou sua ideia principal, e está ficando previsível. Junte tudo isso ao baixo feedback que estou tendo, e vão me entender. Estou pensando em encerrar a historia no próximo capitulo. Mas antes, quis perguntar aos meus leitores. Posso encerrar a historia no próximo capitulo, ou posso começar a postar com uma frequência mais baixa, enquanto me dedico ao meu novo projeto, tratando essa historia como se fosse um livro de one-shots (o que, de certa forma, é). Por mais que os capítulos estejam enjoativos, me agrada a ideia de desenvolver a historia de um personagem, em um ponto crítico da sua vida; é sempre um desafio. Então eu quero a opinião de vocês. Eu encerro de vez a fic, ou continuo postando capítulos, com uma frequencia e compromisso um pouco mais baixas? Comentem aí o que vocês querem, por favor. Vou esperar a opinião de vocês por uma semana, e aí eu começo a escrever (ou seja, de qualquer forma o próximo capítulo vai demorar um pouco). A próxima etapa da historia depende muito de se eu vou continuar ou não com a fic, por isso só vou aguardar comentários por uma semana mesmo. É isso pessoal, obrigado pela leitura!