Notas iniciais
Atualizei um pouco a fic; coloquei travessão e meia-risca no lugar dos hifens, e fiz uma pequena alteração sobre a família do Brian no 1o capitulo (pra evitar divergência com esse capitulo). Boa leitura!

Ele olhava para o chão, cerca de 75 m abaixo de seus pés. Estava sentado no pequeno muro que cercava a laje do prédio, olhando para o beco abaixo dele. Balançava seus pés no vento, e lágrimas lhe escorriam pelo rosto, indo em direção ao chão.

Uma queda fatal, ou, pelo menos, era o que Brian esperava. Já não aguentava mais sua vida, todos os caminhos tortuosos pelos quais passara. Respirava, tentando encontrar coragem, mas não a encontrava. Memórias dos piores momentos de sua vida lhe viam a cabeça, desde os abusos sexuais em sua infância, até o assassinato de sua namorada, Jennifer. Sua vida nunca tinha sido fácil, e ele já havia pensado em suicidar inúmeras vezes. Mas agora, estava decidido. Fechou seus olhos, suas memórias lhe fazendo voltar no tempo.

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Suas más lembranças começavam na escola. Nessa época, Brian não era mais que uma criança de 9 anos. Corria atrás de uma bola no recreio, quando esbarrou em um garoto mais velho, e caiu de costas no chão. O garoto riu dele, e disse:

Não olha por onde anda não?

No dia, o coração de Brian disparou de medo do garoto. Se chamava Arthur, e já tinha seus 12 anos. Tinha um olhar de maldade, com um grande sorriso maldoso que fazia questão de ostentar o tempo todo. Era alto para a sua idade. De cima do prédio, Brian sentiu seu coração disparar conforme sentira naquele dia de sua infância.

Em parte por graças ao enorme medo que sentia, em parte pelo constrangimento, Brian se levantou, e tentou continuar correndo atrás de sua bola. Mas Arthur colocou seu braço na frente, o encaixando na barriga de Brian e lançando-o ao chão. Ele ainda se recordava da dor que sentiu quando sua cabeça colidiu com o chão.

Eu não deixei você ir embora, fedelho. a voz de Arthur aterrorizou Brian de forma inexplicável. O garoto tremia todo, como se sentisse um frio intenso; mas era apenas o medo tomando conta de seu cérebro, tal qual uma enchente.

Desculpa Brian conseguiu gaguejar.

Arthur riu antes de chutar a barriga de Brian, que começou imediatamente a chorar, de medo e de dor.

Olha gente, que menino idiota! Bebê chorão! Perdeu a bolinha, foi? Arthur gritou para toda a escola ouvir. Depois, simplesmente deu as costas para Brian e saiu andando, como se nada tivesse acontecido.

Brian conseguia sentir o peso do olhar de todos na escola. Alguns tinham um olhar de pena, outros tantos riam da cara dele. Não conseguia mover um músculo do corpo; era como se cada olhar lançasse uma corda, que o enfaixava e o imobilizava, como uma múmia. Por alguns segundos, Brian quis mesmo estar morto e enterrado como as múmias.

No topo do prédio, Brian agora revivia aquela situação. Conseguia sentir a mesma dor na barriga, a mesma dor na cabeça. Olhou para as janelas dos prédios ao redor, como se esperasse pessoas aparecendo e rindo dele. “Olhe lá” elas diriam. “Brian, o bebê chorão. O patético. Vamos, se jogue logo!”. E ele teria se jogado, se suas lembranças tivessem acabado. Mas estavam apenas no começo.

Naquele mesmo dia as coisas pioraram muito. Quando finalmente Brian se levantou sozinho, pois ninguém se deu ao trabalho de lhe ajudar foi para a sala da diretora. Mesmo que ele fosse novo, sabia que deveria reclamar em casos como esse.

Com licença, Sra. Andreza?

Sim querido, claro! Entre! O que foi?

É o Arthur, Sra. Andreza. Aquele menino com cabelo vermelho, que fica rindo igual um bobão o tempo todo.

Ah, o Arthurzinho! A Andreza se levantou, e fechou as portas e as cortinas da janela, fazendo com que a sala se mergulhasse numa escuridão completa. Brian odiava o escuro, mas logo Andreza acendeu a luz. O que o Arthurzinho fez?

Ele me jogou no chão e chutou minha barriga.

E o que você fez?

Nada.

Nada?

É.

Ele te bateu à toa?

Foi.

Andreza suspirou fundo, e aproximou seu rosto de Brian. Olhou-o no fundo dos olhos, e mais uma vez, Brian sentiu medo.

Brian, eu não quero ouvir isso de novo. Não quero saber dessa história, você está me ouvindo? Se você contar isso pra alguém, vai ter problemas. Problemas comigo. Me entendeu, menino?

Ele fez que sim com a cabeça, e saiu correndo da sala da diretoria. Anos mais tarde, entendeu que a reação de Andreza se devia ao fato de Arthur ser o garoto mais rico da escola, e as inúmeras doações que seu pai fazia para a diretora. Mas na ocasião, tudo o que ele sentiu foi um medo, um medo profundo. A sensação era exatamente a mesma de estar no escuro: como se estivesse completamente sozinho.

Voltou para o pátio da escola para procurar sua bola, que fora presente de seu pai. A encontrou furada com um prego. Se já chorava antes, começou a chorar ainda mais. O sinal para o final do recreio tocou, mas ele ficou sozinho sentado ao lado da bola, enquanto todas as crianças voltavam para a sala. Chorou até sentir sede, e então chorou ainda mais.

Claro que quando chegou em casa ele contou tudo para sua mãe; mas se ela se importou, não demonstrou. “Pare de dizer asneiras, Brian”, ela disse. Então Brian se trancou no quarto, e chorou até dormir. Só viu o pai no dia seguinte; e então, não quis contar. Depois desse dia, não teve mais um dia que Arthur não infernizou a vida de Brian.

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Era tortuoso para Brian se lembrar disso. Arthur fora o terror da vida dele até seus 15 anos, que foi quando a vida dele teve a primeira grande mudança. Olhou para o chão abaixo de si novamente, tentando tomar coragem de se jogar. Sentia todo o mal estar que sentia quando estava perto de Arthur, mas ainda assim, não era capaz de se jogar; ainda não tinha coragem. Não se sentia mal o suficiente. Mas em pouco tempo, sua mente se mergulhou em outra lembrança, pior que a anterior.

Na época, Brian tinha 10 anos, e estava voltando da escola. Seu uniforme era uma camisa branca com o logotipo da escola, e uma bermuda azul; carregava uma pesada mochila. Desceu do escolar, quase caindo no chão no processo com o peso do material, e entrou em casa. Não foi discreto, tão pouco silencioso, de forma que a cena com a qual se deparou ao abrir a porta podia ter sido evitada; mas não foi.

Sua mãe estava deitada no sofá, nua, de baixo de outro homem também nu. Brian lembrava-se perfeitamente do olhar de ódio que sua mãe lhe lançara quando ele entrou em casa, como se ele fosse culpado de interromper o momento dela.

PRO SEU QUARTO BRIAN, AGORA! Ela gritou, sem se dar nem mesmo ao trabalho de interromper o ato.

Brian olhou para o homem, assustado. Aquele com certeza não era o seu pai. Mas bastou apenas mais um olhar de ódio intenso de sua mãe para que ele jogasse sua mochila no chão e corresse para o quarto, assustado, e se trancasse. De dentro do quarto, ficou ouvindo sua mãe gritando, gemendo. Na época, não sabia o que estava acontecendo, pois fora o seu primeiro contato com o ato. Assustado, tentando compreender o que estava acontecendo, começou a chorar, a cabeça afundada em seu travesseiro.

Alguns minutos mais tarde, ele pode ouvir o som da porta se fechando, e os passos da sua mãe se aproximando do quarto. Ela abriu a porta com brutalidade.

Acho melhor você não contar isso pro seu pai, Brian. Se não… A mulher deixou a ameaça no ar, e saiu do quarto do filho.

Depois desse dia, Morelia como a mãe de Brian se chamava não fez mais a menor questão de tentar esconder seu caso de Brian. Diariamente ele ouvia os gemidos de sua mãe no quarto, ou a encontrava no sofá com o amante. Quando Brian descobriu do que aquilo se tratava, a cena se tornou ainda mais repugnante.

Se lembrando disso, Brian percebeu que nunca ouvira gemidos quando Morelia se deitava com Nathan, seu pai. Nathan era um ótimo pai, muito embora fosse ocupado e ausente. Brian tinha excelentes lembranças dele, mas não conseguia recordar-se de nenhuma no momento. Ao invés disso, ele atingia lembranças cada vez piores.

Ele já tinha 13 anos. Chegou em casa com a cara inchada, pois no dia, tinha tentado enfrentar Arthur e apanhara, como nunca havia apanhado, na frente de toda a escola. Sentia-se como um aparelho antigo e quebrado, absolutamente inútil. Mas respirou fundo e seguiu em frente; afinal, o que mais poderia fazer? Rezou para que sua mãe estivesse sozinha em casa aquele dia, ou que, pelo menos, estivesse dentro do quarto; seu dia estava ruim demais para ter de lidar com outra de suas fantasias sexuais bizarras e nojentas.

Mas não deu tanta sorte. Aquele dia, teve que lidar com a pior das fantasias de Morelia.

Encontrou sua mãe e um de seus amantes nus, no sofá, mas estavam sentados um ao lado do outro, conversando. Antes que Brian pudesse processar as informações, o homem se levantou do sofá, e segurou os braços de Brian. Brian tentou se soltar, mas não teve forças; caiu deitado no sofá com um empurrão do homem, que voltou a segurar seus braços. Se contorceu no sofá, desesperado, e assustado. Morelia pegou o cinto de seu amante, e os usou para amarrar os pés de Brian. Não foi necessário, porém; Brian ficou absolutamente paralisado quando sua mãe abaixou suas calças, em choque. Tentou fechar os olhos e ignorar o ato, buscar algum refúgio seguro em sua mente. É claro, não conseguiu.

Minutos depois, ele havia perdido a virgindade, em um estupro cometido pela própria mãe.

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Aquilo teria sido mais que o suficiente para levar qualquer pessoa normal à loucura, ou até ao suicídio. Mas Brian não era uma pessoa normal; tinha uma certa resistência a traumas. É claro, o evento não tinha passado em branco; depois daquilo, Brian se tornou garoto solitário, que evitava contato com qualquer um na escola; antes, mesmo com Arthur pegando em seu pé, Brian ainda tinha sua turma de amigos, mas depois, cortou contato com todos eles. Tamanha era a tristeza e isolamento social do garoto que chamou a atenção de Sharliê que, depois, salvaria a vida de Brian. A garota era da sala de Brian, e foi se aproximando dele aos poucos. Sharliê sempre se sentia triste quando se aproximava de Brian, tamanho era o trauma do garoto; mas ela tinha jeito pra isso. Com algum tempo e muita insistência, Sharliê se tornou a única e melhor amiga de Brian.

Mas naquele momento, em cima do prédio, Brian insistia em não se recordar de Sharliê. Ao invés disso, repassava na mente cada uma das vezes que acordou amarrado na cama, com sua mãe sentada em seu colo; ou tantas outras vezes que aquelas barbaridades aconteceram. Ele estava de olhos fechados, mergulhando profundamente em cada uma daquelas horríveis lembranças, ininterruptamente. Já queria se jogar em direção ao vazio, ir de encontro ao chão, mas lhe parecia impossível sem antes reviver cada lembrança, reviver toda a dor que vivera em toda sua vida. E agora, não tinha Nathan, Sharliê ou Jennifer para lhe ajudarem com sua dor; era apenas Brian e a sua morte iminente.

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Seu cérebro lhe levou para uma lembrança diretamente relacionada com os estupros. Era um sábado, e Brian estava deitado em sua cama, como costumava passar o dia inteiro. Já tinha 15 anos, e naqueles tempos, frequentava a casa de Sharliê; a garota havia lhe ajudado a lidar com os traumas diários, e a seguir em frente. Seu pai estava em casa, e almoçava com sua mãe. Brian não conseguia se lembrar do porquê, mas algo lhe levou para a cozinha, para almoçar junto com os parentes coisa que ele não costumava fazer, pois preferia pular a refeição.

No dia, Brian estava muito distraído com alguma coisa (não tinha certeza do quê, embora tivesse quase certeza de que fosse algo feliz), e não percebeu o clima de tensão crescendo entre Morelia e Nathan. Só notou que algo estava acontecendo quando seu pai se levantou, esmurrando a mesa.

É isso mesmo, seu corno! Disse Morelia. 10 anos, tomando chifre pra todo mundo! Seu broxa! Não tem nada que me faz ficar contigo a não ser o dinheiro! Até seu filho te chifra! De repente Morelia parou de falar, como se percebesse que tinha passado de algum limite, grave demais até mesmo para a briga com Nathan, na qual ela esfregaria em sua cara todas as traições e enterraria o casamento, conforme seus planos. Alguns segundos de silêncio completo, e então Nathan perguntou:

É verdade isso, Brian?

Tudo o que Brian conseguiu fazer foi chorar. Procurou um refúgio em sua mente, um lugar feliz, imaginário, onde nada nunca havia acontecido. Mas daquela vez, não conseguiu. Pegou uma faca e começou a cortar os próprios pulsos, cortes rasos e variados, na esperança de que a dor pudesse amenizar o medo e a tristeza que sentia dentro de si.

Parou quando viu Morelia no chão, desmaiada. Nathan, sentado na barriga de Morelia, tinha um ataque de fúria e socava sem parar a face da mulher, que havia desmaiado justamente devido aos golpes.

Ficou paralisado, chorando, observando tudo com olhos dilatados. Viu seu pai indo para dentro do quarto, tremendo de ódio, e se trancando. Ouviu a campainha soando, tocada por um vizinho preocupado com toda a gritaria. Viu a polícia arrombando as portas da casa, e levando seu pai preso, e a mãe para o hospital. Só conseguiu se mover quando uma policial o acudiu, tentando lhe consolar.

Depois desse episódio, Morelia ficou em coma por mais de um mês, de forma que Brian teve que procurar outro lugar para morar. Acabou sendo abrigado por Sharliê e seus pais, e mesmo quando sua mãe saiu do coma, não voltou para casa. Morou com a amiga enquanto superava todos os traumas que havia vivido, e desenvolveu um humor ácido, irônico e critico, que mantinha como máscara o tempo todo. Os acontecimentos de sua vida permaneceram como um segredo, só conhecidos por ele e por Sharliê.

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Por mais que lembrar do surto de seu pai fosse horrível, Brian hesitou novamente em se jogar. Sharliê ainda estava em algum lugar. Ele tinha que se reconciliar com ela, antes de qualquer coisa. Ele tinha boas lembranças do tempo que morou com ela, lembranças essas que serviram como um frágil fio que o conectava a vontade de viver. Se forçou a tentar lembrar desses bons momentos, revivê-los, como se isso pudesse afastar tudo o que ele tinha vivido até então.

Mas sua mente lhe traiu, e trouxe a lembrança da primeira briga que ele teve com Sharliê.

Já tinha 19 anos na época; morava com Sharliê há 4 anos. Embora as lembranças de tudo pelo que ele tinha passado ainda lhe dessem medo, começavam a deixar de afetar a sua vida. Quando ele não estava remoendo os acontecimentos em sua memória, gostava de sair de casa com amigos. Já trabalhava, e embora não fosse muito, se orgulhava de ter o próprio dinheiro. Brian se sentia independente, e achava que já não devia satisfações para ninguém.

No princípio, ele e Sharliê sempre saiam juntos. Brian tinha tomado gosto pela dança, e nas boates que frequentavam, e passava a noite dançando. Brian não ficava com ninguém, pois esse trauma ele ainda não havia superado, mas fazia muitas amizades. Nas várias amizades que fez, acabou por conhecer alguns drogados, e seguir seus passos.

Quando Sharliê percebeu o caminho que Brian havia tomado, parara de levá-lo as boates, na esperança de que a timidez o impedisse de ir sozinho. Mas não adiantou; Brian se sentia muito mais potente graças as drogas, e continuou a ir sozinho, chegando em casa cada vez mais tarde e em um estado cada vez mais deplorável.

Não demorou 1 mês até que os pais de Sharliê percebessem, e se sentindo como responsáveis por Brian, lhe dessem uma bronca, e tentar o impedir de sair de casa.

Então agora vocês são meus pais? Brian perguntou na briga. Acho que não. Eu sou de maior e vocês não mandam em mim!

Você mora de favor na nossa casa! Respondeu o pai de Sharliê.

Eu moro aqui a favor da Sharliê. Não é mesmo, Sharliê?

Brian, não é assim que funciona…

Aquela fala, vinda de sua amiga e único apoio moral, fez Brian desabar. Ele se sentiu como se tivesse perdido a única coisa que o impedia de cair em um buraco fundo e escuro, e agora estivesse caindo na escuridão, infinitamente e sozinho. Nada mais parecia lhe impedir. Brian não trocou mais nenhuma palavra com Sharliê até a semana seguinte, quando encontrou um apartamento para alugar.

O choque de perder a melhor amiga foi suficiente para fazer Brian parar de usar drogas; como ele usava a pouco tempo, não foi difícil. A obrigação de morar sozinho fez com que Brian crescesse muito como pessoa, ganhando dinheiro e aprimorando sua personalidade. Sua máscara de ironia agora não era mais que um resquício dos traumas que vivera, os quais agora ele conseguia viver sem se lembrar. Chegou aos 28 anos, tempos atuais, com uma boa renda, e renovado como pessoa. Aos 27 anos, ele havia conhecido Jennifer, a primeira mulher de sua vida para a qual ele olhara com desejo.

Mas então tudo deu errado, e era apenas disso que Brian conseguia se lembrar no turbilhão de sentimentos que vivia no topo do prédio.

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Ele havia se encontrado novamente com Sharliê dentro de um ônibus há alguns meses, e então trocaram contatos. Voltaram a conversar, e Sharliê ficou extremamente feliz em saber que Brian tinha arrumado alguém. Brian contara-lhe que não havia dito nada sobre seu passado para Jennifer, e Sharliê previu que aquilo daria errado.

E a amiga de Brian acertou a previsão. Em algum tempo, Jennifer começara a sentir um grande ciúme de Sharliê; ciúmes esse que Brian acreditava ser infundado. Brigaram e ficaram sem conversar por duas semanas, e quando voltaram a conversar, Brian havia a pedido em casamento. Parecia uma ideia perfeita; mas Jennifer recusou.

“Eu preciso de um tempo para pensar… OK?” ela havia dito no dia, e as palavras ecoaram na mente de Brian, parecendo uma memória distante.

Como se não fosse ruim suficiente para Brian a recusa ao pedido de casamento, no dia seguinte Jennifer havia morrido, em um assalto a mão armada.

Isso teria feito suficiente para fazer Brian se matar, caso ele não tivesse tido novamente o apoio de Sharliê. Mais uma vez, a mulher tinha se mostrado uma excelente amiga, dando todo o apoio que Brian precisava, e provado que conhecia ele como ninguém. Mesmo que ele tivesse perdido o amor de sua vida, se sentia apoiado e até completado por Sharliê, e apesar de ter pensado em suicídio, desistiu na última hora.

Haviam se passado quase 2 meses desde a morte de Jennifer, mas Brian sentia como se tivesse sido no dia anterior; a ferida ainda estava aberta em seu peito, e ele estava completamente dependente de Sharliê. Foram na delegacia responsável pela investigação do assassinato, conversar com o delegado Ronildo responsável pela investigação do caso. Estava acompanhado de Sharliê, e lá se encontrou com os amigos íntimos e parentes próximos de Jennifer.

Infelizmente, vamos arquivar o processoO delegado disse, sem muitos rodeios. Não conseguimos encontrar nenhuma pista até hoje de quem matou a Jennifer, e as pistas já esfriaram. Sabemos apenas que foi alguém relacionado a uma rede de tráfico de drogas da região onde foi encontrada o corpo; e só quem consegue ir de frente contra essa rede é a FOTACCRO. Sinto muito.

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Brian ficou absolutamente mudo até o caminho de casa, o qual fez acompanhado por Sharliê. Não estava contente com a notícia, era claro; queria saber quem matara Jennifer, sentia que tinha esse direito. Mais que um direito, era uma necessidade. Saber que isso estava fora de seu alcance lhe enlouquecia, trazendo a tona em sua mente os piores pensamentos. Queria se matar, ou matar o assassino, ou matar qualquer um. Tentou conter aquilo, mas chegando em casa, explodiu; não aguentava mais. Ele não conseguia se lembrar bem o que havia dito para a amiga, só sabia que ela havia ido embora não muito feliz.

Foi então que Brian havia subido na laje do prédio, e estava a mais de uma hora tentando tomar coragem para se jogar. A série de memórias foram o suficiente para fazer ele finalmente se decidir. Não precisou de abrir os olhos; impulsionou seu corpo com os braços, e caiu em queda livre em direção ao chão.

Sentindo o rosto em seu vento e sabendo que ia em direção a morte, Brian abriu os olhos. E viu que um homem andava pelo beco, se dirigindo para o local exato onde ele iria cair. Tentou gritar para alertar o homem, mas não conseguiu.

Caiu de barriga na cabeça do homem, rompendo vários órgãos internos. Caiu no chão já desmaiado. Não demorou até que morresse.

Notas finais
E então galera, como eu tinha dito lá no capitulo anterior, eu estava pensando em parar com a história por aqui. Pois eu decidi que não quero acabar com ela ainda. Não sei bem de onde ou como, mas encontrei novamente ânimo para continuar escrevendo, por mais que a outra história que pretendo escrever me entusiasme o mesmo tanto. Mas para manter essa história aqui, eu decidi que vou precisar fazer algumas alterações. Vou lista-la pra vocês. Em primeiro lugar, vou mudar a estrutura dos capítulos. Como um leitor mais atencioso já deve ter percebido, meus capítulos seguiam uma estrutura básica e enjoativa: apresento um personagem, faço ele matar alguém, mato ele. A partir de agora, vou deixar um pouco mais solto; alguns capítulos não vão ter mortes, personagens já mostrados vão voltar a aparecer (como aconteceu nesse), dentre outras coisas. A ideia ainda é a mesma; mostrar como pequenas decisões nossas podem afetar a vida de outras pessoas. A não-morte da Rachel, na verdade, já foi uma tentativa de fazer essa alteração para deixar menos enjoativo; e em outros capítulos, as decisões também podem não acabar em morte, mas ainda tendo alguma consequência. Com isso, espero deixar a história menos enjoativa. O segundo ponto é que vou dividir a história em ciclos. Esse capitulo foi o ultimo do primeiro ciclo; e a divisão entre ciclos vai ser a baixa relação entre um capitulo e o capitulo seguinte. O próximo ciclo já está planejado em minha cabeça, e deve ter 3 capítulos. Decidi que vou acabar de escrever um ciclo inteiro antes de posta-lo. Quando acabar de escrever o ciclo inteiro, posto o primeiro capitulo daquele ciclo, e deixo a postagem dos outros programada; pretendo dessa forma não atrasar mais capítulos. Enquanto eu estiver escrevendo um ciclo (e não postando-o), vou deixar nas notas da fic que ela está em hiatus. Vou aproveitar esse novo sistema para poder me dedicar a minha nova ideia, do meu novo universo; (o qual também devo demorar um pouco pra postar). Então é isso pessoal. Eu devo ficar um tempo sem postar nada, mas ainda estou entrando aqui no site. Vou responder TODOS os comentários que vocês deixarem ai, por isso peço, comentem, porque isso me da forças pra continuar. Se possível também, ajudem com a divulgação; conheço apenas um grupo de divulgação, e não me dou muita sorte nele. Vou ficar de olho nas visualizações diárias, claro, e esperando comentários novos, hehe. Então obrigado por lerem até aqui, e obrigado por ler essa nota final de capitulo. Tenho gratidão por cada um dos meus leitores. E até logo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.