Notas iniciais
SINTO MUITO PESSOAL!
Aqui é a StellaNayara, e me desculpem pela minha demora a postar, mas é que eu tava com muita preguiça e só agora vim toma vergonha na cara.

A partir de agora a história é narrada pelo Justin.

__________________________________________________________________

O que aquela louca queria? Acho que a Andy não entendia que eu não gostava dela, quando eu era mais novo ela até chegou a dizer que me amava, mas eu pensei que fosse brincadeira, mas de uns tempos pra cá...

Chaz ainda me perguntou, hoje de tarde, se eu sentia alguma coisa por ela, eu só respondi que tenho ela como uma empregadinha que faz tudo por mim.

– Ei, Justin, o que a Andy tem? – Chaz adentrou meu quarto. – E porque você tá com o rosto com uma marca vermelha?

– Aquela doida me bateu – respondi e Chaz segurou uma risada – Não é pra rir, ela veio me dizer que me amava e eu só disse a verdade.

– Foi grosso com ela?

– Não – Chaz arqueou uma sobrancelha – Só um pouquinho, e dai?

– Agora eu sei por quê... – Chaz foi interrompido.

– Gente, uma garota foi atropelada. – Jaden entrou no quarto assustado – Aquela que saiu chorando daqui!

– Andy? – perguntei.

– Você acha que eu sei o nome dela!? – Jaden disso com sarcasmo.

Por impulso sai correndo. Andei pelo meio das pessoas que já se pegavam e finalmente sai dando de cara com um caminhão estacionado, uma multidão de pessoas formada em círculos.

Corri o mais rápido que podia, me exprimi pelo meio da multidão até ver aquela cena.

Andy estava jogada no chão, os cabelos estavam sobre seu rosto, uma poça de sangue estava em volta dela. Não pensei duas vezes e me agachei, uma pontada no meu coração, foi isso que eu senti. Entrei em desespero, olhava para o pessoal em volta, alguns estavam com celulares. Abracei Andy forte, sabia que com certeza estava com a roupa toda melada de sangue, mas eu não me importava.

– ANDY! – alguém gritou.

Nossa atenção foi toda para Raissa, a irmã de Andy, que começou a chorar desesperada. Ela se agachou e chorou muito.

– NÃO VÃO FAZER NADA? – Raissa gritou.

– Eu já liguei para o socorro e... – um homem disse, mas foi interrompido por uma ambulância, que chegou em disparada.

Raissa ainda chorava sem controle, mas eu estava sem reação. Eu não conseguia me mover, era como se alguma coisa estivesse me corroendo por dentro, um medo de que Andy morresse tomou conta de mim e por causa disso, lágrimas escorreram pelo meu rosto.

– FOI VOCÊ, NÃO FOI!? – Raissa gritou.

Eu não disse nada, apenas a fitei com medo.

– Porque está chorando? Tudo isso foi culpa sua, ela não devia ter ido, não devia – ela disse, chorando cada vez mais e colocando as mãos no rosto.

– Culpa minha, mas como assim? Não fui eu que atropelei a Andy – tentei dizer.

– CALA A BOCA – Raissa ordenou – Se ela não tivesse tido essa paixão por você, nada disso teria acontecido. Ela nunca teria passado 17 anos chorando, nunca teria ido aquela maldita pizzaria, nunca teria sido atropelada...

Pizzaria? Mas que... ah não, foi aquela vez que eu dei um bolo nela. Eu fiz de proposito, ia ser legal fazer a Andy de besta, mas agora eu me sentia um grande puto por ter feito isso a ela.

– VAMOS LOGO! – um dos homens que estavam na ambulância gritou para nós dois.

Raissa foi em direção à ambulância onde Andy já estava sendo socorrida, assim como eu fiz.

[...]

Muita correria naquela emergência. Médicos, enfermeiras, gritarias por todos os lados, mas só uma coisa importava: Andy.

Nesse momento estávamos praticamente correndo. Andy estava numa maca, estava desacordada e vários médicos e enfermeiras estavam por perto. Até parecia aquelas cenas de filmes.

Raissa segurava uma mão de Andy e eu segurava a outra. Minha blusa estava toda melada de sangue, eu estava nervoso e com medo, muito medo. Tinha medo de que ela morresse, me sentia culpado pelo oque tinha falado há algum tempo atrás.

Mas numa hora, os médicos não deixaram que nem eu nem Raissa fossemos junto a eles, por isso tivemos que parar.

– Você é um canalha! – Raissa falou sem me encarar.

– Dá pra você parar de me xingar? – perguntei com um pouco de raiva.

– Como você quer que eu não te xingue? Isso tudo foi sua culpa, ela sempre te amou, Justin, fez de tudo pra que você ao menos olhasse nos olhos dela e dissesse um simples “Eu te amo”, mas você burro, não percebeu!

– Eu não tinha ideia do que ela sentia por mim – retruquei.

– Seu filho da puta – ela colocou as mãos na cabeça, num ato meio doidão, e se voltou para mim novamente – Lembra de quando você pediu pra ela fazer uma lição de matemática que você não sabia fazer e ela disse que te amava?

Eu fiquei sem palavras. É claro que eu lembrava, mas eu pensei que era só uma brincadeira, nunca pensei que tinha sido verdade.

– Uau, parece que o Sr. Jumento entendeu tudo agora, não é? – Raissa disse sarcástica, e foi em direção ao banheiro, provavelmente para chorar em paz.

Fiquei parado como uma estatua, raciocinando sobre tudo. Lembrei do dia que ela disse que me amava, das vezes que ela ia lá em casa... eu nunca vi a Andy sorrir de verdade. Era incrível que todas as vezes que eu a via, ela estava com os olhos inchados, às vezes com os cabelos feios, e parecia que sempre estava triste. Nunca entendi o motivo de tanta tristeza, mas agora tudo fazia sentido: era eu. Todos aqueles dias de choro, tudo, era por minha causa.

Pensar nisso me deixou extremamente culpado. Me sentei em uma das cadeiras na sala de espera, abaixei a cabeça e algumas lágrimas escorreram. Eu me sentia um verdadeiro lixo, um imbecil.

– O que está fazendo aqui? – uma voz grossa e rude me tirou dos pensamentos.

Olhei para cima e me deparei com Larry, o pai de Andy. Ele não parecia nada satisfeito com a minha presença, estava com uma expressão fria e raivosa.

– Senhor Larry, eu... – tentei explicar.

– Vamos garoto, foi você, não foi? Foi tudo sua culpa! – ele nem me deixou terminar a frase.

– Justin, sai daqui agora – Eva, a mãe de Andy, disse – Você não tem o direito de estar aqui!

– Mas eu preciso saber como é que ela está. – disse.

– Agora? Depois de tudo o que você fez a minha irmã? – Raissa de aproximou.

– Graças a você, nós só temos lembranças da Andy chorando – Larry disse.

– Eu nunca quis que nada disso acontecesse – minha voz saiu meio falha.

– Mas aconteceu e por causa disso, nós proibimos que você veja a Andy – Raissa disse.

– O que? Isso não é justo, eu preciso ver como é que ela está. – protestei.

– Justin, sinto muito, mas não podemos – Eva disse, tentando ser o mais gentil possível – Você não sabe o que é passar 17 anos vendo a sua filha sofrer, aconselha-la de que esse amor nunca daria certo e acabar desse jeito.

– Por favor, dona Eva – segurei firme as mãos dela – Eu preciso saber como ela está, eu preciso ver a Andy de qualquer forma.

– Mãe... – Raissa chamou.

A nossa atenção foi voltada ao doutor, que estava com uma expressão meio triste. Pela expressão que ele trazia no rosto, eu logo comecei a pensar besteira, mas não, ela não poderia ter deixado tudo aqui, ela não poderia ter me deixado...

– Querem a má noticia ou a boa noticia? – o doutor perguntou.

– Diz logo a boa – Larry respondeu.

– Ela está viva – ele sorriu e um alivio tomou conta de mim.

– E a ruim? – Eva perguntou.

– Bom, Andy ainda respira, mas a qualquer momento o coração dela pode parar de bater – ele foi curto e grosso – Até agora nós ainda nos perguntamos de como ela sobreviveu a esse acidente.

– Andy foi atropelada pelo o que, Raissa? – Larry perguntou.

– Um caminhão – Raissa respondeu, deixando Eva e Larry boquiabertos.

– Quando soubemos que tinha sido um caminhão, pensamos que fosse morte instantânea, mas o coração dela ainda está batendo. Só que queremos logo avisar que talvez esses batimentos acabem. Ela está em estado de coma profundo, muitas vezes quando isso acontece nós desligamos os aparelhos, pois já sabemos o que irá acontecer.

– Não... – Eva balançava a cabeça negativamente, agarrou Larry, e chorou desesperada, enquanto Raissa sentou-se em uma das cadeiras e também começou a chorar – O meu bebê – Eva praticamente gritava – Porque tão jovem?

Estava na cara que Larry queria chorar. Seus olhos azuis, como os de Andy, estavam cheios de lágrimas e mais azuis ainda. Eu continuava parado, sem nenhuma reação.

– O que ainda faz aqui, Justin? – Larry perguntou, com a voz meio falha – Você já conseguiu, a matou, agora vá embora.

– Como assim eu a matei... – sussurrei.

– Ela saiu correndo da sua casa por quê? Ou melhor, por quem? – Raissa se pronunciou – Com certeza, não foi por mim.

– Alguns de vocês querem vê-la? – o doutor perguntou.

Todos eles assentiram, mas logo me lançaram um olhar de “Sai daqui, imbecil”. Abaixei a cabeça e caminhei para fora do hospital.

Assim que sai, luzes invadiram minha íris. Eram paparazzi, repórteres e fãs, todos preocupados com o estado de saúde que Andy.

– Justin, como ela está?

– Ainda corre risco de morte?

– Como se sente?

– Acha que ela morrerá rápido?

Kenny veio me ajudar a sair do meio de toda aquela multidão. Eu queria poder responder todas aquelas perguntas, mas eu estava muito abalado, queria chorar mas também não queria parecer uma mulherzinha.

– Eai, cara, como é que ela tá? – Ryan perguntou, assim que entrei no carro.

Kenny estava dirigindo, Ryan estava no banco do passageiro e atrás estávamos eu, Jaden, Chris e Chaz estava no lugar de botar malas do carro (?).

– Péssima – respondi num sussurro.

– E você também, heim – Chaz comentou.


Não respondi, apenas voltei minha atenção a janela do carro. Acho que todos perceberam que eu estava muito triste para falar alguma coisa. Eu só queria a Andy de volta, e desejava nunca ter dito aquilo tudo a ela.