Who Owns My Heart?

24 It’s Hard To Get Around The Wind


Notas iniciais
Oieee leitores lindos do meu coração! Feliz 2015! Aqui estou eu postando rápido dessa vez hehehe. Então espero que aproveitem o capítulo, e ele é narrado pela Annabeth. Boa leitura!

Passei a mão pelos meus cabelos e uma mecha inteira saiu entre meus dedos. Minha quimioterapia já estava em estágio avançado, e eu passava muito mal. O câncer já estava estabilizado há dois meses, mas o tumor tomou conta de uma boa parte do meu estômago. Passei os últimos seis meses no hospital, fui para casa apenas três vezes durante esse período. Consegui ir para casa no Natal, mas passei muito mal e voltei á clínica antes do ano novo. Minha quimioterapia havia começado há cinco meses, e cada dia era uma batalha.
Há meses eu não conseguia mais me alimentar, e usava sonda. Emagreci mais de 15kg, e agora pesava apenas 35kg, o peso de uma criança. Eu não conseguia mais andar direito, e meu corpo tinha feridas, devido as longas horas que eu passava na cama. Meus lábios estavam pálidos, e minha pele estava clara como a de um fantasma. Eu não havia raspado o cabelo, mas ele já tinha caído quase por completo, e as mechas que ainda restavam estavam opacas, fracas e quebradiças. Eu vomitava o dia inteiro, e junto com o câncer arrecadei outras doenças, como anemia e embolia pulmonar. Eu tomava 28 comprimidos por dia, e frequentemente respirava através de aparelhos.
Minha mãe abandonou o emprego, e passava 90% do seu tempo comigo, no hospital. Ela estava com aparência de doente, havia emagrecido muito e estava quase tão pálida quanto eu. Eu me culpava todos os dias por estar fazendo isso com ela, ela não merecia isso. Meu pai havia voltado para Nova York, mas me visitava quase todos os finais de semana, e ele que estava pagando todos os gastos que o câncer estava dando. Quase toda a minha família havia vindo me visitar, algumas tias, alguns primos. Até Apolo tinha me feito algumas visitas. Mas quem eu realmente queria ver, infelizmente não podia vim. Percy. Eu ainda o amava com a mesma força e a mesma intensidade de quando o conheci. Cada dia que eu passava no hospital eu pensava nele, e a esperança de que nós pudéssemos ficar juntos de novo me dava forças para continuar.
Os meses no hospital haviam me transformado em uma pessoa diferente. Eu não sorria mais, não tinha nenhuma felicidade. Chorava várias vezes por dia, e frequentemente queria morrer. Mas uma parte de mim ainda tinha esperanças de sobreviver a tudo isso, e voltar a ser quem eu era antes da doença tomar conta de mim.


Eu estava dormindo quando ele chegou. Senti uma mão quente e grossa tocando meu pulso, e então acordei. Parecia surreal, mas ele estava ali. Bem na minha frente.
Era Percy, o meu Percy, seu cheiro de maresia era inconfundível. Mas ele estava tão diferente, nem parecia o mesmo garoto que havia ido embora há 6 meses atrás. Seu cabelo estava tão curto que ele estava quase careca, e a barba estava por fazer. Ele estava bem mais moreno, e sua pele escura contrastava com a minha palidez. Seus olhos ainda eram verdes, mas não tinham o brilho de antes. E ele parecia muito maior, com seus músculos antes discretos, agora bem mais proeminentes. Ele sorriu para mim, mas de alguma forma seu sorriso parecia triste.
– Percy...você voltou – eu disse, em um sussurro.
– Voltei, voltei para você, Annabeth.
Dei um sorriso fraco. Era bom demais para ser verdade.
– Você foi dispensado?
– Ainda não. Ficarei aqui por apenas três dias, e daqui a uma semana eles vão dizer quem será dispensado. Sinceramente, acho que eu estarei nessa lista, não sou um dos melhores soldados.
– Aposto que é, e só está sendo modesto.
– Não estou não – ele disse e sorriu.
– Quantas horas? Eu estou nesse hospital há tanto tempo que perdi a noção do tempo.
– São 4 da manhã. Me desculpe pelo horário, mas não aguentaria esperar amanhecer para poder te ver.
Sorri e ele me beijou. Seus lábios vieram até os meus com hesitação, e o beijo foi cálido, calmo, suave. A força de Percy contrastava absurdamente com minha fraqueza. Nesses 6 meses ele havia se tornado mais forte a cada dia, enquanto eu enfraquecia na mesma medida.
– Então, eu tenho uma surpresa para você. Mas você só saberá qual é essa surpresa daqui a 3 horas, ás 7h da manhã. E infelizmente eu tenho que ir agora, você sabe, aqui no hospital eles odeiam visitas de madrugada e abriram uma pequena exceção pra mim. Até daqui a algumas horas, Annie.
Ele me beijou novamente. Dessa vez o beijo foi menos hesitante, e nossas línguas dançaram suavemente, e por um milésimo de segundo achei que tudo voltaria a ser como era antes.
Ele foi embora em seguida, me deixando a sós na penumbra do meu quarto.


Minha mãe chegou ás 6h da manhã. Eu havia adormecido novamente, mas ela me acordou.
– Bom dia, amor – ela disse e me deu um beijo na testa.
– Bom dia – respondi.
– Então...presumo que Percy já tenha dito que você terá uma surpresinha hoje. E vim aqui pra ajudar nessa surpresa.
– O que é mãe?
– Ah eu não vou ué, se não estraga a surpresa – ela disse e sorriu. – Olha o que eu trouxe para você – ela disse e me entregou uma sacola.
Abri a sacola e lá dentro tinha um vestido branco lindo, com detalhes dourados na gola. O vestido era curto e sem mangas. Além do vestido tinha uma sapatilha baixa dourada, meu estojo de maquiagem, alguns cosméticos e minha escova de cabelos.
– Você pode ir tomar banho agora, coloque este vestido e venha aqui para eu te ajudar a se arrumar. Qualquer coisa você grita, está bem?
Assenti e fui para o banheiro. O banheiro ficava no meu próprio quarto, e na maioria das vezes eu tomava banho sozinha. Eu estava sem aparelho respiratório no momento, então podia fazer quase tudo sozinha.
O banheiro era bem simples, apenas uma privada, uma pia, um espelho e um pequeno box com chuveiro. Tirei minha camisola de hospital, a calcinha e entrei no chuveiro. A água quente era confortante, mas comecei a sentir enjôo assim que entrei no banho. Não aguentei muito e acabei vomitando. Minha mãe ouviu o barulho, e bateu na porta perguntando se podia entrar. Disse que sim e ela entrou, e ficou me observando de longe.
Tomei o banho rapidamente e lavei os cabelos também, que caíram bastante. Pouquíssimo cabelo me restava agora, mas eu não ia raspar. Minha mãe me ajudou a colocar o vestido, que ficou um pouco largo em mim, mas não estava feio.
Voltamos para o quarto, e minha mãe penteou meus cabelos. Percebi que ela estava chorando enquanto via meu cabelo cair, mas preferi não dizer nada. Ela fez um rabo de cavalo bem fino, mas estava feio, pois minha cabeça estava com falhas, verdadeiros buracos aonde não tinha cabelo.
Minha mãe também me maquiou, pois eu tremia muito e não conseguia fazer quase nada com as mãos. Ela apenas passou um pó bronzeador, um rímel e um batom nos lábios. Quando terminamos de me arrumar, eram 6:48h.
Me olhei no espelho brevemente. Mesmo arrumada, eu não estava bonita. Minha magreza era evidente, e mesmo com a maquiagem meu rosto estava pálido. Eu tremia bastante, arquejava ao falar e a falta de cabelos estava pior do que eu imaginava.
Enquanto eu me olhava no espelho, minha mãe voltou com uma enfermeira e uma cadeira de rodas. Eu conseguia ficar em pé, e andar poucos metros, mas não mais que isso. A enfermeira me colocou na cadeira de rodas, ligou um soro no meu braço, e disse a minha mãe:
– Ela só pode ficar fora durante uma hora, ok?
Minha mãe assentiu e empurrou minha cadeira para o corredor. A esta altura eu já tinha adivinhado qual era a surpresa. Eu iria sair, só não sabia para onde. E provavelmente Percy sairia comigo. Saímos do hospital, e na portaria estava Percy. Ele deu um abraço em minha mãe, e me deu um breve selinho.
– Percy, tome conta dela. Qualquer coisa você liga, ok? E ela só pode ficar fora do hospital durante uma hora, não mais que isso. Divirtam-se.
Sorrimos para ela e Percy empurrou minha cadeira até a rua. Seu carro estava parado na porta do hospital, me levantei da cadeira e entrei, sentando no banco do passageiro, com o soro ligado na veia e segurado pelo suporte.
Percy dobrou a cadeira e guardou no porta malas, se sentou ao meu lado, me deu mais um beijo, e deu a partida.

Chegamos ao nosso destino cerca de vinte minutos depois. O tempo passou bem rápido, pois Percy e eu conversamos bastante durante todo o caminho. Ele me contou tudo sobre o exército, e eu lhe disse algumas coisas sobre o hospital e o câncer também. Assim que chegamos, vi qual era a surpresa: Percy me levou ao Central Park.
Ele abriu a porta para mim, pegou minha cadeira e me ajudou a sentar nela. O soro ainda não havia acabado, então apoiei o suporte dele ao lado da cadeira.
Percy empurrava minha cadeira gentilmente, enquanto conversávamos e observávamos o parque. Eu não saia do hospital a mais de 6 semanas, e nem sequer ia a janela para ver a luz do sol. Então o mundo parecia novo para mim, pulsante, colorido, iluminado, vivo. O parque estava lindo como sempre, com suas árvores esplêndidas, a grama verdinha, os amantes apaixonados, as crianças e seus animais de estimação.
Andamos pelo parque por mais uns dez minutos, até chegarmos aonde Percy queria: o Strawberry Fields.
Percy examinou o jardim por alguns instantes, e em seguida me levou para um dos banquinhos.
– Annie, você consegue levantar da cadeira, e se sentar no banquinho?
Assenti e me levantei da cadeira lentamente. Sentei no banquinho com a ajuda dele, e ele se sentou ao meu lado.
– Então, acho que você se lembra que foi aqui que demos nosso primeiro beijo. Neste parque, neste jardim, exatamente neste banco. Então, achei que seria bom para você vir aqui, para relembrar esse momento que foi tão especial para nós.
Eu me lembrava. Nosso primeiro beijo aconteceu há pouco mais de um ano, as vezes parecia ter acontecido em outra vida, mas na minha mente ele parecia ter acontecido há poucos segundos. Eu me lembrava claramente da sensação dos lábios dele no meu, do brilho verde dos seus olhos, da pulsação forte e descompassada do meu coração.
– Annabeth, você tocou uma parte de mim que nenhuma garota jamais havia tocado. Com você eu senti algo verdadeiro, pela primeira vez. Você me mostrou que eu era capaz de amar, de pedir perdão, de me redimir e de ser amado. Você provou para mim que eu tinha sentimentos, que não era apenas uma concha vazia. Ao seu lado eu me sinto completo, quando vejo você eu sinto esperança. Você é minha válvula de escape, Annabeth, você é o que há de melhor em mim. E agora, quero que seja minha esposa. Aceita se casar comigo? – dito isso ele se levantou, ajoelhou na minha frente com uma caixinha de veludo branco na mão. Ele abriu a caixinha e lá dentro tinha duas alianças pequenas, feitas de prata e decoradas com cristais de diamante. Era perfeito.
– Oh, meu Deus, sim, Percy é claro que quero me casar com você. Eu quero ser sua esposa, quero ser mãe dos seus filhos, quero ficar com você para sempre.
Ele colocou a aliança em mim, e eu fiz o mesmo com ele. Ele se sentou ao meu lado e nos beijamos, sua doçura invadindo meu ser, um calor tomando conta de mim, uma esperança enchendo minha alma. Nosso beijo terminou de forma branda, e ele disse:
– Annie, ainda não pedi sua mão aos seus pais, e acho que por enquanto não há tempo, pois partirei amanhã de manhã. Mas assim que voltar, eu farei isso, e vamos planejar nosso casamento juntos. Por enquanto, isto é nosso segredo, ok?
Sorri e nos beijamos mais uma vez. Aquilo não poderia ser melhor, nem nos meus sonhos eu havia imaginado algo assim, era surreal demais para ser verdade.
Mas então eu compreendi. Minha vida estava voltando ao normal, e tudo ia ser melhor do que jamais havia sido. Percy voltaria são e salvo do exército, a doença deixaria meu corpo para sempre, e iríamos nos casar. Tudo daria certo.

Notas finais
Ainda não achei que esse capítulo ficou 100%, mas pelo menos o bloqueio criativo me deixou de vez hahaha. Então, sobre o casamento, a ideia surgiu no meio do capítulo, eu não tinha esse pedido de casamento planejado, rsrs. E ah, eu estava com o final da fic todo planejado mas resolvi mudar, e agora vai ter um final diferente. E vocês se lembram de quando eu pedi para vocês escolherem entre um final com mais ação ou mais drama? Então, o final mais dramático ganhou, mas nas notas do último capítulo eu vou dizer qual seria o final de ação e qual seria o final dramático que eu tinha planejado, entenderam? Enfim, acho que não rsrs. Olha me digam o que acharam do capítulo, está bem? Preciso saber como estou indo e etc. Então comentem, favoritem, recomendem, amo vocês, beijos!