White Feathers - Blood Chronicles
5 002.2 ~ The Duel
002.2 ~ The Duel
Agora era tarde, alguns pássaros sobrevoavam o céu entoando aquela brisa fria deste dia que continuava gelado mesmo ao sol. Stella nada soubera sobre o tal duelo, menos sobre o que poderia estar girando entorno disso, havia saído há algum tempo buscando reencontrar novamente seu príncipe encantado.
Enquanto isso na cidade, Koyuki voltava dos negócios, enquanto isso em seu caminho de volta pensava alto em sua carruagem.
— Já devem estar lutando, pena.
— Talvez até fosse bom ver Kanemaki se exercitar um pouco.
— A essa hora creio que tudo já estará terminado.
O céu estava avermelhado em uma mistura semelhante de cores; Aquela brisa fria permanecia, enquanto todos estavam em trajes mais espessos, Kanemaki estava sobre sua armadura, aguardando esse tão esperado momento.
Deixando de lado seus pensamentos, Koyuki olhava agora para fora da carruagem, ao céu; Recordava de seu tempo no Japão, que abdicara de certa forma para poder viver um pouco da caprichosa vida de paz e sabedoria, amigos tantos, inimigos ainda mais.
O passar do tempo não o amedrontara, mas certamente o havia deixado mais cauteloso, esse mesmo tempo que o fizera notar às importâncias da vida, trazendo-o a essa nova, em busca da felicidade entre a calmaria, uma vez que estaria agora com sua filha e não lhe restara tantas recordações; forçava os lábios ao sentir o céu pressionando seus pensamentos nessa triste melodia que agora soava aos seus ouvidos.
— Colocou seu rosto para fora, dizendo ao guia da carruagem:
— Se apresse, quero chegar rápido à mansão, talvez ainda estejam lutando.
— Assim torço para que ainda não tenha acabado — Veremos como você é Kaday.
Os cavalos agora num conjunto de quatro corriam ao máximo, o guia agora colocara seu chapéu sobre o encosto, esse que voaria com o vento forte percorrendo seu corpo — Franzia o rosto no pensamento de que algo estava errado, sabia ao fundo que aquilo não estaria certo, uma vez que o General não costumava agir dessa maneira, contudo, disparado retornou à Mansão.
Kanemaki já estava impaciente, quando viu alguns de seus alunos correndo rumo a si, chegaram ofegantes atropelando às palavras que agora pensavam em dizer.
— Acalmem-se homens, retomem o fôlego.
— S-sim, senhor.
— Mestre, ele chegou.
Kanemaki respirou fundo — Finalmente, o momento chegou.
Fechou agora os olhos, e os abriu novamente, mas agora, como outro homem.
Kaday agora passava pela entrada da Mansão, caminhava lentamente, admirando o tempo e a beleza posta ali — Vestia-se com um kimono em tons de azul, seu olhar parecia meio perdido, procurando algo que não sabia ao certo, ou sem ao certo saber onde procurar.
Um dragão estava nas costas de seu kimono, num tom azul céu, e nas sombras, a escuridão por onde passava.
Nisso, um dos alunos se aproximou:
—Nosso mestre espera por você mais adiante, por favor, é só seguir.
Takeshi fez mensura com o rosto, e continuou seguindo então, dando atenção para às artes da enorme mansão, observou mais adiante o que pensava ser Kanemaki, em sua armadura.
Os alunos agora espalhados ficavam em silêncio, só ouvia então os lentos passos de Kaday.
— Vejo que não parece disposto, Kaday.
Disse Kanemaki.
— Não fale como se me conhecesse, por que eu, não lhe conheço.
Os alunos arregalaram os olhos, na surpresa daquelas palavras, ainda sim, continuaram imóveis.
— Não entendo suas razões para me desafiar, muito menos para tanto alvoroço.
— Ora, mais parece um moleque insolente, não esperava que assim fosse, creio que suas habilidades sejam tão ruins que nem tenha vontade de lutar.
Os olhos de Kaday pesaram, então ele bocejou — Kanemaki estava intensamente raivoso, mas ainda tentava se conter.
Ao retirar a mão que havia levado a boca, pousou sobre o cabo de sua espada.
— Se quer tanto lutar, venha.
— Estou pronto.
Sua espada estava ao seu lado — Apenas deu um leve sorriso — Kanemaki não esperou duas vezes, puxou sua espada e correu em seu rumo levando-a contra o ombro de Kaday.
Kaday se esquivou, ainda sem puxar sua espada — Os alunos agora começavam a se agitar — Vamos lá mestre, mostre a ele.
Kanemaki direcionou-lhe uma sequência de golpes, onde ele rapidamente ia se esquivando, já sabendo seu próximo ataque— Myriev fixo a luta, pensara que Kanemaki tentava se divertir, para que aquele momento não fosse tão breve.
Enquanto isso, em algum lugar...
Stella se afligia, pois não conseguia reencontrar a cabana de outrora, pensava:
— Talvez tenha sido um sonho, realmente.
— Não!
— Não consigo acreditar nisso, aah! Que devo fazer? — Logo a noite se mostrará — Não devo ficar aqui, pode ser perigoso — Mas, não quero ir sem reencontrá-la...
— Sem reencontrá-lo.
Ajoelhou-se no chão, cabana... príncipe...
— Conto de fadas?!
Subiu em seu cavalo, no bico chateado que agora fazia voltava para casa — Colocava toda sua tristeza contra a velocidade em que ia sobre o cavalo, correndo o máximo que conseguia ficar sobre ele.
— Será que estou predestinada a viver em tristeza onde quer que eu esteja? — Lágrimas corriam pelo seu rosto que há pouco estava modelado pela felicidade.
Passou a mão pelo rosto, agora esbravecida — Não vou desistir, de maneira alguma.
Enquanto corria percebia às tonalidades avermelhadas do céu, seus olhos agora tomavam um brilho estranho... um mar de sangue invertido.
— Estou com um mal pressentimento.
Koyuki chegara à pouco em sua mansão, via ao longe aquele alvoroço — Sorriu então — Sorte à minha, ainda não acabou, ninguém notou minha presença, vamos ver como está o caminhar das coisas.
— Abriu as portas da mansão, entrando silenciosamente — Seu interior estava deserto — Subia agora às escadas, indo ao corredor lateral.
Quando se pôs a janela de imediato percebeu a raiva nos golpes de Kanemaki.
— Interessante, parece que o nosso jovem já chegou tocando seus pontos.
Stella já conseguia ver a Mansão ao longe, após a longa volta já não se sentia tão triste, tentava colocar em seu coração mais uma vez a esperança em que estava nele antes de sair.
Kaday olhava serenamente para Kanemaki, que agora interrompia por um instante seus ataques.
— Você é bom, mas se atrapalha em tanta raiva.
— Isso é tudo que tem?
Essas pequenas palavras apenas o-deixavam mais furioso — Nessas que foram o impulso para que ele corresse em velocidade tresspassando sua espada pelo vento rumo ao peito de Kaday.
— Adeus, moleque insolente.
O olhar de todos se arregalavam e ao mesmo tempo queriam fechar ao imaginar o tal rapaz morrendo ali.
— Tslink! Todos agora murmuravam, o que foi aquilo?
— Kaday empunhava agora sua espada, com um pequeno sorriso nos lábios, defendendo-se do ataque de Kanemaki.
Kanemaki estava surpreso, enquanto estava frente-a-frente com Kaday pôs se a acalmar na serenidade de seu oponente.
— Que fracasso, sinto que perdi antes de começar.
— Não parece resistente, mas é muito ágil.
— Creio que não suportaria um segundo golpe.
— Se eu pudesse pelo menos acertá-lo de verdade.
— Acalme-se — Kanemaki conversava consigo — Estou caindo nos erros do passado. Apesar da maestria, conhecido era Kanemaki por sua ansiedade, raiva e impaciência, essa que aos poucos começava a vencer.
— Pronto!
Kaday sussurou aos olhos de Kanemaki, vamos acabar com isso.
— Saltou para trás guardando sua espada, em seus passos rápidos já chegara novamente diante de seu oponente, rapidamente sacando sua espada — Kanemaki tentava recolher-se para defender, mas sabia que não conseguiria diante tal velocidade.
— Ela está aqui.
Passou por Kanemaki, então embainhou sua espada.
— Num cavalo.
Kanemaki respirava fundo, agradecendo então o que quer que pudesse ter acontecido — Que devo fazer?
— Já sei, direi que o estava testando.
— Hahaha, isso!
Agora, estarei em sérios problemas caso ele fique sabendo.
— Humpf.
— Quando foi que perdi a honra dessa maneira? — Respirou fundo, reprimindo suas mágoas.
Numa próxima vez estarei bem mais forte, além do que, aposto que esse deve ser seu limite.
— Talvez ainda consiga reverter o destino em que me prederam.
Kaday direcionava seu olhar a ela, destacando-se na multidão de homens ali presentes, enquanto ela se agarrava às rédeas do cavalo com todas às forças, agora percebendo sua presença logo à frente, não conseguia acreditar que ele pudesse estar ali, em sua mansão.
Ele então sorria, ela retribuía com seu doce sorriso tentando se acalmar naquele cavalo, onde agora pôs se a descer. Koyuki apenas olhava da janela, sem saber ao certo o que tudo aquilo seria, mas certamente sabia que algo já devia ter acontecido para aquele clima se colocar daquela maneira entre os dois.
Sem saber o que fazer ali ela permanecia, como num profundo transe que apagava tudo ao seu redor deixando somente a imagem daquele por quem seu coração tanto buscava.
Kanemaki já não sabia mais o que pensar, dizer... e como agir, diante de tanta vergonha. Apenas tentava entender o que poderia estar acontecendo ali. Koyuki saiu da janela, sentando-se em sua mesa degustando o vinho que acabara de colocar em sua taça — Respirando profundamente — Conversou sozinho
O esforço daqueles que tentam, a vontade daqueles que buscam.
Será esse o sinal?
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