002.3 ~ Bravery

New Forest, Sudeste, Hunter Walls.

— Hey, Touya!

— Me espera!!

— Anda logo Kei, já estamos chegando.

Correndo por entre às árvores era capaz de sentir o doce cheiro da água que caminhava entre o ar, sendo levada até às proximidades.

— Veja Kei, estamos quase lá.

Ao chão estavam diversas folhas, quase cobrindo-o por todos os lados.. dentre elas, algumas muito diferentes, em atenção, não pareciam ser dali. Os espaços entre às árvores não eram longos, e às árvores eram em sua maioria grandes.

— Touya, olhe lá embaixo, chegamos! — Disse Kei, segurando num galho, olhando para baixo.

Do outro lado, uma cachoeira, despencando em riachos e chegando a um lago que dava seqüência ao curso do rio abaixo. Os tons esverdeados da água ao passarem pela cachoeira brancos se tornavam, com o brilho do sol daquela tarde podia se ver um enorme arco íris bem acima de onde estavam.

— Aah, que nostálgico.

— Quanto tempo não venho aqui.

— Kei, cuidado! — Touya o puxou enquanto se dependurava pelo galho.

— Já viu a altura disso?

— Acho que ainda não aprendeu a voar né?

Kei olhou para o céu, misturando o azul dele entre às nuvens e o arco íris — Voar?

— Ainda não, mas, você me ensina né?

Ele apenas riu, levando seu olhar ao arco íris.

Sentaram se à beira do despenhadeiro, admirando a cachoeira e tudo ao seu redor.

Blue Notes

K¹: F,0.27 – Anayakami temple.

Sobre o céu, abaixo da terra

Água que corre, ar que se esvai

Comigo permanece, e a você encontrará

Para trazê-lo a mim, um segredo revelar

Turvo mar, sobre o brilho vespertino

Dualidade das águas

Pela união dos desconhecidos

Que se redescobrirão ao me libertarem.

¨Libertas quae será tamem¨

— Kei?

— Sinto que poderia ficar aqui pra sempre...

— Eu também, o sentimento que esse lugar transmite, é tão intenso.. parece que...

— O silêncio pairou nesse instante, transparecendo apenas o som das águas ao redor.

— Um barulho estranho ecoou pelo lugar.

— Arregalaram os olhos — O que será?

...

A terra estremeceu, como se estivesse sendo chacoalhada, às árvores pareciam ressoar, entoando um som quase nulo sobre o vento, ao mesmo tempo que parecia vibrar.

Lembranças pairavam sobre o pensamento, desconexas, fragmentadas, nada fazia sentido. Se entreolhavam, mas não se viam, o mundo se recobria atrás de seus olhos, nesse pequeno instante lá fora, que ano tornou-se aqui dentro.

Refluxo, o tempo estava parado, você caia, porque?

Sua alma estava desacordada, seu corpo em silêncio despencava, rumo ao fim eu já não me via, sobre o vento que transpassava meu corpo como se ele não existisse, além daquele instante, agora, ao seu lado, o que será tudo isso?!

O tremor se intensificou, beira ao despenhadeiro que intrincou-se rompendo em lado, Touya viu o brilho dos olhos de Kei se apagando, como se ele estivesse partindo, ali, naquele instante.

— Não pode ser.

Touya podia sentir o demônio abaixo de si, puxando suas almas. As árvores ressoaram novamente, Kei não conseguia se mover, sua visão parecia turva, e nada sentia nesse instante, apenas o leve pesar de um sonho.

— Você não merecia passar por isso também.

Touya estava tão atento a Kei, que por um mero instante percebeu seus lábios se movimentavam suavemente, talvez com a pouca consciência que lhe restava naquele instante.

— Vejo tudo ao contrário, não se deixe levar, também.

— Quando o momento chegar, nunca se esqueça.

— Você não está sozinho.

Arregalado os olhos, Touya sentiu o lugar abaixo de si desaparecer com o tremor, apenas ouvindo o barulho da terra rompendo-se sobre o gelo que se formou em pensamento, como um peso, o levando para baixo.

Não havia medo nem tristeza, apenas o vento transpassando seu corpo, indo em direção às águas abaixo, Kei não conseguia mover-se, por mais que o quisesse.

— Tooouya!

Kei se mostrou desperto do transe de agora pouco, às árvores não mais ressoavam, mas entrelaçavam seus galhos ao redor do pequeno atordoado.

— Tooouya!

Os galhos se rebuscaram indo ao fundo do despenhadeiro, em sua plena velocidade pareciam lanças indo de encontro a um forte inimigo; Touya apenas via os olhos assustados de Kei gritando seu nome, não conseguia senti-lo, nem ouvi-lo, apenas vê-lo.

As lanças que lhe pareciam chegavam perto de seu corpo, quando pensou que chegariam a si, colidiram com o invisível; Mas, ele conseguia ver, era uma fina camada de água, formando uma cúpula que refletia como cristal, que quando se tocaram, fizeram a velocidade do tempo diminuir novamente, transpassando os pensamentos de touya à um momento atrás.

— Vejo tudo ao contrário, não se deixe levar, também.

Ele sabia..

Espere, essas águas.. A sensação — Não pode ser!

Anayakami?

— Diante dos meus olhos, não posso acreditar.

O fluxo do tempo retornou ao normal, levando Touya rumo às águas, a pressão causada pelo impacto das duas forças e o fluxo gerado naquele momento deixaram-no inconsciente.