Whispering
21 Loneliness
Notas iniciais
Levar Lincoln para a nave onde não muito tempo era o local para uma grande batalha foi um pouco difícil. Ele era pesado e precisou de Rey e Bellamy para o arrastar até lá, e ainda de mais força para o colocar no compartimento superior. Parecia novamente o dia em que Finn fora esfaqueado, a tempestade e tendo que traduzir cada palavra. Amarrar Lincoln com fortes correntes ainda desacordado, cuidando dos piores ferimentos para que ele sobreviva a chegada de Clarke.
— Você estava tão bravo comigo quando eu resolvi ir com você procurar Octavia — Rey fala rindo ao descerem as escadas — Pensava que ia me matar, nem olhava na minha cara.
— Você consegue ser bem teimosa, Rey — Bellamy então pega o rifle do chão, bem ao lado de uma corda jogada. Ambos sabiam exatamente de onde tinha vindo. Bellamy lembrava dela pressionando seu pescoço, da dor e do desespero.
— Eu pensei que ia te perder… — Ela confessa se lembrando da cena, praticamente quebrando seus pulsos apenas para se livrar das correntes e ir até ele.
Bellamy caminha até ela e coloca sua mão delicadamente atrás de sua cabeça, acariciando o cabelo dela.
— Imagina como eu fiquei quando a vi levando um tiro, Rey. Quando Murphy simplesmente a trancou para dentro da nave. — Ele começa a beijar delicadamente, vários deles ao redor de sua boca, no seu pescoço.
— Um dia Bellamy nós vamos sumir, vamos para a minha casa e passar o dia inteiro lá. — Rey o puxa para mais perto, o beijando incessantemente. Até ouvir o rugido de Lincoln, mostrando que havia acordado — Sem ninguém surgindo do nada pedindo para colocarmos nossa vida em risco por causa deles, ou com nosso amigo se debatendo no andar de cima.
— É o que eu mais quero nesse momento — Ele ri e pega sua mochila, se preparando para partir — Volto logo, com Clarke e Octavia. Fique aqui e tenha cuidado com Lincoln.
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A escotilha se abre e a gritaria de Lincoln apenas aumenta, Rey estava sentada no canto contrário de dele, tentando ignorar o barulho incessante. Octavia entra num pulo, praticamente se jogando na direção de Lincoln, teve que ser Bellamy para segura-la. Ela cai de joelhos, chorando enquanto ele grauninha.
— Como? Como isso pode acontecer? — Ela resmungava entre lágrimas. Bellamy tentava ajudá-la, mas não se podia fazer muito.
Clarke se aproximava lentamente, curiosa e intrigada.
— Eu sabia que Mount Weather controlava os ceifeiros — Ela confessa encarando Lincoln que continuava a agir como um animal a procura de alimento — Não imaginava que os criavam também.
— Se eles podem fazer isso com Lincoln — Bellamy fala enquanto Rey se levantava do chão— O que estão fazendo com nossos amigos?
Lincoln gritava e gritava, forçando as correntes até que, subitamente, ele para e começa a tremer.
— Ele está convulsionando. — Clarke ainda parecia sem entender.
— E isso significa oque? — Clarke pergunta se mantendo atrás de seu irmão, com seu rosto vermelho de tanto chorar.
Clarke aponta a lanterna para o ferimento da flecha na perna dele e antes que ela perguntasse Rey logo responde.
— Tive que atirar na perna dele. Não tive escolha.
— Clarke, ele perdeu muito sangue… — Bellamy tenta dizer percebendo o estado de Lincoln.
Clarke tenta se aproximar, mas aquele que antes estava desacordado e convulsionando avança com sua boca aberta e seus dentes a mostra. Ela pede para iluminar o pescoço, mostrando várias marcas roxas cheias de sangue. Marcas de agulha. Ele havia sido drogado. E no meio do pensamento, a corrente que antes prendia o braço esquerdo de Lincoln quebra deixando atingir Clarke em cheio, a fazendo cair. Todos se aproximam para para-lo e um por um caem, até ele mesmo cai. Então, Bellamy pega o bastão de choque das suas coisas e avança, apenas para Lincoln o atingir e se colocar por cima dele, o socando repetidamente. Rey corre até ele e o estrangula por trás, dando acesso para Octavia surgir e o desacordar com vários golpes de um bastão na cabeça.
Octavia observava Lincoln desacordado, ela deixa o bastão cair e se joga no chão.
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Lincoln jazia amarrado deitado no chão. Clarke tentava tirar a bala da sua perna com a ajuda de Rey. Ela via a preocupação no rosto de Bellamy com Octavia.
A escotilha se abriu entrando Octavia e um selvagem atrás dela. Rey se levanta rapidamente pegando sua adaga, assim como Bellamy que pega seu rifle.
— Bellamy, calma! — Octavia diz se colocando na frente do selvagem — Ele é um amigo de Lincoln e um curandeiro.
Gemidos voltam a soar, Lincoln se debatia constantemente e pus branco saia de sua boca. Clarke segura seus ombros, não podia fazer outra coisa se não esperar.
— Bellamy, ele pode ajudar — Rey fala abaixando sua adaga.
Ele resmunga, mas ao ver o desespero no rosto de Octavia acaba cedendo. Retira o rifle e o selvagem corre para ajudar Lincoln. Rey se ajoelha perto dele, segurando os ombros de Lincoln. O selvagem retira de seu cinto uma caixa cheia de pequenos frascos, pegando um deles rapidamente.
— Yu gonplei ste odon — Ele sussurra tentando abrir o frasco.
Yu gonplei ste odon...eu sei o que é isso...sua luta acabou. NÃO!
Rapidamente Rey pega sua adaga e coloca na garganta do homem, Bellamy sem questionar pega o seu rifle e volta a mirar nele.
— Yu gonplei ste odon — Rey fala com a adaga firme em sua mão — É o que falam quando um soldado morre.
— Ele não está o ajudando — Bellamy se aproxima de Octavia — Apenas sacrificando Lincoln.
— Nyko… — Octavia pergunta tentando se manter calma — Ela está falando a verdade?
— É a única maneira… — O suposto curandeiro responde afastando a mão de Rey de sua garganta.
— Pode ter uma maneira de o salvar — Clarke limpa o suor de sua testa com a manga da jaqueta, tentando pensar. Bellamy abaixa o rifle.
— Não que eu conheça — Nyko se afasta de Lincoln, que finalmente havia parado de convulsionar e permanecia desacordado.
Todos se assustam quando a porta da escotilha se abre novamente, dando passagem para Finn entrar correndo por ela. Ele grita algumas palavras, quase inaudíveis quando Nyko percebe quem ele é.
Era ele o líder da vila…
Bellamy se aproxima do selvagem, que colocava o corpo de Finn contra a parede pelo pescoço. Gritando insultos enquanto ele apenas encarava o agressor sem reação. Rey corre para puxar Nyko para longe do garoto, o jogando no chão. Os olhos do selvagem muda, a vendo com clareza agora.
— Você estava lá! E fez nada! — Ele grita a puxando para o chão pela perna.
O selvagem se coloca por cima, apertando o pescoço de Rey com força. Ela tenta escapar, tirar as mãos dele. Nyko apenas começa a bater sua cabeça no chão metálica, podia sentir o sangue começar a escorrer. Sua visão falhava. Nela via Bellamy com o rifle apontado para a cabeça do seu agressor. Tentava buscar o ar mas nada via, apenas observava a raiva de Nyko.
Eu tentei...eu tentei salvar. Eu sempre tento. Sempre tento salvar todo mundo. Você sempre tenta, Rey. Entretanto, tudo acaba te levando cada vez mais perto de sua morte.
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— Rey…
A voz de Bellamy foi a primeira coisa que ouviu depois de desmaiar. Ela finalmente abre seus olhos para ver um grande sorriso preocupado. Rey senta procurando pelo hematoma em sua nuca sendo refeito.
A coronhada de Finn nem se curou e já foi refeita.
Os dois estavam no primeiro andar da nave, ela conseguia ouvir Lincoln gritando no andar superior e Clarke lá fora com Finn.
— Você precisa ir com a Clarke — Bellamy fala a ajudando a se levantar — Precisa de pontos.
— Não quero ir… — Ela resmunga empurrando a ajuda dele.
— Rey, para! — Bellamy a segura com força — Não tem como ajudar aqui, e no caso é você quem precisa de ajuda.
— Ajuda? Quem já se importou comigo? — Rey começa a gritar, totalmente fora de si — Foi eu quem fez alguma coisa naquele dia! Foi eu quem tentou ajudar aquelas pessoas! Foi eu quem acabou no chão sangrando naquele dia e enfrentou a raiva daquele selvagem! — Lágrimas escorriam de seu rosto, ele apenas a observava sem palavras — Estou cansada de tentar ajudar e acabar me ferrando. Estou cansada de ser usada...vocês nem escondem.
Rey pega sua mochila que estava jogada num canto, Bellamy ainda a observava enquanto ela saia pela porta da nave. Clarke a esperava do lado de fora, ambas não falam nada e pegam o caminho de volta para o acampamento.
Todo o percurso foi em silêncio.
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Rey passa para dentro das portas da grande nave que um dia esteve no céu sem ninguém perceber. Antes as pessoas a encarava, mas agora estavam mais preocupados com o grande exército selvagem nas suas portas. Ninguém veio a ajudar com seu ferimento, então ela apenas perambulava por dentro da nave.
Murphy surge na sua frente, ele sorri quando a ver.
— Bom te ver, princesa terra-firme — Ele fala a entregando um copo com alguma bebida com cheiro forte. Rey a encara por alguns segundos e a enfia para dentro, realmente precisava de algo para aliviar a dor latejante de sua cabeça. — Nossa, não esperava por essa. — Ambos riem — O que te trás aqui sem a companhia de Bellamy?
— Cabeça sangrando….novamente — Ela responde sentimento a queimação da bebida — Mas acho que estão todos ocupados com outras coisas.
— Todos estão indo ver nossa morte iminente! — Murphy fala rindo — O grande exército na nossa porta. Não quer se juntar a eles?
— Aquele exército não pode saber que estou aqui — Já matei mais selvagens que Finn naquela tarde — Eles me querem morta.
— Esqueci que você estava lá…
Tudo aponta que eu estava. Ter memórias disso é diferente.
— Murphy...eu não me lembro do que aconteceu quando fui capturada…
— Não te culpo por não ter me ajudado — Ele suspira olhando para o chão — Tentei te matar duas vezes, quase enforquei Bellamy. Merda, eu atirei em você!
— Você me salvou naquela vila, Murphy — Rey se lembrava muito bem disso, dele se colocando por cima para a proteger. Literalmente a protegendo com seu próprio corpo — Se não fosse por você...eu não sei o que Finn seria capaz de fazer.
— Sinto muito, Rey...por tudo.
E com essas palavras Murphy continua seu caminho.
Sempre me dei bem com pessoas solitárias. Me identifico e as conheço bem….
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