Whispering

22 Blood must have blood


Notas iniciais
Novamente agradeço a Bekah, enquanto você estiver comentando eu estarei aqui postando! Esse cap muitas coisas acontecem! Espero que gostem!

Rey dormia na cama em que haviam cedido para Bellamy quando ele chega. Todos os ambientes naquela nave pareciam o mesmo, parede metálica com iluminação pobre. O barulho da porta se abrindo rapidamente a acorda assustada. Ele estava agitado, colocando seu rifle no chão. Ela apenas o observa, ainda com a sua cabeça deitada no travesseiro.

— Eu me preocupo com você, Rey — Ele começa a dizer, sua voz tinha um tom sério — Nunca te usei. Nunca! Tudo que eu sempre fiz foi pensando primeiro em você e na Octavia.— Ela se levanta, sentando na beirada da cama — As pessoas nunca irão notar tudo que fez para as ajudar!

— Bell….não fui justa com você…

— Não você não foi — Ele bagunça seu cabelo bufando — Apenas vamos esquecer isso...temos problemas maiores.

Quando não temos problemas maiores?

— O que aconteceu?

— A comandante quer Finn em troca de paz.

Jus drein jus daun. Sangue só se paga com sangue. A Comandante não iria desistir tão facilmente. Nem Clarke.

— Qual é o plano? — Rey começa a se arrumar, pegando sua mochila.

— O levar para algum lugar seguro… — Bellamy pega seu rifle e antes de abrir a porta se vira para ela — Clarke pensou na sua casa.

Sempre sobra para mim.

— Pode ser.

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Todos iriam se encontrar na nave, mas seguiriam caminhos diferentes. Não pudiam arriscar em descobrirem o que era essa saída, os selvagens não iriam levar isso de modo calmo. Rey se arrastava até lá, com o corpo e a mente cansada.

Estou vivendo dentro da minha mente esses dias...está tudo voltando ao que era antes.

Pelo menos antes você tinha um objetivo seu, não dos outros.

Não posso ir para Mount Weather sozinha.

Sim, você pode. Já foi uma vez.

Só não morri por piedade.

Você está mais forte agora. Rey! Após anos você finalmente sabe onde está o seu irmão! O que está esperando?

Eu não sei, Marla! Pensava que estava esperando Bellamy, mas ele nem parece ligar! Fiquei tanto tempo nessa ilusão que esqueci um grande detalhe: estou sozinha nessa! Sempre estive e sempre estarei!

— Rey? — Uma voz familiar soa a tirando de sua própria mente. Ela vira para trás vendo Raven com uma mochila e rifle. — Está tudo bem?

— Sim, claro — Rey responde voltando a andar — Não deveríamos ir separados?

— Sim, mas me perco muito fácil nessas florestas — Raven ri tentando ser educada, estando atrás de Rey — Tudo muito igual. Bellamy disse para tentar te alcançar.

— Bom, não é tão longe… — Rey dizia até ouvir um clique. Sabia bem o que era. O rifle sendo carregado.

Ela se vira e vê Raven apontando a arma para ela, parecia certa do que deveria fazer. Vai me trocar pelo Finn.

— Os terra-firmes querem sua vida — Raven fala com a voz trêmula — Vão trocar a sua pela de Finn.

— Não fui eu quem massacrou aquela vila.

— Eles só entendem de vingança...você vai servir.

— Raven...Bellamy tem um plano — Rey tentava alcançar sua adaga no cinto lentamente.

— REY! Para! Mãos onde eu consiga ver! — Ela coloca suas mãos no alto e Raven joga todas as suas coisa no chão. — Eu sinto muito. Não queria fazer isso.

— Entretanto aqui está. Me levando até a minha morte.

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Raven a arrasta pela floresta, Rey podia sentir o cano gélido da arma na sua nuca quando sua captora queria que fosse mais rápida. Estava desarmada, sua cabeça ainda doía pelo hematoma feito por Nyko, e estava prestes a ser entregue para a comandante dos Selvagens.

Tudo está ficando cada vez melhor. Só pode culpar você por estar acontecendo isso. Você se colocou nessa situação. Cala a boca, Marla. Não piore tudo. Você piorou tudo, Rey.

A gritaria começou ecoar na floresta, soldados selvagens apareciam e apenas as encaravam silenciosamente. Raven se aproximava com Rey lentamente, a refém podia sentir o medo de sua captora. Uma guerreira aparece, todos abriam seu caminho para ela passar. Deveria ser alguém importante. Pele escura e cabelo curto, olhos agressivos.

— Aceitem Rey em troca da vida de Finn — Raven grita empurrando Rey na direção dos selvagens, ela cai no chão e observa a guerreira com medo.

O que fazer agora? Como sair dessa?

— Ela matou dezenas dos seus guerreiros — Ela continuava a falar, com voz trêmula — Mais do que Finn. — Os selvagens apenas observavam — Ela também estava na vila e fez nada.

A guerreira levanta sua mão, pedindo o silêncio de Raven e com outro gesto manda seus soldados pegarem Rey. Eles a seguram pelos braços e arrastam para dentro do acampamento.

Merda

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Raven chega na nave preocupada, com seu corpo trêmulo. Confirmava em sua mente que foi o certo a se fazer. Rey não falou nada enquanto a levavam para dentro do acampamento, apenas encarou sua raptora sem nenhuma emoção em seu rosto.

Bellamy estava lá com Murphy, andando de um lado para o outro, nervoso.

— Raven! — Ele fala se aproximando, com seu rifle na mão — O que te fez demorar tanto?

— Wick precisava de ajuda, só consegui sair sem que ninguém me visse depois de ter o ajudado — Ela responde sua resposta ensaiada em sua mente.

— Rey, Clarke e Finn ainda não chegaram... — Bellamy vai para a porta indignado. — Os selvagens podem ter os alcançado.

Os três passam a ouvir gritos de ajuda, e se assustam ao ver Finn carregando o corpo inconsciente de Clarke para dentro da nave. A nuca da sua cabeça sangrava, mas ainda respirava.

— Um selvagem apareceu e nos atacou! — Ele fala desesperado.

Raven percebe o quanto estava preocupado.

— Ei, ela vai ficar bem — Ela tenta o acalmar, segurando seu braço — Tudo vai ficar bem.

— Foi isso que ela disse, logo antes de quase ter a matado.

— Finn, me ouça. — Raven não solta seu braço — Tudo vai ficar bem.

Finn não parecia entender, apenas sai da nave para se acalmar. Raven senta ao lado de Clarke, cuidando do seu ferimento. Bellamy ainda não estava quieto, andando de um lado pro outro da nave gritando.

— Alguma coisa aconteceu com Rey e não posso ficar aqui parado! — Bellamy grita descendo da escotilha.

— Você é o único que sabe o caminho para a casa dela, precisamos de você aqui — Murphy diz tentando o acalmar — Eu posso ir atrás dela!

Raven observava a discussão calada, com sua mão tremendo enquanto limpava o sangue do ferimento de Clarke. Até que ela acorda, confusa e já tentando se levantar. Finn se aproxima e ela os deixa sozinhos.

— Bellamy você não pode ir! Murphy está certo — Raven diz tentando manter Bellamy com eles.

— Finn sabe o caminho, vocês não precisam de mim — Ele diz entregando um rifle para Murphy — Você fica com eles.

— BELLAMY NÃO! — Raven grita sem controle de si mesma.

Todos a observam, ela começa a tremer.

— Rey...você não vai encontrar Rey. — Ela tenta falar e só conseguia ver a raiva crescendo dentro de Bellamy.

— O que você fez, Raven?! — Ele se aproxima com passos fortes.

— Eles queriam vingança...queriam que alguém pagasse pelas mortes — Sua voz não sabia, mas se recompõe. Fez o que foi certo. Salvou a vida de Finn — Ouvi Rey falando com Murphy ontem a noite que os selvagens a queriam por ter matado vários guerreiros deles — Bellamy sentia seu corpo cair, suas esperanças sumirem. — Ofereci ela em troca de Finn.

— Raven?! — Finn a olhava sem acreditar no que via, ela não conseguia suportar isso.

— Rey estava certa sobre vocês. — Bellamy fala enxugando o início de uma lágrima em seus olhos, não podia ser fraco agora. — Vocês só se importam consigo mesmo, estavam só a usava esse tempo todo. Nunca se importaram com ela.

Bellamy ajeita seu rifle a mochila nas suas costas, estava pronto para partir. Ir atrás dela.

— Eu vou com você — Murphy comunica seguindo Bellamy.

Bellamy caminha para fora da nave decidido, não podia deixar Rey sozinha com os selvagens. Iriam a matar, como já tentaram uma vez.

E é nesse momento em que vê a movimentação do outro lado da muralha. Dezenas de selvagens os cercando, não deixando ninguém sair do acampamento.

— Parabéns, Raven! — Bellamy fala ao ver aquilo — Acabou de mandar Rey para sua morte em vão.

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Raven apenas pensava no que havia feito.Tudo isso por Finn, agora nem ele conseguia entender por que havia feito isso.

Bellamy apenas pensava no que havia acontecido com Rey, se ela estava morta com seu corpo jogado em algum lugar dessa floresta ou algo pior.

— Se atacarmos agora, pelo menos será de surpresa — Murphy sugere para o grupo.

— Nem sabemos quantos são — Clarke responde, já estava de pé e bem.

— Precisamos fazer alguma coisa para que eles saem daqui! — Raven fala pensando no que deveriam fazer.

— Já sabemos que suas táticas de batalha acabam matando seus aliados! — Murphy responde com raiva enquanto Bellamy estava com sua mente em outra realidade.

Clarke chama sua atenção, segurando seu braço.

— Calma, Bellamy — Ela diz com uma voz doce — Vamos dar um jeito nisso.

— Não, Clarke. Vocês não vão. — Ele responde tirando seu braço dela — Sua preocupação agora é em salvar Finn, não ela.

— Parem com isso! — Finn grita pedindo atenção — Eles nos cercaram. A única coisa que podemos fazer é ficar e defender esse lugar. — Todos concordam com ele, Bellamy apenas permanece quieto — Murphy vai para a escotilha e vigie os fundos. Eu fico com o andar de baixo.

Bellamy não ouvia mais nada, tudo que estava na sua mente é Rey. Ela havia o avisado que ia acontecer isso e ele não acreditou. Era sua culpa. Tudo agora passava tão rápido na sua cabeça. Num momento ele defendia a nave com seu rifle, mirando no portão principal. Quieto, nenhum selvagem se movia. Até que na sua mira aparece Finn, com seus braços levantados e vários selvagens aparecem o levando para longe.

Agora são dois pagando pelo erro de um.

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Os soldados a jogaram para dentro de uma tenda, amarram suas mãos e a prenderam numa viga. Nenhuma palavra dirigida a ela. Sua mente estava estranhamente silenciosa, sem nenhum pensamento. Rey simplesmente fecha seus olhos, o que mais poderia fazer no seu fim? Se preocupar com os outros não iria salvar sua vida e a sua própria já estava longe de salvação.

Rapidamente dorme, sendo acordada com mais selvagens jogando o corpo de Finn para dentro da tenda. Ela o observa, Raven fez tudo isso por nada.

— Rey… — Finn começa a dizer quando os selvagens os deixam sozinhos — Eu sinto muito...por tudo.

Ela não responde, apenas o observa sem nenhuma emoção aparente, mas dentro de si queria gritar até seus pulmões estourarem.

— Tentei te matar na vila...eu sei o que iria fazer — Ele continua a falar — Não sei o que deu em mim, sabia o que estava fazendo mas não conseguia parar. Se não fosse por Murphy… — Seus olhos começam a brilhar, lágrimas passam a escorrer — E eu novamente te coloquei em perigo. Eu sinto muito.

Rey vira seu rosto, encostando sua cabeça na viga onde fora presa. Não conseguia lidar com tanta raiva dentro do seu corpo, estava prestes a explodir. Ele não ficou muito lá, logo os selvagens voltaram para o levar. Ela sabia para onde.

— Finn! — Rey grita enquanto os selvagens o levantavam, ele olha para ela com olhos esperançosos — Que nos encontremos novamente.

— Que nos encontremos novamente, Rey.

E assim ele sai da tenda. Ela sabia que nunca mais o veria.

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Você precisa sair daqui, Rey. Finn já deve estar morto agora. Você é a próxima.

Quem sabe na morte você me deixa quieta.

Agora não é hora de desistir! Levanta daí, corta essas amarras.

Apenas cale a sua boca nas minhas últimas horas, pode ser? Faz isso por mim, por favor?

Novamente os selvagens aparecem, a levando para fora da tenda pelos braços. Rey não resiste, sem nenhuma expressão no rosto ela é arrastada para dentro de uma grande tenda no centro do acampamento. Dentro estava um trono de madeira, e sentado nele uma jovem garota. A Comandante.

Ao redor podia ver Bellamy, seu rosto se ilumina quando a vê, parecia cansado. Clarke estava lá junto com Kane e Abby.

— Rey… — Bellamy tenta se aproximar, mas um selvagem segura sua mão.

— Rey FHT. — A Comandante começa a falar, enquanto ela é jogada no chão, permanecendo ajoelhada. — Finalmente chegou o dia do seu julgamento.

— Sim, Comandante — Ela responde com respeito.

— Dezenas de guerreiros mortos, isso chutando baixo — Seu rosto estava pintado para a batalha e segurava uma adaga nas suas mãos — Lembro dos sobreviventes dizendo que parecia ser duas pessoas lutando num corpo só — Em certa parte da minha vida realmente foi — Você entende que cada ação tem a sua consequência?

— Não me arrependo de quem eu tive que me tornar para sobreviver — Rey fala essas palavras olhando fixamente para a comandante, realmente acreditava nessas palavras.

— E eu respeito isso — O olhar da comandante para Rey muda, não sendo totalmente condenador — Entretanto, você entende que não posso te deixar sair daqui sem nenhuma punição?

— Sim, eu entendo.

— Por respeito pelo antigo bunker FHT, com quem um dia tivemos paz, e também pela nossa nova aliança com Skycru, não irei te sentenciar a morte — Bellamy finalmente pode respirar novamente e Rey ainda não sabia o que fazer com essa informação. Estava tão preparada para morrer que viver não fazia sentido — Pagará pelos seus atos com dez chibatadas, cada uma por um representando da Treekru. Começando por mim. Amanhã no enterro das vítimas e do assassino.

— Comandante…! — Bellamy tenta dizer alguma coisa, se aproximando e novamente os selvagens o param.

— Eu já agi com misericórdia, Rey precisa pagar pelos seus erros — A Comandante responde — Por enquanto ela permanece conosco.