Whispering
16 Consequences
Notas iniciais
Rey dormia em cima do peito de Bellamy, passaram a noite assim. Finn dormia no chão da sala e eles na cama no quarto. Ela havia limpado o rosto, porém ainda estava com a mesma roupa já que não tinha troca, tudo ficou na mochila no acampamento. Não tinha amanhecido quando Finn os acorda, Rey senta na ponta da cama e se espreguiça enquanto Bellamy coloca sua camisa.
Estavam cansados, mas tinham que procurar por sobreviventes, voltar para a nave e se reunir com o pessoal. Eles comem algumas frutas e se preparam para partir.
A floresta estava mais escura que o normal, mesmo que logo o sol iria nascer. Não havia dormido duas horas e já estava no meio dela novamente. Finn estava na frente junto com Bellamy, os dois queriam voltar o mais rápido possível.
Rey, cansada, se mantém atrás num ritmo mais lento que os outros. Agora estava armada, com várias flechas e as adagas limpas, seu bastão com a mochila ainda estava no acampamento.
O silencio mantia, não queriam que ninguém percebesse que estavam ali, a floresta nunca esteve tão cheia de selvagens. Alguns passos surgiram, pessoas correndo ao redor deles. Os três param e tentar decifrar de qual direção vinham, Rey pega seu arco e os meninos apenas se preparam para uma luta corporal, já que estavam desarmados. Uma lança surge e se crava na arvore atrás de Rey, por pouco não havia sido atingida.
Ela fica paralisada por um tempo, os três ficam, então a boca de Finn grita apenas uma palavra:
— CORRAM! — Ele grita e todos obedecem a ordem sem pestanejar.
Rey começa a correr na direção contrária do machado, no começo seguia Bellamy e Finn, depois ambos somem e ela fica perdida. Podia ouvir pessoas correndo perto dela, corre em direção dos passos mais próximos, se fosse os selvagens iria atingi-los por trás, se fosse os amigos iria se reencontrar.
Finn estava lá, caído no chão com um selvagem o amarrando a um cavalo, Rey se esconde atrás de uma arvore e fica lá, tinha que arranjar um jeito de salva-lo sem que acabasse em bosta. Porém, tinha outra pessoa amarrada ao cavalo, um jovem. Se esperasse podia ver onde o selvagem os levariam. Também tinha que procurar Bellamy.
O selvagem monta no cavalo e começa a sua jornada, Rey mantem uma distância segura entre eles e os seguem. Seu arco sempre pronto para atirar, qualquer coisa e o sequestrador estaria morto. Estava tudo tranquilo, até que o menino começa a resmungar e se jogar no chão. Finn tenta o ajudar, mas o selvagem não fica nada contente. Sem pensar duas vezes ele estraçalha a garganta do jovem enquanto Finn observava tudo assustado, esperando ser o próximo.
O selvagem apenas encara e volta para o seu cavalo. Rey pensou em mata-lo, mas tinha que ver para onde ele ia. Porém, um grito de uma voz conhecida. Bellamy sozinho e armado apenas com uma lança. O selvagem se aproxima rapidamente e atinge com tudo o peito dele enquanto desviava da lança.
Rey prepara o arco e tentava mirar, tudo acontecia rápido demais. O selvagem acertava vários socos no rosto de Bellamy enquanto Finn tentava cortar a corta. Ela corre em direção dele e grita chamando a atenção do selvagem, ele volta a olhar para ela e para por um momento de atingir Bellamy. Assim que ele fica parado ela solta a flecha, que atravessa a cabeça dele e o corpo morto cai em cima de Bell.
Ele tira o corpo de cima dele e tudo que vê é Rey com seu arco, seu rosto cheio de arranhões e rastros de sangue, sua roupa manchada de vermelho e rasgada em alguns pontos. Nesse momento ele sorri, até que alguém a faz cair, um selvagem a derruba pelo torso e começa a atingir seu rosto. Ela não consegue fazer nada, estava incapacitada no chão. Bellamy pega uma pedra a lança no chão e corre para ajudá-la quando dois tiros soam.
Outro corpo sem vida, ele ajuda a tira-lo de cima dela e a vê com o rosto deformado. Bellamy a chacoalha um pouco, tentando acorda-la, lentamente ela abre os olhos e sorri. Três pessoas saem da mata, armadas e vestidas com o mesmo estilo de roupa de Bellamy.
Rey olha para eles, Finn e os outros pareciam o reconhecer. Uma moça de cabelo marrom claro longo se aproxima enquanto o homem mantém com a arma.
— Estamos aqui agora — Ele diz para Bellamy — Tudo ficará bem.
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Abigail Griffin era o nome da moça, a mãe de Clarke. A arca havia pousado na outra noite e agora a maioria se encontrava aqui. Bellamy abraça Rey assim que se levanta.
— Onde você estava? — Ele pergunta assim que se separam.
— Estava seguindo o selvagem, vendo onde ele levaria Finn — Rey responde guardando o seu arco.
— Por que não os matou?
— Eles podem ter pego mais pessoas, assim saberíamos onde estariam.
Rey se cala ao ver a população da arca a encarando, todos estavam se afastando dela, com medo. Bellamy também percebe isso e a puxa para longe deles, para perto de Finn.
— Obrigada — Finn agradece a ambos quando chegam — Agora precisamos ir para a nave.
— Vamos falar com Kane — Bellamy aponta com a cabeça para a pessoa que matou o selvagem que havia atacado Rey, ele se aproxima deles.
— Vocês três nos levem para a nave, levaremos o resto dos sobreviventes para a estação arca. — Ele falava com uma voz séria, como um líder.
Rey ficava no canto dela, sentia-se como uma estranha, uma forasteira. Bellamy parecia nervoso enquanto mostrava o caminho, a arca chegou para tomar o comando, ele havia perdido o poder. Ela se mante atrás dele e longe dos soldados da arca que o acompanhavam. Armas sofisticadas, pequenas e potentes, casacos e roupas grossas. Diferentes de tudo que já havia visto, a roupa os protegiam mas parecia ser difícil de se movimentar com elas.
— O que aconteceu? — Abigail Griffin se aproxima dela. Rey não sabia o que responder já que não sabia de onde vinha a pergunta. Então ela aponta para o rasgo na roupa que mostrava para os pontos mal feitos que Bellamy havia dado quando chegaram na noite.
— Levei um tiro, a bala entrou e saiu. — Ela responde de modo direto sem diminuir o ritmo das passadas.
— Depois deixe-me dar uma olhada, sou médica — Griffin sorri tentando mostrar que era uma amiga — Você pode confiar em nós, não precisa ter medo.
— Ela não tem medo — Bellamy responde por Rey e a puxa para mais perto dele.
Abigail se afasta dos dois e a caminhada continua, cada vez mais perto do acampamento. Finn estava ansioso, era notável pela sua feição e o jeito que apertava seus dedos. Estavam nos arredores dos muros, podiam ver ao longe eles. Kane faz um sinal para pararem.
— Vocês ficam aqui com os soldados — Ele diz apontando para Rey, Bellamy e Finn. — Nós iremos primeiro para ver se está tudo de acordo.
Finn e Bellamy bufa enquanto Kane, Abigail e alguns outros soldados adentrava o acampamento. Rey não entendia, eles acabaram de chegar e já acham que podem mandar neles. Os dois construíram o acampamento com as próprias mãos, deviam ser os primeiros a votar. Todos sentam e descansam um pouco, a mão de Bellamy estava na coxa dela, Rey acariciava a mão dele. Estavam agitados, procurando alguma saída. Finn faz um sinal para eles, Bellamy entende e Rey apenas segue os dois.
Finn e Bellamy se levantam, os dois soldados apontam as armas e os mandam sentar. Então, os três começam a correr para o lado, circundando as muralhas. Os tuneis. Agora tudo fazia sentido, Bellamy adentra pelo túnel e passam a estar para dentro da muralha.
O acampamento estava vazio, a grama e tudo ao redor havia sido queimado. A nave estava com seus portões abertos, ninguém saia de lá. Uma voz surge, conhecida até demais para Rey.
Kane sai da nave segurando Murphy, o ajudando a andar. Ele tentava dizer sobre a batalha, mas nada fazia sentido. Assim que ele vê Bellamy se assusta, entra em pânico.
— Bellamy...você está vivo — Ele sussurra antes de Bell partir para cima dele.
— SEU ASSASSINO! — Bellamy gritava enquanto o derrubava. Rey aproxima dele tentando os separar. Vários socos até que o soldado de aproxima com um instrumento estranho e atinge Bellamy com ele. Bell cai gritando de dor, seu corpo contorcia e seus olhos arregalavam de dor.
Rey, assustada, atinge com tudo o rosto do soldado, o fazendo parar apenas para o instrumento atingi-la no torso. Seu corpo é atingido por uma descarga elétrica, nada que havia sentido, seu corpo perde as forças e ela cai no chão. Não podia pensar em nada, seu corpo se contorcia e não conseguia controla-lo. Apenas pensava na dor e gritava sem perceber. A arma nem estava lá, mas o choque continuava.
— Prenda os dois — Ela ouve Kane falar e dois soldados a algemam.
— Espere. Você não entende — Finn surge e tenta argumentar com ele — Murphy matou dois do nosso povo, atirou em Raven e na Rey e tentou enforcar Bellamy.
— Não me importo. — Kane grita com liderança — Vocês não são animais! — Finn se assusta, não entendia o pensamento dele — Existe regras! Leis! — Kane se vira para Bellamy, os soldados o seguravam e havia o algemado — Você não está mais no controle.
Raven sai da nave numa maca desacordada, Finn se aproxima dela e se assusta. Abigail diz que ela precisa de cirurgia ou irá morrer. Rey e Bellamy são colocados num canto perto de uma arvore sentados, ela não consegue parar de notar no rosto sujo dele, todo cortado e manchado de sangue. Igual ao meu.
Finn se aproxima e começa a sussurrar.
— Não tem ninguém mais aqui — Ele diz procurando alguém que podia os ouvir — Vamos para o acampamento deles, pegamos armas e suprimentos, partimos amanhã para procurar o resto.
— Até amanhã quando mais irá morrer? — Bellamy não parecia convencido.
— Raven precisa de cirurgia ou irá morrer, Bell. — Rey tenta o persuadir — É uma boa ideia.
Então ele consente com a cabeça e Finn sorri, voltando a sentar ao lado de Raven, que estava sob cuidados de um soldado enquanto Abigail escrevia algo na parede da nave com uma pedra. Kane manda todos se prepararem para a partira, era hora de ir. Dois soldados se aproximam e cada um guiava Rey e Bellamy.
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A arca surge no meio do campo, uma grande nave caída no meio do nada. Pessoas estavam ao redor delas, todas sorridentes ao verem seu povo voltar. Os sorrisos desaparecem quando veem Rey. Os soldados levam os dois prisioneiros para uma sala dentro da nave, que era escura e metálica.
As algemas são retiradas e a porta trancada, o soldado ficava de guarda lá o tempo todo.
Bellamy espera um pouco até se aproximar dela, Rey estava caída no chão. Seu corpo havia perdido as forças e quando o soldado a fez sentar no chão a primeira coisa que fez foi deitar. Bell a vira de lado e deita perto dela.
— Você está bem? — Ele sussurra depois de um tempo.
— Tenho que estar.
— Não, não tem que estar bem.
Rey sorri quando Bellamy diz isso e se aconchega nos braços dele, os dois ficam lá por um momento. Nunca sentiram tão fora do lar desse jeito, no meio de estranhos num lugar desconhecido.
— Não gosto daqui — Rey fala com a sua mão sentindo o bater do coração dele.
— Fecha os olhos e finja que está na sua casa.
— Mas, eu estou em casa. — Ela responde ao perceber algo — Você é a minha casa.
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