Whispering
20 Am I or Ain't I Crazy?
Eu não sou louca. Rey pensa quando Abby explica sua condição. O ferimento havia infeccionado e a febre as vezes faz as pessoas verem coisas. Marla está longe. Não, eu não estou. Eu não estou perdida. Ela jazia numa maca vestida com uma camisola, agulhas perfuravam sua veia com vários medicamentos que a deixava grogue. Haviam dado banho nela e toma a camada de sujeira e sangue havia ido pelo ralo. Agora realmente podia ver seu rosto, uma coleção de cortes.
Bellamy estava dormindo ao lado de sua cama quando Rey acorda após ser apagada pelos medicamentos. Ele estava jogado numa cadeira com uma feição tão calma como nunca o vira e talvez nunca visse novamente.
Clarke estava lá, acordada. Ela se aproxima da cama e senta na beirada da mesma.
— Bellamy disse que você entrou em Mount Weather — E essa foi a primeira coisa que disse. Nem acordou e já estava de volta a confusão.
— Sim, no dia em que você e Finn sumiram. — Rey suspira e senta na cama.
— Como você entrou?
— Eles me deixaram entrar, me prenderam lá e depois me soltaram — Ambas falavam num tom baixo, não querendo acordar Bellamy, mas mesmo assim ele acorda num pulo.
— Que você está fazendo, Clarke? — Ele pergunta se colocando ao lado de Rey — Agora não é hora para bombardear ela com perguntas.
— Eles apenas te deixaram sair, sem fazer nada. — Clarke continuava a perguntar, tinha sua aparência bem abalada e parecia estar cansada.
— Eles...eles… — Sim, como fui tonta. Como fui tonta.Tonta. Os pontos.
— Clarke, apenas vá embora — Rey coloca sua mão na nuca, onde ainda podia sentir os pontos onde a pele havia crescido por cima. Como pode esquecer disso? Tudo estava tão claro agora.
— Não, é tudo culpa minha — Ela suspira e os dois se viram para ela — Eles colocaram um chip de rastreamento em mim, por isso sabiam onde vocês estavam.
— Como assim? — Clarke estava confusa, assim como Bellamy. Porém, Rey pula para fora da cama tirando as agulhas a força de sua pele causando um fio de sangue saindo de onde elas jaziam. Bellamy se aproxima dela, mas Rey o para com uma mão no peito dele. Ela pega um bisturi que jazia numa mesa cheia de instrumentos médicos e o entrega para Clarke — O que você quer?
Rey levanta seu cabelo castanho escuro solto e deixa a cicatriz no pescoço a mostra.
— Quero que tire o chip. — Ela responde quando Clarke pega o bisturi.
— Melhor você sentar — Clarke suspira então. Ela faz o que pede sentando na cadeira onde Bellamy uma hora dormia. Ele estava a sua frente, segurando sua mão.
O bisturi corta sua pele e Rey morde seu lábio tentando conter a dor, ela apertava a mão de Bellamy cujos os olhos permaneciam nos dela. Clarke então tira um pequeno chip de dentro do corte o jogando numa mesma ao lado. Com a agulha e linha fecha o ferimento novamente.
— Fui tola, inocente. Nem pensei que… — Rey sussurrava quando Clarke termina de dar os pontos.
— Você não pensou em nos avisar? — Clarke gritava desesperada.
— Quando, me diga quando, Clarke. Vocês estavam muito ocupados criando guerras. — Ela então para de se culpar e se levanta da cadeira.
— Nunca disse nenhuma palavra de que havia pessoas em Mount Weather. — Clarke continuava limpando suas mãos do sangue de Rey.
— Desculpa tava ocupada ajudando vocês se livrarem do que causaram.
— PARE! AGORA! AS DUAS! — Bellamy se enfia no meio das duas e se vira para Clarke — Ela me contou, okay? Entretanto, o grande problema era os terra-firmes e não Mount Weather.
Clarke bufa e sai da sala, Rey então volta-se a deitar na cama e se encolhe na mesma fechando seus olhos. Ela podia sentir minha presença, ao lado dela.
— Você se escondeu deles por muito tempo, Rey — Eu sussurro aos seus ouvidos — Você tem que ir lá e recuperar o que é seu.
Vá embora, Marla!
— Está na hora de fazer seu movimento, Rey! Já passou da hora.
Eu preciso de tempo, Marla. Apenas me deixe descansar. Estou cansada demais para pensar.
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O interrogatório durou um dia inteiro e durante todo esse tempo Rey se estava presa a uma cadeira com Kane e Abby a sua frente. Eles perguntavam de tudo, desde quando ela salvou Jasper até o ocorrido com a Clarke. Ela respondia todas as perguntas tentando ser verdadeira, mas muito coisa Rey não se lembrava e nada iria trazer essas memórias de volta.
Não se lembrava de quando os selvagens a pegaram, apenas lembrava de acordas no meio da floresta sem saber de nada e só tomar conhecimento que matara dois selvagens quando Lincoln dissera a ela. Não se lembrava da sua jornada até o massacre da vila, apenas flashes relances.
E eles apenas continuavam a não confiar nela.
Rey é liberada do questionamento e vai para o quarto que deram a ela para dividir com Bellamy. Ele jazia sentado na cama a esperando com as roupas dela limpas ao seu lado. Rey vestia roupas que haviam dado a ela, mas não se sentia bem com elas. Ela fecha a porta e se joga na cama ao lado dele.
Dois dias se passaram desde que o massacre aconteceu, Rey ainda não tinha falado com Finn, apenas não conseguia dizer nenhuma palavra ele. Murphy havia passado na enfermaria, para checar nela, um grande avanço desde quando ele a chamava de vadia.
— Sabe o que eu sinto falta? — Rey suspira ainda deitada na cama com Bellamy ao seu lado— Quando fui esfaqueada no pé e você vinha na minha casa, passava a noite e o meu maior problema era saber quando iria poder voltar a andar.
— Sinto falta de quando se encontrávamos na floresta e você me ensinava a rastrear — Bellamy deita ao seu lado, ambos encaravam o teto — Você ficava tão nervosa comigo.
— Bell, precisamos ir para Mount Weather — Rey então suspira o pensamento que não saira de sua mente — Preciso encontrar meu irmão, depois podemos ficar na minha casa e apenas esperar o tempo passar.
— Rey, amanhã tem um grupo indo para lá tentar destruir um sinal. — Bellamy senta novamente na cama e ela faz o mesmo — Clarke quer nós encontremos uma entrada.
— E eu pensando que você iria me ajudar a encontrar Josh — Rey bufa e se levanta rapidamente da cama nervosa.
— Rey, para! — Bellamy vai atras dela e segura sua mão a fazendo parar — Eu vou te ajudar a encontrar Josh, mas meu grupo também está lá. Preciso ajudá-los também.
— Clarke não se importa com Josh, Bell. Vai fazer tudo que ajude os amigos dela, e eu vou acabar tendo que resolver tudo sozinha como sempre.
— Você não está sozinha, Rey. Nunca mais estará sozinha porque eu estou aqui.
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Rey se encontrava novamente caminhando na floresta com Bellamy ao seu lado. Vestia novamente as roupas da sua mãe, agora limpas. Seu coque triplo estava firmemente preso. Sentia-se pronta para recomeçar novamente. Estavam procurando por alguma entrada que não fosse a porta por onde entrou da ultima vez, nunca a deixariam entrar novamente.
— BLAKE! — Três soldados surgiram atrás deles. — Vamos, já.
Bellamy suspira e se vira para trás junto com Rey.
— Caso tenham esquecido, não estamos sob seu comando — Ele fala com um tom de desafio e ela gostava disso.
— Não nos obrigue a usar força — O soldado fala segurando sua arma contra seu peito.
— Scott, 47 das suas pessoas estão presa nessa montanha.— Rey se intromete na conversa sabendo que ele não iria gostar — Realmente quer ficar parado do lado de fora dela?
— É por isso que estamos aqui — O mesmo soldado responde mantendo sua posição.
— Errado — Bellamy continua se pondo a frente dela e Rey não pode não notar o chão, lotado de insetos indo em direção da montanha— Vocês estão aqui para encontrar outras estações da Arca. — Rey se vira para onde os insetos estava indo, procurando ver o que estavam fazendo — Nós estamos aqui para encontrar nossos amigos.
— Bell — Rey suspira e agora todos jaziam encarando o chão.
— O que eles estão fazendo? — Outro soldado pergunta.
Ela se vira de onde estavam vindo, tentando entender o que estava acontecendo.
— Fugindo — Rey suspira finalmente juntando as peças do quebra cabeça vendo a neblina amarela vindo na direção deles — Nevoeiro ácido. Precisamos achar um abrigo. AGORA!
— Armem as barracas, vamos! — Bellamy começa a tirar as coisas da mochila, porém Rey sabia que não daria tempo.
Os insetos sabiam para onde ir, devem fazer isso a anos. Rey então apenas segue os insetos se afastando um pouco do grupo e indo na direção da montanha. Os bichos passavam por baixo de algo e entravam na montanha. Ela se ajoelha e tira o mato se depositara lá após anos. Era uma porta.
— BELL! — Rey grita por ele tentando abrir a porta pesada — Achei algo!
Bellamy corre até ela e vê a porta, ele grita por ajuda e logo Scott aparece ajudando-os a abrir a porta. Com os três forçando a maçaneta, logo a porta se abre e Rey corre para dentro puxando Bellamy. A nevoa se aproximava rapidamente e ele não tem escolha a não ser deixar um dos soldados engolidos pela nuvem amarela para trás.
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Antes das bombas caírem o local deveria ter sido um estacionamento, estava cheio de carros com pó em cima. Se não fosse as lanternas nada poderia ser visto, e mesmo com a luz fraca não era possível ver muita coisa.
— Sentimos muito pelo seu homem — Bellamy começa a dizer pronto para vasculhar o local— Mas precisamos encontrar uma entrada para Mount Weather.
— Ei, não tão depressa — Scott tenta falar algo, mas Bell de teimosia o intromete apenas para se calar ao ver que o soldado estava oferecendo uma arma. — Vamos se separar. Te encontro aqui daqui quinze minutos.
Bellamy pega a arma e Rey tira seu arco do suporte, então o grupo se separa indo cada um para uma direção. Tudo estava indo tecnicamente bem, não tiveram que usar suas armas, mas também não encontraram nada até uma musica começar a ecoar pelo estacionamento e gritos cortando a melodia.
Como se pensassem a mesma coisa, os dois passam a caminhar em total silencio na direção dos barulhos. Não era possível ver nada e a musica ia cada vez aumentando. Quanto mais perto da fonte, grunhidos passava a surgir da escuridão. Rey tinha uma flecha preparada e outras prontas para substituir aquela quando Bellamy ilumina dois ceifadores comendo a carne de Scott, que jazia morto. Rapidamente, ela atira uma flecha no mais próximo que cai no chão com uma flecha na sua cabeça enquanto Bellamy atirava no outro que vinha na direção deles.
Entretanto, não era os únicos. Ainda era possível ouvir grunhidos, alguém se alimentando ferozmente, como se fosse um animal. Bellamy ilumina o ceifador, que vira para eles grunhindo e mostrando os seus dentes. Ele estava prestes a atirar quando Rey o reconhece, não era mais do que um animal, sua boca suja de sangue de outra pessoa e seus olhos vermelhos. Porém, ainda mantia a mesma feição.
— Lincoln — Rey sussurra abaixando a arma de Bellamy, Lincoln se levantava do chão e vinha na direção deles com um olhar diferente, não os vendo como amigos — Lincoln, é a Rey.
Ele não os reconheciam, apenas empurrando Rey para longe com suas próprias mãos. Seu corpo atinge o capô de um carro enquanto Lincoln se aproximava de Bellamy, que não sabia se atirava ou não nele. Ela rapidamente se coloca no chão onde seu arco havia caído e atira na perna do amigo deles, que grunhi de dor dando tempo para Bell o apagasse com um golpe na cabeça enquanto a musica continuava a tocar.
Bellamy a puxa pelo braço para longe, não parando de dizer que precisavam ir para um local seguro. Rey então começa a correr por si mesma após um tempo e ambos entram num carro um pouco afastado de onde deixaram Lincoln.
— Octavia disse que ele estava morto — Rey sussurra ofegante enquanto Bellamy fechava a porta do carro — Como ele pode virar um ceifeiro?
— Precisamos trazer ele de volta, devo isso a Octavia — Bellamy estava decidido que tinha que fazer isso e ela concordava, não podia deixá-lo desse jeito. — Precisamos de um plano.
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O plano estava feito quando os dois finalmente saem de dentro do carro. Bellamy beija a testa de Rey antes que ela guardasse o arco no suporte e pegasse a pistola dele. Olha para os dois lados segurando do melhor jeito que pudesse a arma, e então respira fundo.
— Lincoln! — Ela grita e o espera sair das sombras atrás de um carro e vir até onde seria encurralado.
Rey começa dar passos rápidos para trás sempre com a pistola preparada indo para um espaço entre o carro e a parede. Lincoln ia até ela grunhindo como um animal quando Bellamy surge com a arma elétrica dos guardas da arca, atingindo em cheio o pescoço dele, que gritava de dor até cair desacordado.
— E agora, Bell? — Rey fala observando o corpo caído de Lincoln.
— Agora o levamos para casa.
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