When the wild wind blows
5 11/02/14
Continuando. Peguei o que podia da casa, como dois livros e cinco garrafas d'água que estavam na geladeira. Bebi uma inteira, enquanto comia duas barras de cereal. Parecia que os donos gostavam bastante de barras de cereal. Tinha duas caixas delas num dos armários, uma das poucas coisas que ocupavam os armários.
Pão mofado, frutas podres e mais pão mofado. Aparentemente, apenas as barrinhas de cereal e as garrafas de água estavam comestíveis naquela casa. Passei o dia inteiro ali e a noite no quarto do casal, com a porta trancada devido ao outro 'habitante' da casa. Mas, aparentemente, a criança havia percebido minha presença ali, no começo da manhã. Talvez por causa do som da minha mastigação, ou dos meus passos, ou da porta fechando. Ou será que Eles conseguem farejar os seres humanos saudáveis?
Resumo da história: quando estava me preparando para sair, a porta do quarto da criança se abriu e ela surgiu.
Mal tive tempo de erguer a arma e o monstro já avançou na minha direção. Talvez por reflexos, medo ou qualquer outra coisa, apontei a arma para a cabeça do morto-vivo que se aproximava e quando ele estava bem perto, quando era impossível errar, puxei o gatilho e o projétil acerto bem no meio da testa da criança. Não senti pena ou remorso: a minha sobrevivência estava em jogo.
A bala atravessou e acertou a parede atrás da criança, que caiu no chão como um saco de carne. O barulho do tiro foi ensurdecedor, provavelmente deve ter sido ouvido por diversos quarteirões, no mínimo.
'Hora de fugir', pensei. Coloquei a mochila no ombro e sai correndo pela porta. Pensei em seguir em direção a casa do Doutor K, mas desisti quando vi que vários mortos-vivos estavam vindo daquela direção. E quando digo vários, não são meia dúzia. São mais de cinquenta.
Olhei para os pátios das casas e vi algo que me chamou a atenção: uma casa na árvore. O esconderijo perfeito. Então, sai correndo em direção a ela. Pulei a cerca de uma casa, que tinha mais ou menos um metro e meio. Apenas um portão de madeira me separava do pátio onde ela estava. O portão era alto demais para pular, mas enquanto corria na direção dele percebi que era frágil.
Então, quando estava perto, pulei na direção dele e joguei todo meu peso contra ele. O portão se quebrou ao meio e meu braço começou a doer. Caído no chão, junto a vários pedaços de madeira quebrada, eu não demorei nem dois segundos para me levantar. O pátio estava vazio e a parte de trás da casa estava totalmente fechada. Uma escada de madeira – várias tábuas pregadas na árvore – levava a casa na árvore. Subi rapidamente e me escondi lá dentro – sendo que o interior da casinha era 2x2 e com, no máximo, um metro e 80 de altura. Ela era escura e estava completamente vazia, a não ser por algumas folhas de ofício e um estojo cheio de lápis de cor.
E cá ainda estou. As ruas estão cheias Deles e aparentemente não vou sair daqui tão cedo. Daqui, tenho uma visão ótima de toda a rua e de toda a movimentação Deles. Consegui ver mais três mortos-vivos 'especiais'. Um Deles foi atraído por um som, pois passou a noite inteira correndo e se jogando contra a porta da frente de uma das casas, que provavelmente era bem mais forte que ele.
Vou dormir. Espero poder chegar a casa do Doutor amanhã. Preciso de respostas. E, acima de tudo, preciso de comida de verdade.
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