When the wild wind blows
6 12/02/14
Vocês não vão acreditar no que aconteceu. Estou na casa do Doutor, encontrei Billie e Kim. Bruce e Rick saíram para procurar mantimentos num supermercado que fica perto do centro da cidade, voltam antes do anoitecer.
Consegui fugir pelos quintais das casas daquela zona. Depois de alguns minutos caminhando, sempre me escondendo ao menor barulho, encontrei algo que me fez sorrir.
Cercado por um muro de dois metros de altura, estava um terreno bem grande. Em volta do muro, estavam diversas casas normais, o que lhe dava destaque. Atrás do muro, dentro daquele terreno, estava algo simplesmente maravilhoso: nem
Uma fortaleza feita com containers. Estranho, não? Realmente, parece uma fortaleza medieval feita com containers de diversas cores. Subi em uma árvore próxima para tentar olhar para dentro dos muros, para ter certeza de que era seguro ali. Um grande portão de ferro levava até o pátio da fortaleza do Doutor K.
De cima da árvore, consegui ver que o 'primeiro andar' tinha dois containers de altura. Em cada ponta do castelo haviam torres, com um container em vertical e uma abertura em cima. Várias chapas de metal pareciam juntar um container ao outro.
Já esperançoso, desci da árvore e fui correndo em direção ao portão de ferro, aproveitando que apenas três mortos-vivos estavam na rua, e na outra ponta dela. Ao chegar na porta, comecei a bater diversas vezes nela.
Depois de alguns segundos, ouvi uma voz masculina do outro lado, seguida do barulho de uma pistola sendo engatilhada.
– Quem é? – disse a voz, que reconheci como a de Billie. Era a versão 'grossa' da voz dele, que ele sempre fazia quando queria falar sério.
– O Batman, quem mais? – eu disse. Falar era algo que eu raramente fazia: não tinha o costume de falar sozinho. Afinal, pra que falar sozinho se eu 'converso' bastante aqui, com meu diário?
A porta se abriu depois de vários segundos, onde alguém estava abrindo vários ferrolhos extremamente barulhentos. Então, vi Billie, incrédulo, com um sorriso congelado no rosto. Ele tinha uma pistola antiga, uma Luger (aquela pistola alemã, da Segunda Guerra). Reconheci imediatamente devido aos meus anos de experiência com jogos que retratavam combates da época.
– Caralho, cara! – ele disse, me dando um abraço. Billie sempre foi adepto ao abraço: para ele, o aperto de mão era muito 'impessoal'. E eu concordava.
– Caralho mesmo! – concordei, sorrindo. Então, entramos e ele fechou a porta. Dezenas de ferrolhos reforçavam ela e, por fim, dois grandes bastões de ferro selavam a porta.
Não demorou muito e outra pessoa surgiu das portas metálicas do container: Kim. Era uma programadora, mil vezes melhor que eu e mil vezes mais organizada. Tinha cabelos curtos e espetados. Pele escura, olhos castanhos penetrantes e uma voz firme.
– Até que enfim... Achávamos que tinhas te perdido no meio do caminho, Zeke. – ela disse, olhando pra mim. Um sorriso surgiu no rosto dela enquanto ela vinha na minha direção e me dava um abraço.
– Não, só queria deixar vocês com um pouco de saudade. Hahaha. – eu disse, abraçando os dois. Então, o motivo de estarmos ali voltou a minha cabeça. — Cadê o Doutor K?
– Tomando café. Ele vai querer falar contigo, certo que sim. – Billie disse, me conduzindo para dentro dos containers.
Eu esperava uma 'casa' fria, toda de metal, mas me enganei. O chão de todo o 'primeiro andar' da casa era tapado por um tapete vermelho, o que dava um ar bem aconchegante a todo o local.
As paredes eram cobertas de desenhos, quadros com cálculos, estranhos e fotos de mortos-vivos em diferentes estados. Todos estavam amarrados a uma mesa, provavelmente num laboratório. Não prestei muita atenção, prestei mais atenção num hippie usando um jaleco encardido, sentado numa poltrona e bebendo uma xícara de café.
– Então você é o tal Ezekiel? – ele perguntou. Ele tinha cabelos loiros, um óculos estilo John Lennon e alguns colares estranhos, feitos com pedras coloridas. Ele tinha uma barba curta e seus cabelos estavam quase no ombro.
– Sim. E você é o Doutor K? – eu respondi, apertando a mão dele. Ele parecia ser frágil, com um aperto de mão fraco.
– Exato. Quanto tempo você esteve lá fora, rapaz?
– Umas três semanas. Passei quase duas semanas num BTR e depois vim pra cá. Não sei dizer com exatidão.– relatei.
Então, ele pediu um relatório mais demorado sobre minhas semanas de sobrevivência. Falei sobre a situação da capital, falei sobre a quantidade de mortos-vivos na estrada para cá, falei sobre a minha teoria sobre os 'tipos de zumbis'. Ele achou extremamente interessante e fez algumas anotações, num pequeno caderno que ele trazia escondido entre as roupas. Kim e Billie estavam sentados a minha volta, imersos em minha história.
Então, chegou a hora deles contarem a história deles, que, infelizmente, havia sido tão horripilante quanto a minha. Daqui a pouco eu escrevo sobre elas, agora vou aproveitar e conversar mais um pouco com meus amigos.
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