When the wild wind blows
3 08/02/14, Rivnat
Vou continuar minha história. Após me divertir poucos segundos observando os mortos-vivos queimarem, segui direto para o outro lado do apartamento. O quarto de um casal, aparentemente, com uma cama de casal e um grande guarda-roupa. O quarto parecia ter sido esvaziado com rapidez, pois ainda haviam roupas no chão. Então, ainda afetado pela visão dos zumbis queimando, tive outra ideia. Fui até o fogão, abri o gás de cozinha e deixei-o vazando. Então, fui até o quarto do casal, abri a janela que dava a um beco (e uma grande lixeira estava aberta, o que amorteceria minha queda), que seria minha rota de fuga. Então, coloquei fogo em um livro didático de física. Nunca gostei de física.
Fui até a janela e pulei na lixeira. O cheiro de lixo estava quase agradável, considerando o odor de decomposição, fezes e urina que infestava as ruas. O cheiro de chorume chegava a ser um perfume.
Então, sai da lixeira e já me pus a correr. Meu plano era chegar a Rivnat, local onde o Doutor K dizia estar operando. Rivnat ficava a poucos quilômetros de Washington, era uma cidade não muito grande. O Doutor K dizia que ele estava em um container, provavelmente no jardim de sua casa, em um bairro de classe média quase no centro da cidade. E era pra lá que eu vou.
Quando a bateria do meu celular, que era cuidadosamente administrada, acabou, o Doutor falava sobre militares formando um perímetro ao redor de Rivnat, depois que Washington havia caído. Parece ser a melhor coisa a fazer.
Além disso, quando as antenas ainda funcionavam, consegui contatar Billie, Bruce, Kim e o Rick. São quatro amigos, que trabalhavam na mesma empresa que eu. O ponto de encontro era Rivnat, mais especificamente na casa do Doutor K.
Então, segui meu rumo. Consegui encontrar uma bicicleta jogada no meio da rua. Seu antigo dono, um homem de meia idade com o rosto desfigurado devido as mordidas, provavelmente não precisaria mais dela.
De Washington até Rivnat eram, aproximadamente, trinta quilômetros. Pedalando como nunca pedalei antes, consegui cobrir quase todo o caminho até a noite. Quando a noite chegou, fui forçado a me abrigar pela noite. Já que nenhum dos estabelecimentos de beira de estrada parecia confiável, decidi montar acampamento no lugar onde os mortos-vivos não alcançariam: os galhos mais altos de uma árvore.
Estou, agora, escrevendo isso apenas com a luz da Lua e uma caneta azul que já está começando a falhar. Espero achar outra: esse diário foi uma boa idéia. Parece que estou conversando com outra pessoa, dá pra acreditar? Hahah. Vou descansar um pouco, pretendo chegar a Rivnat antes das dez horas da manhã. Quero almoçar, pela primeira vez em semanas.
Fale com o autor