When the masks fall off...
1 Prólogo
Notas iniciais
Ela usava o uniforme do colégio mais popular e caro da Coreia. Tentava passar despercebida, andando com o olhar baixo pela escadaria que levava à porta da instituição de ensino, escondendo sua identidade e beleza. Era sempre assim...
As pessoas não prestavam muita atenção nela, mas a garota sempre tentava observar os estudantes quando podia, ou seja, momento em que ninguém a notava. Se os outros percebiam sua existência ou não, disso ela não sabia ao certo, mas se eles descobrissem quem era realmente, lamberiam o chão em que pisasse, iriam idolatrá-la e tornariam-se mais falsos e hipócritas.
Sim. Fora da escola, era uma ricaça, herdeira de uma família nobre e conhecida. Foi muito difícil esconder sua identidade de todos e algumas empresas foram compradas para negociar com a Shinhwa. Assim, pôde frequentar as aulas em paz, como uma jovem normal.
Como não a reconheciam? Bom, desde o início de sua adolescência, tentou ao máximo passar longe das câmeras e dos olheiros do mundo. Só saía quando estritamente necessário; tinha uma casa separada de seus pais; e, aliás, uma família postiça fora-lhe arranjada caso alguém fosse visitá-la. Os mínimos detalhes foram resolvidos para ter o melhor ensino graduado que pudessem oferecer. Nem lembrava da última revista em que saiu sem chapéu, óculos escuros e um casaco de pele que quase lhe cobria o rosto inteiro. Fora há sete anos? Ou mais?
Com uma relevância quase nula, abaixou para pegar seus livros do chão. Haviam esbarrado nela e esta foi obrigada a recolhê-los sozinha. Por que? Ora, a gritaria e o tumulto explicavam tudo... Os F4 tinham chegado, um grupo extremamente rico e popular, esbanjando o dinheiro, a fama e a beleza dos mocinhos coreanos.
As atividades paravam quando eles chegavam. Sempre acontecia a mesma coisa: alguma garota desmaiava; um garoto sonhava ascender à posição do quarteto; e uma vítima saía humilhada, porém, no dia seguinte, lá estaria novamente, vangloriando os quatro e rindo de um outro pobre coitado... Os estudantes eram de mente tão fechada e pequena.
Lentamente, seguiu pelo corredor, enquanto na entrada, um aluno era acertado por suco artificial. Negando com a cabeça, já acostumada com esse tipo de mediocridade, continuou a andar, sentindo um aperto no coração. Se tentasse dar uma de heroína dos indefesos, sua identidade seria exposta e sua vida teria um fim. Além disso, pelas reações, era claro que, independente do ato daqueles riquinhos, nunca apreciariam sua ajuda. Pelo contrário, ficariam do lado daqueles os quais lhe faziam passar vergonha e virar motivo de chacota pelo resto do dia...
Para ela, o que havia melhorado um pouco sua autoestima nesses momentos era que rumores indicavam que uma nova pessoa ingressou no colégio. A famosa Geum Jan Di, a qual salvou um garoto do suicídio. Sim, essa tinha o aspecto de uma moça forte e de atitude que poderia mudar drasticamente o futuro do colégio. Tinha fé nisso.
— Ei, você!
A jovem prosseguiu seu caminho, sem perceber que era ela a quem se referiam no andar abaixo.
— Ei, menina!
— Ahn?
Só aí que ela parou e voltou a cabeça para trás, fitando todos os olhares perigosos. Pudera ter evitado tal erro e simplesmente ter seguido caminho.
Os sussurros e as expressões indignadas apontavam um erro que havia cometido, o de não estar lá, rodeando os jovens como todas as outras garotas. Quer dizer, nunca tinham notado sequer sua sombra, por que naquele dia ela tinha que ser alvo daquele grupo bad boy?
— Desça aqui. — Jun Pyo, o líder mal-humorado e prepotente, ordenou. — Quem você pensa que é, hein? Quem é você?
A jovem não sabia o que fazer. Ele mandara ela descer, certo? Agora não tinha mais volta... Os estudantes lembrariam dela pelo resto do dia. Obedeceria? Ou não?
Quando engoliu em seco, indecisa, pensou que pôde ser ouvida no colégio inteiro. Alguns risos esperavam a próxima atração a ser usada pelos F4...
Ela decidiu descer, afinal, que outra escolha teria? O primeiro degrau foi o pior, em que suas pernas ficaram bambas só de pensar em sua identidade sendo exposta. Quase tropeçou. O segundo degrau foi mais fácil, pois percebeu que poucos iriam realmente se importar com o que aconteceria. Depois de alguns dias, seria a mesma estudante invisível de sempre, a questão era se comportar.
Ao chegar no final da escadaria, estava decidida a obedecer qualquer que fosse o desejo dos F4. Sim, engoliria o orgulho e faria, a não ser que quisesse que durante o resto do período letivo fosse perseguida por fotógrafos.
— Nome?
Nome... Ninguém conhecia seu verdadeiro nome e isso foi como um calmante instantâneo. Permitiu-se, então, respirar fundo.
— Go Mi-hi. — Gaguejou e decidiu falar novamente com mais certeza. — Go Mi-hi.
Ele estreitou os olhos, meio desconfiado de início, mas optou deixar suas dúvidas de lado e acreditar em minhas palavras.
— Hm. — Ergueu o rosto, esnobe como usual. — Deve ser nova aqui, né? Tsc, tsc...
A garota mantinha contato visual, fazendo o que sabia de melhor: observar. Observava cada membro do grupo, transferindo a raiva pelo castanho de seus olhos até atingir o rosto orgulhoso deles. Ah, como queria que soubessem o que passava em sua cabeça naquele momento...
— Yi Jung, tem sobrando mais um suco?
O garoto sorriu contido e negou.
— Não, acabou.
Finalmente ela decidiu quebrar o momento, olhando o aluno sujo de vermelho, destoando em seu uniforme branco. Ele encarava o chão, envergonhado, rodeado por alguns amigos, os quais o limpavam com alguns lenços de pano.
Isso atingiu a menina em cheio. Quem ele pensava que era? Fazer algo assim era tão plebeu quanto aqueles que criticava na rua. Assim, não conseguiu evitar. Um dos seus piores erros de sua vida... Nunca foi um pavio curto, mas achava inadmissível uma coisa daquelas.
Bufou alto e em bom som, mostrando sua insatisfação.
Jun Pyo que, na hora, estava de costas, procurando o tal suco, virou imediatamente. Seu olhar era assassino, perplexo com a ousadia da pessoa a sua frente. Arquejos dos estudantes provavam que aquilo foi o seu segundo erro do dia e o tempo passava em câmera lenta, as respirações pausadas e ritmadas.
Ela fitava os F4 com uma coragem absurda, mas era totalmente diferente em sua cabeça. Na sua mente, um turbilhão de pensamentos atormentava suas ações. Apenas Jun Pyo parecia realmente bravo, o resto do grupo estava surpreso e tentavam disfarçar um sorriso debochado, achando graça e ansiosos pela reação do coreano, o qual se postava no centro.
Aí, quando menos esperava, um líquido roxo pegajoso foi jogado em sua cabeça. Assim, simples, rápido... O aroma de fruta impregnou o ar. Uva? Sim, refresco de uva.
A jovem não se permitiu olhar para baixo. Pelo contrário, seu cabelo grudava no rosto, porém, sustentou o olhar. Ela até havia percebido quando colocaram o copo na mão do líder, porém, foi tudo muito repentino.
Estaria tudo perdido se fizesse o que estava pensando?
— Vocês são tão babacas.
A garota passou pela porta, esbarrando em Jun Pyo propositalmente e, com certeza, sujou a blusa de marca que ele trajava.
Tentou manter a calma, ciente dos olhares chocados, e, ao virar na esquina do colégio, começar a correr, desesperada. Sabia que descobririam sua verdadeira identidade, pois eles tinham seus contatos, assim como sua mãe. E não estaria ali quando isso acontecesse: pegaria o primeiro voo para Londres que tivesse e pediria para algum empresário da companhia de seus pais assinarem um contrato com cada uma das famílias dos F4.
— Ei!
Ela acabara de esbarrar em um senhor e derrubar suas sacolas de compras, espalhando frutas pelo chão.
— Perdoe-me.
Começou a juntar as laranjas que caíram no asfalto, sentindo o coração acelerado e o barulho dos motores dos conversíveis do grupo aproximando-se.
Assim que recolheu tudo, fez uma mesura e saiu em disparada. Pensava na mãe, que a mataria se saísse nos jornais que a renomada Park Saejin Dae tinha ameaçado o almofadinha mais rico da Coreia. E só de pensar no casamento, o qual seria desfeito pelas notícias comprometedoras, tremia de receio.
Conseguiu chegar na casa dos pais postiços. Cumprimentou-os rapidamente e foi em direção ao quarto, repreendendo a si mesma pela tolice anterior. Pegou uma mala de viagem, colocando roupas e tudo que necessitaria no período em que estivesse fora.
Obrigou-se a tomar um rápido banho e se maquiaria no toilet do aeroporto mesmo, porque não havia tempo a perder. Logo, eles conseguiriam acesso ao formulário de admissão na escola, revelando sua identidade. No fundo, ela sentia vergonha por ser medrosa, por querer viver uma vida de mentiras, porém, nunca havia pedido para nascer em uma família rica, a qual precisava agir de acordo com as vontades dos outros.
— Senhor e senhora Go, passarei um tempo em Londres. — Anunciou, apressada, ao sair do banheiro já pronta. — Ligarei quando tiver planos de retorno. Adeus por agora.
Sorriu para o casal a sua frente. Eles eram extremamente amáveis com a menina, cuja gratidão era maior que seu legado. Ainda mais por eles terem cedido seus sobrenomes a ela. Sempre estavam lá por ela e, mesmo sendo pagos, a jovem sentia que o sentimento era recíproco. Os dois eram mais pais do que sua verdadeira família.
— Tão repentino desta vez, Saejin Dae. — A mais velha franziu a testa. — Está bem, querida?
— Sim. Nada a se preocupar, senhora Go.
— Avise-nos antes de entrar no avião, ao voltar, para prepararmos uma refeição de boas-vindas.
— Ora, isso realmente não é necessário, senhora Go. — Falou, envergonhada. — Não quero dar mais trabalho além do qual já proporciono.
— Não diga isso. Ligue-nos, pois não é trabalho a mais algum, é uma alegria tê-la aqui para cear conosco. Sabe muito bem como a casa era vazia e sem luz sem a senhorita...
— Telefonarei, então. — Fez uma mesura, sorrindo meio envergonhada. — Adeus.
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