When the masks fall off...
2 Cap. 1: My Immortal
Notas iniciais
"I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears"
My Immortal — Evanescence
A jovem estava uma pilha de nervos. Tudo o que sempre quisera era ter uma vida normal, sem os olhares da sociedade sobre cada ato, cada erro... Ela finalmente havia conseguido: convenceu a mãe de ajudá-la a seguir seus sonhos antes de se comprometer por completo ao nome Park; adiou por mais tempo o casamento com o magnata inglês; vivia por trás de uma máscara na escola do ricaço grupo Shinhwa, sem despertar o interesse das pessoas. Lá, não passava de mais uma entre tantos outros.
Já se encontrava no Aeroporto Internacional de Incheon, no banheiro, maquiando-se. Se qualquer um a reconhecesse, precisava estar "bem apresentável", como dizia sua mãe. Viver escondida da vida empresarial de sua família foi um dos maiores desafios e a polêmica sobre o paradeiro da "ilustre herdeira Park Saejin Dae" já começara a despontar há alguns meses. Para acabar com alguns rumores, foi obrigada a participar de uma entrevista ou duas, totalmente arquitetada pela família, a qual pagou uma bela quantia de dinheiro para nenhuma informação muito relevante vazasse nos tabloides coreanos.
Passou um pouco mais de blush, dando ao seu rosto um aspecto leve de boneca de porcelana. Optou por colocar um batom mais clarinho para não chamar atenção e seus olhos castanhos possuíam um perfeito delineado preto. Simples, porém, gracioso. A cada mulher que entrava no toilet, a garota sentia um frio na coluna, como se a qualquer momento uma delas pudesse gritar um ''Ai, não acredito! Você é...". Seria horrível. Nem gostava de imaginar como seria quando, ao final dos estudos, tivesse que ser reapresentada ao mundo e se tornar o novo rosto dos negócios familiares, além de ter um casamento marcado com um magnata inglês.
Henry era um homem de palavra, ao que parecia pelos poucos encontros que tiveram. Não a pressionava quanto ao relacionamento futuro deles e tentava ser o mais gentil possível. Desde os seus doze anos, o destino da jovem fora selado; nunca teve voz para argumentar quanto à decisão de seus pais. O casamento era por mero interesse e, por ter sido decidido quando era tão nova, nunca pôde seguir caminhos para encontrar seu próprio e real romance de conto de fadas. Era uma série de acontecimentos atrás do outro: até os doze, precisava ser a bela e inocente menininha dos holofotes, a qual não poderia ter contato com garotos de sua idade; e após os doze, não poderia muito menos por causa da promessa escrita, assinada por seus pais, ante à junção dos nomes Park e Wright.
O que aconteceria com seu legado, após os acontecimentos no caro colégio? Do que o prepotente grupo F4 era capaz de fazer ao ter seu poder questionado por uma "ninguém" como ela? Provavelmente fariam de tudo para acabar com sua vida. Sua matrícula na escola já deveria ter sido cancelada àquele ponto... Só que não seria o suficiente para saciar o desejo deles; de Jun Pyo principalmente. Eles não dariam um fim apenas ao seu ambiente escolar... Os F4 iriam acabar com sua vida pessoal também, e teriam mais uma carta na manga se descobrissem sobre sua identidade secreta.
Da bolsa, retirou o celular e ligou para o escritório da Central da Corporação Park. Seus dedos tremiam de medo. Já premeditava o chilique que sua mãe faria ao receber a notícia de que ela estragara seu estimado disfarce. Os tabloides atacariam sua família, caso soubessem das artimanhas feitas para conseguir ter uma vida normal. Diriam ser um "desejo mesquinho de uma garota rica que ganhava tudo de mão beijada". Mal sabiam eles o quanto fora difícil para Saejin Dae conseguir tal privilégio: o de ser normal.
— Escritório da Corporação Park, bom dia.
A garota engoliu em seco.
— Yang Mi, aqui é a Saejin Dae. — Anunciou à bondosa secretária. — Poderia colocar minha mãe na linha, por favor?
Por um instante, não houve resposta alguma, mas logo a voz fina e gentil da mulher soou em seu ouvido.
— Saejin Dae, a Sra. Park está no meio de uma reunião... — Explicou-se. — É muito urgente? Está tudo bem?
Seus passos ecoavam pelos corredores movimentados do aeroporto, enquanto sua boca secou por um instante, ainda temendo a reação de sua família.
— Ah, não se preocupe... — Suspirou, tentando convencer mais a si mesma de que não era nada demais. — Eu... Ahn, ocorreu um pequeno incidente na escola e... Talvez, descubram quem eu sou.
— Saejin Dae! — A mulher do outro lado da linha exclamou, exaltada. — E agora?! Isso é deveras urgente, sim!
— Acalme-se, por favor, Yang Mi. — Pressionou mais o celular na orelha, nervosa. — Eu já estou completamente enlouquecendo. — Confessou, olhando para os lados, atenta sobre as pessoas que pudessem reconhecê-la. — Avise minha mãe, por favor, que minha identidade está em risco e, por isso, vou passar um tempo na Europa. Planejo ficar por alguns dias ou semanas em Londres.
— A Sra. Park ficará muito brava, Saejin Dae. — A secretária declarou com uma voz meio chorosa. — Eu posso até ser demitida!
A herdeira quase permitiu a si mesma a dar um leve sorriso. Às vezes esquecia que a moça era apenas seis anos mais velha que ela e parecia uma adolescente medrosa, assim como Saejin Dae. Talvez esse fosse o motivo de serem tão próximas, tão amigas. Yang Mi sempre cuidava da menina como se fossem irmãs e sabiam que poderiam contar uma com a outra quando precisassem, contudo, naquele momento, o ar era outro. Não era familiar; era puramente entre a empregada direta de uma ricaça e a filha desta, a qual se envolvera em uma bela encrenca.
— Minha mãe não a demitiria. — Assegurou. — Você é a melhor secretária que ela conseguiu em todos esses anos de trabalho duro, Yang Mi. Agora, por favor, avise-a o quanto antes. Vou embarcar em alguns minutos e ela precisa estar a par dos acontecimentos e ver se consegue dar um jeito por mim.
Deu a impressão que a mulher contou até dez, tentando se acalmar e ser profissional. Depois de alguns segundos, ela voltou a falar, porém, com um semblante mais sério e comprometido.
— Vou avisá-la agora mesmo, Saejin Dae. Manterei a senhorita informada sobre o desenrolar da história e tenho certeza que a Sra. Park será capaz de resolver essa situação. — Pausou. — Faça uma boa viagem, tudo bem?
— Obrigada, Yang Mi. — Respirou fundo, apreensiva. — Até...
Ela já ia em direção ao portão de embarque. Seriam longas doze horas até Londres, onde possuía uma suíte alugada por tempo indeterminado por sua família em um luxuoso hotel cinco estrelas. Lá, teria que fazer certas aparições, principalmente com Henry, satisfazendo a família, a qual mostraria que sua filha continuava viva, somente um pouco distante. Coisas simples como encontros para o chá da tarde ou jantares completamente privados à luz de velas... Usar óculos de sol, chapéus e uma maquiagem mais pesada eram suas maiores táticas, mas tentaria evitar sair de seu quarto ao máximo para diminuir ainda mais a possibilidade de ser reconhecida.
Ao acomodar-se em seu assento, o qual estava na extremidade direita da aeronave, perto da janela e rodeada por outras duas poltronas ainda vazias, estranhou os espaços vagos, porém, seus pensamentos rapidamente voltaram ao grupinho de mimados que poderiam colocar toda a sua vida em risco. Com a cabeça levemente abaixada para evitar reconhecimento, o turbilhão de palavras agora voltara a se centrar no futuro marido.
Já fazia um bom tempo que não se encontravam... Ela, na verdade, estava tentando evitá-lo, pois apesar da paciência e educação de Henry, imaginá-lo como alguém com quem teria de passar o resto da vida não lhe agradava muito. O homem era bonito, possuía um certo charme londrino, e até era uma boa pessoa aparentemente. Educado, carismático e sempre contribuindo em leilões beneficentes e instituições de caridade... O típico cara perfeito, porém, não na visão da jovem. Por mais que ele fosse compreensivo e estivesse nos mesmos parâmetros — com a família pressionando-o com o casamento —, Saejin Dae só conseguia enxergá-lo como uma grande amarra ao redor de seu pescoço, sob as ordens de sua própria família, que a condenava a ter anos e mais anos aprisionada pelas máscaras, as quais a sociedade lhe impunha.
— Sabe, ahn... — Uma voz aveludada soou ao pé de seu ouvido, na fileira de poltronas seguinte. — Go Mi-hi, não é mesmo?
A garota estancou, ficando ereta imediatamente. Um arrepio involuntário percorreu sua coluna e ela arregalou os olhos, em choque. A primeira reação da herdeira foi soltar o cinto e levantar-se, mas foi barrada por um jovem vestido elegantemente, o qual se sentou no banco a sua direita, evitando sua passagem e, logo depois, sentiu uma movimentação atrás de si e novamente escutou aquela voz masculina dizendo um cordial "Com licença.". Cedo demais, ele apareceu em sua fileira e ocupou, então, o último espaço vago, à esquerda de seu assento, deixando-a sem saída.
— Ora, por favor, sente-se. — O último a se acomodar sorriu cinicamente. — Tenho certeza que será mais confortável para a senhorita, Go Mi-hi.
Ao sentar-se, sem opções, seu coração tentava saltar pela boca e seus braços tremiam, enquanto tentava evitar contato visual com So Yi Jung, o habilidoso e mulherengo oleiro dos F4; e com Song Woo Bin, o outro membro do grupo, conhecido por sua família, a qual era dona de uma grande e importante empresa de construção. Havia rumores de que o último possuía ligações com a máfia coreana... Estava completamente perdida. Os dois a encontraram e ambos encaravam-na com olhares quase divertidos, como se achassem graça do comportamento fugitivo da menina.
— Então, Go Mi-hi... — O oleiro abriu mais ainda seu sorriso. — Viagem de última hora?
Ela permaneceu em silêncio, fitando as próprias mãos. Controlava-se para não mostrar seu desespero. O que aconteceria a seguir? Se o jovem a chamava por seu nome falso, significava que não haviam descoberto sobre sua segunda identidade, certo? Na verdade, ela não sabia mais o que pensar. Temia pela reação da mídia, sua família, sua própria vida...
— Sabe, as coisas poderiam ser mais simples se vocês, garotas, não estivessem causando tanto problema nesses dias... — Ele continuou em tom dramático, suspirando. — Não é, Woo Bin?
A moça sentiu o cara ao seu lado direito dar um riso anasalado, debochando em resposta, e ela imediatamente pensou nos rumores sobre aquela nova aluna, uma tal de Geum Jan Di.
— Tão belas... — Yi Jung prosseguiu, tentando olhar pela cortina de cabelo, o qual bloqueava o rosto da herdeira. — ... mas tão venenosas por dentro...
Percebendo que a estudante não se pronunciaria tão cedo, o garoto estalou a língua e fez um gesto de negação, porém, ainda com aquele sorriso despontando por seus lábios. Woo Bin continuava prestando atenção, silencioso e paciente, sem se intrometer diretamente.
Agora ela entendia o porquê das garotas serem caidinhas por um homem como ele. Não era só por sua beleza. Um aroma amadeirado preenchia o ar, mostrando ser um perfume caro, e sua voz era carregada com uma camada de malícia que provocava arrepios involuntários em seus braços. Só que isso não importava... O importante mesmo era o que eles fariam com ela. O que planejavam ao abordá-la no avião? Um avião da classe econômica, evitando suspeitas, e dois riquinhos esnobes? Não parecia certo. Ambos não conseguiam disfarçar o leve incômodo de precisarem ficar tão perto de estranhos, ao invés de poltronas de couro e bar em seus jatos particulares... Logo, alguma menininha qualquer os reconheceria e isso levantaria suspeitas sobre quem era a estranha jovem sentada no banco entre eles.
A cada minuto que passava, Saejin Dae brincava com os próprios dedos esguios e pálidos, entrelaçando-os e sentindo o sangue começar a subir à cabeça em um evidente sinal de alerta. Estava tudo em jogo... Tudo, pois ela não pôde se conter e segurar a própria língua, antes de declarar uma guerra contra os F4. Chamá-los de babacas? Uma terrível ideia, apesar de ter se sentido satisfeita por alguns instantes ao dizer aquelas verdades, até o peso de sua consciência falar mais alto e condená-la por seus erros.
— O que vocês querem de mim?
Ela finalmente criou coragem para erguer o rosto e enviar seu olhar ácido ao oleiro e, logo depois, ao ligado à máfia. O tom de sua voz saiu um pouco rouco, como se tivesse ficado tempo demais com o maxilar travado e a respiração militarmente controlada pela raiva e preocupação. Novamente se pegou pensando nas consequências de suas ações. O mínimo a acontecer seria ser deserdada da família, provavelmente. O máximo? Temia a resposta para essa indagação, a qual a corroía por dentro no momento.
— Ela fala... — Woo Bin falou pela primeira vez ali, transmitindo seu sarcasmo. — Já é um começo.
Yi Jung concordou com um aceno e sorriu.
— O que nós queremos? — O último fingiu pensar, fazendo a garota se distrair um pouco com seu perfume mais uma vez. — O que você queria ao fazer aquilo? Queria provar alguma coisa?
— É amiga de Geum Jan Di? — O outro prosseguiu com o interrogatório. — Você foi contratada para agir daquela forma? — Pausou, esboçando um sorriso. — Não é todo dia que garotinhas ficam irritadas conosco e decidem fazer shows...
No embalo, o oleiro prosseguiu, obrigando-a a revezar o olhar entre os dois sujeitos prepotentes:
— Sua ficha era limpa demais... — Arqueou a sobrancelha. — E a sua grade extracurricular? — Suspirou, franzindo a testa, contemplativo. — O que havia, mesmo, Woo Bin? Moda?
No mesmo minuto, Saejin Dae ficou mais ereta e atenta. O que havia em sua ficha? O que eles poderiam ter descoberto? Será que eles estavam somente fingindo não saber sobre a sua real identidade?
— Moda, artes e design... — Ele enunciou automaticamente, como se ambos houvessem ensaiado aquele discurso. — Desenho e culinária.
— Ou seja, suspeito. — Yi Jung estreitou os olhos. — Matérias comuns demais; certinhas demais; típicas de uma garota qualquer, uma garota ordinária... — Parou para ajeitar as roupas de grife. — Então, o que queremos? Por que não nos diz logo o motivo de ser tão ordinária? De querer provar sua normalidade, sua falta de personalidade própria?
Aquelas palavras atingiram-na em cheio, acabando com qualquer possibilidade de respondê-los. Sentindo os olhos marejarem, não pôde deixar de pensar em flashes de sua vida e no seu sonho de, ao invés de receber presentes caros em seu aniversário, ter por pelo menos um dia a companhia e o amor de seus pais. As noites em que sua babá a colocara para dormir, contando histórias de reis e rainhas, os quais eram felizes e possuíam uma família perfeita... A jovem sempre tinha sonhos bons, imaginando-se como a criança brincando no castelo, só para acordar pela manhã e ouvir o silêncio e a ausência de seu próprio conto de fadas. Ela era comum, regular e normal, pois seus sonhos se transformaram conforme crescia. Não era mais pelo amor dos pais, e sim, por uma vida como a de tantos outros no mundo... Queria ser invisível; a última coisa que almejava era ser notada.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo som de seu celular. O toque melodioso de uma música em inglês preencheu o ambiente e alguns olhares começaram a se voltar à herdeira. O avião já estava quase lotado e os corredores estavam cheios de pessoas ocupadas na simples e corriqueira ação de guardar as malas de mão. Admirou a sorte deles, enquanto procurava o aparelho móvel na bolsa.
Ao achar, enfim, o celular, vislumbrou o ícone azul feminino e um único sobrenome, pressupondo distância: Park. Era a sua mãe. Possivelmente, ela tinha conhecimento de que o avião ainda não havia partido e queria tirar satisfações da filha o quanto antes. Se a ricaça estava ligando pessoalmente, algo feito apenas em raras ocasiões, a estudante estava claramente encrencada.
Respirou fundo e pressionou o botão para atender à chamada, porém, quando estava prestes a aproximar o celular da orelha, sentiu o aparelho sendo tirado de entre seus dedos com uma mestria impressionante. Chocada e em puro desespero, afinal, já havia feito a mãe sair no meio de uma importante reunião por suas atitudes impensadas, fazer a mulher esperar no telefone e ainda escutar besteiras de um dos garotos ao seu lado era o sinônimo de morte lenta e dolorosa. Com os olhos arregalados, fitou Woo Bin, o qual possuía o objeto.
— Por favor, é importante! — Sussurrou, amedrontada, sem nem ao menos se importar em esconder o fato de estar a ponto de implorar. — Eu preciso atender.
E, mesmo assim, ele colocou o celular da menina em sua própria orelha, preparando-se para falar, todavia, sua expressão meio debochada foi imediatamente substituída por uma de incompreensão e um pouco de medo.
— ... e as suas responsabilidades!
O riquinho pegou a frase no meio, sofrendo pela voz esganiçada e irritada, a qual saía pelo aparelho e, com certeza, alcançava o campo sonoro da garota ao seu lado, que estava mais perto dele por tentar reaver o objeto, em vão. Ao se ambientar à conversa e tirando suas conclusões, paralisou, com a boca entreaberta.
— Quando você pediu por uma vida normal, seu pai e eu pensamos que teria o mínimo de bom senso e jogo de cintura para arcar com essas besteiras que estão dentro de sua cabeça! — A mulher tomou fôlego e já começou a discutir novamente, apesar de controlar o tom de voz. — Já passou da hora de você acabar com essas ideias iludidas de ter uma vida normal e começar a enxergar com outros olhos o legado, o qual deixaremos a você. — Sua entonação passou a endurecer cada vez mais, chegando a ser fria e sem sentimentos. — Uma corporação, Park Saejin Dae! O nosso trabalho árduo, o suor e a persistência que podem desaparecer com uma simples e estúpida ação sua! A Shinhwa é uma de nossas parceiras mais importantes e dar luz à insana ideia de você ter uma vida baseada em mentiras foi o pior erro que pudemos cometer! Se não resolvermos isso de maneira burocrática e o assunto cair na mídia, tenha certeza que poderá continuar com o nome Go Mi-hi na sua escritura, pois à família Park não pertencerá mais!
Desconcertado, Woo Bin abaixou o celular ao perceber que a chamada havia sido encerrada do outro lado da linha, e engoliu em seco, devolvendo o aparelho à Saejin Dae com um semblante diferente. Reconheceu o sobrenome do campo econômico e até político, e viu a relevância da herdeira, escondida por vestes comuns, ações comuns e uma vida, portanto, comum. A jovem havia escutado tudo, pelo menos o ruído das frases martelando em sua consciência, e mantinha a cabeça baixa, franzindo os lábios; enquanto Yi Jung tentava entender o que se passava ali, naquele instante.
Após o que pareceu uma eternidade, a garota pareceu finalmente absorver por completo as duras palavras proferidas por sua mãe e decidiu ao menos diminuir as consequências negativas de seus erros. Fechou os olhos e contou até dez, captando de relance a conversa silenciosa entre os dois homens que a rodeavam, e pigarreou suavemente. Estava certa do que iria fazer e sabia que era a sua melhor chance de informações acerca de si mesma, a herdeira da Corporação Park, não caírem nas mãos erradas, afinal, sua história já estava na boca de um dos F4. Não tardaria em estar na de todos eles. Precisava tomar uma decisão e começar a agir com mais maturidade, entrando de modo inevitável no jogo de interesses antes tão criticados por ela, o qual compunha a elite, da qual nunca quis fazer parte.
— Vocês perguntaram o que eu queria, não é? — Ofegou, assegurando-se mais uma vez de sua escolha. — Eu quero fazer um trato.
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