When the masks fall off...
3 Cap. 2: Thoughts
Notas iniciais

"Thoughts, they are like restless peace in my head
Time, it slowly kills me in my cold bed
And turns my faith into a dark and open doubt"
Thoughts — Michael Schulte
— Um trato? — Yi Jung arqueou uma sobrancelha, abrindo um sorriso de deboche. — Sabe, os F4 não são de ficar fazendo acordos por aí...
A jovem suspirou, desviando o olhar momentaneamente. Sua cabeça parecia pulsar de tanto nervosismo; nunca pensara que estaria passando por uma situação daquelas, pelo menos não tão em breve. Sentia o peso de suas ações em suas costas e as palavras frias de sua mãe repetiam-se sem parar, como se fosse uma gravação.
— Você não entende. — Fitou o oleiro com um semblante sério. — Se a mídia souber que eu andei evitando propositalmente todas as entrevistas e comitivas de imprensa, as ações da empresa poderão cair e a corporação correrá o risco de entrar em colapso. — Explicou-se com um fio de voz. — E-eu... — Engoliu em seco, esforçando-se para formular uma proposta boa o suficiente. — Eu preciso...
Os membros do F4 entreolharam-se mais uma vez, trocando uma conversa silenciosa e, logo, Yi Jung decidiu se pronunciar novamente. Estavam ambos surpresos por vê-la tão abalada pela ligação, porém, o oleiro era o mais confuso, pois não tinha entendido quase nada da situação em que se encontrava a garota.
— Espere. — Ele franziu a testa, montando um raciocínio, já que não havia escutado a conversa ao celular da menina. — Então, seu nome não é Go Mi-Hi. — Pausou, afirmando para si mesmo. — Na verdade, você é Park Saejin Dae, herdeira da Corporação Park, certo?
A garota mordeu o lábio inferior, fitando o seu redor, alarmada, caso alguém tivesse ouvido o que ele acabara de dizer. Qualquer informação poderia ser facilmente vendida a alguma revista ou tabloide, nos dias atuais, e expor a família era o último problema de que precisava, no momento. Não que a maioria da população coreana ligasse para política e economia, mas a Corporação Park não era responsável apenas por esses campos. Os financiamentos também eram direcionados a instituições de caridade, hospitais e pesquisas, por exemplo.
— Sim. — Acenou em concordância. — Se souberem que eu, a herdeira da empresa, estava fazendo de tudo para me manter longe desse mundo dos negócios, a polêmica levantada poderia fazer meus pais perderem muitas ações e empréstimos. Seria tudo a minha culpa. Vocês têm noção de sobre quantas instalações meus pais têm responsabilidade? De quantos centros farmacêuticos dependem dos financiamentos da Corporação Park?
Tanto Yi Jung, como Woo Bin, estavam ainda incertos sobre o que viria a seguir. Eles haviam entrado naquele avião, na classe econômica, somente para mandar um aviso esclarecedor à pentelha, a qual tinha feito os F4 de idiotas, mas, ali, naquele instante, não sabiam o que fazer. Nunca imaginariam que uma aluna invisível pudesse ser a próxima na linha de sucessão de uma das maiores corporações da Coreia. E o medo somente dava à situação mais veracidade, afinal, ambos conseguiam ver claramente o desespero nos olhos castanhos da menina e em sua postura defensiva.
— O que vocês querem que eu faça para a notícia não espalhar? — Ela indagou, sentindo as entranhas revirarem, talvez por estar se dando como vencida a dois mimados ou por estar nervosa. — Tenho que virar a piada dos F4 nessa semana? Desculpar-me na frente de todo o colégio? Levar café para vocês? O que vocês querem que eu faça para vocês me prometerem que o que descobriram hoje nunca será revelado?
Woo Bin expressou surpresa pelas palavras de Saejin Dae, erguendo as sobrancelhas. Aonde estava aquela menina que enfrentou Jun Pyo? Ali, ele conseguia ver, sim, uma jovem comprometida com um futuro que, talvez, nem fosse de seu próprio agrado, mas que faria de tudo para o assegurar pelo bem de outras pessoas. Ela temia o grupo como tantos outros estudantes, quando estes recebiam o cartão dos F4.
— Por que está com tanto medo? — Yi Jung questionou. — Sua mãe com certeza vai dar um jeito de arrumar isso.
Saejin Dae suspirou, massageando a têmpora lentamente.
— Esse não é o problema principal. Eu sei que ela entrará em contato com a diretoria, mas você acha mesmo que todos os alunos acharão normal eu voltar à escola e vocês não me tratarem nem um pouco mal? Levantará suspeitas. — Ela mordeu o lábio inferior, nervosa. — E ainda há a grande possibilidade de vocês me denunciarem, não é?
— Acha que nós faríamos isso? — Woo Bin perguntou no mesmo segundo.
A herdeira não se sentiu mal por suas palavras, pois sabia que dessa vez estava certa, então apenas fitou o último com um olhar explícito sobre sua opinião. Pelo longo histórico dos F4, ela tinha plena noção do que poderiam fazer para arruinar a vida de uma pessoa, sem qualquer remorso envolvido, então, sim, havia a grande possibilidade de denunciarem-na.
— A nossa fama está falando mais alto, Woo Bin. — O segundo esboçou um sorriso, no mínimo, enigmático. — Vamos lá, Saejin Dae... Não somos tão baixos assim, ok?
Ela limitou-se ao silêncio por alguns minutos. Nem conseguia acreditar que estava cercada por dois dos seres mais desprezíveis de seu colégio e só a presença deles fazia uma sensação de ânsia subir por sua garganta.
— No começo da semana, um aluno tentou se suicidar... — Mediu o tom de voz para não se exaltar, analisando o semblante de Woo Bin e de Yi Jung. — A vida dele passou a ser um inferno desde que deu de cara com vocês. Não são tão baixos assim? Custo a acreditar. Por isso, quero fazer um trato: nada de contar a qualquer pessoa sobre quem eu sou. — Ela tentava com todas as forças parecer impassível. — O que vocês querem? Um carro novo, talvez? Isso com certeza pode ser arranjado... Só não sei se precisam de mais um.
Saejin Dae não dispensou a leve provocação no final. Precisava alfinetá-los ao menos um pouco para garantir sua confiança, afinal, nunca gostara dessa vida extravagante e ostentadora. Tudo o que queria era o carinho de uma família, mas isso já era demais, não é mesmo?
— Ela está nos provocando... — O oleiro sorriu mais uma vez, negando com a cabeça lentamente. — Park Saejin Dae. — Testou o nome, enquanto prestava atenção na reação da jovem, que logo se remexeu no assento, incomodada. — Inglaterra, ahn? Por que estamos indo à Inglaterra, Saejin Dae?
Ela logo franziu a testa, confusa.
— O quê? — Engoliu em seco. — Vocês vão também? Pensei que... Pensei que vocês sairiam antes do avião decolar e...
— Vamos ter bastante tempo para nos conhecer, não acha?
A garota não respondeu, aliás, ficou em silêncio absoluto até pousar em solo inglês, horas depois. Havia aceitado o mínimo de qualquer bebida ou refeição também, não por parecerem horríveis, e sim, pois se sentia estranha viajando com a presença dos dois ao seu lado. Até a respiração ela controlava, porque não queria atrair mais atenção do que já havia.
Sua falta de apetite, entretanto, fez questão de contrariá-la assim que passaram por uma cafeteria, no próprio aeroporto, logo após ter pegado sua mala de viagem e doze horas de voo. Seu estômago roncou pelo aroma amargo de café e o cheiro de salgados quentinhos que haviam acabado de sair do mini forno. Assim que percebeu estar com fome, corou, preocupada que seus acompanhantes de viagem tivessem ouvido sua barriga protestar por comida, mas pelo barulho e movimentação do local, era meio impossível isso ter acontecido.
Ela não sabia exatamente quais eram os planos de Yi Jung e Woo Bin: se a seguiriam por todo lado ou parariam de fingir ser sua sombra em algum momento. Dessa maneira, ela trocou breves olhares com os dois, incerta, e afastou-se sem dar maiores explicações, indo em direção à cafeteria.
— Um cappuccino para viagem e um muffin de blueberry, por favor. — Pediu em um inglês impecável. — Ahn, vocês ainda aceitam esse cartão? — Mostrou o objeto, o qual tinha o emblema da cafeteria. — Já faz um tempo que não venho aqui.
— Ainda aceitamos, sim.
Depois de pagar, Saejin Dae foi para o balcão ao lado, esperando seu pedido. A voz de sua mãe ainda estava vívida em sua cabeça e, agora, arrependia-se de não ter dormido nem um pouco durante o voo. Não se sentiu bem o suficiente para dormir enquanto Yi Jung e Woo Bin encontravam-se em ambos os lados de sua poltrona.
De repente, um cheiro amadeirado despertou-a de seus pensamentos e, ali, estavam os dois segurando notinhas com seus pedidos também.
— Vocês vão ficar me seguindo?
Com certeza, uma hora eles teriam que parar, afinal, precisaria se encontrar com Henry. Desde que havia feito a estupidez de enfrentar os F4, precisava compensar seu erro de alguma maneira e, como seus pais sempre exigiam que ela tivesse mais encontros com seu noivo, isso seria o que ela faria de agora em diante, ou seja, mais e mais viagens em sua agenda.
Yi Jung deu um riso anasalado, olhando para Woo Bin a seguir, como se trocassem uma informação engraçada apenas entre eles, pois ambos tinham um sorriso de canto estampado em suas faces. Isso fez Saejin Dae arfar, cansada de toda aquela companhia desnecessária, a seu ver. A única coisa que precisava era um acordo de sigilo e, por mais que se rebaixara no avião ao implorar por um acordo, os dois jovens preferiram segui-la.
A garota nunca havia se acostumado com muitas pessoas ao seu redor, no máximo, sua babá e alguns empregados de sua casa, quando criança, mas os últimos se espalhavam pelo casarão para deixá-lo absolutamente impecável, mesmo que seus pais nunca parassem lá por muito tempo, e não contavam como uma grande e constante companhia.
— Somos um incômodo tão grande assim? — Woo Bin fingiu estar ofendido. — Ela realmente está tentando nos provocar. — Sorriu. — Assim nos magoa, Saejin Dae.
— Não use esse nome, por favor. — Fitou os lados, nervosa, escondendo-se em seu próprio cabelo sutilmente. — Por enquanto ainda sou Go Mi-hi e agradeceria se me tratasse dessa forma.
Os dois novamente se entreolharam sem dizer uma única palavra sequer, mas ela sabia que estavam trocando ideias exatamente dessa maneira. A menina havia aprendido a ler as pessoas, pois era comum que estivesse isolada, apenas capaz de observar e tirar suas próprias conclusões.
— Você não pode usar uma máscara, brincando de ser outra pessoa. — Yi Jung comentou, dando de ombros. — Não pode fugir de quem é.
O semblante da garota endureceu no mesmo instante e ela se sentiu desconfortável e levemente ultrajada pelo comentário do oleiro. Não que não existisse uma certa verdade em suas palavras, porém, só conseguia pensar que ele não sabia nada sobre sua vida ou sobre quem ela realmente era, portanto, não deveria criticar suas escolhas. E se ela estivesse sendo verdadeira somente quando usava a identidade de Go Mi-hi? E Saejin Dae fosse só um nome de quem seus pais e a Corporação precisariam no futuro? Nada mais que isso.
— Eu não sei a verdadeira razão de terem vindo a Londres. — Tentou ignorar a fala de Yi Jung e prosseguiu, logo após receber seu pedido da cafeteria. — Eu tenho motivos para estar aqui dos quais vocês não farão parte, entenderam? — Colocou um tom impassível em sua voz, apesar de estar com as mãos levemente trêmulas. — Com certeza, estarei ocupada à noite, mas ainda precisamos discutir sobre o trato que vamos firmar para garantir o sigilo de vocês, do F4. Um almoço, pode ser? Nos encontramos, bom, alguma sugestão de restaurante?
Woo Bin ergueu as sobrancelhas, sem disfarçar a surpresa pela mudança de postura da jovem, mais uma vez. Ele estava dividido: queria firmar esse tal trato naquele momento, só para vê-la um pouco menos nervosa, mas também devia lealdade a Jun Pyo e usar essa troca de identidades da menina seria a maneira perfeita de colocá-la no devido lugar, no colégio. Será que ele realmente queria isso, de verdade? Estava evidente a aflição de Saejin Dae, por mais que ela tentasse esconder... Sentia-se um pouco mal por ser uma das causas para deixá-la dessa maneira.
— Conheço um ótimo lugar. — Yi Jung sorriu, galante. — Vamos nos encontrar no Le Gavroche, ao meio-dia. Teremos duas horas para saber tudo que precisamos sobre você, Saejin Dae.
Ela arqueou a sobrancelha, mostrando seu desagrado em relação ao “para saber tudo que precisamos sobre você”, mas permaneceu em silêncio, concordando.
— Agora, ahn, não conseguimos o número do seu telefone ainda... — O oleiro já foi abrindo a agenda dos contatos em seu celular, apenas aguardando o número da jovem em alto e bom som. — Pode falar.
A herdeira, então, suspirou.
— Não terá meu número de celular, Yi Jung. — Franziu os lábios, como se fosse óbvio, recebendo uma expressão chocada do garoto. — Eu conheço o restaurante e estarei lá, meio-dia em ponto. — Fitou, assim, ambos. — Até, com licença.
Após uma pequena mesura, quase imperceptível, ela seguiu em direção à saída do aeroporto com rápidos passos, como se a velocidade pudesse fazer com que passasse despercebida naquele mar de pessoas, deixando um oleiro boquiaberto e um Woo Bin disfarçando uma risada de deboche por causa do amigo.
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— Sim, Henry. — Assentiu para si mesma, enquanto andava pela suíte do hotel à procura de braceletes para compor seu visual. — Cheguei há um tempo e consegui descansar um pouco.
Ainda achava um pouco estranha a maneira íntima da qual o noivo a tratava. Apesar de futuramente unirem suas famílias, não era costume usar certas palavras ou agir de certos modos; modos estes mais ocidentais. Estava se acostumando, entretanto. Henry era um homem honrável que a respeitava sempre que saíam juntos pelas ruas de Londres, sendo vezes ou outras fotografados. Não seria um pesadelo tê-lo ao seu lado, mas ainda sonhava encontrar o cara por quem seu coração pudesse perder o ritmo ou sua respiração evidenciar seus sentimentos sem qualquer indício de dúvida.
— Eu poderia ter buscado você no aeroporto. — Ele expressou arrependimento em seu sotaque britânico, fazendo-a sorrir levemente. — Infelizmente, minha secretária tinha ordens de não me perturbar durante a reunião e só fiquei sabendo de sua vinda agora há pouco.
— Não se preocupe com isso. Agradeço, no entanto, é muito gentil de sua parte considerar me buscar... — Colocou as pulseiras e analisou seu reflexo no espelho. — Deveríamos marcar algo para hoje à noite? Com certeza, o Sr. e a Sra. Edwards ficarão tão satisfeitos com uma aparição nossa quanto meus pais.
Um período de silêncio fez-se presente e Saejin Dae estancou no lugar, repassando o que disse em sua cabeça e imaginando ter falado algo de errado.
— Saejin Dae, preciso ser sincero com você. — Seu tom mostrava que o assunto seria sério. — Falei com o meu assessor de imprensa e ele acha que precisamos nos encontrar mais frequentemente; os tabloides andam duvidando de nossa história e até mesmo do noivado. Não quero forçar você a sair comigo ou algo assim... Já conversamos sobre isso, aliás, não é? — Pausou, pigarreando e mostrando que realmente não queria ter que falar sobre isso. — A pressão da empresa está caindo sobre os meus ombros. Eles querem que as pessoas acreditem que a Edwards Internacional tem um futuro sólido e garantido... Odeio simplesmente o fato de trazer isso à tona, mas...
— ... mas temos que dar um jeito de acreditarem que estamos apaixonados e aumentar o número de encontros. — Ela completou, escutando Henry suspirar do outro lado da linha. — Bem, nós sabíamos que uma hora começariam a suspeitar dessa farsa de que nos conhecemos em evento beneficente e, algum tempo depois, você me propôs em casamento e eu aceitei. — A garota engoliu em seco, pensando em como tudo começou a desandar em menos de vinte e quatro horas. — Posso ajustar minha agenda e passar mais tempo aqui, em Londres. Poderíamos organizar passeios e, talvez, com a permissão do Sr. e da Sra. Edwards, visitar a sede da Edwards Internacional. Encontros de trabalho e de fortalecimento da relação, o que acha?
— Eu acho... — Ela era capaz de vê-lo sorrir por meio da ligação telefônica. — ... perfeito, Saejin Dae. Sou um homem de sorte por ter um casamento arranjado, em pleno século XXI, com uma garota muito bela e inteligente. Vamos celebrar sua visita hoje, que tal? — O companheiro parou, pensando em algo e deixando-a curiosa. — Gordon Ramsay, talvez? Sim, acho que seria uma excelente ideia, afinal, minha linda noiva merece a melhor e mais cara comida de Londres. Combinado, querida? Vou buscá-la às nove e meia.
E estava ali: o que desajustava as barreiras da herdeira da Corporação Park. Por vezes, não saberia dizer se o homem estava atuando ainda ou se realmente havia um significado maior por detrás de suas palavras. Sentia-se muito confusa quando se falavam, não só por ser obrigada a conversar por meio da língua dos negócios empresariais — com a qual estava infelizmente acostumada, apesar de não a usar tanto quanto deveria —, como também por Henry e sua necessidade de chamá-la de modo tão íntimo.
— Estarei pronta às nove e meia, então. — Conseguiu dizer, enfim. — Até, Henry.
— Tchau, ahn, Sejin Dae. Quero dizer... — O homem hesitou, atrapalhando-se por provavelmente se lembrar que há pouco a chamara de outra maneira. — ... querida.
Após ouvir o som da linha desligada por tempo demais, percebeu que precisava terminar de se arrumar para o almoço com os dois membros do F4. Era sempre a mesma história, Henry era adorável, provavelmente o sonho de qualquer garota do mundo, mas somente a ideia dele ter sido um dos homens pertencentes a uma pasta cheia de possíveis pretendentes revisada por seus pais e escolhido a dedo por eles, deixava-a levemente tonta. Só que isso ela teria de resolver com o tempo, pois possuía coisas mais importantes e urgentes para resolver.
Havia sido a mesma ladainha a sua chegada ao hotel cinco estrelas. Tinha parado em uma boutique comprada por uma empresa sócia da Edwards Internacional, onde poderia se trocar e vestir um traje mais apropriado para uma herdeira de grande patrimônio. Entrou, assim, no hotel com um vestido de marca, saltos quinze, acessórios de ouro e uma postura extremamente profissional. Apesar de ser madrugada, não poderia arriscar ser vista ou questionada, no saguão, por usar roupas comuns e, mesmo assim, ter uma suíte permanente.
Agora, estava com uma calça skinny escura, blusa de seda e casaco comprido, o qual batia no meio de suas pernas, dando a ela um visual que, sinceramente, achava bonito. Um visual simples, porém, com aspecto rico; o último aspecto interessava em especial à sua família. Nos pés, botas de salto fino, e carregava tudo o que precisava em uma bolsa Gucci. Sua maquiagem, além disso, estava impecável, graças a todos os cursos aos quais foi submetida no início da adolescência. Estava pronta para se encontrar com Woo Bin e Yi Jung em um restaurante caro.
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Assim que chegou ao restaurante em um Audi, cedido pela Edwards Internacional sempre que estivesse em Londres para levá-la aonde precisasse, respirou bem fundo, disfarçando tal ato, e adentrou o edifício. A hostess imediatamente notou um quê a mais na jovem e sabia de alguma maneira que ela era alguém importante, corrigindo sua postura e abrindo um grande sorriso, que não parecia tão receptivo quanto ela gostaria, se Saejin Dae pudesse opinar a respeito.
— Boa tarde. — A mulher continuava com seu sorriso, no mínimo, assustador. — Possui reserva?
— Ahn, na verdade, não. — Confessou, procurando com o olhar as duas pessoas com que se encontraria, no salão. — Ahn... — Indicou educadamente ao vê-los. — Vim me encontrar com aqueles dois senhores.
— Ah, sim. — Assentiu rapidamente. — Acompanhe-me, por favor.
Saejin Dae não sabia sobre o que estava prestes a conversar, mas tinha uma certeza: não deixaria aquele restaurante até estar totalmente convencida de que Woo Bin e Yi Jung permaneceriam calados a respeito de sua vida dupla. Se ao menos fosse capaz de fazê-los entender todas as variáveis e o que estava, de fato, em jogo...
Não poderia ficar na defensiva, certo? Precisava ser simpática, assim como nas reuniões entre diversas empresas, das quais participava com extrema relutância. Lá, ela era obrigada a ser quem não queria — uma garota que admirava o trabalho dos pais e mal poderia esperar para contribuir efetivamente com o progresso da Corporação Park —, mas sua identidade no colégio precisava ser mantida em segredo, não havia outra opção disponível. Ela havia se metido naquela confusão e estava mais do que na hora de resolvê-la.
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