When We Were Young
2 Suspeitas e Masmorras
Notas iniciais
Hogwarts
1 de Setembro
1971
Infelizmente, para o desgosto de James Potter, o chapéu sentenciou Aurora Selwyn para a Sonserina com pouco tempo de contemplação, e a garota sorriu para o amigo, dando de ombros. Ele deu língua para ela e virou as costas, mas Aurora sabia que não estava realmente chateado, ou pelo menos ela esperava que não. Aquela havia sido uma noite de grandes emoções para todos. O choque foi geral quando Sirius Black, o herdeiro de todo o clã, foi selecionado para a Grifinória — Aurora pode enxergar de longe, as três primas do garoto, de quem ele havia falado durante o resto da viagem de trem, terem caretas de horror pintadas em suas faces. Ela imaginou que ele teria problemas com a família, e esperava sinceramente que não fossem tão duros com ele.
Aurora caminhou feliz para a mesa da Sonserina, onde foi bem recebida pelos colegas, o sobrenome Selwyn sendo um grande aliado naquele momento, embora por grande parte de sua vida ela tenha sentido-se uma estranha em usá-lo. Aurora Selwyn. Quem eram os Selwyns? Pelo que se caracterizavam? Tinham eles seu cabelo ou seus olhos? Tinham sua personalidade? Seria ela um arquétipo perfeito da família, como James parecia ser, seguindo o caminho percorrido por seu pai ao entrar na Grifinória, ou uma exceção, uma ovelha negra, como Sirius? Que quebrara séculos de tradição em sua primeira noite no castelo. Não haviam fotos, sua avó recusava-se a falar. Ela tentara procurar em bibliotecas, mas não havia nada de muito útil nos livros, eles diziam o que ela já sabia: sua família era de origem sangue-puro e era também — obviamente, ela pensava amarga — muito reservada.
Mas aquele não era o momento de ponderar suas origens. Ela não pararia de procurar, nem de perguntar, mas por uma noite somente aproveitaria o momento sem pensar em si mesma como o legado esquecido de um — um dia grandioso — clã.
Severus Snape também fora sorteado para a Sonserina, o que o fizera se separar de sua amiga, a ruiva Lily Evans, que fora quase imediatamente levada para a Grifinória. Severus não parecia nem um pouco contente com o acontecido, e tinha uma carranca enorme. Aurora não tinha se identificado muito com ele, e preferiu não estreitar laços com o garoto. Ela sentou-se ao lado entre a prima de Sirius — uma de cabelos louros, Narcissa, se estava bem lembrada — e um menino que fora sorteado também aquela noite. Ela não lembrava-se de seu nome, mas ele parecia inofensivo o suficiente para que ela se aproximasse.
Narcissa sorriu para ela. E a pequena Selwyn não pode deixar de notar a beleza estonteante da mais velha. Os cachos louros desciam numa cascata dourada por suas costas, a pele branca e lisa como porcelana. Os olhos azuis da garota Black se assemelhavam muito aos cinzentos de Sirius.
—Bem vinda, docinho. — Disse a loira com um tom amável.
—Obrigada. — Aurora sorriu grandemente. Ao lado de Narcissa, suas irmãs ainda estavam tendo dificuldade de superar o choque causado pelo primo mais novo. Aurora não era uma menina enxerida, ou fofoqueira. Tudo bem, talvez fosse um pouco enxerida de fato — ter informação tecnicamente ocultas era sempre útil. Mas na maior parte do tempo, descobrir os segredos alheios era apenas uma questão de manter a boca fechada e os olhos e ouvidos bem abertos. Como naquele momento em particular.
—Eu não acredito que ele foi capaz! — A garota que Aurora supôs ser a mais velha das irmãs por sua considerável superioridade em estatura, bufou. Seus olhos queimando de raiva.
—Bella…
—Andy, você viu a audácia daquele pivete desgraçado?!Ele nem parecia surpreso! — Queixou-se a mais velha novamente. Bella tinha fios grossos e revoltos. Os cachos negros eram muito diferentes das ondas suaves de Sirius, e da perfeição dos de Narcissa. Muito podiam argumentar que a primogênita das irmãs tinha olhos castanhos, mas quando Aurora atreveu-se a olhá-la nos olhos, só conseguiu enxergar um escarlate como vinho. Talvez olhá-la tenha sido um erro fatal, pois Bella imediatamente percebeu o olhar em cima de si.
—Ei, você estava conversando com ele no trem! Esse merdinha estava planejando isso o tempo todo?
—Bella!
—Quando encontrar com ele de novo, avisa a Sirius que ele vai se arrepender — A mais velha das Black ordenou, e Aurora arregalou os olhos.
—Bella, tio Orion e tia Wal vão dar um jeito em Sirius, você não tem por que se meter nisso. -Argumentou Narcissa repuxando os lábios. -Tenha ele feito sem querer ou não vai sofrer as consequências. Deixe ele em paz.
Bella estava pronta para argumentar, mas Narcissa desviou a atenção da irmã histérica e voltou a tranquilidade de seu jantar. Enquanto isso, Andy tentavam, em vão, acalmar a fúria da mais velha.
Aurora estava surpresa pela reação da sonserina. As pessoas se importavam com isso de casas muito mais do que ela jamais imaginou..
—Não ligue para Bella, -Disse uma voz por trás de si. -Ela está chateada porque Sirius conseguiu todos os holofotes pra ele sem ter que fazer nada. — Aurora virou-se e deu de cara com um dos primeiranistas. Cabelos cor de areia, olhos azuis.
—Rabastan Lestrange. — Ele se apresentou.
—Aurora Selwyn. — Respondeu a garota. Rabastan riu.
—Eu sei que você é. — Disse ele. — É meio difícil esquecer você.
Aurora sentiu as bochechas esquentarem, mas decidiu se fingir inabalada.
—De onde você veio? — Perguntou Lestrange. — Eu pensei que os Selwyn tinha entrado em extinção.
Aurora se perguntou porque ele achava isso. Aquele garoto parecia saber mais de sua família do que ela mesma. Aurora não queria parecer desesperada por informação. Se ele soubesse que ela não sabia absolutamente nada -tudo bem, absolutamente nada era um pouco de exagero, mas sua ignorância era o suficiente para despertar preocupação — ele poderia se usar disso para enganá-la.
—Ainda sim, aqui estou eu. — Ela sorriu. — Você não devia acreditar em rumores com tanta facilidade. — Ele arqueou a sobrancelha pela resposta misteriosa. Aparentemente ela não iria lhe dar nenhuma resposta direta. Rabastan apenas sorriu de volta e retornou sua atenção ao seu jantar. A noite de Rabastan Lestrange estava indo bem, obrigado. Ele tinha se sentado juntamente com seu irmão mais velho, Rodolphus, na vinda de trem, e conhecera alguns de seus amigos, como Lucius Malfoy. Fora selecionado na casa certa, e agora estava sentado ao lado de uma garota bonita. Não esperava que as coisas acabassem tão bem. Mas, remexendo os alimentos em seu prato, ele pensava sobre como desgostava de Bartemius Crouch — não importava se ele era sangue puro, Barty era insuportável — e como seria obrigado a tolerá-lo dali em diante. “Nossa família tem que manter as boas conexões” Diziam seu pai e seu irmão. Fora pela mesma razão que Rodolphus associara-se com Lucius e vice versa. A diferença é que Lucius e Rodolphus gostavam um do outro, e Rabastan simplesmente não conseguia desenvolver companheirismo pelo herdeiro Crouch.
Aurora queria continuar a conversa, sabia que fazer conexões dentro de sua casa era muito importante — o que não teria sido um problema se Sirius Black tivesse feito o favor de acabar na casa certa — mas não sabia o que conversar com o menino Lestrange.
No fim, ambos acabaram finalizando o jantar em silêncio.
Aurora às vezes passava os olhos pela mesa da Grifinória, onde James parecia alegre e Remus confortável. Sirius tinha um sorriso no rosto, mas ela não acreditava que estivesse tão calmo quanto estava tentando parecer. Lily revirava os olhos com as gracinhas de James, mas não parecia particularmente incomodada. A garota de cabelos rosados se perguntou se não teria se encaixado melhor ali, entre os leões e sua afetuosidade geral.
Quando finalmente a cerimônia de recepção chegou ao fim, todos foram liberados para irem em direção aos dormitórios. Aurora levantou-se primeiro, queria falar com James e Sirius antes de se enfurnar nas masmorras. Em passos rápidos ela os encontrou no redemoinho vermelho que se formava ao lado da mesa da Grifinória.
—Parece que você é um cobra no fim das contas. -Disse James cruzando os braços.
—Parece que sim. — Aurora suspirou. — Você não vai fazer drama sobre isso, né?
James pareceu profundamente ofendido pela especulação.
—EU? — O menino quase gritou. — Para sua informação, senhorita, eu sou a pessoa mais compreensiva que conheço. Se eu estou ressentido que você tenha preferido ficar com as cobras do que com seus fiéis amigos na melhor casa de Hogwarts? — Ele bufou e sorriu. — Claro que não. Na verdade eu estou com dó que você tenha sido amaldiçoada a estar na casa que vai perder todos os campeonatos de quadribol daqui pra frente.
—E a copa das casas. — Acrescentou Sirius com deboche.
—Do jeito que vocês dois vão perder pontos, duvido muito! -Retrucou Aurora.
—Ah, podemos perder pontos à vontade. Com aqueles dois — James apontou para Remus e Lily que conversavam sobre um dos tópicos do livro que haviam lido antes de embarcar. — Estamos garantidos.
—Tudo bem, vocês talvez tenham um ponto. — Riu ela.
—Conseguiu achar mais alguém decente no covil das cobras? — Questionou Potter.
Aurora revirou os olhos.
—Eles não são ruins. Na verdade foram até gentis comigo. Sua prima me deu as boas vindas, Sirius. — A rosada informou. A menção da família fez o sorriso de Sirius imediatamente falhar. Aurora mordeu o lábio inferior. -Narcissa não parecia má… -Ela acrescentou com amabilidade. -Ela defendeu você.
Sirius riu fracamente.
—Cissy é metida, mas tem um bom coração. Mas tenho certeza que ela também está com raiva.
—Vocês vão se entender. — A garota Selwyn declarou num tom de voz gentil.- Não pode fugir delas, Sirius. Família é família.
Sirius sabia que Aurora tinha a melhor das intenções, mas aquela frase o fez sentir absolutamente terrível. Sim, família era família. Deveria ser assim, pessoas com quem se pode contar, que não te abandonam quando você erra. Que te apoiam mesmo não concordando com suas decisões. Mas Sirius não era ingênuo o suficiente para acreditar que aquele seria o seu caso. Não com sua família.
Infelizmente, uma esperança mínima no fundo de seu peito começou a crescer.
Talvez ela estivesse certa.
Cissy tinha o defendido, Andy sempre fora a mais gentil entre as irmãs e Bella, por mais que fosse cheia de fúria, era leal a família. Talvez elas o acolhessem, talvez ajudasse a enfrentar as ondas de ódio que certamente viriam de Orion e Walburga. Talvez…
Botando toda sua fé naquele talvez, Sirius tomou uma decisão. Não dormiria aquela noite.
Antes que o grupinho pudesse continuar seu bate papo, os monitores começaram a puxar as filas de primeiranistas para seus respectivos dormitórios. Aurora se despediu dos amigos com abraços e disse que os veria no dia seguinte, na mesa do café. Sirius e James seguiram para a torre da Grifinória e Aurora e seus companheiros de casa marcharam para a parte mais sombria do castelo, as masmorras.
Enquanto caminhava, Aurora observava o ambiente ao seu redor, os quadros com suas cores brilhantes e seus habitantes cheios de personalidade, as escadas quase vivas, as paredes misteriosas que escondiam tantos segredos. Apesar de ter crescido com a magia em sua vida desde os primeiros momentos, ela nunca deixava de se encantar com tudo. Magia era deslumbrante, e era realmente um privilégio que ela tivesse aquele poder correndo em suas veias. Aurora podia sentir falta da aura calorosa de seus amigos grifinórios, mas, no fundo, sabia que sonserina era seu lugar. Ela tinha uma ideia clara do que queria para seu futuro, e precisava estar ao redor de pessoas que, assim como ela, fossem fazer de tudo para alcançar as visões que tinham planejado. Enquanto pensava sobre como se enturmar com os colegas, alguém tocou em seu ombro. Aurora assustou-se, e esbarrou na pessoa a sua frente. Felizmente, essa pessoa era Rabastan Lestrange, que não se incomodou com a falta de graciosidade da garota.
—Você é a garota Selwyn, certo? — O responsável pela pergunta era um garoto de estatura baixa, sua cabeça basicamente batia no ombro de Aurora. Os cabelos mal cortados eram castanhos, e quase cobriam seus olhos. Enquanto as madeixas de Remus assumiam um tom mais mel, os fios do desconhecido assemelhavam-se a um tom de marrom avermelhado, que nem de longe poderia ser confundido com ruivo, mas que distinguia-se claramente do castanho comum. As iris avelã do menino eram ampliadas pelas lentes grossas de seus óculos negros de aros redondos. Ele parecia novo demais para estar ali.
—Quem é você?
—Barty, deixe ela em paz… — Rabastan se intrometeu na conversa, pondo-se ao lado da menina. Aurora lançou um olhar de repreensão em sua direção. Ela não precisava de resgate, nem de ninguém e muito menos de uma criança. O garoto, Barty, lançou um olhar confuso em direção a Rabastan.
—Rabs, -Aurora pode sentir Rabastan se tremer de desgosto com o uso do apelido. -Eu não estou incomodando ela. -Defendeu-se ele. -Só queria ter certeza que essa era a garota Selwyn porque queria perguntar onde ela esteve nos últimos onze anos. Também queria saber se os pais dela continuam desaparecidos ou se ela teve alguma sorte procurando por eles.
—Bartemius! — Rabastan exasperou-se. Já não bastasse ter que aguentar a personalidade sem noção do Crouch nas reuniões dos pais e bailes e festas, agora teria que ser sua babá particular para proteger pessoas inocentes de suas idiotices.
Aurora sentiu-se quase afrontada por aquelas perguntas. Ele estava tirando sarro dela? Ela semicerrou os olhos e torceu os lábios com desdém.
—Eu não acredito que nada disso seja da sua conta. — A garota disse friamente, empinou o nariz e saiu andando, decidindo que não valia a pena se estressar por alguém como ele. -E tenha mais educação da próxima vez que for se intrometer na vida alheia!
Rabastan e Barty andaram atrás dela para não ficarem muito atrás do grupo de sonserinos do primeiro ano. Embora a caminhada para as masmorras não fosse longa, o monitor chefe estava dando um tour com muita dedicação, explicando pontos cruciais sobre como seria a rotina deles dali para frente.
—Eu não acredito que você fez isso… — Sussurrou Rabastan para o amigo diminuto. Barty ajeitou os óculos, mais por mania do que por necessidade.
—Eu queria tirar uma reação dela. — Explicou o menor. — Achei que ela talvez fosse falhar, mas ela tem de fato o nariz empinado das famílias sangue puro. — Barty olhou para Rabastan como se descrevendo um fato muito curioso da natureza. — Sabe, algumas pessoas acham que os arrogantes são criados. Que a prepotência se constrói dentro deles. Mas algumas famílias sangue puro simplesmente nascem assim, sabe? Está nos seus genes.
Barty falava muito complicado para um garoto de apenas onze anos, e as vezes Rabastan se pegava com preguiça de tentar acompanhar seus raciocínios. E com as vezes ele queria dizer em maior parte das ocasiões. Naquele momento em particular, porém, o Lestrange estava interessado no assunto. — Ela não fez nenhuma pergunta estúpida até agora então deve ter crescido no meio mágico. — Acrescentou Barty, pensativo.
Rabastan arqueou as sobrancelhas.
—Você está testando ela? Por que?
O olhar de Barty pareceu tornar-se sombrio por um momento.
—Todos achavam que a linhagem Selwyn havia chegado ao fim. Só existem dois membros restantes da família, eles tem a idade do meu avô, e se afastaram da sociedade bruxa muitos anos atrás.
—Por que? — Rabastan não sabia muito sobre a família Selwyn, o que fora justamente a razão que motivara sua pergunta mais cedo. Ao contrário de Barty, no entanto, ele tinha tato o suficiente para perguntar sem fazer a garota se sentir atacada. A sociedade elitista bruxa gostava muito de fofocas, e isso era um fato. Seus pais não puderam deixar de sorrir, o veneno escorrendo por entre seus lábios, quando se espalhou o boato que os Malfoy não podiam ser considerados uma família puro sangue de verdade, pois aceitavam em sua árvore genealógica mestiços, e agiam como se eles fossem puros. Também foi uma época de deleita para a família Lestrange quando ficaram sabendo que os Prewett tinham perdido tudo num incêndio que destruiu completamente a mansão da família, juntamente com todos os seus bens. Na mesma noite, seus cofres em Gringotes foram esvaziados para garantir a sobrevivência dos dois herdeiros da família os gêmeos que quase haviam perdido suas vidas tragicamente por conta do fogo. Mas os Selwyn? Eles haviam saído de cena a tanto tempo, se isolado numa redoma de cristal. Não havia mais o que fofocar sobre eles.
—Ninguém sabe porque eles de repente se isolaram… Mas a última notícia que se teve de alguém com o sobrenome Selwyn foi em 1963, uma garota que foi encontrada morta, assassinada.
—E quem era ela?
Barty sorriu de forma sinistra.
—Ninguém sabe, não se tem registros dela em lugar nenhum. Nem mesmo em Hogwarts. É como se ela nunca tivesse existido. Só ficaram sabendo que pertencia ao clã Selwyn depois de muitos testes, e mesmo assim os dois velhotes negaram qualquer parentesco com ela.
—Então você acha que Aurora é algum tipo de impostora. -Deduziu Lestrange.
—Eu acho ela suspeita, Rabs. — Declarou o menino. Os dois estavam um pouco mais distante do grupo da sonserina, mas continuavam a acompanhá-los. Rabastan mais uma vez teve que se segurar para não estrangular o companheiro por conta do uso do apelido. Eles realmente não tinham intimidade para aquele tipo de denominação, por mais que se conhecessem desde as fraldas, mas aqui estavam os dois, discutindo teorias da conspiração sobre a família de uma garota que haviam acabado de conhecer!
—Ela realmente saiu do nada…- Reconheceu Rabastan. -Mas você está sendo paranoico, ela apareceu junto com os outros dois Selwyn no nosso baile outono passado, lembra? — Os pais de Rodolphus e Rabastan gostavam de dar bailes. Era um de seus passatempos favoritos, gastar enormes quantidades de tempo e dinheiro para reunir-se com um bando de outras pessoas que também gastariam enormes quantidades de tempo e dinheiro paparicando-se para fazer sua entrada triunfal. Naquele baile em particular, os Selwyn haviam comparecido. Depois de quase duas décadas de afastamento. E juntamente ao casal principal, se encontrava sua pequena herdeira, Aurora. Rabastan encontrava-se doente no dia do baile em questão — gripado depois de ter sido enganado pelo irmão e os amigos — e perdeu a celebração para ficar deitado em sua cama, recuperando-se. Barty o encarou, cético.
—E onde ela estava todos os bailes antes disso?
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A entrada para o salão comunal da sonserina está localizada atrás de uma parede nua de pedra nas masmorras do Castelo. Era um lugar enorme e luxuoso, uma sala subterrânea longa e baixa, com paredes e teto de pedra ásperos, dos quais candeeiros redondos e esverdeados estavam pendurados em correntes. Um fogo crepitava sob uma lareira elaboradamente esculpida à frente deles, e vários sonserinos tinham suas silhueta em volta dele, em cadeiras esculpidas. A sala se estendia parcialmente sob o lago, dando à luz da sala um tom verde. O lugar possuía muitos sofás de couro com estampa de botões, em preto e verde escuro, com encosto baixo; crânios; e armários de madeira escura. Estava decorado com tapeçarias, apresentando as aventuras dos famosos sonserinos medievais. Tinha uma atmosfera bastante grandiosa, mas também bastante fria. Todo o lugar possuía a aura de um misterioso naufrágio subaquático ".
—Como vocês podem ver, as janelas dão para as profundezas do lago de Hogwarts. Muitas vezes vemos a lula gigante nadando, e às vezes criaturas mais interessantes. — Começou o monitor uma vez que todos haviam entrado. -As sereianas também gostam muito de aparecer, e ficam chateados se não conversamos com elas.
—Como podemos conversar com elas? -Um dos primeiranistas perguntou em meio ao amontoado.
—Linguagem de sinais. — Disse o monitor simplesmente.
—Mas não confiem nelas para conselhos amorosos. — Uma garota que Aurora identificou como Andy Black, a prima de Sirus, se manifestou com um sorriso brincalhão. Elas são péssimas.
—Geralmente o conselho é matar o cara. — Narcissa acrescenta causando risos.
—O que não é um conselho ruim, se você realmente pensar sobre isso. — Completou Bella de forma sombria. Muitos riram, outros sorriram nervosos.
As três irmãs estavam sentadas confortavelmente nas poltronas. Bella ainda parece enraivecida, mas está mais calma. Aurora imagina que aquelas três devem ser a trindade profana da sonserina. A popularidade deve ser uma coisa fácil de se obter quando se é rica e bonita. Embora estivessem sentadas com poses descontraídas, Andy com um livro na mão, Cissy alisando os cabelos e Bella — um pouco menos descontraída do que as outras -, com as pernas cruzadas e a varinha girando entre os dedos, elas pareciam flutuar acima do resto. Claro, o renome das irmãs Black se devia a muito mais do que apenas beleza e dinheiro, mas Aurora ainda não sabia disso. E com os olhos brilhando com expectativa, ela decidiu logo ali que queria ser como elas.
A senha da sala comunal mudava a cada quinzena e seria afixada no quadro de avisos. Os estudantes da Sonserina são avisados para nunca trazer estudantes de outras casas para a sala comunal ou revelar a senha. Supostamente, nenhum estranho entrou nas masmorras por mais de sete séculos. Sendo quase dez horas, os primeiranistas receberam as boas vindas e foram dispensados para seus dormitórios. Narcissa mais uma vez se aproximou da garota de cabelos rosados.
—Você foi a única garota selecionada para sonserina esse ano, isso deixa o quarto do primeiro ano todo só pra você. — Ela piscou e sorriu. — Você é bem sortuda. Vem comigo.
Aurora seguiu Narcissa por uma escada longa e curvada de mogno. Quando chegaram ao topo, as meninas se depararam com uma porta grandiosa. Narcissa apontou para a outra ponta do cômodo.
—Ali é o dormitório dos meninos. — Explicou. -Se um dia precisar, tem uma passagem de mão única que leva pra lá em algum lugar no quarto das meninas do terceiro ano. — A loira piscou. Aurora ficou vermelha imediatamente, e Narcissa riu de leve. Ela abriu a porta e as duas se depararam com um cômodo em semicírculo com sete portas. Cada porta tinha um número em cima, de um a sete.
—Cada porta leva a um dos quartos dependendo do seu ano. — Disse Narcissa gesticulando rapidamente. Nas outras casas você vai encontrar mais de um quarto para as meninas de cada ano, mas como nunca temos muitos sorteados um é suficiente. Nem todos podem ser da sonserina. — Ela comentou com um sorriso prepotente, como se ambas fizessem parte de um clubinho secreto. -Bom, boa noite, nos vemos amanhã.
E com isso, a mais velha se despediu, e Aurora adentrou seu quarto. Antes de entrar ela notou, porém, que cravados na parte superior das portas haviam os nomes das integrantes de cada quarto. Os nomes Narcissa Black, Andromeda Black e Bellatrix Black estavam espalhados por entre as entradas, cada uma em um ano diferente. Aurora quase se pegou procurando pelo nome de Rabastan Lestrange, mas lembrou-se que ele estava no dormitório dos meninos naquele momento.
O quarto era grande e espaçoso, mas não tinha muita coisa. Uma cama de casal, um sofá pequeno e algumas mesinhas, postas dos dois lados da cama, servindo de apoio para os abajures. A janela era grande, ia do chão até o teto, com cortinas grossas ao lado. Do lado de fora, as águas esverdeadas do lago negro tornavam-se quase completamente enegrecidas pela falta do sol. Aurora imaginou que talvez a falta de coração e florismos fosse para que ela tivesse a liberdade de decorar o lugar como bem entendesse. A garota se animou imediatamente com a ideia. Ela reparou que o quarto também tinha sido equipado com uma penteadeira e notou seu malão ao lado da cama. Ela suspirou de alívio, quase não conseguira colocar o malão no trem pela pressa com que saíra de casa. Ela andou até a cama e ajoelhou-se ao lado da mala, ela nunca teve muita coisa, não por falta de vontade, claro. Mas quando mudou-se para o palacete dos avós, a primeira coisa que sua avó, Lyta, fez foi dar a garota um dia de transformação. Da órfã miserável que sempre fora, para a herdeira que seria daquele dia em diante.
Lyta não realmente acompanhara a neta durante o processo. mal olhava-a nos olhos, na verdade, porém a velha Selwyn ordenara os melhores cabeleireiros e esteticistas do mundo mágico para dar um jeito na garota. No fim do dia, seus cabelos haviam ganhado vida, suas unhas estavam bem cuidadas, e os hematomas e feridas que se desenhavam em sua pele como um mapa haviam desaparecido. Apenas uma de suas cicatrizes persistiu aos feitiços. Seus lábios estavam hidratados e os dentes praticamente brilhando no escuro. Ela estava perfeita, embora os quilos que faltavam para compor uma aparência saudável não pudessem ser preenchidos de um dia para o outro. Seu novo armário também estava recém cheio de roupas que eram “adequadas” para uma “moça respeitável da sociedade” como ela era. Ou seria, dali em diante.
Aurora pegou a varinha, afastando aqueles pensamentos. Essa era sua vida agora, e era seu dever apropriar-se dela como se sempre tivesse sido sua. Ninguém podia saber a verdade.
Ela se levantou e maneou a varinha com elegância, ou quase. As paredes negras assumiram um tom verde escuro, e foram decoradas com um ornamento floral dourado — Aurora sabia que as cores da sonserina eram verde e prata, mas dourado simplesmente combinada muito melhor com a decoração. Ela mudou os estofados dos móveis e adicionou um tapete embaixo da cama. Depois de mais alguns toques, Aurora finalmente se sentia em casa.
Cansada, a garota decidiu preparar-se para dormir, ela enxergou duas portas na direção oposta da cama, uma delas provavelmente era o banheiro e a outra o closet. Aurora decidiu que iria deixar para organizar suas coisas no dia seguinte e seguiu para o banheiro para um demorado e relaxante banho. Era tão fácil acostumar-se com uma vida de mimos e riquezas, ela não tinha ideia do que faria se um dia perdesse tudo isso.
Mas claro, ser uma herdeira tinha um preço, e ela logo descobriria que pagar não seria tão fácil.
E talvez, não valesse a pena.
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Aurora estava tendo um sono tranquilo, de verdade. Sem sonhos, sem pesadelos, apenas aproveitando os benefícios da não consciência. E então ela acordou com uma coceira insuportável no braço esquerdo. Ela abriu os olhos e confusa tentou ligar um dos abajures. Quando retornou sua atenção ao braço para tentar descobrir a razão do desconforto, ficou surpresa ao encontrar letrinhas negras cobrindo sua pele.
Aurora, precisamos da sua ajuda. Nos encontre no Salão Principal. -James e Sirius.
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