When We Were Young

3 Aventuras Noturnas


Notas iniciais
OLÁ! Sei que demorei, mas estava tentando escrever um capítulo delicioso e longo para vocês! Também tive que reescrever algumas vezes pq meu editor é de qualidade e só aceita o meu melhor kkkkk Enfim, espero que gostem e principalmente, comentem! O que vocês acham da nossa protagonista até agora? Alguma teoria sobre seu passado? Deixo com vocês ♥ ♥ ♥ Até a próxima, meus moranguinhos. Fiquem em casa e lavem as mãos!

Hogwarts

1 de Setembro (noite)

1971

Andando pelas frias masmorras, Aurora ponderava seriamente se valia a pena arriscar seu pescoço pelas necessidades de duas pessoas que conhecera meras horas antes. Ela não viera para Hogwarts para fazer amigos, afinal. Todo o trabalho, todo os esquemas e mentiras que tinham permitido com que a garota chegasse até ali foram cometidos com o propósito de provar que ela estava pronta para desempenhar o papel de herdeira da família, um papel que sua avó relutantemente lhe passou porque simplesmente não havia mais ninguém. A camisola de seda negra clássica certamente não era o suficiente para mantê-la aquecida e a garota andava o mais rapidamente que podia sem fazer barulho, as pontas dos pés já sofrendo com o esforço. Mas de qualquer maneira, ela ficara curiosa quando recebera a mensagem, e não fosse a simpatia que tinha pelos dois estímulo suficiente para tirá-la da cama, sua curiosidade certamente seria o suficiente. Quando finalmente, depois de algumas entradas erradas, ela consegue achar o caminho certo para o Salão Principal.

James e Sirius estavam sentados na mesa da Grifinória, ambos também em seus pijamas. Sirius usava vestes parecidas com as dela, com longas calças pretas e uma blusa de botões de cetim. James, por outro lado, tinha um pijama simples de algodão com listras azuis, por alguma razão ambos estavam descalços. A dupla observou Aurora se aproximar, o cabelo róseo trançado para trás e a expressão de alguém que realmente não tinha apreciado ser acordada no meio da noite.

—O que vocês querem? — Questionou a garota num tom de voz cansado, as sobrancelhas arqueadas e as mãos nos quadris faziam-na se assemelhar muito ao olhar que a Sra. Potter direcionava a James quando o filho aprontava além da conta. — E como conseguiram fazer esse feitiço? Eu estudei nossos livros antes de vir e garanto que não estava por lá. -Aurora não estava nem um pouco feliz com a perspectiva de que o primeiro dia de aulas nem havia começado e já havia alguém na frente dela, o que era razão suficiente para sua expressão azeda, mais o fato de ter tido seu sono interrompido, sua cara com certeza não era das melhores.. Será que estudar em casa previamente os livros de seu ano não fora o suficiente? Teria sido desleixado de sua parte não estudar os outros anos? Antes que Aurora pudesse se estressar ainda mais debatendo todos esses pontos, James começou a falar.

—Convencemos Remus a fazer-

—Como Remus sabe esse feitiço?

—Eu preciso entrar no dormitório da Sonserina. — Sirius interrompeu, sendo direto. Aurora olhou para os dois como se tivessem perdido o juízo. Mas pelo que ela estava percebendo, nenhum deles tinham juízo para perder de qualquer maneira. Ela cruzou os braços, trocando o peso de uma perna para a outra, e soltou um suspiro.

—Sirius, eu não posso fazer isso. -Disse simplesmente. -Durante a apresentação dos dormitórios nos disseram que não há estranhos no dormitório da Sonserina há mais de 70 anos! Eu estaria com uma má reputação nas costas antes mesmo antes do ano começar. — Aurora explicou. -E o que você quer fazer lá, afinal? Pensei que você tivesse nos rejeitado.

James lançou um olhar para a garota por sua evidente falta de sensibilidade, para o qual Aurora apenas o encarou. Era óbvio que Sirius estava incomodado com alguma coisa, e precisava resolver o que quer que fosse para restabelecer sua paz. Durante o jantar o herdeiro da família Black pareceu se adaptar bem a Grifinória, certamente ele combinava mais com o vermelho e dourado do que com o verde e prata da casa inimiga, pelo menos na opinião de James. Mas desde aquele momento até quando foram mandados aos seus dormitórios, Potter sabia que havia algo de errado com seu novo amigo. Talvez fosse porque James Potter podia ser um excelente observador quando queria, talvez por que, apesar de ser um Black treinado para não deixar transparecer seus verdadeiros sentimentos, Sirius ainda era muito jovem e inteligente o suficiente para perceber a gravidade da situação. Uma fraqueza em seu sorriso confiante, um incômodo em suas respiração… Pelo passar da noite, o que quer que estivesse torturando Sirius por dentro se mostrava cada vez mais aparente. Quando os meninos se trancaram em seu dormitório -Remus, James, Sirius e mais outros dois que completavam as cinco cabeças por quarto — e James sugeriu que ficassem acordados durante a noite comemorando o fato de terem se tornado colegas de quarto, Sirius já mal prestava atenção na conversa. E foi então que, de repente, explodiu, convenceu Remus a lhe ensinar o feitiço para entrar em contato com Aurora, e convenceu James a vir consigo.

—Eu preciso falar com minhas primas …- Ele disse com urgência.

—Então por que chamou a mim?

—O feitiço só funciona com alguém se conhece. — Explicou James. -Remus conhece você, mas nenhuma das primas dele.

Tomando uma nota mental para solicitar Lupin pelo feitiço quando encontrasse com ele, Aurora encarou Sirius mais uma vez.

—Sirius estamos no meio da madrugada…

—Eu preciso resolver isso. Antes que a notícia chegue aos meus pais.

O menino insistiu, saindo de sua posição sentada na mesa, e aproximando-se da garota, a luz amarela das velas refletindo em sua cútis pálida. Mais uma vez dourado e prateado brincavam com seus contrastes entre os olhares perseverantes dos dois herdeiros. Mas não era uma briga de verdade, Aurora sabia, Sirius estava implorando, ou o mais perto que um Black chegaria de implorar.

—Que notícia? — Questionou James.

Sirius virou a cabeça e o olhou. Muitos hesitariam diante dele, mesmo aos onze anos, James Potter, mas Sirius era um Black e não se era permitido esse tipo de comportamento vindo dele.

—Que eu… entrei para a Grifinória.

—Achei que você tivesse gostado de entrar para a Grifinória. — O tom de Potter era acusatório, desafiando Sirius a negar suas palavras. Ele de repente levantou-se de onde estava sentado desde o início da conversa e seus olhos enfrentaram os de Sirius. James não gostava da família Black, mais uma família de puros sangues que se achava melhor do que o resto da comunidade mágica pelo sangue que corria em suas veias, mas seu pai o ensinara a pensar duas vezes antes de culpar filhos pelos pecados de seus pais, já bastava que eles carregassem em seu sobrenome o peso — e muitas vezes vergonha — que seus antepassados haviam amaldiçoado-lhes tantos anos antes de seu nascimento. Mas Sirius era mais que um Black agora, ele era da casa da Grifinória, algo nele o tornava diferente, mesmo assim, James não gostava do tom que Sirius usava ao falar da casa dos leões, como se fosse uma tragédia que havia caído sobre ele.

—Eu acho que me encaixo aqui. — Respondeu, sério. — Mas as coisas não são tão simples.

O semblante de James endureceu.

—Sirius…

Para ele era óbvio que Sirius havia evoluído. Que havia encontrado sua salvação em meio às trevas que eram sua família, na cabeça de um menino de onze anos que sempre foi ensinado que o certo é o certo, e o certo nem sempre é fácil, porém nem por isso podemos deixar de fazê-lo, era uma lógica consistente. Mas o mundo não era tão preto e branco como James julgava naquela época, e enquanto James cresceria para conseguir enxergar as complexidades cinzentas a volta deles, Sirius tornaria-se um homem com a força de julgamento aparentemente de pura integridade e honra que James Potter, o menino que admiraria até o dia de sua morte, empunhava naquele momento.

Vendo que os dois não chegariam a lugar nenhum — e pior, desperdiçariam seu tempo — se começassem a discutir ali honra e blá blá blá, Aurora interviu.

—Eu acho que posso fazer uma coisa por você, Sirius.

Os meninos olharam para ela.

—Esperem aqui. — Completou Aurora e sumiu entre as trevas do castelo.

James e Sirius voltaram a sentar-se na mesa de madeira de sua casa, esperando ansiosamente pela chegada da garota, certa tensão pairando sobre eles. Depois de somente alguns minutos que pareceram durar uma eternidade, Aurora apareceu novamente entre as sombras, uma figura mais alta e esguia vinha graciosamente em seu encalço. Narcissa Black se revelou a dupla de garotos com uma expressão indecifrável desenhada em seu rosto. Ela possuía uma túnica protegendo suas vestes intimas dos olhos dos meninos, e Aurora agora aparecia imitando-a com uma túnica azul celeste em volta de suas vestes. Narcissa postou-se a luz das velas, esperando, graciosa como sempre.

Sirius se levantou e andou até ela, queria se explicar, mas as palavras pareciam pouco.

—Cissy… Eu...

—Sirius. — Ela o cortou sem cortesia. — O que você quer de mim, sabe que eu não posso ajudar.

—Eu sei que causei problemas ... Mas não foi de propósito, Cissy. Eu não tinha isso planejado.

A loura o observou por alguns segundos, sua cabeça martelando, não mentira quando dissera ao menino que não podia ajudá-lo, mas, na verdade, nem sabia se queria fazê-lo em primeiro lugar. Se um Black errava, todos pagavam o preço, era o jeito deles de ensinar que família deveria vir acima de tudo. E do jeito que as coisas tinham acontecido, toda aquela confusão parecia ter se dado apenas pela má vontade de Sirius de cooperar, pelo seu desejo de fazer birra.

Por outro lado, no entanto, Narcissa queria acreditar nele. Sirius era muito ciente da frágil estrutura familiar que se estabelecia na dinastia Black. Ele tem um temperamento infeliz, porém, lembrou-se a garota torcendo o nariz, podia lembrar-se de variadas situações inoportunas em que Sirius e seu desejo de exercer suas vontades haviam causado problemas. Às vezes o menino possuía desejos nobres, Narcissa podia admitir, mesmo levando isso em consideração ela precisava ser direta em analisar que Sirius sempre teve dificuldades em aceitar o mundo como ele era, principalmente quando se tratava dos destinos traçados para ele, e toda aquela palhaçada com o garoto se bandeando para a Grifinória — a porra da casa que era a inimiga centenária da Sonserina, onde eles pertenciam-, parecia-se muito com um de seus ataques de rebeldia.

Narcissa sentiu a ameaça de uma dor de cabeça, ela sabia que esse problema não era simples. Uma casa de Hogwarts não era somente uma casa para seus pais e tios. Tradição era tradição. Tradição era tudo. E o turbilhão que se desencadearia daquela pequena supostamente insignificante mudança na corrente seria uma maldição para todos eles. Ela queria gritar com ele, mas não se moveu, nem se comoveu, apenas torceu os lábios mais uma vez, mantendo a postura controlada e indiferente que havia sido ensinada a postar desde quando pudera andar. Aquele era o porte da nobreza.

—Sabe que seus pais já estão cientes, certo?-Ela replicou com fria simplicidade.

—Estou esperando cartas de conteúdo nada agradável chegarem em breve.

—Vai ser pior que isso, Sirius... Desta vez você não irá ficar impune…- Sirius nunca ficou impune de absolutamente nada que seus pais o descobrissem fazendo, mas sabia exatamente o que sua prima queria dizer com aquela frase. Narcissa suspirou. -Nossa família está na Sonserina há anos. Você sabia. Lembre-se de que a corda sempre quebra no lado mais fraco.

Eu e as meninas vamos ficar bem!Mas não posso falar pela segurança do seu irmão…

—Você não acha que eles iriam ...

—Não só acho que eles seriam capazes, como acho que talvez já tenham feito isso.

Aurora e James observavam a conversa em tom firme entre os dois Blacks sem entender quase nada. Enquanto James flutuava entre as frases, já tendo desistido de compreender e apenas aceitando que Sirius teria que explicar-lhe tudo depois, Aurora se prendia atentamente a cada sílaba, esperançosa que as informações que eles trocavam fossem fazer sentido em sua cabeça mais tarde.

—Faça melhor — Advertiu Narcissa finalmente. -Eu sei que você é capaz de deixar seus pais satisfeitos então não perca tempo. — Ela quase sorriu. E então então aproximou-se ainda mais e o olhou nos olhos, o cinza gélido queimando. -E nunca mais envolva terceiros quando forem assuntos da família.

Sirius assentiu. E antes que Narcissa desaparecesse de volta para seu dormitório, a loira o fez uma última pergunta.

—Você se arrepende?

O silêncio de Sirius foi resposta suficiente. Não adiantava mentir, Sirius era um péssimo mentiroso, e Narcissa excelente em detectar mentiras. Sem se preocupar em se despedir, a garota Black sumiu, carregando sua raiva consigo.

—Sua família realmente leva esse negócio de casas a sério. — Disse Aurora arqueando a sobrancelha.

—É… — Sirius suspirou. — Na verdade é um pouco mais complicado que isso…

—A sua casa é o que você acredita. — Completou James. — Todos sabemos que é assim. -Comentou e encarou Aurora como se implicasse que alguém como ela também deveria saber. -Meu pai acredita que o chapéu escolhe nossas casas pelo que a gente valoriza e não exatamente com a nossa personalidade. Se não quais seriam as chances de uma família inteira de pessoas diferentes acabar na mesma casa?

Aurora sabia que certamente os pais de Sirius não eram a favor do que a casa dos leões representava — tinha estudado sobre eles antes de pegar o trem. E mais importante, tinha os conhecido durante o Baile de família Lestrange.

—Bom, então você vai ter que provar que pode ser o filho que eles esperam, mesmo estando na Grifinória. — Aurora concluiu e se aproximou do menino. -Parece que o bem estar da sua família depende disso. — Ela suspirou. — De qualquer maneira, família é importante. Você devia pelo menos tentar.

Sirius tentou sorrir, talvez fosse possível.

Mas provavelmente não era.

—Bom, mas agora eu acho que já está na hora de voltarmos para nossos dormitórios. — Afirmou a rosada cansada.

—Ah… É nossa primeira noite no castelo! Já que estamos aqui, deveríamos fazer alguma coisa… Legal! — Propôs James com um sorriso que Aurora aprenderia a categorizar como perigoso ao longo dos anos.

—Amanhã é o primeiro dia de aula… -Lembrou Aurora.

—É… E talvez eu não devesse sair aprontando por agora…

James revirou os olhos, mas colocou os braços em volta dos ombros dos dois amigos, e sorriu ainda mais.

—Só é um problema se formos pegos.- Pontuou ele. Sirius e Aurora trocaram olhares. James era uma daquelas pessoas tão descoladas que faziam você se sentir mal se não concordasse com suas ideias. Aurora queria ser uma boa aluna, queria provar que sua avó estava errada. E ela queria, por mais que aquilo um dia tenha parecido além do impossível, ela queria sim alcançar a grandeza, como o espírito de sua casa a inspirava a fazer.

E depois de 10 anos de uma vida insossa e sem lugar para a alegria de simplesmente fazer algo pela diversão, era um pedido difícil de recusar. Mas Aurora não podia se deixar distrair de seu objetivo.

—James eu acho-

E então eles ouviram passos.

James fez uma careta e Sirius parecia prestes a entrar em pânico. Aurora puxou os dois para debaixo da mesa de madeira da Grifinória sem delicadeza e com muita pressa.

Os passos se tornaram mais altos e mais altos até que os três começaram a ouvir sussurros.

—Não devíamos estar aqui…

—Pare de ser chorão. Se conseguirmos achar a câmara nossa vida vai se tornar pelo menos mil vezes melhor.

—Eles estavam zoando com a gente, Barty… Não vamos conseguir achar essa câmara, tem uns 20 anos que está fechada ou sei lá.

Barty? Bartemius Crouch? O menino que a importunara mais cedo? Se a ele pertencia uma das vozes, era quase óbvio a quem pertencia a segunda.

Rabastan Lestrange.

Embaixo da mesa, Sirius e James se entreolharam em confusão, mas Aurora sabia ao que eles estavam se referindo. A Câmara Secreta.

—Rabs, não podemos desistir ainda, é só nossa primeira noite de procura.

—Você está delirando se acha que eu vou continuar nessa busca infrutífera com você todas as noites.- Replicou Rabastan mal humorado, e Aurora conseguia ver sua face se contorcendo numa expressão de desgosto. Por que aqueles dois estavam procurando pela Câmara? Ela estava perdida a muitos anos, e pelo que Aurora sabia, nada de bom viera de sua existência…

—Se você continuar com essa disposição infeliz vamos perder para a outra novata. -Sibilou Barty.

—Aurora? Ela tem mais o que fazer.

—É, deve gastar uma energia tremenda ficar escondendo todos aqueles segredos…

—Que segredos?

A pergunta fora feita de Rabastan para Barty, mas Aurora podia sentir Sirius e James do seu lado internamente se perguntando o mesmo.

—É exatamente o que eu quero descobrir. E eu não sou o único.

Ele não era?

—Você não é o único obcecado com ela?

—Rabastan você às vezes me surpreende com a sua ingenuidade. Toda vez que uma nova espécie é introduzida ao ecossistema, as espécies dominantes ficam eriçadas. Ou eles vão aceitá-la como parte deles para evitar competição ou…

—Ou?

—Ou vão destruir a ameaça.

Os dois continuaram a conversar enquanto saiam do Salão Principal e quando finalmente saíram de vista, Sirius, James e Aurora se revelaram fora de seu esconderijo.

—Essa foi por pouco! — Disse James. Sirius suspirou de alívio e os dois meninos olharam em direção a sua amiga rosada, que estava parada com uma expressão indecifrável em seu rosto.

—James… Você ainda está afim de fazer alguma coisa hoje a noite?

Sirius e James se entreolharam, surpresos com a pergunta.

—O que você tem em mente?- Questionou Sirius.

—Podíamos ir para a floresta…- Sugeriu Potter.

—A Floresta Altamente Não Recomendada?

James sorriu.

—Essa mesmo.

—Por mais que eu respeite o seu entusiasmo, James, eu não quero morrer hoje. — Ri Aurora. James a olha confuso. E a garota explica. -Não temos a menor ideia do que há na floresta, só de que o que existe por lá tem capacidades muito potentes de nos matar. É nossa primeira noite, acho que podemos esperar um pouco antes de ir no lugar mais perigoso da propriedade.

James pareceu convencido o suficiente.

—E você tem alguma ideia?- Sirius se manifestou, seu tom de voz foi direcionado a Aurora, ela sorriu.

—Mas é claro! — Disse com alegria. -Vamos para a Sessão Restrita!

Os meninos a encararam com claro desapontamento antes de gargalharem.

—Essa é sua ideia? — Debochou James. — Sua versão de aventura é ir até a biblioteca?

—Aurora, eu estou decepcionado, esperava mais de você…

—Tão nerd! — Riu-se Potter.

A menina pressionou os lábios numa careta de descontentamento, e deu tapas leves nas cabeças dos dois.

—Não sejam idiotas, idiotas. — Exclamou Aurora. — A Sessão Restrita é basicamente uma sala cheia de coisas que a escola não quer que saibamos, porque A, acham nós usaríamos esse conhecimento para nada de bom ou B, porque acham que não somos confiáveis, e vocês são as duas coisas: nada de bom e não confiáveis. — Ela explicou encarando os dois. James parecia assombrosamente feliz em ser categorizado como "nada de bom e não confiável" mas Aurora logo aprenderia que James julgava aquelas categorias basicamente inválidas dependendo de quem estivesse o categorizando como tal. E Sirius, conhecendo seu próprio temperamento, apenas concordou. — Mas isso só significa que os segredos de Hogwarts estão por lá! — A menina declarou com entusiasmo. — Se queremos comandar a escola, o conhecimento que precisamos está lá. Além disso, tenho certeza que por lá vamos encontrar algum feitiço forte o suficiente pra ir na floresta um dia… — Completou. — Sem morrer, quero dizer.

Conhecimento era poder. E a curiosidade de Aurora Selwyn estava constantemente faminta.

Ela sabia que era arriscado, claro, especialmente para a reputação que queria construir, mas diante desses novos fatos, ela precisava de informação mais do que nunca.

O que havia acontecido com sua família?

Porque tanta desconfiança?

Porque Barty e Rabastan queriam achar a Câmara Secreta? Quem os instruira a procurá-la?

E nossa, aqueles dois certamente eram menos inteligentes do que pareciam se sua estratégia inicial era sair andando pela escola de madrugada como dois palermas procurando cegamente por um lugar que se tinha “secreta” no nome.

—Tudo bem, tudo bem, me convenceu. — James sorriu de leve. — Já que aparentemente estamos planejando começar um reinado na escola, tenho uma coisa que podemos usar para nos ajudar hoje a noite. — Seu sorriso cresce. — Vocês não têm planos de dormir hoje, tem?

James Potter não entrou em Hogwarts com pretensões de "comandar a escola", mas se sua nova amiga falava de tal coisa com tanto brilho nos olhos, ele não via problema em ajudá-la a tornar aquele reinado possível. Além disso, no fundo ele sabia que Aurora estava certa de qualquer maneira, se eles pretendiam se aventurar por Hogwarts, precisavam saber seus segredos e de feitiços poderosos!

Os três foram em direção ao dormitório da Grifinória onde, James sussurrou a senha para a Mulher Gorda.

—Vocês não deviam estar fora da cama… -Ela comentou. -E você, senhorita. — Disse observando Aurora dos pés a cabeça. -Não pertence a Grifinória. — James e Sirius se entreolharam, temendo que o quadro fosse ameaçá-los, chamasse Mcgonagall ou gritasse e acordasse toda a escola. Aurora, no entanto, foi mais astuta e imediatamente sorriu para a moça de forma graciosa.

—Ah, sabemos que sim. -Disse ela com doçura. -Mas quando os meninos me falaram que a porta para a Grifinória era uma quadro! — Aurora colocou exagerada empolgação na frase. -Eu implorei pra que eles me trouxessem aqui pra ver! -Ela riu, meio nervosa.

—Ora, você não tem nenhum quadro em casa? — A Mulher Gorda pareceu genuinamente surpresa. E Aurora quase mordeu a língua por seu descuido, ter quadros falantes em casa era algo comum no mundo bruxo? Ela não tinha visto nenhum deles na casa da avó…

—É… É mas nenhum...Nenhum é tão assim magnífico quanto a senhora, sabe! É realmente uma coisa diferente!

—Sim! — James concordou balançando a cabeça. -Além disso, nossa amiga aqui estava morrendo de vontade de ir no banheiro e as masmorras são tão longe, coitada!

—Sim, sim. — Dramatizou Sirius. -Até que ela chegasse lá seria tarde demais.

—Prometemos que assim que ela se aliviar vamos levá-la direto para o lar das cobras. -James sorriu, simpático.

—Tenho certeza que isso não é necessário! — Exclamou o quadro. -Ela está bem grandinha para precisar de acompanhantes.

—Sim, verdade. — Concordou Sirius solene. — Mas seria tão não cavalheiro da nossa parte, não acha?

—Me disseram que a senhora canta bem? — Interviu Aurora.

Foi uma manipulação barata, mas nem todos nascem natos no ofício. E mais importante, foi o suficiente, a Mulher Gorda imediatamente pareceu esquecer das regras do castelo e engajou numa conversa animada com Aurora sobre seus dotes musicais. A garota rosada podia não ser uma manipuladora excelente de primeira, mas claramente era uma mentirosa experiente porque o jeito que olhava para sua "nova amiga" e projetava genuíno interesse teria enganado qualquer um. Depois de longos dez minutos, a mulher no quadro finalmente se sentiu satisfeita e decidiu permitir a passagem dos três para a sala comunal.

—Adorável sua amiga, meninos! — Disse ela mais umas vez antes que eles desaparecessem pelas escadas do dormitório dos meninos. — Tragam-na aqui mais vezes!

Com cuidado, James abriu a porta para o dormitório, Sirius e Aurora em seu encalço. Na ponta dos dedos ele se direcionou para o seu malão, na beirada de sua cama. Do lado esquerdo, Remus tinha sua cama cercada com o dossel vermelho da Grifinória, e pelos sons que saiam de sua direção, ele parecia estar tendo uma noite tranquila. Estava tudo completamente escuro, exceto pela luz vinda da lua que brilhava alto no céu. A janela que separava as camas de James e Sirius era grande e a visão que se tinha do astro celestial prateado era de tirar o fôlego.

James sussurrou “lumos” e sua varinha se iluminou. Enquanto ele procurava o que eles tinham vindo até ali buscar, Aurora observou o dormitório da Grifinória. Ela tinha tido a oportunidade de ver rapidamente a sala comunal, vermelha, redonda e extravagante. O dormitório assemelhava-se em todo esse sentidos, mas se fosse descrevê-lo em uma palavra, Aurora usaria “confortável”. Quatro camas de dossel eram cobertas com edredons e cortinas vermelhas, uma mesa de cabeceira ao lado e as malas ao pé da cama. Uma faixa amarela da Grifinória com o mascote da casa estava pendurada em cima da cama, com uma cadeira de madeira e uma cômoda a cada lado. Uma tábua de madeira estava situada em ambos os lados das camas, provavelmente para os alunos decorarem. O dormitório possuía paredes de pedra e piso de madeira. As janelas, cortinas vermelhas. O lugar passava uma impressão de “casa”. Era diferente da Sonserina, nem melhor ou pior, apenas diferente. Ou pelo menos em sua opinião.

—Achei!- James murmurou e chamou os dois amigos para se aproximarem. Aurora e Sirius se agacharam ao chão juntamente ao Potter e ele os mostrou com alegria uma capa prateada. Como se estivesse segurando a própria espada de Godric Grifinória, ele arqueou as sobrancelhas e balançou a capa na frente dos amigos mais uma vez. Sirius e Aurora se entreolharam, sem entender o que aquilo deveria significar.

—Elegante.

—Chique.

James revirou os olhos. E um segundo depois desapareceu.

—JAMES?!— Sirius sussurrou com urgência para o vazia em sua frente onde o menino se encontrava segundos atrás e Aurora balançava a cabeça freneticamente para todos os lados procurando por ele. O procurado em questão apareceu sentado na cama de Sirius sorrindo como uma criança. Bom, pelo menos a cabeça havia aparecido.

—Onde está o resto de você? — Perguntou Sirius para a cabeça flutuante. James riu e de repente o resto do seu corpo estava de volta, com as pernas cruzadas em cima da cama.

—Capa da invisibilidade. — Ele explicou e jogou a capa na direção dos amigos. Os olhos de Aurora brilharam de interesse com a capa em mãos.

—Isso é perfeito!

—Eu sei! — James se gabou. — Vamos logo.

Os três se apressaram, colocando a capa bem escondida debaixo da camisa de James. Eles se despediram da Mulher Gorda com doçura e quando finalmente sumiram de vista, James revelou a capa colocando ao topo dos três. A capa era grande e eles eram pequenos o suficiente para caber dentro dela, mas isso não significava que eles estavam tendo sucesso de primeira, e várias exclamações de descontentamento eram sussurradas debaixo da capa.

—Sirius, pare de pisar no meu pé!

—Como eu posso não pisar se você não anda?

—Se eu andar mais rápido que isso vou bater em James e nós três vamos cair!

—Aurora, pare de puxar a minha camisa, assim eu vou cair!

—É porque você enxerga muito mal, quase tropeçou umas trinta vezes até aqui, deixa eu tomar a liderança dessa coisa!

—Minha capa minhas regras!

Com dificuldades, os três conseguiram finalmente chegar à biblioteca. Colocando a ponta da varinha para fora da capa rapidamente, Aurora murmurou.

—Alohomora.— E a porta de madeira se abriu para eles.

A biblioteca de Hogwarts era como qualquer biblioteca comum, pelo menos a noite. Grande, espaçosa e com mais livros do que deveria ser possível ler em uma vida. Os três pares de olhos procuraram pela fita que separava a Sessão Restrita do resto da biblioteca.

Para que um deles não ficasse desprotegido ou exposto fora da capa, o trio concordou silenciosamente em continuarem em grupo debaixo da proteção, procurando por seu objetivo em união. Até que finalmente as íris avelãs de James avistaram o alvo. Ele chamou a atenção de Sirius e Aurora, que logo viram a porta para a gloriosa Pressão Restrita, bloqueada por uma faixa de aviso.

Os três se aproximaram e antes que James colocasse suas mãos ansiosas na maçaneta, Aurora segurou seu braço, refletindo se Dumbledore ou algum dos professores haviam se preocupado em proteger o local com algo além da faixa. Feitiços abrasivos por exemplo, que seriam capazes de deixar os três inconscientes, ou alguma maldição que transformasse os três em alguma criatura como rãs ou sapos. Ou será que teriam considerado que ninguém seria capaz — ou teria interesse — de quebrar as regras nesse sentido?

Ao ver um grande cadeado juntamente a porta, Aurora entendeu que a verdade era muito mais simples que suas especulações. Dessa vez, James lançou o feitiço e os três entraram, as varinhas iluminadas em mãos.

A Sessão Restrita era meio apertada, mas com livros ao redor das quatros paredes, o suficiente para deixá-la tonta. Uma janela se estendia ao fundo, não muito grande, apenas o suficiente para que os residentes da sala não ficassem sufocados com a falta de ventilação. A Sessão também contava com alguns balcões altos e algumas cadeiras, claro indicativo que aquele sessão era realmente reservada para estudantes mais velhos — e mais altos — que eles. James tirou a capa de cima deles, colocando-a sob o balcão de madeira.

—Procurem algo interessante. — Disse Aurora já distraída pelas possibilidades que lhe esperavam, e eles se espalharam. Aurora sentou-se em uma das cadeiras e começou a passar a mão lentamente pelos volumes: Manual do Papa Leão; Os Mais Perigosos Artefatos das Trevas; 1001 Maldições; Manual das Magias Proibidas; apesar de todos parecerem fascinantes, nenhum dos títulos lhe parecia sugestivo para o problema em questão.

—Porque estamos aqui? — Questionou Sirius de repente, quebrando o silêncio. Aurora desviou a atenção dos livros e virou a cabeça para encará-lo. Sirius estava em pé em cima da cadeira, tentando alcançar a visão dos livros nas prateleiras mais altas e ela deu de cara com suas costas.

—Estamos aqui tentando achar algo útil para os desafios que virão. — Disse a garota sem entender onde ele queria chegar.

James virou momentaneamente a cabeça de onde estava xeretando, agachado ao chão, e sorriu para ela.

—Sabemos que não foi só por isso.

E voltou a xeretar.

—É, tava toda "precisamos dormir e blá blá blá" numa hora e "vamos quebrar as regras" na outra. — Riu Sirius, também continuando com seu trabalho.

Aurora bufou e cruzou os braços. Ela usou a cadeira como apoio e sentou-se em um dos balcões, de costas para os livros.

—Eu quero saber o porque aqueles dois estavam procurando a Câmara. — Admitiu contragosto. -E achei que aqui seria o melhor lugar para descobrir. Se não do que eles estavam falando, pelo menos para achar a Câmara antes deles.

Aurora não estava satisfeita de ter suas emoções lidas tão facilmente

—Quem eram aqueles dois? — A voz de James saiu um pouco abafada por estar de costas. — E o que é essa Câmara?

—Os meninos são Barty Crouch e Rabastan Lestrange. — Aurora explicou e sorriu de leve ao perceber a careta que James fez ao ouvir os nomes. Embora não pudesse ver o rosto do menino, ela percebeu seus ombros arquearem. Aurora tinha efetivamente parado de procurar qualquer coisa útil e agora se ocupava em balançar as pernas distraidamente em cima do balcão e encarava as pantufas delicadas.

—Rabastan é legal. -Continuou ela. — Barty é… esquisito.

Sirius conhecia Rabastan Lestrange desde sempre. Nunca tivera mais do que conversas casuais com o mesmo enquanto cresciam, e certamente podia concordar que ele era no mínimo decente. E mais simpático que seu irmão mais velho, Rodolphus.

—A Câmara Secreta foi criada por Salazar Sonserina para expurgar os nascidos trouxas da escola. — Aurora finalizou. -Dizem que um monstro vive lá dentro e da última vez que ele apareceu… Alguém morreu…

As mãos de James pararam de repente e ele trouxe o corpo para encarar Aurora, com uma expressão meio assombrada no rosto.

—Isso é horrível.

Sirius se manteve em silêncio. Do jeito que a história lhe fora contada, anos antes por seus pais, tinha ficado gravado em sua memória como uma fábula. Ele desceu e sentou-se na cadeira, agora também com seu campo de visão abrangendo os outros dois.

—O que eles estavam falando quando disseram que você é cheia de segredos? -Perguntou Black.

Aurora enrijeceu a postura.

—Eles estavam falando bobagem. Não existe nada de suspeito ou errado sobre a minha família. -Disse. — Somos reservados, só isso…

Sirius e James se entreolharam, mas antes que qualquer um deles pudesse dizer qualquer coisa para acalmá-la, Aurora pulou para fora do balcão, com os olhos brilhando e se direcionou para um livro de capa dourada do outro lado da sala.

—O que foi?-A pergunta veio de James.

—Os Segredos Sinistros de Hogwarts. — Aurora mostra a capa para os meninos, e com um sorriso malicioso de quem tinha achado um pote de ouro, ela imediatamente abriu o livro, colocando-o em cima do balcão. Com Sirius de um lado e James do outro. O trio logo se decepcionou quando chegaram à conclusão que tudo que o livro dizia já era do conhecimento deles, com a adição de alguns detalhes.

—A garota morreu no banheiro feminino e continua lá até hoje… — James pareceu perturbado. — Isso é realmente sinistro.

—É… — Concordou Aurora, mas secretamente pensava que talvez fosse fazer uma visita ao banheiro feminino para investigar, em algum momento. -Mas nada disso foi muito útil... — Aparecium! — Ela tocou no livro com a varinha, mas nada aconteceu. A garota olhou em volta, como se falasse com a Sessão. — Decepcionante, sinceramente...

—O que foi isso? — Perguntou James.

—É um feitiço que revela mensagens secretas escritas com tinta invisível ou qualquer outra marca oculta. — Explicou Aurora. — Mas parece que não tem nada de escondido aqui.

Aurora passou o olho pelas páginas mais uma vez, frustrada, estava prestes a descartar o livro e voltar a sua atenção para o exemplar de 1001 Maldições que parecia ser mais útil quando viu a foto do autor em uma das orelhas do livro. Isso normalmente não teria feito a menor diferença, se não fosse a notável semelhança que eles pareciam compartilhar. Quando passou seus olhos pelo nome, seu coração quase parou.

Os Segredos Sinistros de Hogwarts, Anúbis Selwyn

O autor que compartilhava seu sobrenome tinha seus cabelos cor-de-rosa, eles se igualavam até no mesmo tom rosa bebê. Ele era jovem na época que o livro fora publicado, um sorriso jovial preenchendo seu rosto. Os olhos, no entanto, não tinham o dourado de Aurora, e sim um forte e escuro azul safira.

—Anúbis Selwyn. — Leu Sirius e olhou para a garota em surpresa. -Não sabia que tinham escritores na sua família, esse é seu pai?

Aurora não saberia dizer.

Infelizmente ou felizmente, aquela conversa não teve continuidade, o trio aventureiro ouviu o som que todo estudante de Hogwarts teme mais que tudo.

O miado da gata de Filch.

—O que é isso? — Murmurrou James, sua testa franzida.

—É a gata do zelador! — Avisou Sirius. — Ele deve estar vindo!

Dito e feito, meio segundo depois, a voz arrastada e mal humorada de Filch podia ser ouvida seguindo os passos da gata traiçoeira.

—Estudantes fora da cama...

Numa manobra rápida, os três se juntaram dentro da capa e sussurram seus respectivos "nox" para suas varinhas. Aurora foi capaz de pegar de pegar o livro que continha mais informações sobre sua linhagem que sua avó fora capaz de prover em meses e o tinha agarrado a si. Eles planejavam sair imediatamente dali, mas era tarde demais. Mesmo com a capa da invisibilidade, eles não se tornavam intangíveis e Argo Filch agora se encontrava tomando toda saída.

Aurora de jeito nenhum ia receber uma detenção na sua primeira noite.

—Preciso que vocês confiem em mim. — cochichou a garota nos ouvidos de James e Sirius. -E façam exatamente o que eu fizer.— Os meninos não tinham ideia do que aquilo se tratava, mas também não tinham outra opção.

Aurora tinha que agir rápido. A Sessão Restrita era pequena e logo eles seriam descobertos.

—Segurem a capa!

E com esse último aviso, Aurora os puxou pelas mãos e os três pularam pela janela.

Notas finais
OHHHHHH É AI? O QUE ACONTECE AGORA?