When We Were Young
115 Wonderwall
Notas iniciais

WONDERWALL
HOGWARTS
1977
6thYEAR
—Addie… Addie…
—O que? — indaguei a olhando raivosa. Emmeline arregalou os olhos, dando um passo para trás. Ela suspirou, olhando o resto das meninas pelo dormitório. Elas parecem entender algo e aos poucos saíram, nos deixando sozinha. Revirei os olhos para aquilo e continuei na mesma posição. Não dando a miníma para Emmeline que me encarava preocupada.
—Você está me assustando. — murmurou ela. — Eu achei que você estivesse bem… você passou a noite toda acordada olhando pela janela… chorando. O que aconteceu? É sobre Remus? O que te deixou tão perturbada?
—Você abrindo a boca e falando. — respondi. Emmeline ficou com o rosto vermelho e cruzou os braços, mas eu não mudei meu rosto de indiferente, sentada em minha cama.
—Muito engraçado. — debochou Emmeline. — Eu andei lendo um livro trouxa… tem alguns exercícios que ajudam você a entender todos esses sentimentos que está sentindo.
—O que eu estou sentindo é que toda essa conversa é perda de tempo. Não estou deprimida. — revirei os olhos, querendo que Emmeline saísse do quarto e me deixasse sozinha pelo resto do dia.
—Eu só quero consertar você, Addie.
—Eu não estou quebrada! — exclamei, ficando irritada.
—Não foi isso o que eu quis dizer, pare de ser ridícula. — bufou Emmeline, mas eu já tinha me levantado e ficando cara a cara com ela.
—Agora eu sou ridícula? Você, Remus, todos vocês só não gostam do jeito que eu sou agora e querem botar a culpa em uma estúpida doença.
—Addie. Addie, pare. — ela me pediu, segurando minha mão. — O livro diz exatamente que você não pode confiar nos seus próprios pensamentos…
—Meu pensamentos estão errados também?
—Chega, eu vou chamar Sirius e vocês podem ficar aqui chapados o dia inteiro. — ela me disse, desistindo e querendo sair do quarto, mas dessa vez eu segurei a mão dela com força.
—Você começou, Emmeline. — eu praticamente gritei. Ela fechou a cara, mas parecia assustada. — Admita você me odeia!
—Addie, isso não é você, é a depressão falando! — ela berrou de volta. — Eu odeio todas as malditas coisas que aconteceram com você, eu nunca te odiaria.
Eu a olhei confusa, sem saber o que pensar. Só conseguia me lembrar em como eu estava chateada, em como eu me sentia sozinha e triste, e eu nem conseguia me lembrar do porque de estar me sentindo assim, só sentia isso fortemente em meu peito. Aquele vazio enorme e pesado que me seguia para todo lugar que eu ia. Aquele vazio a qual eu fugia e fingia não existir. Aquele vazio me atingiu com tudo, me fazendo querer gritar para me livrar dele. Eu comecei a ofegar, sentindo uma falta de ar impressionante, acabei me sentando no chão, sentindo lágrimas descerem pelo meu rosto. Nunca havia me sentindo tão descontrolada daquele jeito e Emmeline também, pois ela me olhava praticamente em pânico, ela se jogou a minha frente me agarrando, me apertando em seus braços, parecia querer tirar aquilo que eu sentia de dentro de mim. Ela me perguntava o que eu estava sentindo, o que ela deveria fazer, enquanto eu chorava em seus braços, notei que eu nunca havia feito isso com ela, chorado em seus braços como uma criancinha, como eu estava fazendo agora.
Eu só conseguia pensar em uma coisa. Remus. Quando ele me olhou na Casa na Árvore antes dele voltar e me pedir desculpas, o jeito que ele me olhou. Eu senti como se a última pessoa com quem eu pudesse contar havia me deixado. E quando ele voltou e me beijou eu senti que fosse como somente o corpo dele estivesse ali, que a alma dele havia me deixado. Desistido de mim. Eu tentava tanto não pensar desse jeito, afinal eu tinha tanta gente com quem contar, mas porque eu me sentia como se não tivesse? Porque eu me sentia como se estivesse totalmente sozinha no mundo? Porque eu me sentia como se tivesse morrido a muito tempo atrás? Eu não sabia o que responder para mim mesma, não sabia o que pensar. Só queria voltar a sentir braços acolhedores sobre mim, voltar a me sentir como antes.
—Eu sinto como se não conseguisse continuar com isso, Emmeline. — eu chorei, com a cabeça deitada no peito dela. Ela tinha seus braços em volta de mim, mas mesmo assim eu não me sentia segura.
—Isso o que?
—Eu achei que eu estava bem, eu realmente achei… — solucei. — Achei que estava voltando… Eu achei que estava bem!
—Com o que você não consegue continuar, Addie? — ela me perguntou em um sussurro.
—Nada! — falei, me separando dela. — Eu sei que você quer a antiga Adhara de volta, mas eu não consigo achá-la. — berrei, chorando. — Eu não acho que ela está mais aqui. — disse, apontando para minha própria cabeça. — Tem algo errado comigo, Emmeline, tem algo tão errado.
Escutamos passos extremamente apressados e Remus apareceu na porta do dormitório a abrindo com tudo fazendo ela bater na parede. Ele parecia preocupado como nunca. Lily vinha atrás dele, com a mesma cara de preocupada que ele tinha. Os dois nos olharam no chão, percebi que Emmeline chorava tanto quanto eu, mas silenciosamente como se temesse soltar algum barulho. Eu tentei parar de chorar, realmente tentei, mas não consegui.
—O que aconteceu? — indagou Lily. Remus não disse nada, apenas correu até mim, se jogando no chão como Emmeline havia feito. Ele me abraçou tão apertado quanto ela, me tirou dos braços magros de Emmeline e me apertou contra o peito dele. — Emme…
—Eu não sei o que fazer. Eu não sei o que fazer. — chorou Emmeline, sendo amparada por Lily. Eu vi as duas indo para o banheiro, enquanto escutava o coração de Remus batendo dentro de seu peito.
Eu senti. Eu senti novamente como se o corpo de Remus estivesse lá frio e vazio me abraçando e sua alma longe e esquecida, sua alma que me aquecia quando ele me abraçava. Consegui parar de chorar aos soluços, deixando só as lágrimas escorrerem silenciosamente pelo meu rosto. Acho que os batimentos do coração de Remus me acalmavam mesmo que ao mesmo tempo eu sentia como se ele estivesse vazio por dentro. Ergui meu rosto, encarando seus doces e preocupados olhos. Eu podia ver no fundo de seus olhos, o quanto ele se importava comigo… o quanto ele me amava. Eu podia ver, mas não sentir. Não conseguia sentir todo aquele calor que parecia transbordar de seus olhos, de sua pele.
—Eu estou assustada, Remus. — falei. — O que tem de errado comigo?
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—Precisamos fazer algo! — escutei a voz desesperada de Emmeline. — Isso não é normal, ela estava bem, até… ela não estava mais. Eu não sei o que fazer, eu estou ficando assutada, eu...
—Eu sei. — a voz calma de Remus respondeu.
—Ela estava bem! Acha que ela ficou assim porque você se declarou para ela?
—Ela te contou?
Eu me desliguei da conversa, ao perceber o rumo que ela tomaria. Apenas continuei encolhida da minha cama, usando a blusa de Adam e com a mão embaixo do meu travesseiro, sentindo a carta de Adam amassada em minha mão. Eu queria dormir só que eu não conseguia, havia tentando ontem a noite, mas após fechar meus olhos eu tinha flashs desesperadores. Via Bellatrix tentando me matar, Rodolphus me tocando com um sorriso maldoso, Mary morta embaixo das pedras e os caixões dos meus pais e Adam. E eu sentia vontade de gritar.
As cortinas se abriram e mirei Remus que me olhou por um momento antes de se deitar ao meu lado, voltando a fechar as cortinas. Ele deitou sua cabeça no meu travesseiro e ficou me olhando, nossos rostos a centímetros de distância, assim como na outra noite. Senti novamente aquela vontade de beijá-lo, aquela que eu não conseguia explicar. Aproximei mais meu rosto e ele não se afastou, encostei nossos lábios, apenas por alguns segundos e voltei a me afastar. Ele não se mexeu ou falou, só ficou me mirando com seus olhos âmbares. Suspirei, segurando sua mão, entrelaçamos nossos dedos e eu fiquei os olhando até que com a mão livre Remus tocou meu queixo e levantou meu rosto.
—Addie… — ele murmurou, angustiado. — Eu não sei se consigo te ajudar mais. — ele disse. Instantaneamente lágrimas escorrerem dos meus olhos. — Precisamos… precisamos procurar ajuda.
—Eu consigo lidar com isso. — prometi, apertando sua mão. — Eu vou conseguir.
—Eu espero que sim. — ele disse. Eu fechei os olhos e coloquei minha orelha contra seu peito, escutando seu coração bater. Era como se eu quisesse escutar algo dentro de Remus me dizendo que sua alma não havia me deixado.
—Ouvir seu coração me acalma. — comentei. Senti sua mão ir para o meu cabelo, me fazendo carinho. E escutei ele me sussurrar algo misturado com as batidas de seu coração.
—Ver você respirando me acalma.
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Eu vou conseguir. Eu vou conseguir.
Repeti a mim mesma com confiança. Eu andava de um lado para o outro na Casa na Árvore, sentindo a ansiedade dentro de mim borbulhar. Remus estava sentada na poltrona e mirava o colchonete em que havíamos deitado aquela noite. Eu suspirei, também mirando, me lembrando dos beijos carinhosos de Remus, dele dizendo que gostava de mim.
Escutei ele me dizer alguma coisa, mas eu estava muito nervosa para prestar atenção. Fui até o espelho atrás da porta e passei meu gloss de morango, estalando os lábios, querendo me sentir bonita. Suspirei uma segunda vez e ajeitei meus cabelos, fiz eles ficarem mais loiros que o normal, mais claros como os de Narcisa. Eu não achava tão estranho voltar a usar os normais uniformes de Hogwarts, afinal eu havia saído da equipe por um tempo e me acostumado a não usar mais o traje bonito e apertado das líderes de torcida. Mas quando eu me mirei inteira no espelho eu senti saudades, toquei minha barriga, sentindo uma estranha vontade de vomitar.
—Vai dar tudo certo. — comentou Remus, atrás de mim. — Se afasta da porta. — ele disse. Eu o fiz e no momento seguinte nossos amigos foram entrando um por vez, não estavam barulhentos como sempre, mas mesmo assim por suas habilidades lupinas Remus conseguiu os ouvir chegando.
—A última reunião não acabou bem. — disse James, indo se jogar no sofá. — Alice quase socou a cara de Sirius.
—E teria socado se Marlene não tivesse se metido no meio. — bufou Alice, se sentando ao lado de James. Todos se acomodaram, enquanto eu encostava na porta recém fechada e os observava.
—Então… isso tem alguma coisa a ver com Remus agindo como louco no Salão Comunal dizendo que estava te ouvindo chorar, mesmo que todos nós disséssemos que não estávamos escutando nada? — perguntou Emily. Todos me olharam curiosos. Eu assenti.
—Remus realmente me ouviu, eu estava… chorando. — falei, soltando ar.
—O que aconteceu?
—Teve um pesadelo?
—Achei que estava bem…
Eles começaram a falar ao mesmo tempo, confundindo minha cabeça. Eu fechei os olhos com força.
—Vocês nunca podem calar a boca? — perguntei, nervosa.
Eles ficaram quietos, me olhando assustados, menos Remus que me olhou como se soubesse que eu faria isso.
—Addie… o que aconteceu?
—Cala a porra da sua boca, James. — eu pedi, tentando soar tão agressiva quanto as minhas palavras. — É exatamente sobre isso que eu quero falar. Eu não dormi a noite inteira, eu só fiquei pensando e pensando… e pensando! — falei, desesperada para que eles entendessem. — E o resultado disso Emmeline pode dizer que não foi bonito. — murmurei, mas sei que eles me escutaram. Voltei a me virar, me analisando no espelho, sabia que todos me olhavam esperando alguma coisa. — Eu… Eu …. — eu tentava dizer, mas não conseguia, parecia entalado em minha garganta.
—Você consegue. — escutei a voz de Remus.
—Eu não estou bem. — falei alto. — Eu não venho estando bem a muito tempo. — disse, ainda me encarando no espelho. — Sei que eu parecia bem, mas… eu não estou.
Eu não estou bem. Eu não estou bem. Eu não estou bem.
Escutava a minha própria voz em minha cabeça, repetindo aquela frase um milhão de vezes, escutava meus amigos falando algo atrás de mim. Mirei meus olhos azuis no espelho e me vi. A antiga Addie. Ela estava lá em aparência, mas e se dentro de mim ela tive simplesmente… sumido.
Quando eu vi tinha minha varinha em mão, talvez pelos meus pensamentos tempestuosos a varinha pareceu explodir algo pela ponta. Escutei meus amigos gritarem atrás de mim e senti o sangue escorrendo pela palma da minha mão. Senti dor, mas não chorei ou gritei. Ouvi alguém dizer para que não me tocassem, me deixassem respirar, mas em poucos segundos senti braços em volta de mim. Não eram os braços de Remus, pelo espelho eu pude ver Remus em pé em frente a poltrona, me mirando, mas eu reconhecia aqueles braços em volta de mim, mesmo se não tivesse olhado pelo espelho.
Sirius me abraçou protetor, tocou minha nuca e colocou minha cabeça contra seu peito. Como com Remus, senti o coração do meu primo bater rapidamente. Imagino que tenha ficado assim quando ele me viu socar o espelho. Meu coração batia rápido como o dele, pareciam até mesmo conectados, como um só.
—Addie. — escutei ele dizer.
—Me desculpe. — falei.
—Nós só queremos a antiga Addie de volta. — falou James. — Ela… ainda está ai?
—Eu vou achá-la.
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—Mais uma cicatriz. — murmurei, passando a mão com cuidado sobre as bandagens que estava em volta da minha mão. — Estou ficando tão legal quanto Remus. — comentei, com um sorrisinho. Sirius sorriu de volta. — Eu assustei todo mundo, não foi?
—Sim. — ele respondeu. — James estava chorando quando saímos. — ele contou. Suspirei, tocando com a ponta dos meus dedos o lençol macio do leito em que eu estava sentada de pernas cruzadas. Estávamos na enfermaria, após eu admitir na frente de todos os meus amigos que eu precisava de ajuda e de socar um espelho em um acesso de fúria. Sirius havia me levado até lá, enquanto nossos amigos continuavam na Casa na Árvore, provavelmente conversando sobre mim. — Eu decidi o que vamos fazer. — ele me disse.
—E o que vamos fazer?
—Eu vou falar com a Professora McGonagall e ver poções que podem te ajudar não só fisicamente, tem bastante poções para isso, na verdade. — ele falou. — Eu andei pesquisando na biblioteca…
—Você em uma biblioteca? — perguntei, arregalando os olhos, fingindo surpresa. Ele riu, sentado no leito ao lado do meu.
—É muito comum. Uma hora você sente esse…
—Vazio. — completei. Ele assentiu.
—Uma hora você sente esse vazio pesado como nunca e uma hora ele pode parecer que nem existe mais. — disse Sirius, o olhei surpresa.
—Você realmente andou pesquisando. — comentei. Ele assentiu.
—Precisava entender o que estava acontecendo com você. — murmurou. — E já tive essa sensação… quando ficava sozinho na Casa dos Black.
—Eu não entendo o que está acontecendo comigo. — eu disse a ele. Me deitei, pousando a cabeça no travesseiro. -Me sinto… como se eu não fosse eu mais. Como… como se eu tivesse morrido naquele acidente, Sirius.
—Mas você não morreu. — ele me disse, vindo se deitar ao meu lado, fui um pouquinho para o lado para que o corpo quente do meu primo pudesse se aconchegar. — E enquanto eu estiver vivo…
—Não diga isso. — falei, me sentando rapidamente. — Enquanto eu estiver vivo… não diga esse tipo de coisa, Sirius, não diga.
—Não direi. — ele me prometeu.
Sirius me puxou para o seu peito. O abracei com força.
—Eu te amo… caso eu morra. — murmurei. Isso fez ele dar uma gargalhada.
—Eu te amo, caso eu morra.
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—Essa é a Poção Relevium. — disse Sirius, no café da manhã. Ele tinha acabado de chamar a atenção para nós, para que todos notassem que ele queria falar. Eu estava morrendo por dentro de ter que fazer isso, estava odiando, mas sabia que tinha, então apenas o deixaria falar o que quisesse. — Slughorn que recomendou. Ela tem que tomar um gole toda manhã para melhorar.
—E o que faz exatamente? — Dimitre quis saber e os outros concordaram.
—Acredito que funciona como antidepressivos. — falou Lily. — São pílulas trouxas. Eles balanceiam os químicos naturais do cérebro, então eles podem elevar o humor, mudar o comportamento, regulam o humor basicamente.
—Sim, é isso. — falou Sirius. — Ontem logo após que saímos da enfermaria fomos ao até o Dumbledore, algumas horas depois Addie já estava se encontrando com um curandeiro especializado nisso.
—Quem bom que você está cuidando dela, Six. — sorriu Marlene, beijando o namorado na bochecha.
Eu queria dizer que não precisava ser cuidada, mesmo que soubesse que isso não era verdade, só que eu sentia aquela vontade de tacar aquele frasquinho de poção bem longe e gritar com Sirius que eu não precisava daquilo que eu estava bem, que eu só havia tido uma crise existencial, achando que precisava de ajuda, mas que eu estava simplesmente muito bem.
—Addie. Addie. — Peter estalou os dedos na minha frente.
—Foi mal. Viajei. — forcei um riso.
—Então, toda manhã Addie vai tomar um gole da poção. Ela não pode deixar de tomar. — falou Sirius, seriamente. — Alguém sempre tem que se certificar se ela tomou.
—Porque? — perguntou Peter, confuso.
—Porque… eu posso mentir e não tomar. — falei, encarando meu primo que desviou o olhar. — Certo? Pensar que estou bem, quando na verdade não estou.
—É, por causa disso. — concordou Sirius. Ele colocou o frasco de poção a minha frente. — Tome. — ele mandou. Assenti abrindo o frasquinho, o despejei no meu suco de abóbora. Notei que era transparante e sem cheiro, até como se fosse meus sentimentos. Peguei o copo e misturei um pouquinho, então bebi o suco todo em um grande gole. Olhei meus amigos que sorriam felizes e eu sorri de volta. — Como se sente?
—Como “1”. — eu falei, olhei para Remus. Ele me olhou de volta, mas nenhum de nós dois sorriu dessa vez.
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—Parem de me encarar. — pedi, erguendo meu olhar do meu diário. Emmeline, Emily e Lily coraram e começaram a fingir que faziam alguma coisa. Eu dei um sorriso e fechei meu diário, o guardando embaixo do meu travesseiro. — Então, o que vocês tanto querem me contar?
—Ahn…
—Emmeline. — chiou Lily, mas minha melhor amiga apenas torceu o nariz para ela.
—É sobre Remus. — ela disse.
—O que sobre ele? — perguntei, fingindo não estar extremamente curiosa. Elas se entreolharam, como se estivessem escolhendo quem falaria comigo e como se estivessem escolhendo que palavras usarem com a pobre Adhara. Eu odiava aquele tipo de olhar, como se eu fosse uma coisa de outro mundo, antigamente era bom, porque todos me olhavam porque eu era simplesmente muito bonita, mas agora esses olhares eram porque eu era a garota com a família morta.
—Não fique brava, mas… eu acabei comentando com as meninas sobre você e Remus. — murmurou Emmeline. Eu fiquei brava, não queria que ninguém ficasse sabendo que Remus se declarara para mim, muito menos os meninos. Só que eu fingi que não e dei de ombros. — Emily conversou com ele.
—O que você disse? — indaguei, um pouco ríspida.
—Nada demais. — ela me assegurou. — Só que você está o fazendo se sentir culpado, Addie.
—Culpado?
—Culpado por se declarar para você. — explicou Lily. — Culpado por… amar você.
—Se ele se sente tão culpado assim, talvez seja porque não sente nada disso. — eu falei. Me levantei depressa da cama e me joguei no meu tapete roxo felpudo no meio do quarto. Enfiei minha cara no tapete, com os braços apertos, de bruços. Senti minhas amigas se sentarem a minha volta, mas fora do tapete, como se fosse proibido. Como se fossem um pecador que teme pisar na Igreja.
—Sabe que isso não é verdade. — falou Emmeline, colocando a mão no meu cabelo. Ela começou a desembaraçar meus fios com seus dedos. — Ele acha que a culpa de você ter tido um surto é dele. Que você estava bem e ele causou isso em você.
—Isso é verdade, Addie? — me perguntou Lily. Eu suspirei, sem levantar a cabeça.
—Talvez nós devêssemos deixá-la. — comentou Emily. — Ela pode nos dizer o que sente sobre Remus quando bem entender… deixá-la respirar, sentir a própria dor.
—Emily isso talvez funcione com você, mas não com Adhara. — disse Lily rudemente. Eu sabia que as duas ainda não iam uma com a cara da outra, apesar de sempre se tratarem com cordialidade. — Nós já a deixamos muito sozinha pra saber que Isso. Não. Funciona.
—E o que você sabe sobre dor? — questionou Emily. Eu ergui minha cabeça, apoiando meu queixo no tapete e trocando um olhar com Emmeline. — Tem a vida perfeita, aposto que nunca sofreu na vida…
—E ainda bem por isso. — cortou Emmeline, tocando a mão de Lily. — Ainda bem que Lily não teve que passar pelo horror que é perder alguém que ama ou quase perder a si mesma.
—Não se vanglorie pela dor que tem, Emily. — eu disse. — A dor pode te fazer mais forte, mas se eu pudesse desejaria nunca ter sentindo essa dor na vida, mesmo que no final eu ficasse simplesmente… fraca.
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—Eu estou ótima, muito ótima. — eu falei, suspirando. A poção tinha um efeito bem rápido, muito melhor do que as pílulas trouxas disse Lily. Mas eu nunca tinha tomado uma, então não sabia se era tão melhor assim mesmo. — Um saco que eu não posso fumar um baseado por causa da poção, mas sabe… eu estou simplesmente ótima. — falei para ele. — E você?
—Ahn… — Regulus olhou para os lados da biblioteca e parecia confuso. — Estou bem, Addie.
—Você e Effy Lestrange terminaram? — perguntei. Ele assentiu.
—Ela é… bem, espero que ela esteja diferente quando formos nos casar. — ele murmurou. Assenti.
—Namoros podem ser complicados. — eu comentei. — Um dia estão apaixonados e no outro… não tanto. — falei, suspirando. — Oh, matéria do quinto ano. — eu falei, pegando o pergaminho dele. — Me lembro de tudo. — falei, pegando a pena e a tinta, para fazer a redação de Transfiguração dele.
—Estou um pouco nervoso com os NOMs. — ele me contou.
—Não fiquei. Tenho certeza que vai bem. — falei.
—Senti sua falta. — murmurou Regulus. Eu sorri e o olhei.
—Senti a sua também, Reg. — falei, colocando a minha mão sobre a dele e acariciando. — Soube que teve um pequeno encontro com Sirius, espero que ele não tenha sido mais babaca que o normal.
—Ele não te contou? — ele me indagou, franzindo a testa.
—Não muito, só que brigaram…
—Então… ele não te contou sobre tio…
—Reunião de família! — escutei a voz alta de Sirius. Nos viramos para ele e apesar do sorriso, ele tinha os olhos duros fixados em Regulus. — Espero que ninguém esteja falando o que não precisa. — ele falou, lentamente. Dessa vez eu franzi a testa e olhei meus primos confusa, mas Regulus parecia ter entendido a mensagem de Sirius.
—A gente conversa mais depois, Addie. — ele me falou, pegando seus livros e pergaminhos. — Obrigado. — ele disse e me deu um beijo na bochecha saindo.
—O que… — olhei Sirius. — Porque ele foi embora? — indaguei. Sirius deu de ombros.
—Regulus sempre foi estranho.
—Mas o que ele estava dizendo sobre tio…
—Addie, esqueça, Regulus é um esquisito.
Fiquei quieta, vendo meu primo se sentar ao meu lado, falando mil e umas coisas. Parecendo que queria me distrair, quase acreditei, mas quando troquei um olhar com Regulus virando o final do corredor de estantes, eu sabia que tinha algo errado.
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—Peter. — Sirius suspirou. — O que está fazendo?
—Pensando. — ele respondeu. Sirius o olhou de cima. Peter estava deitado no meio de um corredor movimentado, as pessoas passava, o pulavam, o olhavam estranho, até ameaçavam o azarar, mas Peter não saia de lá de jeito nenhum. — Sobre Mary.
—Oh. — murmurou Sirius. — Quer companhia? — ele perguntou.
—Seria legal.
Sirius se deitou ao lado de Peter no corredor, mais pessoas reclamaram enquanto andava, mas ele não ligou. Cruzou as pernas e apoiou um braço na barriga e o outro atrás da cabeça. Eles não conversaram, apenas encararam o teto de pedra em silêncio. Sirius nunca soube muito o que fazer quando Peter falava sobre Mary. Ele ainda se lembrava da animada e doce garota que o adorava mesmo que as vezes ele estivesse sendo um total babaca, ele ainda sentia falta dela, não tanto quanto antes, mas seu coração ainda se apertava ao escutar o nome dela. Então, dessa vez Sirius resolveu não ficar em silêncio. Ele havia ficado em silêncio com Adhara até que chegou um ponto em que sua prima já estava tão mal que precisava de ajuda. Ele não ficaria em silêncio com Peter.
—O que estava pensando sobre ela? — ele perguntou. Peter o olhou surpreso.
—Ahn, como estariam as coisas se ela ainda estivesse aqui. — ele respondeu. — Primeiro eu fiquei pensado se ainda estaríamos namorando, pensei em como ela estaria linda… mas depois eu pensei que se Mary estivesse aqui talvez Addie nunca teria ficado daquele jeito. Ela alegrava todo mundo só por estar por perto… ela nunca deixaria Addie ficar triste.
—Verdade. — ele sorriu. — Mary teria cuidado dela, de um jeito que a gente nunca conseguiria.
—O que vocês, idiotas, estão fazendo? — os dois olharam para cima, vendo James o olhar com um sorriso maroto. — Estão parecendo dois retardados.
—Quer se juntar a nós?
—É claro que sim. — riu James, se deitando do outro lado de Peter, colocando os dois braços atrás da cabeça. As pessoas reclamava, mas nenhum dos três dava a mínima. — Caras, eu amo Lily Evans. — ele suspirou. — E suas varinhas de alcaçuz… e sua cabelo. Oh, Merlin, eu amo o cabelo dela.
Sirius e Peter se entreolharam risonhos e depois olharam James que tinha um sorriso sonhador.
—Lily acabou de me dizer que você roubou todas as varinhas de alcaçuz dela. — Dimitre disse, parado aos pés dos três garotos. — Eu fui mandando para resgatar os doces, mas imagino que já tenha comido todo.
—Ainda tem uma. — disse James tirando uma varinha de alcaçuz do bolso. Dimitre deu de ombros se deitando ao lado do amigo e pegando a varinha para comer.
—Então, o que estamos fazendo? — ele perguntou.
—Atrapalhando a passagem, certamente. — ouviram Remus dizer.
—Tem gente reclamando de vocês no corredor ao lado. — Adhara comentou, chegando ao lado de Remus que corou ao vê-la.
—Querem se juntar a nós? — perguntou Peter.
—Achei que nunca perguntariam.
Adhara se espremeu entre Sirius e Peter, ficando com a cabeça encostada no braço do primo. E Remus reclamando que isso não era coisa para um monitor fazer se deitou ao lado de Sirius.
Eles ficaram ali, jogando conversa fora, tirando doces dos bolsos. E apesar do motivo pelo qual todos acabaram deitados ali, eles se sentiam bem, sem sombras de tristeza. Como se naquele momento em que estivessem ali deitados e juntos as mortes que aconteceram ao redor deles, as coisas tristes e ruins não existissem.
—O que acham de irmos escondido para Hogsmeade? — perguntou Adhara. — Tomar algumas cervejas amanteigas na Mademe Rosmerta.
—Definitivamente.
—Minhas costas já estão doendo.
—Não tenho mais idade para movimentos bruscos.
—Eu acabei de deitar!
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—Não sei por que roubam, vocês são ricos, por Merlin! — disse Remus exasperado. Sirius e James riram, segurando vários doces roubados do porão da Dedos de Mel nos braços. — Eu vou dormir, não me acordem, ladrões. — ele bufou subindo as escadas do dormitório.
—A banana viaja no Yin-Yang. — cantavam Dimitre e Peter, com os braços um no ombro do outro. Andando quase tropeçando, subindo para o dormitório. Haviam bebido muitas cervejas amanteigadas. — Aquele lance hermafrodita...
—Varinhas de Alcaçuz. — sorriu James bobamente. — Minha Lily ama… — ele dizia, subindo para o dormitório.
Sirius e Adhara foram os únicos que ficaram. Ela se jogou no sofá, tirando os sapatos com os pés e deixando os doces caírem por sua barriga. Sirius jogou os doces em uma mesinha de centro e se sentou aos pés de Adhara, que logo jogou suas pernas em cima do colo do primo.
—É como se eu finalmente pudesse ver com clareza, sabe? — ela disse, um pouco risonha de cerveja amanteigada. — Eu estava sendo cega… digo, eu tinha essa coisa me cegando das coisas boas que estavam bem na minha frente. — ela sorriu para o nada. — Entende?
—Sim, você está muito… feliz. — analizou Sirius.
—Isso não é simplesmente ótimo? — ela riu, se sentando e olhando seu primo. — É o que você queria, não é?
—O que eu quero é que você queira ficar feliz. — falou Sirius. — Você está estranha, essa poção…
—É ótima. Eu estou ótima, tudo está ótimo. — ela insistiu.
—O que você vai fazer sobre Remus?
—O que tem a fazer sobre Remus?
—Ele te ama.
—Todo mundo me ama.
—Addie! — Sirius brigou. Ela suspirou e voltou a se deitar no sofá.
—Ele me ama…
—E você ama ele?
—Eu… é Remus. — ela falou, fechando os olhos. — É, claro que eu amo ele, é só…
—Ele te ama desde o 1º ano, Addie. — falou Sirius. Ela fez uma careta. — Não haja como se não soubesse disso, todo mundo sabe disso, todo mundo sempre soube.
—Mas…
—Eu sei que você preferiu ignorar todos esses anos, porque você queria sair com jogadores de quadribol, caras de banda, babacas… mas não tem como ignorar mais, não tem como adiar mais. Ou você o ama de volta ou não. — disse Sirius, sabiamente. — De qualquer jeito tudo vai continuar… ótimo.
—Eu odeio quando você está certo.
—Eu sempre estou certo.
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Adhara puxou o capuz da sua capa para cima da cabeça e saiu andando pelos corredores. Estava no fim de tarde e estava chovendo. Uma chuva de verão, mas mesmo assim caindo pesadamente. Caminhou calmamente até fora do castelo, atravessou os jardins, apertando a capa contra si. Mobilizou o Salgueiro Lutador ao chegar lá, após checar se não tinha ninguém por perto. Entrou no túnel escuro, tocando a parede enquanto andava, passando as unhas em alguns pontos que tinha marcas de garras. Quando entrou na Casa dos Gritos ainda sentia aquela maravilhosa sensação. Aquela sensação ótima que a estava fazendo se sentir como deveria.
Remus estava sentado na cama, comendo uma barra de chocolate e olhando pela janela. Ainda tinha algumas horas antes de anoitecer. A primeira Lua Cheia do ciclo era sempre a pior. Ele ficava mais selvagem e carrancudo, na primeira Lua Cheia ele nem se atreviam a levá-lo para fora da Casa dos Gritos, era perigoso.
Ela tirou o seu capuz e a capa, jogando no chão. Remus a mirou, e a via dar seu melhor sorriso e extremamente sincero. Adhara andou até ele e parou a sua frente. Remus parecia querer entender o que ela queria ali. Ela apenas se sentou na cama, em frente a ele e pegou um pedaço da barra de chocolate. Mordeu, ainda com o sorriso.
Eles ficaram se olhando por alguns minutos. Parecia que queriam dizer tudo, mas não conseguiam dizer nada. Ele era apaixonado por ela e ela sabia muito bem disso. Ele a amava a anos em segredo e agora ela sabia disso também.
—Oi. — ela disse, após soltar a respiração.
—Oi. — disse Remus de volta e voltou seu olhar para a janela.
—Eu quero te falar uma coisa. — disse Adhara. — Eu… não sou boa com palavras, bem não no momento. Eu não…
Ela suspirou e abraçou Remus com tudo. Ele quase caiu para trás na cama, sentindo ela praticamente subir em cima dele, os braços apertados em volta de seus ombros, deixando suas mãos ficarem sem escolha na cintura dela. Ele respirou fundo o cheiro característico dela. E sentiu os dedos dela em suas costas, indo cada vez mais para baixo, até que chegou na barra da sua blusa, então enfiou seus dedos delicadamente dentro da blusa, tocando a pele de Remus. Ele ficou quieto, enquanto ela subia os dedos por suas costas e começava a passar os dedos como se escrevesse algo, se arrepiando a todo momento, sentindo todos os pelos do seu corpo se levantarem. Ele esperou ela escrever com a ponta de seu dedo e quando ela terminou se afastou, voltando a se sentar na cama.
—Adhara… não diga se não sente. — ele murmurou. — Eu não acredito em você.
—Eu não me importo se não acredita em mim. — ela falou. Os dois se olharam, Remus a olhava como se realmente não acreditasse nela.
Adhara se levantou, ela caminhou até a porta, pisando em sua capa e saiu descendo as escadas. Remus ficou olhando para o chão, até se levantar correndo para fora do quarto atrás dela. A alcançou no meio dos jardins, ela andava a frente se abraçando por causa da chuva forte.
Ele berrou o seu nome desesperado. Adhara se virou parecendo até mesmo surpresa. Remus não caminhou até ela, ele correu com nunca antes, enquanto ela parada o olhava. Quando chegou até ela só conseguiu a puxá-la pela cintura e tocar seus lábios nos dela fervoroso. A abraçou com tanta força que achou que poderia a machucá-la, mas ela não fez nenhum sinal de objeção, o abraçou de volta tão desesperadamente quanto. Sentindo os doces beijos dele. A língua dele explorando sua boca querendo achar sua língua. E quando elas se tocavam era como se o corpo inteiro estivesse entrando em combustão. Aquele beijo era desesperador e era tudo que queriam para aquele momento.
Quando se separaram ofegantes, Remus sentiu que queria chorar ao passar a mão no rosto molhado dela.
—Eu... gosto você desde a primeira vez que te vi. Eu tinha doze anos. E eu me apaixonei por você, mas eu não queria... eu queria beijar jogadores de quadribol e rockeiros e fingi que todos esses anos não sabia que você gostava de mim, eu fingi tanto que eu comecei a acreditar de verdade. — ela disse. — Eu trepei com outras pessoas, para te esquecer, para esquecer de algo que eu nem sabia que existia. Achei um amor verdadeiro, mas nada funcionou.… porque eu ainda me lembro de você. – Adhara suspirou, querendo chorar, agarrando a roupa molhada de Remus, até seus dedos ficarem brancos como osso. – E quando você disse que me amava, eu fiquei apavorada, porque naquela hora além de mim mesma, você era a única pessoa que podia arruinar a minha vida. – ela fungou. Remus não tirou os olhos, com o rosto tão triste quanto o dela. – Eu te afastei e te fiz pensar que era sua culpa, mas, na verdade, eu só estava com medo de me magoar de novo, por causa do jeito que você me deixa. E eu sou uma total covarde, só porque... eu não queria ser uma escrava do sentimento que tenho por você. Você entende? – ela chorou. – Você estava tentando me punir, e isso foi horrível. Foi tão horrível... porque... Remus... Eu viveria por você. – ela limpou as lágrimas. – Eu tenho esse sentimento tão forte por você no meio peito que isso está me matando.
Remus tinha o rosto inexpressivo enquanto a olhava. Ela não conseguia distinguir o real sentimento dele naquele momento. Ele tomou fôlego, lágrimas escorriam por suas bochechas mesmo que não parecesse. Seus olhos âmbares brilhavam. Mas quando ela o olhou fundo nos olhos, ela pode ver. Ele estava feliz, apesar dos olhos vermelhos pelas lágrimas.
Ele passou o dedão pelo lábio inferior dela e a beijou novamente, lentamente, sem pressa nenhuma, mesmo que em alguns minutos o sol começaria a se por e a lua cheia brilharia no céu. A beijou como se fosse a primeira vez, a beijou como se fosse a última vez. Ele a beijava tão amorosamente que doía.
—Adhara…
—Porque eu estava tão cega? — ela perguntou, mas a pergunta parecia ser para si mesma. — Você sempre esteve bem aqui na minha frente. — ela disse, tocando o peito dele.
—As vezes precisamos de ajuda para ver melhor as coisas. — murmurou Remus. Adhara ficou nas pontas dos pés e encostou os lábios nos dele.
—Tem tanta coisa que eu queria poder dizer a você.
ஐ
Era como um segredo. Dessa vez os dois trocavam sorrisos e olhares no café da manhã e pelo resto do dia. Não se tocaram, não se beijaram, nem ao mesmo se falaram o dia todo seguinte da noite em que finalmente pertenceram um ao outro.
É claro que seus amigos notaram e fizeram bastante comentários indiretos para eles, curiosos para saber o que havia acontecido. Mas nenhum dos dois contou, era o pequeno segredo deles. Eles queriam guardar aquilo por quanto tempo conseguissem. Queriam guardar aquele momento deles apenas para eles mesmos.
Mesmo quando Remus se sentou no chão, em um círculo com seus amigos e baseados no meio, na Casa na Árvore, ele não contou. Ele sorria bobamente e aceitou de bom grado o baseado, mas não contou. Ele queria muito, queria contar a razão de tanta felicidade, contar que finalmente se sentia feliz, se aquele peso de sua licantropia em suas costas.
Remus estava radiante.
Sirius o olhava parecendo saber o que ele sentia e quando ele fez brincadeiras sobre os dois terem trepado, ele não ficou com raiva. James e Peter pareciam dois idiotas, cantarolando uma música sobre um lobisomem apaixonado por uma rainha e Dimitre ficou fazendo a batida com as mãos, com um baseado pendurado na boca. E Remus apenas riu, balançando os braços no ritmo bobo da música. Porque ele era um lobisomem apaixonado. Remus não acreditava que ninguém se sentia sobre Adhara do jeito que ele se sentia. Ele escutava os boatos, seus amigos conversando que talvez o fogo no coração de Adhara havia se apagado, mas ele sabia que não. Agora, ele já não se arrependia de dizer a ela que a amava. Queria na verdade ter feito isso antes, mas era como se todas as estradas pelas quais os dois caminharam estavam sinuosas e que todas as luzes os conduzindo estavam na verdade os cegando.
Sorrindo bobamente e assoprando a fumaça, ele não conseguia pensar na sua próxima noite de Lua Cheia, ele só conseguia pensar em todas as coisas que ele queria dizer a Adhara. Ele não sabia como, mas queria dizer. Ele só queria tentar dizer que talvez ela será quem o salvará, que no final de contas, ela é a protetora dele, sua salvação.
—Eu nunca vi o vi sorrindo desse jeito, Lupin. — riu James, passando um braço pelo ombro do amigo e bagunçando seus cabelos com uma mão. — Está sempre parecendo triste e cansado.
—Bem, eu estou feliz.
—E posso saber o motivo dessa felicidade se não eu? — indagou Sirius.
—Oh, Sirius, todos nós sabemos o motivo dessa felicidade. — debochou Dimitre, rindo, saltitando até o lado de Sirius, enquanto andavam para os jardins. Peter riu do outro lado de James. — Uma garota loira e peituda.
—Mas meu caro Dimitre, se fosse esse o motivo, o Sr. Lupin, nos contaria, não é? — falou Sirius. Os quatro pararam em frente a ele, olhos curiosos, esperando a confirmação. Naquele momento Remus decidiu dizer.
Escutaram risadas no corredor e viram Adhara e Emily conversando aos sussurros, mas dando altas risadas. Elas não os notaram no final do corredor. E viram Rabastan aparecendo e passando um braço pelo ombro de Emily. Adhara estava rindo e beijou Emily na bochecha e não ia dar na de Rabastan, mas o menino a puxou e a deu um beijo na bochecha e mesmo que estivesse revirando os olhos ela aceitou dando uma risadinha. O casal de afastou e Adhara os viu, começando a caminhar em direção a eles, ainda com um sorrisinho.
—É tão estranho ver Emily com esse babaca. — escutou James dizer. — Então, Aluado?
Ele não disse nada, observando Adhara caminhar até ele. Ele via o sorrisinho no rosto dela, mas pela primeira vez no dia não trocou um sorriso com ela.
—Remus?
Mas Remus começou a andar até ela a interceptando. Ela perdeu o sorriso ao ver o olhar duro de Remus, a puxando para o local no corredor que ela estava antes. Seus amigos ficaram confusos os esperando no lugar parados.
—Re…
—Você realmente acha que nós vamos funcionar? — cortou Remus. Ela arregalou os olhos. — Você se forçou a não me amar por uma razão, não é?
—O que?
—Você é Adhara fodendo Black. — ele murmurou. — Você fode jogadores de quadribol e rockeiros. E eu? Eu sou só Remus Lupin.
—É isso o que você acha? — ela perguntou, dando um passo para trás. Remus não se atreveu ao olhar nos olhos dela. — Que eu… não gosto de você porque você não é o tipo de cara com quem eu já transei?
—É o que eu sei. — ele disse.
—Ah, é o que você sabe?
—Eu sei que você está voltando a ser… que você é Adhara e logo vai sacar o quão desprezível minha presença é e vai me dar um fora. Sei que você não é o tipo de garota para um cara como eu. Eu sei…
—Você não sabe de nada, Remus Lupin.
—Você teve algo com ele! Agora ele está com Emily, mas você teve uma coisa com ele que por muito tempo parecia que nunca terminaria, nem mesmo quando você estava com James.
—E você confia em mim? — ela perguntou, simplesmente. Remus ficou quieto por um tempo.
—Eu sou só o entediante garoto lobisomem que ama bolos. — ele murmurou para ela, abrindo os braços. — E você… é muito mais que isso.
—Então, você realmente não confia em mim. — ela falou, sentido-se decepcionada. Remus pode sentir isso na voz dela. — Você não confia em mim.
—Eu só… não queria ver você perto de Lestrange…
—Porque? Adam nunca nem tentou me proibir de andar com quem eu bem queria…
—Eu não sou Adam! — falou Remus. — E muito menos um substituto para ele
—Realmente, você não é, Remus. — ela falou. — Eu achei que você era um cara gentil, sabe? Achei que você era tudo que os garotos dessa escola não são. Mas você… você é maior babaca! — ela berrou. Ele finalmente a olhou nos olhos, pode ver que ela chorava e quis morrer por isso, já se arrependendo dos seus pensamentos idiotas. — Você realmente acha que eu simplesmente iria para a cama com Rabastan depois… depois do que tivemos?
—… como eu posso saber? Você me tem, mas… eu tenho você? — ele indagou. Os dois se encararam. — Você nunca foi uma santa…
—Ótimo, Lupin! — ela se virou pra sair, mas logo deu meia volta, para cutucar o peito dele, dolorosamente a cada palavra — E quer saber?! Eu acho que vou mesmo trepar com Rabastan! E sabe o que mais? Eu aposto que vou gostar!
—Ótimo! — soltou Remus. Ele viu o rosto dela se contorcer em raiva.
—Ótimo! — ela gritou de volta, se virando e andando para longe. Remus sabia que não teria a presença de Tetas na Lua Cheia de hoje.
—Remus John Lupin. — suspirou Sirius aparecendo ao seu lado. Remus sentiu vontade de chorar. — Não me diga que você a teve… e então a deixou escapar pelos seus dedos.
—Eu… — ele tentou dizer, pensando na burrada que havia feito. Seus amigos suspiraram. James colocou a mão em seu ombro.
—Cara, você ama muito bolo!
ஐ
Remus observou o café da manhã inteiro no dia seguinte Adhara conversando com Emily. Elas pareciam ser as melhores amigas do mundo inteiro, extremamente íntimas. E os pensamentos de Remus não puderam achar que elas já haviam começado o que terminariam com Rabastan. Então, não pode deixar de a cheirar de longe e sorriu longamente quando apensar sentiu o seu cheiro desprendendo da pele dela. Mas parou de sorrir logo que notou que seu cheiro não ficaria nela por muito tempo, logo assumiria o perfume caro de Rabastan Lestrange. Isso o fez dar um soco na mesa. Peter acordou assustado, mas apenas começou a comer calmamente. Lily ao lado dele o olhou estranho e tocou sua mão, sorrindo para ele. Remus deu um sorrisinho de volta, vendo a ruiva lançar um feitiço em sua mão que logo parou de ficar avermelhada.
Adhara não o olhou em nenhum momento e ele quis morrer por isso mais uma vez. Ele era um idiota e bolo. Não sabia o que tinha de errado com ele. Com esse pensamento Remus deixou o café da manhã mais cedo e foi direto para biblioteca já que tinha o primeiro horário livre. Ele se embrenhou na parte mais vazia da biblioteca e se sentou no chão, encostado em uma estante. Ele tirou uma barra de chocolate do bolso e mordeu, mesmo que fosse sete horas da manhã.
—Oi. — ele se virou para Michelle Diggory. Ele sorriu mesmo que não queria. A garota se sentou ao seu lado com um sorriso. — Você é bonitinho.
—Obrigado. — ele disse.
—Parece ser cheio de bagagens. — ela comentou. — Mas tudo bem, todo mundo tem bagagem emocional, algumas mais que outros, só que esse tipo de coisa é algo que não deve ser dito e sim percebido. Como eu fiz agora. — ela disse. Remus nem teve tempo para piscar. — Eu queria deixar minhas bagagens no chão por um momento e você?
—Seria… bom.
—Me dá um pedaço? — ela pediu. Remus olhou para a barra em sua mão. A única pessoa com que ele dividia seus chocolates por livre e espontânea vontade era Adhara. Ele sentiu seu coração doer, enquanto dava a barra para Michelle e a via morder um pedaço. Ela sorriu para ele, limpando o canto da boca e devolvendo o chocolate.
Antes que Remus falasse qualquer coisa, Michelle juntou seus lábios com o dele. Ele se afastou assutado.
—Eu… achei que estivesse com Dorcas…
—Não. Eu tenho um namorado. — disse Michelle e Remus só ficou mais confuso. — Eu não sou gay. — ela disse. — Posso provar se você quiser. — ela voltou a juntar seus lábios.
Remus não se afastou dessa vez.
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